Notas iniciais
Fanfic escrita num dos raros momentos em que a inspiração aparece e fica por um tempo mais prolongado, permitindo que eu possa escrever algo concreto, sem me perder pelo meio. Dedico essa a minha mãe, que vive me perguntando pelas minhas fics, quantas eu já escrevi, quantas eu já postei... Mãe, eu sei que a senhora não vai ler, mas essa é pra você.

Adeus

Eu honestamente podia dizer, se me perguntassem, que ele estava em meus pensamentos desde que eu tinha acordado, e assim era todos os dias depois do adeus.

Era estranho como eu parecia não perceber nada ao meu redor, como vê estivesse vendo sem realmente ver, ouvindo sem realmente ouvir, tocando sem realmente tocar. Completamente no automático. E era triste ter que viver com a verdade, com o fato de que eu o tinha perdido, de que Naruto não estaria mais comigo.

Eu o entendia, sabia que ele tinha razão quando dizia que sua prioridade ainda era a de se tornar Hokage, e que nosso namoro o mantinha fora de foco. Eu era somente uma distração.

Era estranho que o término de nosso relacionamento tivesse feito com que eu e Sakura nos aproximássemos mais, compartilhando os mesmos sentimentos, o de ser apenas algo que atrapalha.

— Eu não tinha percebido que estávamos apenas atrapalhando os
planos de Sasuke-kun, os objetivos dele. – Sakura disse um dia, quando
estávamos sentadas no telhado de sua casa. — Eu sequer me lembrava da vingança que ele tanto almejava, até que o Orotimaru apareceu. Mesmo depois disso, eu nunca dei muita importância para isso, convicta de que ele já não queria mais isso, que ficar com a gente, o Time 7, já era o bastante.

— E você pensou que estava tudo bem, mas o encontro com Itachi fez Sasuke-kun voltar a ser o mesmo de antes, e o fato de Naruto-kun ter se tornado mais forte foi o empurrão que faltava, pois Sasuke-kun achou que não tinha se tornado forte, que os laços que tinha criado com os companheiros de equipe o atrapalhavam.

— Sim, então ele foi embora. – Sakura finalizou, seu semblante
voltando a ficar triste e pensativo. — Eu só acho estranho Naruto ter feito o mesmo.

— Estranho?

— Veja, Naruto está sempre tentando trazer Sasuke-kun de volta
para Konoha, e isso certamente é um desvio de seu objetivo. Sasuke-kun disse isso na primeira vez que nos encontramos depois de sua partida. Eu não acredito que Naruto possa ver você, Hinata, a primeira pessoa que esteve apoiando ele, mesmo que o próprio não soubesse, a primeira pessoa a amá-lo mesmo sendo portador da Kyuubi, como distração. O natural seria ele ver você como incentivo, vendo como você o apoia.

— Talvez... ele só tenha dito isso para não me machucar. — Sussurrei, sentindo vontade de chorar. — Talvez ele quisesse terminar comigo e não soubesse como fazer. Talvez ele nunca tenha sentido por mim o mesmo que sinto por ele.

— Claro que não! – Sakura exclamou. — Naruto nunca brincaria com os seus sentimentos, Hinata.

— Todos sabem que Naruto gostava de você antes. – Retruquei. —
Quem pode afirmar que ele não continua gostando? Sakura-chan, o primeiro amor nunca é esquecido, e você é o primeiro amor dele.

— Não vamos mais falar sobre isso. – Sakura disse, encarando suas mãos, desconfortável com o rumo do assunto.

Sentada em minha cama, eu olhava para a prateleira da estante onde estavam as fotos, e olhava para as fotografias de Naruto o tempo todo. Memórias voltavam à vida, e eu não me importava, pois nas memórias Naruto estava comigo, e nós éramos felizes.

Eu me lembrava de quando nos beijávamos, do calor que eu sentia vindo de Naruto, do arrepio que subia por meus braços quando ele apertava minha cintura, do frio em meu estômago quando os beijos se tornavam mais ousados, da sensação de poder quando eu o ouvia gemer baixinho quando mordiscava meus lábios, e do seu sabor de lámem. Eu ainda sentia seu sabor em meus lábios.

Eu me lembrava de quando ele dançava comigo sem nenhuma música tocando, quando apenas apreciávamos a sensação gostosa de estar um nos braços do outro.

Eu me lembrava das coisas simples que fazíamos e dizíamos, e quase sempre eu me lembrava até chorar. Mas, se havia uma coisa que eu não gostava de lembrar, a única memória que eu queria esquecer, era o adeus. O adeus.

— Hinata, eu preciso dizer uma coisa importante para você. – Naruto disse quando me aproximei dele naquele dia.

Ele estava no nosso ponto de encontro, os bancos embaixo das árvores perto do portão de Konoha.

— Sim? – Dei um pequeno sorriso, sentindo um aperto em meu peito, o instinto dizendo que eu não gostaria nada do que viria.

— Eu gostei do tempo que passamos juntos, mas isso tem que terminar aqui e agora.

— O quê? – Perguntei, as palavras afundando em meu cérebro
lentamente. Eu não podia ter escutado certo, podia?

— Você sabe que meu sonho é me torna o Hokage e ser reconhecido por todos da vila, mas estar com você me tira do foco. Eu não posso me distrair com um namoro no momento. Você, como ninja, sabe que não existem atalhos e que o caminho é árduo. Eu realmente sinto muito, mas nós não podemos continuar.

— Eu... eu atrapalho você? – Perguntei, minha voz falhando, sem o
olhar, fitando um ponto qualquer no chão, meus olhos marejando.

— Não! Eu... você... acontece que... – Naruto respirou fundo, e então respondeu. — De certa forma, sim.

Senti meu mundo sendo destruído, pedra por pedra. Por que aquilo
tinha que acontecer comigo? Como eu podia atrapalhar Naruto sendo aquela que estava sempre o incentivando? Como eu podia distraí-lo quando só o via quando tínhamos tempo livre? Naruto dizia que queria que todos na vila o reconhecessem. Eu o reconhecia, isso não bastava? Naruto dizia estar fazendo aquilo pelo sonho dele, mas aquilo me parecia egoísta.

Eu também tinha sonhos, e o único que poderia se realizar agora
caia por terra.

— Eu entendo, Naruto-kun. – Levantei o olhar para ele e dei um
sorriso de canto, escondendo toda a dor que estava sentindo.

Naruto sorriu de volta e encaminhou-se para longe. Quando já estava a alguns passos de mim, parou e disse:

— Desculpe.

Meu coração falhou uma batida ao ouvir aquilo, e começou a bater
lentamente, quase como se quisesse, por escolha própria, parar de bater, e aquela única palavra parecia estar corroendo meu cérebro como lava quente. Destruindo, desfazendo, matando.

As lágrimas que eu tanto lutava para não derramar, pelo menos
ainda não, levaram a melhor, escorrendo livremente pelo meu rosto.

Aquilo não podia estar acontecendo! Naruto tinha que estar brincando, uma brincadeira de muito mau gosto. Eu não podia acreditar naquilo. Era como se estivesse num pesadelo e não conseguisse acordar. Como meu mundo de repente ruiu? Como a coisa mais sólida para mim tinha se tornado uma corda bamba onde eu não sabia se poderia chegar ao fim?

— Por que você está fazendo isso comigo, Naruto-kun? — Perguntei
para o nada, caindo de joelhos no chão e tapando meu rosto com minhas mãos, tentando controlar as lágrimas que insistiam em cair.

Por quê? Ele não me amava mais? Ele pelo menos tinha me amado? Será que estava falando a verdade quando dizia que era por causa de seu sonho e eu o estava atrapalhando, ou isso estava apenas servindo para encobrir o motivo real?

Seria... Seria por causa de Sakura?

Sim, devia ser isso. Naruto amava alguém, e esse alguém não era
eu. O que eu tinha significado para ele então? Eu era apenas uma... substituta?

“Ele não te ama”, uma voz suave e cintilante cantarolou em meus
ouvidos. Minha voz, a voz da consciência. “Consegue ver, menina estúpida? Quando ele a vê, é ela, Sakura, que ele deseja. Você não significa nada para ele. Você está sozinha.”

— Sozinha... – Solucei. — Eu estou sozinha.

Eu acordei na manhã seguinte a conversa com Sakura e coloquei a nossa música, minha e de Naruto. Sobre minhas lágrimas, eu cantei sozinha, perdida em mais pensamentos.

Sakura podia até ter dito isso, mas ela também não acreditava que Naruto terminaria comigo por causa de seu sonho de virar Hokage. O que, logicamente, só deixava a opção de ter sido por causa dela, por Naruto a amá-la e não a mim. Sakura sabia disso?

O que era real, afinal? Só o que eu sabia era que minha dor era real, bem real.

No fim, eu acabara não significando nada para ele. Apenas um passatempo, uma coisa que o “distraia”. Tudo. Cada momento. Cada toque. Todas as vezes que ele dizia me amar... resumido a nada.

Um soluço escapou de meus lábios, trazendo-me de volta do mundo de reflexão, do mundo onde eu apenas me atormentava e atormentava, tentando entender e aceitar.

Desliguei a música e resolvi sair de casa e pegar um pouco de ar fresco. Ficar em casa, um lugar com várias fotos de Naruto, não fazia bem algum, ainda mais quando não havia nada para fazer, o que me deixava com bastante tempo livre para pensar.

Porque eu sabia que estava perdendo o meu tempo, e não me importava, contanto que eu conseguisse fugir de vez enquanto.

E, mais uma vez, caminhando pelas ruas de Konoha, as lembranças voltaram. Involuntariamente, ao ver um casal passando por mim, eu me lembrava de quando Naruto e eu nos beijávamos, e era como se o gosto dele ainda estivesse em meus lábios. Caminhando mais um pouco, eu me lembrava das vezes em que dançávamos sem música, quando passei em frente a um bar. Vendo crianças sentadas nos balanços da praça, eu me lembrava das coisas simples que eu fazia. E eu me lembrava até chorar, discretamente, para que as pessoas não vissem minha dor. Eu não queria ver pena nos olhos delas...

Parei em algum lugar para me recompor, torcendo para que ninguém visse, para que ninguém viesse até mim. E, nesses momentos, eu pensava na única coisa que desejaria esquecer, a única lembrança que queria esquecer...

Caminhei até chegar a um parque onde os balanços estavam vazios, e me sentei.

— Yo, Hinata.

De repente eu escuto, com a voz dele. Eu hesitei, mas acabei virando para ver quem falava comigo. Ele parecia tão sozinho...

Naruto estava lá, parado, olhando-me com seu rosto neutro, como se esperasse que eu dissesse algo. Mas o que ele queria de mim? Sinceramente, o que ele queria não importava naquele momento. Eu não sabia nem o que eu queria...

Existia a possibilidade de que a única coisa que eu quisesse naquele momento era que ele abrisse seus braços e me acolhesse, pedindo desculpas por tudo. Mas nada seria mais humilhante do que aquilo.

Eu não queria a pena dele.

Desviei os olhos de Naruto e olhei para baixo, mas uma vez perdida em pensamentos deprimentes.

Talvez a culpa tenha sido minha. Eu sempre soube que não era boa o suficiente para Naruto, uma menina fraca e que era a decepção do clã, aquela que o levaria a decadência.

Eu nunca tinha importado para ele.

Naruto caminhou até o balanço ao lado do meu e sentou. Apesar do ressentimento que eu sentia, era impossível não me sentir atraída por cada movimento dele. E isso era porque eu o amava, mesmo que não tivesse significado nada para ele.

Um silêncio se instalou entre nós, e eu fiquei surpresa ao ouvir ele dizer que...

Que ele se lembrava dos nossos beijos, e que ele ainda sentia o gosto de meus lábios, chocolate, nos seus. Que ele se lembrava das vezes em que tínhamos dançado sem música tocando. Que ele se lembrava das coisas simples que dizíamos e fazíamos.

Mesmo sem perceber, nós começamos a conversar, e então estávamos ambos chorando. No meio daquilo, ele disse que a única coisa que o era seu maior arrependimento, a única lembrança que ele queria que eu esquecesse, era o adeus.

— Está tudo bem, Naruto-kun. – Eu me levantei do balanço e fui até
ele, abaixei-me o suficiente para meu rosto ficar na altura do dele e limpei
delicadamente suas lágrimas. — Você não precisa chorar. – Sorri para ele, provando que tudo estava realmente bem.

— Hinata... – Sua voz estava baixa e falha.

— Você diz querer que eu esqueça o adeus, já que você se arrepende tanto dele... – Eu hesitei, não sabendo exatamente o que isso significava. — Então eu farei isso, por você, Naruto-kun. Mesmo que não fiquemos juntos, mesmo que você não me ame, eu não pensarei mais como as coisas terminaram, pois não é justo que o fim estrague todo o resto. Histórias não são feitas apenas pelo fim.

— Hinata...

— Deixe-me terminar, Naruto-kun. – Coloquei um dedo sobre seus
lábios. — Então, eu esquecerei o adeus, e você também o fará, assim não terei mais que ver você chorando. Não precisamos ficar lembrando de como terminou.

— Eu tenho uma proposta melhor. – Ele finalmente disse, sorrindo, levantando-se também do balanço e segurando a minha cintura, aproximando nossos rostos até estarmos quase nos beijando.

— Pro-proposta? – Gaguejei, sentindo a respiração acelerar.

— Sim. – Seus lábios roçaram nos meus, e um choque elétrico percorreu meu corpo. — Nós dois iremos esquecer o adeus, pois será como ele nunca terá existido. Eu nunca terminei com você ou algo parecido, e nós ficaremos juntos para o resto de nossas vidas. O que acha?

Eu estava atordoada com o ritmo em que as coisas estavam acontecendo, mas sorri em resposta.

— Eu acho uma ótima idéia. – Disse, sussurrando em seus lábios
antes de o beijá-lo, um beijo apaixonado.

­E, realmente, era como se o adeus nunca tivesse existido, e Naruto e eu estávamos juntos quando Sasuke voltou para a vila, quando Naruto se tornou Hokage, quando nos casamos, e quando nosso primeiro filho nasceu.

Um lindo menino de olhos azuis e cabelos pretos, quase azuis, cujo nome foi escolhido sem problemas: Minato Uzumaki.

E, depois disso, só havia espaço para felicidade em nossas vidas. Naruto e eu nunca mais tocamos naquele assunto tão doloroso para ambos, felizes demais por não termos perdido algo de vital importância como nosso amor.

Owari.

Notas finais
Espero que tenham curtido, e se puderem deixar reviews...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!