Notas iniciais
Segunda carta da nossa doce Narcissa.

Lucius,

Não consegui dormir a noite passada. Escutei sons no andar de baixo, e fiquei aterrorizada, esperando os aurores subirem. Assim que amanheceu, eu resolvi me render. Era inútil resistir a eles. Meu coração deu um pulo.

Um gato entrou em nossa casa, nunca os aurores.

Chorei a noite inteira. Sei que falei sobre suas lágrimas ontem, mas eu, diferente de você, não tenho obrigação de ser forte. Sou apenas uma mulher. Frágil, indefesa e sozinha.

Sua foto, na mesa de cabeceira, me julgou a noite inteira. Me olhava com aquele olhar que você costumava dar à sangues-ruins. Me condenando por não ser presa com você. Como se eu tivesse culpa de algo, de sua inutilidade, de sua incompetência.

Passei o resto do dia na estufa, com minhas amadas flores. Aquele lugar me acalma e eu pude ficar em paz, por alguns momentos.

Reguei os lírios, aqueles que eu plantei para simbolizar nosso relacionamento. Me recordei de quando você me deu um lírio, em Hogwarts, fazendo-me acreditar que me amava, quando na verdade estava contribuindo na atuação de nossas famílias para que todos acreditassem que éramos felizes juntos.

Agora não há mais lírios. Apenas cinzas e um cheiro de queimado que impregnou até nas minhas rosas. Num momento de fúria, eu as queimei. Não com magia. Joguei a lamparina que iluminava minhas flores sobre os lírios, e quase tudo pegou fogo. Lembre-me de me vingar de você pelo fim dos meus belos narcisos, vítimas de minha fúria.

Estou apavorada agora, não apenas com medo. Não consigo mais me controlar como antes.

Por que tudo é culpa sua, Lucius?

Quero minhas flores de volta.

Narcissa Malfoy.

Notas finais
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