Addiction
12 Capítulo Doze
Notas iniciais

Bruce não sabia dizer quantas vezes já se tinha chamado de estupido mentalmente. Tinham passado quase quinze dias. Quinze dias em que Natasha praticamente não lhe falava e ele se amaldiçoava por ser tão idiota com ela.
As pessoas da aldeia mais próxima pareciam evitá-lo, o que o deixava incomodado e dificultava a tarefa de Nat em sair o mais rápido daquele fim de mundo. Não que ele se queixasse de lá estar. Era silencioso e não havia S.H.I.E.L.D. a monitorizá-lo. Talvez ficasse lá quando ela fosse embora.
– Banner – Olhou para a entrada da cabana em que estavam instalados, no limiar da aldeia. Natasha tinha os cabelos molhados e escorria-os, torcendo-os com as mãos. A água caía pela curva do seu pescoço até desaparecer no decote do vestido verde esfarrapado que alguém da aldeia lhe tinha dado – Vais ficar parado a olhar para mim, ou vais buscar o cesto de peixe que está lá fora?
– Desculpa – Disse, levantando-se da cadeira e passando por ela.
Quão estupido consegues ser Bruce?!
Natasha sorriu, quando Bruce passou por ela, visivelmente incomodado com a sua presença.
Não estava mais chateada com ele, bem, pelo menos não tanto. A verdade é que tinha conseguido falar com Tony, dois dias depois de terem descoberto estar no meio de nenhures, e ele tinha sugerido que passasse algum tempo longe de tudo e todos com Bruce. Nat aceitou a sugestão, apesar de estar irritada e de descontar constantemente a sua irritação no doutor. Começou a seduzi-lo, aos poucos, e reparou que ele não era indiferente aos seus encantos.
O problema era que quanto mais ela queria que ele lhe tocasse, mais ele se afastava.
Soltou um suspiro e sentou-se na cadeira, vendo Bruce entrar pela porta e largar o cesto no pequeno espaço que servia de cozinha. Ele usava uns calções castanhos e a t-shirt branca quase se colava ao corpo devido ao calor infernal. Humedeceu os lábios com a língua.
– Podíamos ir dar um mergulho – Sugeriu, quando ele se virou na direção dela. Bruce olhou-a surpreso, talvez porque era a primeira vez nos dois dias que lhe falava sem ser de uma maneira arrogante.
– Tudo bem – Respondeu ao fim de um tempo. Nat sorriu, satisfeita.
Vamos ver quanto tempo o Doutor aguenta.
Bruce sentou-se á beira do rio, enquanto Natasha descartava o vestido para um canto e dava um mergulho. Começou a arrepender-se de ter aceitado, no momento em que ela emergiu da água naquele minúsculo biquíni vermelho que tinha usado no dia da praia e lhe sorriu.
– Não vens dar um mergulho, doutor? – Perguntou-lhe. Bruce engoliu em seco e tirou a t-shirt, hesitando antes de se entrar. A água gelada foi um alivio contra a sua pele, já que estava quente devido ao clima tropical. Natasha aproximou-se e Bruce não pode deixar de pensar se era assim, com receio, que os machos de uma viúva negra se sentiam, antes dela os comer – Banner, relaxa – Sussurrou, colocando a mão sobre a sua face.
Bruce soltou o ar, não tendo sequer percebido que o estava a prender. Sentia os músculos tensos, e quando ela lhe tocou na cara, bloqueou completamente. Os seus olhos prenderam-se nos verdes dela e deu por si a sorrir, ao pensar que a cor era semelhante ao musgo.
– Diz que não sentes nada por mim – Murmurou-lhe, aproximando perigosamente a boca da dele – Se o disseres eu desisto e volto a dar uma oportunidade ao Clint.
– Natasha – Disse, soltando um suspiro – Sabes que não é assim tão fácil.
– Porque não queres que seja – Retorquiu – Quero estar contigo, não preciso de compromissos e um anel no dedo – Riu – É só quereres, simples.
Afastou-se dela, olhando para o lado – Não ia suportar magoar-te, não como magoei a Betty.
Ouviu Natasha suspirar, mas não olhou na direção dela – Eu pareço-te frágil, Bruce? Não sou a doce e bem comportada Betty Ross, sou uma assassina. Não me podes magoar, não quando apenas me sinto viva quando estou contigo.
Tony estava a dar em doido.
Pepper não parava de interrogá-lo, desconfiada de que ele sabia mais sobre o paradeiro de Natasha e Bruce do que aparentava, o que não deixava de ser verdade. Clint tinha certeza que ele sabia alguma coisa e aparecia em todos os cantos da casa, só faltava apontar-lhe uma flecha á cara para obriga-lo a falar. Steve tinha-se mudado para a Torre Stark, cansado de não saber nada e não o podia censurar por não querer ser mantido de fora, era demasiado divertido ver todos os dramas de perto. Thor era o único que não lhe fazia perguntas, talvez porque não quisesse mesmo saber.
Espreitou para a sala assim que o elevador abriu e sorriu, vendo que estava vazia.
Sentou-se a ver televisão, e quase teve um enfarte quando olhou para o lado – Mas que porra! – Gritou, quase largando o comando e chegando-se para a ponta do sofá. Clint, sentado do seu lado, olhou para ele e fez uma cara confusa.
– O que aconteceu Tony?
– Começo a ficar com medo da tua habilidade de stalker, Legolas, aprendeste isso a seguir o Gimli ou o Aragorn?
– Stark, quanto tempo vais continuar a fingir que não sabes onde é que a Natasha está?
Tony encolheu os ombros, despreocupado – Não tenho culpa que o Gimli tenha fugido com o Frodo.
Clint suspirou, desistindo – Sinceramente, não faço a mínima ideia do que estás para ai a dizer.
– Vocês agentes não conhecem Senhor dos Anéis? Sacrilégio! – Exclamou, com horror.
– Pepper, não te vou dizer onde a Tasha está – Murmurou, quando a namorada o abraçou por trás e lhe deu um beijo no pescoço. A ruiva bufou, irritada, e sentou-se ao lado dele no sofá. Tony ponderou em mudar de sitio, já que uma hora antes, Clint estava no mesmo sitio, a querer saber o mesmo.
– Tony, tu acabaste de confirmar que sabes onde ela está.
Olhou para ela, surpreso ao ver que ela tinha razão – Começo a achar que é um génio, senhorita Potts – Disse, sorrindo. Pepper revirou os olhos, mas sorriu-lhe.
– Já passaram duas semanas, estou preocupada.
– Querida, se tudo correr como eu imagino só precisas de te preocupar com a inocência do sofá quando a Natasha e o Bruce voltarem – Brincou, antes de se aproximar dela – Podiamos estragar a inocência dele primeiro – Sugeriu, com um sorriso torto.
– Sr. Stark, o diretor Nick Fury deseja falar consigo.
– Agora não Jarvis, diz que estou ocupado.
– Ele diz que é importante.
– Então ele que deixe recado – Retorquiu, revirando os olhos.
– Mas senhor, ele insiste.
– Jarvis, onde estão os teus tomates?
– Tony, é melhor falares com o diretor – Disse-lhe Pepper, dando-lhe um beijo rápido e levantando-se do sofá – Continuamos depois – Prometeu, piscando o olho e andando em direção ao elevador.
– Qual é o problema desta gente? Só sabem ligar quando não quero ser interrompido – Resmungou – Jarvis, passa-me a ligação do Fury.
Bruce não tinha respondido depois de Natasha acabar de falar, simplesmente porque ela não lhe dera qualquer oportunidade para tal. A ruiva puxou-o para um beijo e ele perdeu-se completamente, ignorando qualquer aviso que a sua mente lhe mandava.
As pernas de Natasha foram parar á sua cintura e a parte de cima do biquini desapareceu algures na água. Não soube bem o que fazia, até que estava dentro dela, de novo, na margem do rio e ela gemia o seu nome. Bruce. Tão alto que qualquer um por perto poderia ouvir.
Natasha sentia-se viva, mais viva que alguma vez se tinha sentido.
Tinham voltado para a cabana no fim do dia e depois de conversarem um pouco, Bruce respirava contra o seu pescoço, adormecido. Nat, contudo, não se sentia capaz de fechar os olhos. Sorriu, quando o cabelo dele lhe fez cócegas no pescoço e ele se mexeu, abraçando-a.
Esperava que tudo fosse assim tão simples quando regressassem.
– Tasha?
– Sim – Respondeu sorrindo – Queria dizer-te que já está tudo bem, acho.
– Isso é bom.
Natasha franziu a testa, onde estavam as piadas usuais de Tony Stark? – Aconteceu alguma coisa nos ultimos dias?
– Nat, as férias acabaram. O Fury ligou-me à três dias, ele tem uma missão para ti – Houve um suspiro do outro lado, e Natasha continuou em silencio até que ele voltou a falar – Vou mandar um jacto para vos ir buscar, vocês voltam hoje mesmo. Avisa o Bruce.
Natasha estava a cortar legumes, pensando numa maneira de lhe contar que iriam embora dentro de algumas horas, quando Bruce a abraçou por trás. Deu-lhe um beijo no pescoço e ela voltou-se para ele. O sorriso que ele tinha desfez-se de imediato, e ele soltou-a, dando um passo para trás.
– Há algum problema?
– O Tony vai enviar um jacto para nos vir buscar. Vamos hoje embora.
Bruce franziu a testa, confuso – Conseguiste falar com o Tony? Como?
– Já tinha falado com ele antes – Confessou, mordendo o lábio e desviando o olhar – O médico da aldeia tem telefone.
– Quer dizer que me mentiste? Este tempo todo? – Ele parecia magoado, e ela arrependeu-se imediatamente de lhe ter contado a verdade.
– Queria passar algum tempo contigo, longe de tudo.
– Não importa. Vamos arrumar as coisas.
Boa Natasha, sempre a estragar tudo.
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