Addiction

4 Capítulo 3 - Party


Notas iniciais
Oi! Obrigada por ter lido :) Essa é minha primeira história, então comentem para que eu saiba a opinião de vocês, pois só assim continuarei a postar. Gostaria de dividir esse livro com vocês, que é dedicado à uma amiga que o pediu para mim (ela foi a inspiração da obra toda, mas não que isso descreva a vida dela haha), por isso, aguardem por mais. ♥.

Não poderia estar mais certa. Os boatos entre mim e o “homem alto e moreno” –convenhamos que não é o melhor apelido para alguém; me lembro de melhores quando tinha cinco anos, mas não seria eu quem diria o nome dele. – se espalharam rápido até demais. Ignorei, não iria trazer problemas para TaecYeon também, apesar de ele ser o causador de toda aquela situação tensa. Eu não tinha mais amigos próximos e agradecia mentalmente por não ter que aguentar um daqueles questionários mirabolantes que minhas antigas “amigas” criavam quando algum cara vinha falar comigo. Tudo isso se deve ao período em que meus pais faleceram, acabei me afastando de todos por causa daquilo. E hoje, várias garotas quiseram a ficha completa de TaecYeon, me puxando para conversas sem nexo e gritinhos histéricos (não disse ada concreto, obviamente). Primeiro: Elas nem me conheciam. Segundo: Eu não sabia o nome de uma delas. Terceiro: Porra! Por que eu tinha que passar por isso?

Apenas disse que era um amigo de infância e elas não acreditaram em meu depoimento. Olhares maldosos e outros nojentos se fizeram presentes sem que eu tivesse culpa de alguma coisa; afinal, a escolha de ir e vir até a bendita universidade era dele. Todos os olhos curiosos vinham de garotas com tanta maquiagem que poderiam ser selecionadas para ingressar no circo como palhaças, já que nem corpo para serem vadias tinham. Com os cílios repletos de rímel e bocas pintadas, elas lançavam o mais desagradável olhar e faziam as caras e bocas das quais eu ri escondida num canto.

Depois de todo esse mistério e fofocas, várias pessoas acabaram notando minha presença e como resultado, fui convidada para uma festa na casa de uma pessoa desconhecida por mim. O veterano responsável pela festa fora paparicado por essas garotas e convencido a trazer TaecYeon para a comemoração. E para que ele fosse levado à festa, eu teria que intervir. Como se eu fosse fazer isso. Algumas garotas – que eu nem conhecia e nunca havia visto em todo o campus – pediram para que eu levasse meu “amigo de infância” e que apresentasse para elas. A única coisa que eu insistia que elas conhecessem era meu dedo do meio. A presença delas e suas vozes propositalmente agudas estavam me sufocando enquanto eu estava contendo todos os meus músculos faciais para não revirar os olhos e deixar o sarcasmo controlar eu cérebro. Esforcei-me ao máximo em meu melhor sorriso falso – que era tão falso que chegava a ser incômodo – e disse que tentaria. O “exemplo de população educada”, uma asiática loira (falsa, se me permite acrescentar) saiu aos risinhos com a amiga. Revirei os olhos assim e ela sumiu da minha vista.

Não iria nisso nem morta.

Na saída, encontrei um aglomerado de pessoas e reconheci um rosto no meio daquilo tudo, torcendo para que eu passasse despercebia. Praguejei e me afastei com a maior cautela que consegui, mas, como o destino anda tramando contra mim, TaecYeon me encontrou no meio daquilo tudo. Bem no meio daquele aglutinado de pessoas, ele me viu. O moreno gritou meu nome e eu congelei. Podia ouvir as pernas das pessoas se movendo para abrir caminho para ele vir até meu encontro. Merda! Tudo ficara no mais absoluto silêncio e eu podia ouvir meus batimentos acelerarem conforme os pés iam dando lugar ao contorno de TaecYeon. Pela primeira vez, gostaria de ter um físico menos chamativo. Meu cabelo ruivo e o corte totalmente não oriental – que era qualquer corte não reto, na minha cabeça – me denunciavam em qualquer lugar. Me xinguei por isso e no momento seguinte, senti uma mão em meus ombros. “Obrigada por sua discrição, que tal trazer um circo contigo da próxima vez?”, pensei, amarga.

— Estava te esperando! — ele ficou de frente para mim e sorriu.

— TaecYeon, você realmente vai à festa? — uma voz aguda perguntou. Não consegui discernir a dona da voz do resto de garotas, pois além de todas parecerem iguais, a fonte da voz me parecia perdida. Estiquei o pescoço e vi duas ou três garotas rirem, mas não sabia ao certo qual delas era a autora da pergunta.

— Claro que vou. Acompanhado dela. — o braço dele passou por cima de meus ombros e esse gesto acabou me pegando de surpresa. Além de surpreender todas aquelas garotas, cujos sorrisos escorreram do rosto. O encarei de soslaio e passei o braço por sua cintura, local onde finquei as unhas com força e dei um sorriso verdadeiramente satisfeito, tanto por tirar aqueles sorrisos dos rostos rebocados de maquiagem, quanto por dar o troco de ontem em TaecYeon. Ele não reagiu tanto quanto queria, apenas fez uma careta, trancando o maxilar, que ninguém notou. Continuei a fincar as unhas na lateral do corpo dele até que ele tirou o braço de cima de mim e colocou a mão em cima do local dolorido, massageando-o discretamente.

— O que está fazendo, TaecYeon? — sussurrei com os dentes cerrados. Não obtive resposta.

— Mas o que vocês são? — uma voz, ainda mais aguda, perguntou.

— Digamos que nós somos...

— Amigos de infância. — completei, fazendo o burburinho aumentar e tudo o que consegui fazer demais discreto foi fuzilar TaecYeon com o olhar enquanto as garotas murmuravam entre si. Elas começaram a rir mais alto e algumas até deram pulinhos de alegria. Certo, não precisava ter visto nenhum desses ataques. Tietagem não era meu programa favorito.

— Mas... agora eu tenho que ir. Vejo vocês à noite.

Um coro um pouco bagunçado de vozes femininas se despediu e saiu rapidamente, não sem antes se lamentar e implorar pela companhia do homem. Tive de ir contra todos os meus instintos que queriam revirar meus olhos e gritar. Ou sair correndo. Uma corrida iria me acalmar e me afastar dessa gente, mas é claro que fugir só ia funcionar na minha imaginação. Eu não podia viver num mundo de negação e escapar dessa situação que nem uma retardada, se bem que seria uma solução até que aceitável. Uma bela e tentadora solução, mas não fiz nada disso. Troquei olhares com uma menina com uma maquiagem bem pesada. Ela apenas riu e fofocou com a garota ao lado dela. Dessa vez, as duas olharam para trás e pude saber que elas riam de mim. Suspirei e estalei a língua, virando-me para encarar TaecYon de frente. O preconceito em outros países é grande, mas eu posso lidar com isso.

— Eu não vou. — cruzei os braços quando nos afastamos o suficiente. Lancei um último olhar para o aglomerado de pessoas um tanto distante e voltei a encarar TaecYeon.

— Vai sim. — cantarolou e eu me perguntei a idade mental daquele maldito.

Depois dessa cena, não estava com humor para discutir com ele, então apenas fingi que nada aconteceu. Tentei ignorá-lo saindo de perto dele e seguindo em frente, mas o maior me seguiu durante todo o trajeto até uma quadra de distância da minha casa. Ele praticamente caminhava com uma expressão irritantemente tranquila enquanto eu me esforçava para apressar o passo. E ele não ficou quieto por um segundo, pedindo para que eu fosse com ele à bendita festa. Já havia perdido a paciência por conta da insistência dele. Incontáveis vezes ele havia feito a mesma pergunta e quase gritei um “Não!” no meio da rua. Só que, na Coréia, coisas assim não são permitidas, então, me contive. Já havia algumas pessoas mais velhas que lançavam um olhar de desaprovação quando me viam andando/correndo com TaecYeon e não queria chamar mais atenção que isso.

— E o seu carro? Por que não foi embora nele em vez de me seguir? — perguntei, num tom mais alto que eu queria. Ele havia deixado um carro vermelho caríssimo em frente a universidade e pelo visto, não se importava muito em deixá-lo abandonado lá.

— Eu quis te acompanhar hoje. — uma piscadela que iluminaria o dia daquelas garotas surgiu, mas a minha reação foi diferente; revirei os olhos e apertei o passo. Já estava sentindo algumas gotículas de suor molharem minha testa e meu corpo. — Ei!

E ele continuou a chamar até que chegamos à entrada do prédio, atravessarmos o pátio e as portas que eu até hoje não sabia o que escondiam. Ele me seguiu novamente e paramos em frente ao elevador, qual apertei o botão verde para que o elevador descesse. Parecia até um perseguidor, um stalker de filme. Seria assustador se não fosse TaecYeon quem me seguia, mas ainda era estranho. O elevador havia aberto suas portas e eu entrei, acompanhada do moreno que, no momento, lembrava mais aquele TaecYeon que eu conhecia de minha infância. A música instrumental não ajudava minha sanidade nem na manutenção da minha calma. O elevador apitou. Chegamos ao meu andar. Rapidamente, alcancei a maçaneta prateada e a destranquei, entrando no apartamento e fechando a porta na cara do outro, não deixando que ele sequer tentasse entrar. Encostei as costas na porta e deixei meu corpo deslizar até o chão.

— Por favor, Skar! — a voz soou abafada, mas insistente. — Eu não vou sair daqui então.

— Pare de falar como se fosse uma criança, seu stalker!

— É sério. — ele bateu à porta, mais uma vez.

— Ótimo. Eu também estou falando sério. Eu não vou!

Ouvi um barulho do lado de fora. Por lógica, pensei que TaecYeon havia se sentado no chão, apoiado na porta, exatamente do mesmo jeito do que eu. Olhei por baixo do vão da porta e vi minhas conclusões se provarem verídicas. Algo bloqueava a entrada da luz do corredor. Deixei um longo suspiro preencher o silêncio que se instalara. Se ele não tivesse mudado depois de todos esses anos... ele realmente ficaria ali. Teimosia era uma marca dele. Desde criança fora assim e nem o tempo apagou essa característica que eu nunca esqueceria. Inebriada pela melancolia repentina, vislumbrei um pedaço de meu passado. Um TaecYeon em seus catorze anos aparecera. Magro, um pouco mais alto que eu na época – ele espichou quando completou dezesseis num surto de crescimento e passou a ser um dos mais alto do colégio – e as características que não mudaram. Seus olhos e o cabelo brilhante transformavam aquela memória em algo muito mais distante que realmente era.

Flashback on

O dia estava quente e abafado.

O sol de Seul parecia querer derreter meu corpo e estava ensopando minha roupa de suor enquanto se exibia totalmente insuperável pelas nuvens que sumiram do céu sem tentar enfrentá-lo. Minha turma e as demais da escola em que estudava estavam no meio de uma gincana de verão, sendo que competíamos sala contra sala. No momento, eu corria mais devagar que todos os outros e estava me esforçando até que bastante para uma pessoa preguiçosa que preferia passar as tardes lendo a correr feito babaca debaixo do sol ardente. Podia ouvir as risadas de alunos que descansavam. Não muito altas, discretas, mas eram claramente para mim, pois era praticamente a última que restara; estavam apenas eu e algumas das malditas de cabelos coloridos, embora fossem bem novas, que estavam quase terminando a corrida. Em cada canto da escola havia um grupinho de garotas ou garotos conversando sobre amenidades ou sobre testes que estavam por vir. Olhei para frente e notei um trajeto relativamente longo para meus passos já cansados, então a única coisa que fiz foi bufar pesadamente. A chegada parecia longa e impossível de alcançar. De um lado, podia ver outro grupinho de garotas observando algo próximo a mim e eu sabia o que, ou melhor, quem era. Era o garoto que corria próximo de mim. Na verdade, ele já havia acabado, mas estava lá novamente. Além de que ele estava na prova feminina e seu ano ser dois acima do meu.

TaecYeon corria a meu lado enquanto os outros alunos estavam a uma boa distância de nós dois.

Ele era o mais veloz e atlético da turma, mesmo sendo um tanto novo e magro. Mas estava estranhamente lerdo. Não que ele estivesse cansado, parecia estar se divertindo enquanto se aquecia para um desafio real. Percebendo que eu o encarava, ele sorriu. O TaecYeon mais novo era mais conhecido por seu bom humor natural e por ser o piadista da sala de aula. Claro que ele só fazia brincadeiras quando os professores não estavam presentes e gostava de conversar com todos os alunos, não importando de qual ano eles eram. Obviamente, tinha o histórico escolar quase impecável e não era repreendido pelos adultos por sempre ter ótimas notas. Por esse e por outros motivos, o filho da família Seo era um dos mais populares do colégio, também pelo fato de seu poder monetário ser bem conhecido. Respirei mais duas vezes para ter fôlego para pronunciar algumas palavras sem que elas parecessem tão patéticas quanto eu pensava que soariam.

— Você não vai correr? — perguntei. Em apenas alguns segundos, tinha toda a atenção que aquelas meninas tanto desejavam. Seus olhos brilhavam nuns tons mais claros e infinitamente mais brilhantes, remexendo o fundo do meu estômago.

— Eu já estou. — sorriu, exibindo parte de sua arcada dentária totalmente branca. Todos os dentes eram alinhados, mas havia um, o canino direito, que possuía uma falha. Uma lasca. TaecYeon havia quebrado um pedaço do dente me ensinando a andar de bicicleta sem rodinhas de apoio seis anos atrás. Sem querer, eu acabei escorregando da bicicleta que meus pais me deram e para tentar me segurar, TaecYeon tropeçou na dele e bateu a boca no guidão. Ele não chorou, mesmo sendo novo, apenas sorriu e perguntou se eu havia me machucado, me estendendo a mão para que eu também me levantasse. Depois desse episódio, os pais dele perguntaram se ele queria ir ao dentista, mas o garotinho dissera que aquilo era uma lembrança de uma aventura e seria a “cicatriz” do heroísmo por tentar me salvar. Só que eu caí no chão do mesmo jeito enquanto ele batia o dente, então, tecnicamente não é um “ato de heroísmo”, embora nunca tenha dividido esse pensamento com Seo.

— Você pode ir na frente. — disse, esfregando as costas da mão na testa para retirar o suor de lá. — Sei que você não está correndo.

— Eu só vou quando você começar a correr mais rápido.

— Sinto muito, mas eu já estou correndo o mais rápido que posso. — suspirei.

— Então eu vou correr como você. Não vou te deixar sozinha.

Olhei-o por um instante e quase vi outra pessoa em seu lugar, não um menino de catorze anos, de olhar firme e determinado, porém ainda doce. Alguém mais maduro que um garoto com a idade dele. Achei o gesto muito bonito, mas não gostava dos olhares que todos me lançavam quando eu conversava com TaecYeon. Porém, ao contrário de mim, Taec parecia não notar o jeito que as pessoas nos olhavam, seja com desprezo ou inveja. Ele era do tipo que não trai um amigo, nem se envergonha da companhia que está e eu até que gostava disso, mas não conseguia ignorar os pares de olhos que nos secavam. Quis argumentar e mandá-lo ir logo, mas apenas me calei e continuei a ouvir nossos pés baterem no chão com força na quadra de esportes. E depois de longos minutos de silêncio, cruzei a linha de chegada com o garoto a meu lado. Abaixei-me e apoiei as mãos nos joelhos, respirando com dificuldade e quase não conseguindo fazer o ar voltar aos meus pulmões em chamas. TaecYeon parou na minha frente e eu me endireitei, ainda com um pouco de fadiga devido ao esforço. Surpreendendo a mim e a todos os outros, o garoto afagou meus cabelos, bagunçando-os um bocado e sorriu, dizendo:

— Bom trabalho, Grey. Sabia que você não ia desistir no meio do caminho, por isso que eu não desisti de você. Estarei sempre aqui, ok?

Flashback off

Passaram-se mais de duas horas. Não consegui me concentrar em nada com ele do lado de fora do meu apartamento. Não que ele fizesse barulho ou incomodasse com ligações ou algo do tipo. Na verdade, não ouvi um ruído vindo do outro lado da porta. A simples presença dele já tirava toda minha concentração; o pensamento que ele estaria tão perto fazia com que uma sensação incômoda se apossasse de mim por deixa-lo lá, mas meu cérebro me forçava a ignorar isso. A tal festa começaria em pouco mais de uma hora. Ele iria desistir, não ia? Ele teria que desistir depois dessa. Mas, seguindo sua inabalável teimosia, não desistiu. Passou-se mais uma hora e ele não havia feito nenhum som. Fiquei um pouco temerosa com a situação dele e abri a porta, achando estranho todo aquele comportamento quieto.

TaecYeon não estava lá. “Sabia que ele desistiria”, comemorei internamente. Dei um sorriso vitorioso, que se desfez assim que vi um embrulho de papel dourado com um laço vermelho. Engoli em seco, com 100% de certeza que aquilo era para mim. Aproximei-me, abaixando para pegar o tal embrulho e foi aí que vi o papel em tom pastel. Havia um bilhetinho colado na fita e eu, definitivamente, conhecia aquela caligrafia masculina.

Era uma mensagem escrita por TaecYeon.

Ela dizia:

“Sei que vai ser difícil mudar essa sua cabeça dura, mas eu nunca iria desistir de tentar fazer você ir e se enturmar um pouco para passar o tempo e manter a mente ocupada. O que tem dentro do embrulho é apenas uma coisinha que eu acho que você precisa. Não fui eu quem as comprei, elas pertenceram a seus pais e os meus me pediram para entregar isso a você. Antes que você pergunte, não se como nem quando eles conseguiram isso; talvez um dia você fale com meus pais. Bom, me referindo ao conteúdo do embrulho... acho que ficariam muito bonitas em você, mas é claro que não é para usá-las hoje. Antes das oito eu passo para te levar a festa. Se arrume para algo mais despojado.”

Minha vontade era de jogar aquele embrulho fora e queimar o bilhete, porém, além de minha curiosidade me forçar a abrir aquilo e obviamente, o zelo que eu tinha pelas coisas de meus pais, me fizeram segurar o pacote firmemente. Uma pequena voz (que eu amaldiçoei pouco tempo depois) disse para eu fazer algo diferente da minha rotina monótona e eu hesitei. Eu não sou fã de festas de colegas de universidade nem de danças, mas sei que todo mundo precisa se descontrair de vez em quando – ou nunca no meu caso, já que era mais provável o deserto do Saara alagar que eu ir para uma festa dessas, mas hoje, que se dano o deserto e seu (im)possível alagamento – e o melhor jeito era se soltar com um pouco de álcool. Não que eu fosse fazer algo vergonhoso e estranho como dançar em cima da mesa de tão bêbada, ou beijar qualquer cara sendo que todos – ou a maioria pelo menos – dos convidados era estudante da mesma universidade que eu. Pouco me importo com o que pensam ou falam sobre mim, mas eu tenho alguns princípios de decência que eu prefiro manter. Um desses princípios, o mais novo aliás, era ignorar e rejeitar qualquer contato com TaecYeon. Mas dessa vez, teria de abrir uma pequena exceção. Talvez lá ele encontre alguém para me fazer companhia enquanto eu posso beber um pouco. Eu provavelmente encontraria alguns colegas de classe e não custaria tanto assim fazer um esforço e ser legal, certo?

Fechei a porta com o pé e o embrulho nos braços. Era leve. Eu estava curiosa para saber o que havia lá dentro, mas quis fazer disso uma surpresa. Então, após deixar o embrulho em cima da cama, tomei um banho curto, porém relaxante e comecei a me arrumar rapidamente. Como era algo casual, optei por um jeans skinny preto – eu amava preto desde pequena e nenhuma festa ou seja lá o que for iria me fazer escolher outra cor. Até dizia que iria me casar com um vestido totalmente negro quando era pequena e, apesar de isso fazer parte de um passado alegre e inalcançável, ainda gostava de lembrar de tudo isso – e uma regata simples branca com alguns detalhes em renda na barra e no decote em V. O cabelo ficara sem penteado algum, os fios ruivos estavam apenas soltos e emolduravam meu rosto de formato oval. No rosto, nada além do básico e o rímel que nunca deixava meus cílios. Nos pés, um salto vermelho liso sem nenhum detalhe em especial e uma blusinha fina de algodão em tom claro jogada pelos ombros. Tudo isso, claro, finalizado com um perfume levemente cítrico e marcante.

Já sabia que estava atrasada, mas TaecYeon não tocou a campainha, por isso me assustei quando abri a porta e a primeira coisa que me deparei era um corpo trajando roupas mais desleixadas que eu estava acostumada. Meus olhos percorreram seu físico desde seus sapatos estranhamente normais até seu cabelo charmosamente desarrumado, não estava meticulosamente penteado para trás; parecia que ele tinha tomado u banho, secado o cabelo com uma toalha e só. O homem, que eu sempre via de terno ou roupa social bem passada, usava jeans claro e uma camiseta sem estampa, de um tom que variava desde o azul claro ao escuro, seguindo uma tênue linha de dégradé. Ele sorriu e me olhou de cima a baixo lentamente, com um sorriso de lado.

Tentei não me intimidar com isso, mas algo naqueles olhos sempre fazia com que um arrepio percorresse meu corpo e apurasse todos os meus sentidos. Eu descreveria a sensação como se um pouco de vento soprasse diretamente minha coluna e estivesse carregado de partículas elétricas que arrepiavam até o último pelo de meu corpo. Era um tanto desconfortável, mas era também, bom, de certa forma. Ok. Era muito bom. Talvez porque me fazia sentir algo, provando que eu estou viva. Ou talvez não tenha significado verdadeiro. Muitas coisas não o têm, não é mesmo?

— Que bom que decidiu vir. — a voz dele me surpreendeu, estando baixa e cortês. TaecYeon passou então, a caminhar a meu lado a passos moderadamente rápidos, acompanhando o ritmo que eu havia imposto. Não respondi, mais porque queria manter pouco contato com ele do que por algum outro motivo superficial. Provavelmente, cansado de joguinhos bobos, TaecYeon também não respondeu e apenas fingiu que não havia nada de desconfortável naquela ausência de sons.

Fora um caminho silencioso até o carro dele. Um moderno, mas não chamativo por sinal, do tipo que um executivo de uma empresa comum usaria para não chamar muita atenção. Prateado, grande e confortável, com um perfume nitidamente masculino disperso pela extensão do veículo era o jeito mais simples de descrever o Sentra 2.0s que o maior usava. Era um modelo que combinava com a escolha de roupas dele: simples, se comparado a outros que eu já o vira usando. E na minha opinião, muito mais indicado para se chagar a uma festa de estudantes do que um esportivo inconfundível de cor tão chamativa que eu saberia de sua chegada assim que ele adentrasse à cidade.

O maior dirigiu com cuidado e calma até o destino final, respeitando todos os sinais de trânsito e os limites de velocidade, o que por sinal, quase me tirava do sério. O que custava acelerar um pouquinho mais? Ou desrespeitar um limite de velocidade? Não por pressa, mas para quebrar minimamente as regras, talvez. Ele era o mister perfeição e senhor de todas as perfeições, algo que também me irritava, e muito. E essa irritação não nasceu do simples ódio que eu vinha nutrindo dele; por ele ser meu alvo de culpa. Esse lado obediente e monótono dele fora sempre odiado por mim, desde há muitos anos que eu o conheci. Achava tão ridículo o jeito que ele tinha de agir na frente dos outros que eu tinha a súbita vontade, que morria logo em seguida, diga-se de passagem, de perguntar se ele era feliz seguindo à risca todas as ordens e regras possíveis. Se ele se contentava em andar na linha sempre, ou se nunca pensara em desacatar as decisões de seus pais.

Eu não acho que isso é possível; digo, ser feliz vivendo sob o controle de rédeas que te afastam de suas vontades reais. Talvez por que isso não está relacionado ao que eu viva em casa. Meus pais me davam toda a liberdade que eu quisesse desde que eu soubesse o que eu estava fazendo e que merecesse a confiança que eles depositavam sobre mim. Mesmo assim, também fui ensinada a respeitar as diferentes culturas que eu presenciara, assim, deixaria TaecYeon e seus rigorosos ensinamentos em paz, guardando minhas dúvidas e críticas apenas para mim.

O barulho do freio sendo acionado não foi ouvido, apenas senti que o carro parara e esse fato me fez prestar atenção ao ambiente em meu redor. Estava escuro e os postes de luz iluminavam todo o bairro em que me encontrava. As luzes das casas estavam acesas, mas havia uma única que se destacava por causa de suas janelas cujo interior mudava de cor a cada segundo e seu ambiente barulhento. Luzes piscavam e havia jovens do lado de fora da construção. Conversas altas, risadas abafadas – ou não, algumas eram extremamente escandalosas, talvez devido à bebida – e música poderiam ser ouvidas em qualquer parte. Achei um milagre não haver vizinhos reclamando do barulho. Talvez estes fossem mais tolerantes ou prometeram-lhes de que a festa acabaria mais cedo do que meia noite. Quem sabe.

Havia muitas possibilidades para serem anotadas que poderiam ocorrer nessa “reunião”. Bem, sobre festas... essa não era a maior que já vira, mas para um evento mais casual e livre para o pessoal da universidade, estava de bom tamanho. Não que eu entendesse tanto assim do assunto, mas eu já fui adolescente. Não frequentei grandes eventos e também não tive a vida mais agitada de todas, mas esse burburinho me trouxe de volta a algumas que eu fui. No final, todas as festas são iguais. Bebidas, pessoas de todos os tipos, desde os mais estranhos aos mais comuns e música. Música muito alta e dos mais variados ritmos. Quase sempre tinha gente drogada que distribuía maconha e outras substâncias para alguns grupinhos.

O carro foi travado e o apito agudo ecoou no ar noturno rasgando o relativo silêncio que nos encontrávamos. Num instante, TaecYeon estava parado a meu lado, estendendo o braço para mim. Recusei com um leve aceno com a mão e adentramos a casa cuja porta estava aberta. Eu primeiro, ele depois em meu encalço. Notei alguns olhares sendo lançados para nós dois e apenas ignorei, mas só para constar, a maioria deles pertencia às garotas um tanto mais novas que eu. O anfitrião, ou eu acho que deveria ser o organizador da festa, veio nos cumprimentar com um ar animado até demais para pertencer a alguém sóbrio. Trocamos poucas palavras e ele nos pediu para ficarmos à vontade. Agradecemos com um sorriso cortês e eu me sentei num sofá em meio a poucas pessoas que estavam sentadas, dando-me mais liberdade e espaço. Olhei ao meu redor. Havia muita gente. Boa parte do campus estava lá, mas em sua maioria, mulheres que eu nunca havia visto.

A propósito, a quantidade de mulheres era quase o triplo que o de homens.

Meninas trajavam desde vestidos que quase mostravam “algo a mais” de tão curtos e espremiam todo o corpo que fingiam ter, à roupas comportadas e simples, como as minhas. Calças jeans, shorts e blusinhas eram vistas na maioria das pessoas e todas, sem exceção, tinham saltos nos pés. Nos homens, algo parecido. Jeans, camisas, regatas e tênis; todos usavam trajes informais e confortáveis. Não eram nem nove da noite e já havia alguns sem camisa e infelizmente, sem corpo para tal. Sempre tive um pequeno tara por homens de físico definido, mas isso é um detalhe que muitos não precisam saber, aliás, uma pessoa em especial não necessita saber. Não que eu tivesse algum tipo de obsessão pro corpo perfeito, longe disso, mas tinha o básico e uma pequena parte de mim tendia a idealizar um corpo relativamente “aprovável” para um homem. Mas, afinal, que mulher não faz isso?

O ambiente estava até que confortável. A música não era ensurdecedora, apesar de que os ritmos tocados variavam do k-pop à música eletrônica ou até pop americano, buscando até os mais novos lançamentos como outras mais clássicas, por assim dizer. As pessoas não faziam muita bagunça – pelo menos não no começo. Todos mudam quando o álcool entra em cena, inebriando nossas mentes. Isso é um fato sem exceções – e não havia acontecido nada ainda, mas eu sentia que algo surpreendentemente intenso e grande estava para acontecer. Era alguma coisa que, definitivamente, mudaria meu destino por completo.

Olhei para onde TaecYeon havia sentado e não me surpreendi com várias garotas que o cercavam. Todas histéricas e um pouco oferecidas demais na minha humilde opinião, o que me fez exercer um poder sobre humano em meus olhos para que eles não rolassem e expressassem o quão ridícula aquela cena era. Mas, de um jeito que me fazia com que me sentisse desconfortável, ele não estava nem prestando atenção nas palavras aéreas que as garotas diziam, tanto que ele mal as respondia, só que elas não pareciam ligar para isso; podia notar seu olhar cravado em mim dentre todas aquelas pessoas. Justo em mim.

O brilho contido em seus profundos olhos castanho-escuros queria me dizer algo, mas eu não pude interpretar. E eu não sabia se essa incompreensão era algo totalmente ruim, mas eu queria saber. Eu sentia que deveria entender. Fiquei sustentando aquele olhar por longos minutos até que decidi tentar fazer algo menos chato e maçante. Iria dançar um pouco. Eu não era uma coreógrafa e sinceramente, passava bem longe disso, mas arriscava uns passinhos comuns. Aproveitando que a batida era eletrônica, me levantei e procurei por um amontoado de gente, não demorando a encontrar a pista de dança situada a poucos metros de mim. Dançar era uma forma menos violenta de esquecer problemas e de conhecer gente nova... E talvez de conhecer algo que venha a criar mais problemas. “Ou me fazer esquecer de um em particular.”

Meus movimentos começaram timidamente, mas logo a energia que rodeava aquele lugar me envolveu sem mais delongas e aos poucos fui me soltando, movendo o quadril de maneira mais relaxada e ao mesmo tempo divertia, até provocativa. Claro que eu não o provocava, apenas me misturava ao ambiente. Eu era muito boa em fazer isso. Corpos tocavam nos meus, em sua maioria suados, mas eu não ligava para isso. Não ligava para nada além da batida que parecia controlar meus batimentos cardíacos de tão alta e envolvente. Nem sei se seguia algum ritmo específico ou apenas movia meu corpo como queria, decidi seguir meu “instinto”. Havia trombado em mais pessoas e ouvi alguns gritos que cortavam a música... eletrônica, eu acho. Depois de um tempo, com gotas de suor marcando meu rosto e corpo, me afastei do aglomerado de corpos, abrindo espaço entre eles, procurando um lugar menos abafado que eu pudesse respirar ar não impregnado de bebida, corpos suados e hormônios.

Quando me esquivei de um garoto bêbado, olhei em volta e analisei a decoração rica e um tanto arruinada da sala. A casa desse tal veterano era enorme. As paredes, cuja cor não conseguia identificar muito bem, apesar de pensar que variava de um tom pastel ao branco, estavam inteiramente decoradas com quadros. Havia uma prateleira forrada de livros de capas que continham obras clássicas a livros de medicina. Todas meticulosamente organizadas por tema e em sequência, ordem alfabética; não sei se pertenciam a meu veterano ou a seu pai, que deveria ter grande renome para gozar de uma casa assim. Reconhecia algumas que eu já tivera contato por conta da profissão de alguns de meus ex-namorados (não que eu tive tantos assim) que vinham de universidades diferentes da minha.

Não era bom namorar alguém da mesma universidade na minha opinião.

Os corpos dançantes pisavam no chão de madeira polido ou no carpete felpudo que o cobria, – pelo menos em parte – e se remexiam num ritmo insano, estimulados pelas luzes que piscavam alucinadamente, agitando nosso interior de maneira que nos tornávamos seres parcialmente racionais. Nossos instintos mais primitivos, nossos desejos secretos de fugir de um padrão estipulado para aproveitar a vida como se não houvesse consequências do amanhã, floresciam. Entretida com as pessoas presas na pista de dança, quase me assustei quando um garoto passou por mim e me estendeu um copo de um líquido amarelo e um pouco borbulhante com um sorriso sacana no rosto. Olhei da bebida para ele, que deu uma piscadela e dei um sorriso ínfimo, tentando conter um leve anseio que meu corpo tinha pelo conteúdo do copo segurado pelo garoto. O aroma que invadiu minhas narinas era conhecido até bem demais por meu olfato e o gosto já podia ser sentido por meu paladar.

Cerveja.

Não era minha favorita, – estava longe de ser, aliás – mas isso já era um começo. Aceitei a bebida e com um meneio discreto com a cabeça, agradeci-o sem precisar falar. Caminhei até um local pouco movimentado, próximo da porta em que entrei, onde havia pessoas suficientes apenas para que eu as contasse nos dedos. Apenas olhei para frente, suspirando ao analisar algumas características da casa que eu mal havia reparado. Observei o movimento das pessoas que perambulavam a uma curta distância e vi alguns casais se beijando de um jeito que neste país, não poderiam fazer fora dessas paredes ou num local público. Deviam estar bêbados. Tamanha voracidade os possuía, quase fazendo com que se engolissem apoiados na mesa de madeira num canto perto da escada. É muito difícil ver alguém se beijar nas ruas coreanas, já andar de mãos dadas é mais comum, porém ainda é considerado falta de respeito demonstrar afeto em público. É um pensamento bem idiota, se quer saber.

Ignorando meus pensamentos distraídos, direcionei minha atenção ao copo de vidro. Minha garganta pinicava para beber um pouco daquilo; só que no momento em que minha língua teve um contato mínimo com a bebida, o suficiente para que o desejo de beber despertasse em meu ser e eu sentisse falta daquela sensação reconfortante, o copo foi tomado de minhas mãos. Mal bebera um mísero gole daquilo. Olhei para cima, direcionando toda minha raiva para a pessoa que ainda segurava o copo na mão e revirei os olhos. Claro, tinha que ser ele.

TaecYeon me olhava com desaprovação. Sustentei o olhar dele sem dar sinal de insegurança até que o maior jogou o conteúdo do copo no chão. Arregalei os olhos e franzi a testa, observando o líquido se espalhar pelo piso polido. Olhei para cima, encarando-o com ódio quase palpável. Continuamos a troca de olhares até ambos sentirmos o ar ficar mais elétrico, carregado de sentimentos que estavam à flor da pele. Abri a boca para xingá-lo, mas minha voz não saiu. Era provável que tivesse saído, mas por causa do som estupidamente alto, nenhum de nós dois podia ouvir coisa alguma, só ver a boca abrir e mexer sem fazer som nenhum. Queria gritar com ele, espancá-lo; fazer alguma coisa – qualquer coisa— que o machucasse e que o afastasse de mim. Puxei-o para um canto ais afastado, onde a música era consideravelmente mais baixa.

— Por que fez isso? — minha voz saiu baixa, mas séria, sem me preocupar em esconder o tom de escárnio. — Cadê seu fã-clube? — elevei a voz, pouco me fodendo com quem ouvia. Se é que eram capazes de fazer algo com aquele barulho todo. — Vai se divertir com qualquer uma até que se canse e me deixa beber.

— Eu disse para você parar...

— Eu digo para você me deixar em paz, seu desgraçado. Já me arrastou para essa porcaria, agora me deixe fazer o que eu bem entender. — apontei o dedo para ele, que apenas agarrou minha mão e resolveu me puxar por aí como se eu fosse uma boneca de pano. — Me solta, TaecYeon. — resisti, mas ele não soltou; apenas apertou os dedos com mais força. — Me solta agora! — gritei. E com aquele barulho maldito, ninguém me ouviu. Ele continuou a me puxar – ou arrastar se preferirem – por cômodos da casa e eu não memorizei o trajeto, tentando não tropeçar ainda mais em meus próprios pés. O moreno só havia me soltado quando passamos por uma porta pesada de madeira.

Ele havia fechado a porta atrás de si enquanto eu segurava o local avermelhado e dolorido. Era a segunda vez que ele fazia isso. Fitei-o com raiva, mas ele apenas se certificava de nos trancar naquela sala. Por um momento tive medo do que iria acontecer, mas forcei esse sentimento descer a contragosto por minha garganta e me concentrei em acalmar meus batimento. Repreendi-me mentalmente. Ora! Era o TaecYeon! Não precisava temê-lo. Então, assim que o fiz, reparei que ele não se movera e nem se pronunciara, então, comecei a examinar o local exato onde estávamos. Então, olhando com um pouco mais de atenção, notei que estava trancada num banheiro. Um banheiro até que espaçoso.

Havia uma banheira de calcário branca e uma pia do mesmo material e cor. Os azulejos das paredes eram de um tom de azul claro e havia apenas um único e grande espelho no banheiro com alguns detalhes que não quis prestar atenção, além dos outros móveis que todo banheiro possui. Um vaso sanitário e um bidê, entre outros. Eu podia ver o reflexo de TaecYeon e um pedaço do meu rosto. Minha expressão era surpresa e um pouco de assustada, por mais que eu tentasse disfarçar. O maior se aproximou devagar e isso só conseguiu acelerar o ritmo frenético que meu coração estava batendo. Virei-me de frente para ele e recuei a passos cegos.

TaecYeon parou estando a perigosos centímetros de mim e sua respiração ofegante se misturava à minha. Não consegui olhar para cima, apenas encarava a camiseta azul que foi dando lugar a um rosto, num claro sinal de que ele se aproximava mais, curvando seu corpo sobre o meu. Quando criei coragem para tal, notei o rosto dele quase tocando no meu. Ele estava com o rosto tão perto que pude me ver refletida em seus olhos. Mais uma vez, estava hesitante entre a expectativa e a insegurança daqueles lábios. Rapidamente, os lábios dele se apossaram dos meus e não preciso dizer que o pouco controle que tinha sobre mim, evaporou. Eu estava a mercê de suas carícias, sem controlar o que se passava na minha cabeça. Sem que eu percebesse, minhas mãos migraram para o pescoço do moreno e ficaram por lá, agarradas firmemente à sua pele. Passei a arranhá-la conforme o beijo se intensificava. Parecia algo tão natural que tinha necessidade de ser feito. A intensidade daquele contato levou toda e qualquer sanidade residente em mim embora, dando lugar a outra sensação: desejo. Eu realmente queria aquela boca para mim.

Eu o queria.

No momento em que nossas línguas colidiram, mais uma onda de sensações, uma mistura praticamente indescritível surgiu. A língua dele se enrolou na minha, travando uma batalha feroz pelo controle, que eu acabei cedendo em pouco tempo. Estava totalmente vulnerável e parece que meu “amigo de infância” sabia se aproveitar bem melhor de pessoas no mesmo estado que eu do que imaginara. Eu estava enganada a seu respeito. Esse TaecYeon de certo não tinha nada. Amaldiçoava e abençoava aquele contato físico ao mesmo tempo, imaginando que ele me levava do inferno a céu a cada toque.

Cada célula o queria por perto. Eu sentia meu corpo flutuar até o paraíso para tocar as nuvens e aproveitar aquela sensação relaxante que me fazia sentir como se meu mundo se completasse. Tudo isso para depois cair até o ardente inferno e sentir o desejo insano possuir meu corpo e me enlouquecer. Essa loucura não era algo ruim. Era muito bom. Tão bom que podia atordoar todos os meus sentidos e trazer sensações prazerosas jamais experimentadas anteriormente que mais pareciam como um castigo e uma benção misturados. Isso era semelhante a uma droga. Fazia você querer usufruir mais disso, mas se arrependeria por fazê-lo. Só que, ceder parecia tão infinitamente mais tentador que era quase que uma necessidade se apoderar dessas coisas despertadas por ele. Era uma sensação única que jamais experimentara. Era mais que exótica...

Era indescritível.

Quando o ar estava prestes a acabar, meus pulmões clamaram por ar e antes que entrassem em combustão, ele se separou. TaecYeon estava tão ofegante quanto eu e sua atenção se voltou para minha orelha. Ele sussurrou algo que eu não entendi. Talvez fosse essa a intenção, me confundir ou fazer sabe se lá o que, só que eu não me importava com o resto. Meus pensamentos estavam muito confusos para que eu pudesse formular uma única frase. Sentia-me bêbada na presença dele. O máximo que minha garganta me permitia eram algumas palavras baixas e desconexas. Só conseguia sentir as palavras serem carregadas por sua voz rouca que me faziam perder o fio de qualquer coisa que desejasse pensar.

Pisquei os olhos mais de uma vez para conseguir pensar melhor no que eu estava fazendo, num momento único de lucidez. Beijando o cara que eu mais queria longe. Não fazia sentido, fazia? Pisquei mais uma vez e focalizei o que estava na minha frente. Meu campo de visão se limitava à camisa dele. O peitoral dele subia e descia por conta de sua respiração descompassada e meus olhos pareciam hipnotizados pelo movimento de sobe e desce de seu peitoral. A respiração quente e entrecortada arrepiava inteira. Balancei a cabeça, desaprovando meu descontrole e senti sua aproximação. Coloquei a mão em seu ombro para tentar afastá-lo. Finalmente a voz dele soou mais clara e pude compreender o que ele dizia.

— Vamos fazer isso do meu jeito agora. — sussurrou ele, com os lábios tocando minha orelha, arrepiando cada poro em toda a superfície do meu corpo. E antes dessa sensação passar, duas mãos me cercaram, prendendo-me contra a parede.

Troquei olhares inseguros com os intensos dele em uma fração de segundo e ele inclinou a cabeça para se aproximar. Não tive tempo de analisar os braços definidos dele, pois ele, impaciente, invadiu minha boca e me envolveu em outro beijo. A língua dele contornou meus lábios e a deixei entrar enquanto ela fazia questão de fazer um tour por minha boca e explorar cada canto dela, se demorando aqui e ali ou saindo para ele dar leves mordidas em meu lábio inferior. A parede gelada estava em contraste com a temperatura de meu corpo, que estava esquentando cada vez mais. O corpo dele passou a pressionar o meu com mais força, fazendo dessa troca de calor algo mais intenso.

Encolhi-me na parede enquanto o corpo de TaecYeon cobria o meu. Por fim, as mãos dele passearam por minhas costas e com um impulso, ele me puxou para cima, com o cuidado de dar sustentação às minhas pernas enfraquecidas e deixou minha coluna ereta. Apoiei parte de meu peso nele e na parede, não diminuindo nosso contato corporal. Assim que ganhei estabilidade, entrelacei as pernas por sua cintura com firmeza, apertando-a e trazendo o corpo dele mais próximo do meu. Podia sentir meu corpo todo pulsar, chamando pelo dele, principalmente no local em que minha pele tocava na dele.

Novamente, ele se afastou para respirar e eu me soltei dele, retirando minhas pernas envoltas em seu corpo. TaecYeon deu dois passos para trás, repreendendo suas mãos, controlando-se. Com um pequeno impulso, pulei. Meus saltos tocaram o chão duro e frio, mas dessa vez, quem não deixou que ele se afastasse fui eu. Puxei a gola de sua camisa e o beijei com urgência, maior ainda que na primeira vez. Nossos corpos se colaram, juntamente às nossas bocas e andei para trás a passos cegos até bater na porta com um pouco mais de força quando ele inverteu as posições. Gemi um “ai” rouco durante o beijo e senti que um sorriso se formou no rosto do maior. Sorri também. Eu estava gostando de conhecer um lado diferente dele; um que eu nunca imaginei que pudesse existir, que fugisse totalmente dos padrões de polidez impecável. As minhas mãos tatearam o corpo dele às cegas e acabaram por agarrar firmemente um pedaço da camiseta dele que eu supus corresponder ao meio das suas costas. As dele, pelo contrário, apenas ficaram paradas em minha cintura, me apertando com força, marcando minha pele. Depois de alguns minutos nesse ciclo, dei leves mordidas em seus lábios e me afastei dele, abrindo os olhos nublados e desejosos.

Não o encarei por mais que alguns segundos, pois partimos para mais um beijo longo sem que eu pudesse assumir o controle de minhas ações. Eram cenas repetitivas, um ciclo vicioso, quase. Minhas mãos buscavam seu corpo e minha boca, a dele. Passaram-se vários minutos até que eu tive um vislumbre de sanidade após um barulho no corredor. Estávamos há muito tempo dentro do banheiro e se alguém estivesse por perto e nos visse juntos, haveria um problema a mais para resolver. A contragosto, separei meus lábios dos dele e empurrei-o para mais longe com todo meu autocontrole reunido nos segundos de pânico. Confuso, TaecYeon passou a me encarar sem nada dizer, mas respeitando minhas ações. Apenas fiz um movimento com a cabeça e apontei para a porta. Ele ligou os fatos e entendeu que era hora de sair. Analisei-o melhor. Estava bem claro que acontecera algo. Mordi o lábio inferior para manter meus pensamentos longe dele, mas meus olhos me desobedeceram mais uma vez, devorando cada detalhe minuciosamente.

As roupas dele estavam amarrotadas, principalmente sua camisa, cujos dois primeiros botões estavam abertos e a linha dos ombros estava torta, sendo que o lado direito estava mais puxado para cima e a pele exposta de seus braços um pouco arranhada; as marcas em alto relevo aos poucos foram substituídas por finas linhas vermelhas que iriam sumir em poucos minutos. Pelo menos eu acreditava que sim. O cabelo estava despenteado, deixando alguns tufos de cabelo escuro mais para cima do que deviam e sua franja, totalmente bagunçada. Por fim, a boca dele estava completamente vermelha e inchada. Olhei-me no espelho e notei que não estava diferente. Talvez estivesse até pior do que ele.

Como havia aplicado pouquíssima maquiagem, apenas um pouco de corretivo e rímel, não havia nada borrado. Agradeci mentalmente por não ter escolhido um batom escuro, caso contrário o rosto do maior estaria completamente tingido pela coloração escura da maquiagem e minha boca, totalmente manchada. Mas por outro lado, meu cabelo estava uma bagunça. Nenhum fio estava em seu devido lugar, minha franja – que na verdade nem deveria ser chamada assim, já que ela ultrapassava a linha do queixo – estava parcialmente caindo em meus olhos e havia fios flutuando pelo meu rosto, que estava muito vermelho. Minha boca estava extremamente inchada e avermelhada por conta das mordidas que acabei recebendo e meu pescoço estava num estado parecido. Meus braços continham marcas de dedos e apertões do mesmo tom e uma que já estava ficando um pouco roxa. Além de que minhas roupas estavam amarrotadas e, no caso da minha regata, a barra estava virada. TaecYeon e eu gastamos os outros minutos fazendo de tudo para que parecêssemos arrumados.

Com os fios já no lugar e as roupas mais ou menos ajeitadas, abri a porta, formando uma fresta minúscula. Fazendo o menor barulho possível, passei a cabeça por ela com cautela. Olhei para os dois lados e não vi nada. Em seguida, um suspiro aliviado escapou de minha garganta. Como não encontrei nenhuma alma viva no que eu identifiquei como um corredor, abri a porta completamente e segurei a mão quente de TaecYeon arrastando-o comigo a passos apressados sem nem me dar conta do que havia feito. Não sabia como havia chegado ao tal corredor e demorei mais alguns minutos para encontrar a sala com música alta. Estávamos no segundo andar, mas como subimos até lá eu não conseguia me lembrar. Todas as memórias anteriores estavam nebulosas, conseguia apenas lembrar dos beijos que arrancavam minha consciência e sanidade, distraindo-me do fato de que eu ainda segurava sua mão. Soltei-a num gesto brusco e ele me olhou sem expressão definida.

Engoli em seco e juntos, TaecYeon e eu descemos as escadas e cruzamos os corpos que ainda se movimentavam ao ritmo de um pop americano. Desviei de alguns e trombei com outros alunos antes de conseguir dar três passos. Quando quase me derrubaram, os braços fortes dele me seguraram e envolveram meus ombros, guiando-me com maestria. Mal consegui identificar a cantora – ou cantor, apesar de suspeitar que a voz pertencia à Christina Aguilera. Mas a voz parecia tão distante que não podia ouvi-la –, apenas me concentrava no efeito que o toque dele exercia sobre mim. Só aquele ponto parecia mais quente e vivo. O sabor viciante de seus beijos começou a retornar para minha boca e o restante das emoções voltava a me assombrar. O gosto que eu queria rejeitar, mas não conseguia. Só conseguia desejar mais daquilo. Aquele maldito gosto se assemelhava à sensação de beber ou fumar. Mentira. Era melhor. Era bem melhor. Tão infinitamente melhor que é difícil de expressar a sensação com palavras.

Diferentemente de um cigarro ou de um copo de álcool, a boca dele tinha vários gostos e provocava várias sensações ao mesmo tempo, como uma mistura insana das melhores coisas que eu poderia experimentar. Não tinha como enjoar daquilo. Um único beijo poderia me levar a loucura e ainda me fazer experimentar variedades dela. Era simplesmente indescritível, pois quando eu achava alguma palavra para descrever seu sabor, o gosto mudava e uma onda de sensações novas ou uma mistura de conhecidas me invadia. Era um sabor variável e delirante que mudava de forma. Volátil e envolvente. Os beijos que já ganhara, com exceção aos dele, eram simplesmente beijos. Algo mecânico e sem sabor se comparados.

Me perguntava o motivo de sentir aquilo com ele – a química ou algo mais além que me fazia desejá-lo – mas minha lógica refutava todas as teorias criadas. Quando olhei para frente novamente, vi que o cenário havia mudado. Em vez de luzes mais fracas e uma grande quantidade de pessoas suadas, me deparei com uma rua praticamente deserta e TaecYeon apertando a chave de seu carro. O veículo foi destravado e o maior estava a poucos passos de distância dele, minhas pernas caminhavam no mesmo ritmo acelerado que o dele. Estava sendo puxada por ele agora; os dedos dele estavam entrelaçados nos meus e traziam uma sensação de segurança. Passara o tempo devaneando em meu mundo, inebriada por seu toque enquanto o maior me guiava até o carro. Olhei para trás e vi a casa branca em que a festa fora feita. Não havia barulho nas ruas, pelo menos eu não podia ouvir nada. Deveria ter ficado um tempo observando a construção, pois TaecYeon buzinou uma vez. Ele já havia entrado. Me assustei e abri a porta, entrando no veículo rapidamente e lançando um último olhar para a festa. Mais precisamente para o que aconteceu nela. Eu tentaria esquecer isso, certo? Ou não conseguiria?

Para minha alegria ou tristeza, nada mais ocorreu. O maior dirigira calmamente como se nada tivesse acontecido. Não trocou olhares cúmplices ou nenhum tipo diferente de olhar comigo. Ele não olhou para mim nem uma mísera vez. Bufei mentalmente para que ele não visse essa reação em mim e segui seu comportamento, ignorando-o. O trânsito estava leve, então chegamos rapidamente até meu apartamento. Saímos do carro e subimos até meu andar sem trocar uma única palavra, nem mesmo nos encaramos. O único som que eu podia ouvir era a música irritante de elevador e o plim quando chegamos ao andar escolhido. Sentia TaecYeon atrás de mim, mas ele se comportava mais como uma mera sombra do que como um acompanhante. Coloquei a mão na maçaneta e destranquei a porta, que abriu com um rangido baixo. Precisava fazer algo a respeito dessas dobradiças que não paravam de ranger, caso contrário ficaria maluca. Quando olhei para TaecYeon e abri a boca para me despedir, ele deu um passo e me abraçou, me surpreendendo como todas as outras vezes que ele agia de modo totalmente oposto do que eu imaginaria. Ele não estava mais sendo frio. Estava finalmente sem aquela armadura de falsidade no mundo feito basicamente de aparências em que ele vivia

Não, ele não me beijou.

Não num primeiro momento, pelo menos.

— Você não vai mais fazer isso, não é? — sussurrou, soando preocupado. Era um TaecYeon tão diferente do que eu tinha visto menos de uma hora atrás que a disparidade me assustou. Fiquei calada por uns instantes.

— Não sei. — fui sincera, dessa vez surpreendendo a mim mesma. — Acho que as chances de eu voltar a pegar um cigarro são grandes. Foi só um dia.

— Foram mais que isso. — ele deu uma risada fraca e curta.

— Alguns dias. — corrigi com um meio sorriso. O clima não era leve, mas não era tenso também.

— Me prometa então. — os braços ao redor da minha cintura me envolveram com mais força, intensificando aquele gesto de proteção. Podia sentir seu coração bater. Diferentemente daquela vez, ele batia num ritmo calmante, quase querendo me convencer da veracidade de suas palavras, instigando-me a baixar a guarda. — Que vai me chamar se acontecer alguma coisa. Ou que pelo menos vai me deixar ficar por perto.

— Eu não sou assim, TaecYeon... você me conhece. Não posso fazer isso — seus músculos ficaram tensos e ele afrouxou o aperto. Suspirei. — Eu tento... mas eu quero que ninguém saiba disso. Ninguém pode saber. — sussurrei, apoiando o rosto no corpo dele. O perfume que exalava de seu corpo parecia mais forte e intoxicante, entrando por minhas narinas e inebriando meu cérebro, envenenando meus pensamentos e confundindo-os.

— Por favor.

— Eu juro que tento. Eu vou tentar deixar você me... — engoli em seco, sem muita vontade ou força de terminar a frase. Salvar. Eu precisava mesmo ser salva? Ser salva de mim mesma?

— Obrigado, Scarllet.

E ele se afastou, retirando os braços quase que por completo de minha cintura e deixando sua mão subir até meu rosto e se fixar lá para então se despedir com um beijo. Porém, este, diferentemente dos demais, não expressava desejo ou algum sentimento luxurioso, era algo mais puro e desconhecido por mim. Com ele, parecia que eu não tinha experiência alguma. Esse sentimento superou o intenso que eu idealizei. Até o dos outros beijos. Não que o beijo era tão diferente assim dos demais; foi um beijo comum, na verdade, calmo. A língua dele passeava preguiçosamente pela minha até que uma dança lenta entre elas começara e terminara no mesmo ritmo. Não havia pressa, nem necessidade de querer algo mais. Seria quase simbólico, mas tinha algo lá que me tentava a entregar-me de copo e alma, mas não me pressionava a seguir meus impulsos. Trazia uma sensação doce de conforto e um leve tom de curiosidade.

Ele se afastou e deixou aquela sensação diferente residir em mim durante a noite toda após ele ir. TaecYeon se afastara e eu nem percebi. Eu quase precisava lembrar meus pulmões de coletar ar e meu coração de bater. O mundo estava distante em minha percepção. Até Seo estava. Aquelas sensações eram grandiosas e reais o suficiente para preencher meu mundo, isolando-me do real. Consegui ficar encarando o nada por longos minutos até que identifiquei a parede como o ponto em que olhava fixamente sem motivo aparente. Não havia ouvido a porta se fechar quando ele saiu, também.

Longas horas se passaram sem que o sono viesse, o que resultou numa noite parcialmente em claro, com direito a suspiros abafados e pensamentos reflexivos. Parecia que uma onda de choque percorria meu corpo toda vez que pensava naquele nome e só de lembrar de qualquer coisa relacionada a ele, a sensação era de que cafeína era injetada em minha corrente sanguínea, levando para longe qualquer traço de sono que pudesse aparecer. Minha mente também não me ajudava. Trabalhava a mil pensando nas últimas palavras dele e retornando ao mesmo ponto. À aquela proposta. Vícios por beijos. Não era uma troca ruim, era? Os beijos eram bons. Muito. Mas também eram viciantes. Talvez eu estivesse começando a trocar vícios por vícios. E talvez esse vício seja pior que os que eu tinha no momento.

— Por que você fez isso? — murmurei, fechando os olhos agora bêbados de sono e adormeci logo em seguida.

***

Notas finais
Ei, já percebeu que eu costumo atualizar nas terças e sextas? Acho que vai ser o cronograma mesmo por falta de outra ideia. O que será que vai acontecer com todo esse fogo que os dois sentem? O TaecYeon tem uma noiva, mencionada nos capítulos passados, mas ela ainda não vai aparecer >3< Já imaginam as futuras loucuras que os dois irão viver? Se sim, comenta aqui o que você tá achando - se odeia esse riquinho ou se já quer roubar ele da ruiva - e pode deixar que eu vou ver e responder com carinho :) Estamos só no começo da história, mas desde já agradeço àqueles que leem.