Notas iniciais
Esse é o meu adeus ao meu ídolo, que permanecerá para sempre no meu coração (clichê).

Todos estavam lá. Eu podia ver meus amigos, familiares e até alguns estranhos me encarando com olhos de pena. Ao contrário do que todos sempre falaram, eu não me sentia mal com seus olhares; eu não sentia mais nada além da dor em meu peito e as lágrimas atrás dos meus olhos.

Eu estava de mãos dadas com minha melhor amiga, ambas vestidas de preto e comóculos escuros nos olhos. Ela já tinha feito seu discurso e todo o salão chorou ao ouvir as palavras da mulher que era a melhor amiga, quase irmã do morto.

Desde que eu pisara ali, meus olhos não paravam de arder. Aliás, desde dois dias atrás, eles não paravam de derramar água. Já perdi a conta de quantas vezes me peguei soluçando até tremer. E eu não consigo me cansar disso. Eu só queria continuar chorando até morrer.

Morrer. Não sei se seria capaz disso. Porque, apesar de querer estar com o meu garoto mais que tudo, eu sabia que precisava continuar aqui. Isso não me reconfortava nenhum pouco, entretanto. Só me fazia sentir pior, porque nem a chance de morrer eu tinha.

A mãe e o pai do meu namorado estavam do outro lado do salão, tão acabados quanto eu. Eu ainda não tinha tido a coragem de falar com eles. Eu não tinha tido coragem de falar com ninguém, aliás. Nem com minha melhor amiga eu tinha trocado palavras; apenas troquei choros e soluços com duas ou três pessoas. De resto, apenas passei esses dois dias chorando sozinha, enrolada em um suéter dele, que ainda guardava seu cheiro.

Então me chamaram ao palco, para falar sobre ele. E, antes mesmo de começar a andar, eu já sentia as lágrimas atrás dos olhos.

Ali estava o corpo do homem que eu mais amei no mundo, tão perto que eu poderia tocá-lo através do caixão. Mas eu passei reto por ele, sem nem olhar em sua direção; apenas andei para o microfone no palco.

Abri a boca para começar a falar, respirando fundo, para engolir as lágrimas que me controlavam. Minha voz, que muitos veneravam, estava tão rouca que não saiu de primeira. Então eu respirei fundo de novo, limpei a garganta e me forcei a começar.

– Eu nunca vou saber o que falar sobre Finn Hudson. — disse, minha voz tremendo, as lágrimas descendo apenas por ter começado. Falar seu nome, desse jeito, só fez tudo pior. — Ele sempre vai ser um mistério que eu constantemente tentava desvendar. E eu confesso que, se tivesse mais uma chance, ainda estaria tentando. Ele sempre vai ser meu primeiro amor. Aquele garoto que me conquistou com apenas um olhar. Que tirou meu fôlego com um sorriso. O garoto que me fez rir com uma simples careta. Que me fez sentir como a melhor mulher do mundo. Que me amou de um jeito que ninguém nunca fez. Que me fez amá-lo de um jeito que eu nunca amei ninguém. E sempre vai estar nos meus pensamentos, não importa o que eu faça para tirá-lo de lá. Ele sempre vai ser aquele me consolava de noite, quando nada parecia certo.

Fiz uma pausa, tentando controlar as lágrimas incontroláveis que desciam pelo meu rosto, tentando parar os soluços e os tremores que me impediam de continuar. Mas era quase impossível.

Então eu enxerguei sua mãe, me olhando. Ela tinha tirado seus óculos, para enxugar os olhos e eu pude vê-los, tão vermelhos quanto os meus. E foi isso que me fez respirar fundo e continuar, com o coração na mão, apesar do choro que continuava a molhar meu rosto.

– E eu sempre vou sentir sua falta desse jeito dilacerante, que arranca meu coração do peito e explode minha alma. — disse, tampando a boca com a mão para impedir mais um soluço. Minha mão tremia sobre meu nariz. — Ele sempre vai ser o meu garoto, meu homem, minha alma gêmea, minha segunda metade. E nada, nem a morte, vai mudar isso.

E, desse jeito, eu acabei meu discurso. Com a última força que havia o meu corpo, desci do palco e andei cambaleante até o caixão onde seu corpo estava deitado. Pousei minha mão no vidro gelado, sentindo as lágrimas inundando meu rosto e fechei os olhos.

Pela última vez, senti sua mão na minha. Senti sua voz sussurrando em meus ouvidos que tudo ficaria bem. E senti seus lábios na minha bochecha, me dando um adeus.

Então, em pedaços, eu recolhi minha mão e saí dali. Sem olhar para trás.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Deixem um review, sempre é bom saber o que as pessoas acham do que eu escrevo.
Ah, deem uma olhada no meu vídeo, que eu fiz mais cedo, para dar adeus ao Cory (http://www.youtube.com/watch?v=C2OQZZ0DFI8&feature=youtu.be).
Beijinhos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!