Addiction
2 Party
Já era madrugada quando Taehyung acordou com gritos femininos que logo imaginou serem da mãe de Jungkook; levantou-se apressado ao ouvir mais vozes, preocupado que pudesse ser algo grave, abriu a porta como estava, vendo Jungkook segurar algo em suas mãos.
— Tudo bem, mãe, já estou com ele nas mãos, vou levar lá fora.
O Jeon usava apenas um short folgado, o dorso nu era forte e o braço direito inteiro adornado de tatuagens; curioso, desceu logo em seguida e pôde ver o mais novo colocar um pequeno sapo do lado de fora da cozinha.
— Está tudo bem? — perguntou Taehyung.
— Você acordou! Me desculpa, é que minha mãe tem muito medo de sapos e esse entrou em casa sem que alguém visse.
— Eu levei um susto com os gritos da senhora Jeon, fico feliz que não seja nada de mais.
— Ela não controla os gritos, eu sinto muito — riu o moreno ao ir até a pia da cozinha e lavar muito bem as mãos com água e sabão.
— Não se preocupe. Seu braço… é realmente fechado de tatuagens.
— Sim — sorriu o rapaz ao mostrar um pouco mais ao girar o mesmo, secando as mãos com um pano de prato vermelho — A maioria eu mesmo fiz o desenho inicial.
— São bonitas. Quero dizer, o seu corpo todo é.
Jungkook observou o rosto do mais velho procurando o real sentido daquelas palavras e reconheceu um brilho diferente nas orbes escuras. Guardou o pano e aproximou-se mais do Kim, a camisa clara que usava era um tantinho transparente, seu pijama todo era.
— Eu tenho certeza que o seu corpo também é, mesmo sem vê-lo, porém, há algo que vejo e acho lindo — tocou levemente o rosto do outro com a mão fria, levando o polegar para os lábios bem desenhados do loiro — A sua boca, eu tenho vontade de beijá-la já faz um tempo.
A leve pressão fez os lábios rosados se separarem, Jungkook não tinha mais forças para resistir ao estar tão próximo, então fechou a distância e selou a boca com a sua, sem aprofundá-lo, porém. Por mais que aquele não fosse seu primeiro beijo, se sentia assim, com borboletas em seu estômago e um frio de expectativa a correr pelo corpo.
— Boa noite, Taehy — disse baixinho ao se afastar.
Sem se contentar com aquele breve selar, Taehyung puxou gentilmente o braço de Jungkook antes que pudesse se afastar mais e o beijou, agora tomando mais tempo ao explorar o gosto suave de lábios tão macios. Lentamente o moreno perdia o controle, sua mão esquerda puxou a cintura do loiro para si e o abraçou, a destra puxou os fios da nuca e, sem sequer notar, deu alguns passos para trás, prendendo o Kim contra a mesa da cozinha. Sentia o corpo aquecer com o contato, sabia desde o começo que, quando o primeiro beijo acontecesse, não conseguiria mais resistir a Taehyung. Tampouco agora queria resistir, só o desejava mais perto, suas mãos sobre seu corpo.
— Jungkook, está tudo bem? — gritou o senhor Jeon, o que fez os rapazes se separarem.
— Está sim, pai, eu já vou subir — respondeu fazendo seu melhor para que a voz não falhasse.
— Tudo bem, boa noite.
Taehyung estava completamente atordoado e sem ar, seu corpo se arrepiava com qualquer brisa fresca que passava por ele, ou mesmo os olhos felinos de Jungkook a lhe encarar, o corpo ainda perigosamente próximo de si.
— É melhor a gente subir.
— Ah, é claro, é melhor, claro.
— Você está bem? — o moreno segurou o riso ao se afastar.
— Só não consigo pensar direito, fora isso, tudo bem.
Com um sorriso gentil, Jungkook deixou um beijo na testa do Kim e o levou para o segundo andar, de mãos dadas.
— Me desculpa, eu me distraí por alguns segundos — pediu Jungkook.
— Tive a impressão que você queria me foder na mesa da cozinha — riu o loiro, porém, o outro não acompanhou o seu riso.
— Eu quis — respondeu simplesmente antes de parar diante da porta do quarto do Kim — Boa noite, Taehy.
— A-ah… boa noite, Kook, Até amanhã.
— Eu acordo você — garantiu num sorriso safado ao se afastar.
O loiro podia gritar a qualquer momento, tamanho seu surto. Em todos aqueles anos, o moreno foi o único a despertar um interesse real e sentimentos mais fortes no modelo que namorava apenas para não ficar tão sozinho. Há anos tinha finalizado seu último relacionamento e, depois disso, apenas transas casuais aconteciam, sem envolvimento emocional na vida corrida.
Taehyung não deixaria a vida agitada que levava, mas agora tinha certeza que precisava dar um tempo e conviver mais com aquela calmaria que Jungkook lhe proporciona, juntamente com o furacão de sentimentos que era seu beijo.
Na manhã seguinte, como de costume, Taehyung foi acordado com a voz de Jungkook a chamá-lo, às oito da manhã, mesmo que fosse sábado. Tomaram o café da manhã juntos e depois seguiram para a missão do dia: colher morangos, tangerina e hallabong.
— Vamos começar pelas tangerinas, já deve ter um pessoal fazendo isso — comentou Jungkook e logo Taehyung concordou, a mão esquerda do loiro presa com a direita do moreno.
— Nós vamos ajudar a colher para vender na cidade?
— Quase isso. Nossa missão é colher duas caixas de cada e levar até o orfanato de Yeoju, como uma doação.
— É costume fazer essa doação?
— O ano todo, a família Kim faz questão que pelo menos duas caixas de cada tipo de frutas que saem daqui sejam levadas para lá, já que o orfanato também cuida das famílias mais necessitadas — explicou o Jeon.
Se aproximaram de uma caminhonete preta, veículo usado para esses fins e novamente Jungkook colocou o seu boné para prender os cabelos. Seguiram assim, com o mais novo dirigindo, até o local onde uma grande equipe já trabalhava em filas enormes de árvores verdes, cheias de pontos laranjas em seus galhos.
— Aqui — chamou o mais novo e quando o Kim se virou, foi surpreendido por um beijo roubado, com direito a algumas mordidas em seu lábios vermelhos — Não esquece as luvas, pode usar um boné meu pra se proteger do sol.
— Me lembre sempre — pediu o loiro, recebendo um belo sorriso ladino de volta.
Taehyung estava vestindo uma calça jeans simples, as botas fornecidas pela senhora Jeon, uma camiseta amarela e uma xadrez sobre ela, em tons terra; colocou o boné preto e as luvas, assim como seu saeng havia pedido, só então desceram da caminhonete e caminharam para a plantação.
— Não sei se eu devia fazer isso — comentou aleatoriamente Jungkook — Há amigos meus trabalhando aqui, eles são perigosos.
— Perigosos?
— Gostam de me ver passando vergonha.
— Eu quero conhecê-los. Dizem que só se conhece realmente uma pessoa pelos amigos que ela tem.
— Claro, eles sempre estão dispostos a contar todos os seus podres — riu o moreno — Se quer conhecê-los, eu posso apresentá-los, dois deles já estão logo ali.
Vindo na direção deles, dois rapazes estavam usando o mesmo uniforme que os demais, calças e blusas de manga longa que os protegiam do sol e de se machucarem com os galhos. O ruivo usava um boné claro, o moreno um chapéu típico coreano, de palha.
— Bom dia, flor do dia! — sorriu o ruivo — Oh, JK, você trouxe alguém! Bom dia.
— Bom dia — Taehyung respondeu.
— Jung Hoseok — ele indicou o ruivo — e Min Yoongi — indicou o moreno — este é Kim Taehyung, irmão mais novo de Kim Namjoon.
— Oh, então você é o mais novo dos Kim! É bom te conhecer, só ouvimos falar de você — cumprimentou Hoseok.
— Namjoon sempre diz que você é todo ocupado, seu irmão tem muito orgulho de você.
— E eu tenho muito orgulho dele! — sorriu o loiro.
— Veio ajudar a gente? — perguntou Hoseok — É a cara do JK levá-lo pra todo lado que vai, ele adora companhia.
— Ah, é? Me conte mais, Hoseok hyung.
— Jungkookie detesta ficar muito tempo sozinho, sempre que ele tem uma companhia, a leva pra todo lado. O problema é que ele não tem sempre.
— Normalmente fazemos o trabalho da fazenda de manhã, depois cada um tem uma função diferente e o garoto Jeon acaba trabalhando sozinho o restante do dia — explicou Yoongi.
— Realmente, não vi muitas pessoas trabalhando com a gente nessa semana.
— Eles me abandonaram, Taehy — disse Jungkook, fingindo estar chateado.
— Que dó do garoto Jeon — zombou Hoseok — Se quer tanto companhia, estamos pensando em ir no Leon à noite. A turma de sempre, sabe? Da faculdade.
— Vocês estavam cogitando ir sem me chamar?
— Eu ia mandar mensagem, mas, depois dos consecutivos acidentes com o seu celular, já sabia que você veria só no jantar — explicou Yoongi — Taehyung é muito bem-vindo.
— Eu?
— Amigos de Jungkook são nossos amigos também — sorriu o ruivo.
— Vale ressaltar que o Kim sequer sabe o curso que eu faço na faculdade — explicou o moreno.
— Eu nem sabia que você estava na faculdade. Ele não me disse quase nada sobre si — Taehyung reclamou para os amigos do Jeon.
— Jungkook deve ter seus motivos, mas seja eles quais forem, não importam, vamos contar tudo que ele vem escondendo.
— Não sou a melhor pessoa pra falar sobre mim, vocês fazem isso muito melhor. Que horas querem se encontrar?
— Nove? Eu preciso colocar minha irmã pra dormir antes de sair — explicou Hoseok.
— Tudo bem, às nove. Vão chamar o Chimmy?
— Jungkook, se o Chimmy não for, o Yoongi sequer sairá de casa.
— Taehyung vai adorar conhecê-lo. Vamos terminar isso?
— Vamos!
O Kim não sabia quem era Chimmy e qual o seu relacionamento com Yoongi, mas estava curioso com o fato de Jungkook apostar que iria adorar conhecer o rapaz. Ocuparam o dia ali, colhendo frutos e encaixotando-os para levar até a cidade, um momento de terapia para acalmar o coração do mais velho. Almoçaram todos juntos e também fizeram uma pausa já quase no final do dia. Ao anoitecer, voltaram para casa, jantaram e se prepararam para, finalmente, sair.
Jungkook havia pedido ao loiro duas coisas: para que colocasse uma grossa jaqueta e que estivesse bonito, o que foi prontamente atendido pelo Kim. Ele optou por uma jaqueta que foi presente de Namjoon, multicolorida, uma camisa de botão branca por baixo, um lenço de seda colorido preso no lugar da gravata, uma calça jeans com grandes rasgos nos joelhos, deixando a pele à mostra. O conjunto foi finalizado com um All Star clássico de cano alto. Colocou suas lentes de contato favoritas, havia trazido apenas porque já era costume levá-la em qualquer lugar, passou seu melhor perfume, uma leve sobra destacando seus olhos e um hidratante labial rosado. Ouviu batidinhas na porta e correu para atender.
— E então, podemos…
Jungkook parou sua frase no meio, hipnotizado com a beleza do loiro em sua frente. Ao contrário do colorido Kim, ele usava uma fina blusa preta, de gola alta, uma jaqueta de couro e calça do mesmo material, coturnos e luvas. Os cabelos escuros estavam jogados para trás, apenas uma pequena mecha ainda teimava em ficar sobre sua testa.
— J-Jungkook…
— Você está lindo. Você é lindo, conseguiu ficar ainda mais.
Taehyung sorriu abertamente, o que fez o Jeon chegar mais perto, segurou gentilmente seu rosto, encarou as orbes verdes sem dizer nada. A verdade é que não sabia o que dizer, como expressar o que estava sentindo naquele momento, dizer como queria fechá-lo naquele quarto e não deixá-lo sair mais, como queria abraçá-lo e pedir que nunca mais fosse embora. Sentia-se embolado de sentimentos bons que desencadearam um beijo calmo que ambos não queriam terminar.
— Vim te chamar pra ir — disse baixinho — Mas não quero te soltar.
— Podemos ir e você não precisa me soltar.
— Meus amigos vão roubar você — disse num bico fofo que logo foi mordido de leve pelo loiro.
— Prometo ficar pertinho, mesmo assim.
Jungkook sorriu abertamente, concordando com a cabeça. Ainda maravilhado com a visão do loiro em sua frente, o Jeon o abraçou pela cintura e o beijou, sem se preocupar realmente com o tempo que levaria. Apenas se deu por satisfeito quando o Kim já estava preso contra a parede e gemendo baixinho pelo contato da coxa grossa entre as suas pernas.
— Devemos ir, antes que eu não permita que você saia desse quarto.
— Se quer a minha opinião, eu prefiro ficar aqui.
— Não podemos, meus amigos são rancorosos, vão fazer drama se eu não o levar. Pega a sua câmera, você vai gostar do lugar.
— Eles pareciam realmente felizes em saber que você iria.
— É por isso que não podemos faltar. Pronto pra andar de moto comigo?
— Só se eu puder ficar abraçado com você.
— Sim, você pode.
Taehyung sorriu e pegou a câmera profissional, sua carteira e o capacete que o Jeon havia lhe entregado. Se despediram dos pais do mais novo e saíram para a garagem, onde o Kim ficou boquiaberto com a enorme moto preta.
— Você é uma caixinha de surpresas, bunny boy. Eu posso tirar algumas fotos?
— Da moto?
— De vocês dois.
Mesmo morrendo de vergonha, Jungkook aceitou e fez algumas poses para que o Kim o fotografasse, inclusive imitou as que ele já havia visto na Internet algumas vezes. Animado com o resultado, permitiu que Jungkook guardasse o aparelho em sua mochila e a guardasse dentro do banco da moto. Recebeu de bom grado a ajuda do Jeon para subir e o abraçou pela cintura.
— O capacete está bom? — perguntou o moreno.
— Ótimo, podemos ir.
— Se segure.
Jungkook acelerou a moto, o ronco potente fez um frio subir pela barriga do Kim, logo o vento atingiu seu corpo, a sensação de liberdade era indescritível. O caminho não era ruim, porém era mais escuro do que o loiro imaginava, com algumas curvas perigosas. A cidade pequena era charmosa, as ruas pavimentadas de pedra eram diferentes daquilo que o loiro conhecia, mesmo assim, pareciam combinar com todo o estilo do lugar.
O barzinho escolhido por eles era em uma das esquinas movimentadas do centro, próximo de uma praça com um grande templo. Jungkook estacionou a moto em frente ao estabelecimento e guardou os capacetes, entregando o brinquedo fotográfico para o outro num sorriso.
— Eu tenho permissão para fazer perguntas? — perguntou Taehyung.
— Todas que você quiser. Quero que você me conheça, assim como quero conhecer você.
Num sorriso, ele concordou e segurou a mão do Jeon antes de entrarem no local rústico e iluminado de forma indireta. A decoração de tijolos à mostra e madeira crua combinava com os canos de cobre que levavam cerveja e chopp gelados para os balcões do bar. As mesas de madeira escura cabiam geralmente quatro pessoas, próximo do palco baixo haviam outras que cabiam oito. Em cada uma delas, um arranjo baixo de suculentas, algumas flores e velas aromáticas.
— Meu… Deus! Que lugar incrível! É uma pista de dança?
— Sim!
Logo em frente ao palco baixo havia um espaço retangular, iluminado com luzes néon, espaço que era usado para os jovens mais animados dançarem. Um pop baixo tocava enquanto três pessoas afinavam seus instrumentos musicais.
Uma mão erguida chamou a atenção dos rapazes recém chegados, era Hoseok que os chamava animado para a mesa de oito lugares.
— E o casal chegou! Bem-vindos — sorriu Yoongi.
— Boa noite, Hoseok hyung, Yoongi hyung! — Cumprimentou o loiro.
— Boa noite, hyungs. O resto da gangue não chegou ainda?
— Chimmy vai trazer a irmã, a Liss vem com o Jinie. Vocês estão muito bonitos!
— Tenho que ficar o mínimo apresentável perto do modelo da Chanel — sorriu Jungkook ao se sentar de frente com Yoongi.
— Aposto que, se a Chanel visse como você está vestido, o contrataria agora mesmo.
— Ah, esses dois… — sorriu Yoongi — Vamos pedir batata?
— Vamos!
Taehyung pegou sua câmera e tirou fotos da decoração, de Jungkook ao seu lado e dos rapazes sentados próximos, ao que eles permitiram. A música ao vivo começou, logo mais algumas pessoas se juntaram aos amigos, apresentando-se.
— Finalmente, eu não aguentava mais o Yoongi olhando pra porta — brincou Hoseok, recebendo um olhar reprovador do moreno baixinho.
— Sabe como é o Chimchim se arrumando pra ver o crush — riu Rosé — Oi, eu sou a Park Rosé, irmã do cinzento ali — se apresentou a loira, os cabelos meio presos de forma descontraída.
— É um prazer, Rosé, sou Kim Taehyung.
— Ah, o mais novo da família Kim! — sorriu ela — Eu acho que já vi o seu irmão mais velho andando à cavalo pela cidade, uma vez.
— Ele quebrou alguma coisa? — perguntou o loiro.
— Ele estava reclamando dos óculos de sol que tinham quebrado.
— Então, sim, você já viu meu irmão por aqui — riu Taehyung — Você deve ser o Jimin.
— Park Jimin, as pessoas me chamam de Chimmy — sorriu o rapaz de cabelos cinza.
Antes mesmo que os irmãos pudessem se sentar, mais um casal chegou, uma bonita garota de cabelo laranja preso em um rabo-de-cavalo alto, acompanhada de um rapaz que parecia saído da capa de alguma revista de moda, os cabelos escuros perfeitamente alinhados.
— Ah, eles chegaram! — exclamou Hoseok que rapidamente ergueu a mão, chamando a atenção dos dois.
— Desculpe o atraso, a Lisa errou a rua — pediu o rapaz moreno.
— Eu quase entrei na contramão — explicou ela — Eu sempre venho à pé, não sabia que não podia virar ali. Nossa! Você cortou o cabelo recentemente? — ela perguntou para Jungkook.
— Tinha uma tesoura em casa — riu ele.
— Corte mais vezes assim, ficou lindo! Oi, eu sou a Lisa — sorriu a garota para o Taehyung.
— É um prazer, Lisa, sou Kim Taehyung.
— Ah, um Kim — ela ocupou uma cadeira ao lado de Rosé — Veio passar férias?
— Sim, estou na fazenda, aproveitando um pouco de ar puro.
— Aqui é o melhor lugar! — ela exclamou — Esse é o Jin, estudamos moda juntos.
— Kim Seokjin — sorriu o rapaz.
— Prazer em conhecê-lo.
— Vamos começar a beber? Quais são os motoristas da rodada? — Lisa levantou a mão, chamando o garçom. Todos já ocupavam seus lugares na mesa, Jungkook, Taehyung, Jin e Rosé de um lado e os restantes do outro, de frente com eles.
— Eu, Jimin e Hoseok — respondeu Jungkook — Mas a gente sabe que logo isso muda.
— A Lisa e a Rosé vão dançar e abandonar a gente, Jimin e Yoongi vão terminar a noite juntos, Hoseok vai aceitar me levar embora mais cedo e, claramente, Jungkook e Taehyung voltarão juntos — explicou Jin.
— É esse o problema de sair de casais — reclamou Jungkook ao levar a mão para a coxa de Taehyung, os dedos atrevidos a entrar no rasgo de seu joelho — Chega um momento que cada um pega o seu e vai embora.
— Jungkook sempre reclama, mas hoje não está sozinho — Rosé mostrou a língua para ele — Não vai precisar se ocupar com o Karaokê, Kook.
— Você canta? — perguntou Taehyung.
— Ele é um cantor incrível! — Hoseok logo explicou — A voz dele é uma das mais bonitas que eu já vi. Claro, depois do Yoongi.
— Yoongi também canta?
— Eu sou incrível, OK? — ele empinou o nariz — Fazendo rap. Cantando eu sou horrível. Eu gosto de ouvir o Jimin cantar.
— Jimin tem voz de anjo — concordou Rosé.
— Todos vocês fazem faculdade? — perguntou Taehyung.
— Eu e Jin fazemos moda, Rosé, Jimin e Hoseok fazem Arquitetura, Jungkook e Yoongi fazem design de jogos.
— Crescemos juntos, estudamos na mesma escola quando crianças e depois optamos por fazer a mesma faculdade, cada um no seu curso — explicou Hoseok.
— Você se formou, Taehyung? — perguntou Jimin.
— Sim, em artes cênicas. Infelizmente, não tenho mais contato com meus amigos de faculdade.
— Seoul é uma cidade muito grande, é fácil perder o contato. Aqui somos todos de bairros próximos, nossas famílias se conhecem. A gente sempre se encontra pra fazer alguma coisa — comentou Yoongi.
— E por falar nisso, qual o objetivo do encontro? O último foi pra desafiar Yoongi e Jimin de se beijarem — comentou Jin.
— Jungkook não contou nada sobre sua vida para o Taehyung e quis nossa ajuda para isso — contou Hoseok.
— Eu queria que Taehyung conhecesse vocês.
— Meu Deus… o garoto Jeon não está com vergonha da gente? — perguntou Rosé.
— Porra, minha maquiagem! — Lisa fingiu chorar.
— Vamos ter que desafiar um beijo entre vocês também? — perguntou Jin.
— Não precisa, hyung — Jungkook sorriu e selou os lábios na bochecha do Kim.
Mais uma vez a mão atrevida caminhou, agora para o interior da coxa do mais velho. O moreno apertou o local e sorriu ao ouvir o baixo arfar que escapou dos lábios rosados.
— Então esse é o objetivo do encontro: o Jungkook apresentar o crush! — exclamou Jimin.
— E que vocês falem bem de mim, por favor.
— Jungkook é insuportável, todos os jogos que ele perde uma partida é motivo de choro e lamentação! — entregou Jin.
— Ele tem TOC, quando acha que um dos meus desenhos está fora de um eixo que só ele vê, fica me importunando até que eu apague e refaça — reclamou Hoseok.
— Jungkook é o único que se preocupa com a indentação no código do projeto, isso causa pelo menos trinta e dois conflitos em tudo que ele coloca a mão — foi a vez de Yoongi reclamar.
— Nunca aposte em alguma coisa com ele, Taehyung! É o inferno! — Jimin logo indicou.
— Isso eu sabia — riu o Kim.
— E a parte de falar bem? — questionou Jungkook.
— A gente vai acabar falando — riu Hoseok e foi acompanhado dos demais.
— Celulares na mesa — pediu Yoongi e, como já estavam acostumados a fazer, todos colocaram os celulares enfileirados sobre a mesa, com a tela para baixo — Já sabem, quem pegar primeiro antes do encontro acabar paga toda a conta.
— O que? — riu Taehyung.
— Yoongi sempre faz isso — explicou Jungkook — Pra que ninguém fique no celular e esqueça o motivo de vir.
— Isso… é incrível — comentou baixinho. Ah, tão diferente do que estava acostumado a fazer.
Em qualquer momento daquela noite regada a cerveja, suco de laranja e refrigerante, todos os amigos de Jungkook se tornaram amigos de Taehyung também. Ali ele aprendeu mais sobre o moreno do que conseguiria notar em anos de convivência, tudo porque ele era muito querido e todos tinham algo para falar dele.
Quando Taehyung comentou que havia levado sua câmera profissional, mais do que rápido os amigos se animaram em tirar fotos e registrar o momento. O Kim aproveitou para fazer fotos das moças dançando na pista, dos copos coloridos sobre a mesa, do sorriso de Hoseok, os olhares trocados pelos Yoonmin, o rosto belíssimo de Jin. Aquela noite mostrou para o loiro algo que ele sentia falta e sequer havia notado isso: ele gostava de pessoas e sentia falta delas.
— Jungkookie, vamos dançar? — chamou Hoseok.
— Eu não estou muito animado, Hope — comentou num sorriso.
— Chimmy me abandonou, por favorzinho! Taetae, eu devolvo seu homem inteiro, prometo.
— Vai dançar com ele, Kookie, eu estou curioso pra ver. Vou fazer algumas fotos.
— Se junte a nós depois, por favor — pediu o moreno antes de se levantar e seguir o Jung para a pista de dança.
Taehyung não devia ter incentivado. Jungkook dançava próximo ao ruivo, se divertindo com o amigo sem notar que todos os seus movimentos aqueciam o corpo do Kim. Imaginava aquelas ondas sobre o seu corpo nu, queria sentir novamente o aperto que aquelas mãos lhe causavam e o que aconteceria caso ninguém os interrompesse depois que o Jeon o prendesse contra a parede.
O loiro mordeu o lábio inferior e fez algumas fotos, admirando a beleza dos amigos; seu corpo implorava pelo moreno e não tinha mais condições de negar, então entregou a câmera para Jimin que ficou muito contente com o objeto. Se dirigiu para a pista de dança, como Jungkook havia indicado e, assim que Hoseok o viu, sorriu abertamente e indicou o bar, onde Jin estava olhando para eles.
Com a saída repentina do amigo, o moreno procurou com os olhos o motivo e sorriu ao ver o Kim já próximo de si. Dançaram uma música juntos, mãos dadas e sorrisos leves, os corpos a se tocarem levemente; quando acabou, uma canção lenta tomou o local e as pessoas se juntaram em casais para dançar, Jungkook prendeu a cintura do Kim com suas mãos e sorriu ao ter os braços do outro em seus ombros.
— Então, o que está achando dessa noite?
— Incrível. Você e seus amigos me mostraram algo que eu não conseguiria ver sozinho.
— O quê?
— Eu sinto falta disso. Me coloquei dentro de uma bolha virtual que me deixou sozinho, isolado das pessoas, mesmo que ainda tivesse contato com elas. Hoje… quando Yoongi pediu que os celulares fossem colocados sobre a mesa, eu pensei sobre.
— Se estivesse com o seu aparelho aqui, você o colocaria?
— Em qualquer outra situação, jamais. Porém… eu pensei em colocar, se tivesse um. Eu quis, Jungkook, porque estar com vocês e ouvir o que vocês tinham pra falar era importante pra mim. Senti falta de pessoas.
— Meus amigos são seus amigos — disse ao encostar a testa com a dele — Reais, ao seu lado. Diante de uma tela, você não os veria, mas agora consegue perceber.
— Sim… eu percebo, graças a vocês.
E aquele sentimento único jamais seria esquecido pelo loiro.
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