Addition
1 Capítulo 1- Ironia
Notas iniciais
As ruas e os comércios estavam lotados. Andava pela feira me esbarrando em outras pessoas, pelo fato de eu ser baixa isso me torna... Um tanto invisível.
Verifiquei as sacolas, já tinha comprado tudo o que precisava, só faltava os tomates. Cheguei a uma barraca e comecei o analisa-los. O vendedor sorria para mim enquanto ia guardando as coisas, já era no fim da tarde e as barracas iam fechando.
O céu estava naquele tom azul cinzento, e as nuvens negras indicavam chuva. Droga! Além de provavelmente pegar chuva, teria de voltar para aquele...
Lugar.
Nego-me chamar aquilo de casa, muito menos de lar. Em um lar temos família, conforto e proteção, mas minha única família é meu primo -odeio o chamar assim- e proteção? Nenhuma.
Paguei para o vendedor, e parti andando o mais lento possível. Preferia mil vezes ser molhada a voltar para aquele local, mas sabia que se chegasse tarde John iria se irritar, e eu me machucaria com isso.
Quando se caminha lento, você presta mais atenção nos detalhes. As árvores, casas, placas, pessoas...
Tenho mania de observar pessoas e imaginar como será sua vida, provavelmente, melhor do que a minha.
Avistei uma mulher. Ela era bonita, com pele morena e cabelos longos, usava um vestido branco e saltos de plataforma. Aparentava ter trinta e poucos anos, conversava alegremente no celular com um lindo sorriso no rosto.
Imaginei que a mulher –que na minha cabeça se chamava Lauren- tinha acabado de sair do seu trabalho, no mesmo dia havia sido promovida, e pelo celular contava a ótima notícia ao namorado.
Pegou um táxi, e foi para seu apartamento, uma luxuosa cobertura, e ao entrar recebeu uma surpresa. Seu namorado estava lá, tinha feito o jantar, e tudo estava decorando a luz de velas. Melhor ainda que seu amor a pediu em casamento, não poderia ser mais perfeito.
Gosto de ver outras pessoas felizes, isso anima um pouco meu dia. Sempre quis saber como é ter uma vida feliz, deve ser ótimo.
Encarei a porto tristemente, não queria entrar. A casa –tenho que chamar assim, afinal, eu moro lá- prosseguindo, a casa era pequena e simples, só de um andar, nada demais, uma casa normal.
Entrei, e por sorte, John ainda não havia chegado. Comecei a fazer uma salada para o jantar, cada minuto era o inferno, porque eu sabia que ele podia entrar a qualquer momento.
A salada já estava quase pronta, só faltava os tomates. Comecei a cortá-los e ouvir um barulho vindo da porta.
Droga, ele chegou.
— Clarice, minha princesa, já fazendo o jantar?- odeio aquela voz maldita.
Ele foi atrás de mim, fazendo-me cortar mais rápido e tremer.
Provavelmente, se uma pessoa estivesse ali, iria achar John um ótimo primo. Ele é bonito, isso não posso discordar, é alto, forte, tem vinte e dois cabelos castanhos e bem claros como meu. Na frente dos outros, ele me trata bem, claro, se não perde a guarda.
Já sozinho...
— Então, como foi na feira meu bem?- ele perguntou.
— Como você se importasse.
— Você está cortando esse tomate muito rápido, não acha?- ele disse sorrindo para mim de um jeito estranho- Desse jeito vai acabar se cortando.
John tocou em minha mão fazendo me cortar com a faca. Por sorte o corte não foi feio nem nada demais, para a decepção dele.
— Não disse?
Ele se fazia de gentil para me irritar, eu conhecia o verdadeiro John, provavelmente, a única que conhece.
— Não estou com fome- ele se dirigiu para o quarto.
Antes de entrar, me olhou de um jeito malicioso.
— Vem fazer carinho em mim.
Essa pessoa, iria já já ver o verdadeiro John.
Não tinha escolha, se eu dissesse não, ele iria me bater feio, então contra minha vontade fui para o quarto.
A TV da sala estava ligada, passando uma reportagem. Nela mostrou a mulher que nomeei de Lauren, que tinha sofrido um acidente de carro e não havia sobrevivido.
Irônico, não?
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