Atravessamos o resto do corredor e entramos em um novo salão. Igualmente banhado pela escuridão. Caspian pousou a chama da tocha em um compartimento ao lado da entrada e imediatamente uma fila de fogo contornou as paredes do ambiente, iluminando-o.

Assim como no corredor, as paredes de pedra eram minuciosamente talhadas com figuras lendárias de Nárnia, destacando a imagem de Aslam. Bem no meio do salão havia um artefato que identifiquei como sendo a Mesa de Pedra, a qual li sobre em um dos livros que contavam da libertação de Nárnia do grande inverno.

- É lindo.

- Ficará ainda mais depois de algumas reformas. Aqui antes era um santuário, e pretendo que volte a ser um.

Sua voz era fria e impessoal. Não olhou para mim enquanto falava e se manteu afastado. Sentou em uma extremidade da mesa de pedra e encarou a figura esculpida de Aslam em silêncio. Me aproximei vagarosamente e toquei o seu ombro, mas mesmo assim não quis me olhar.

- Me perdoe se disse algo que não devia.

- Não disse nada.

- Então me perdoe por ter ido à vila sem avisar. Sei que tinha que falar-lhe mas estava tão entusiasmada em sair que...

- Não tem que se culpar por isso. Entendo a sua angustia por ficar o dia inteiro dentro do castelo. Mas você viu o que tem lá fora. Os telmarinos são pessoas difíceis, duras. E tremo só de pensar no que poderia acontecer se eu tivesse chegado tarde para proteger-lhe. Na vila tem pessoas boas, mas também pessoas ruins, frias como nossos ancestrais. Por favor, meu amor, prometa que não sairá sem mim por enquanto. Até o povo reconhece-la dentre eles.

- Prometo Caspian. Não o preocuparei mais.

- Não sabe o que senti quando aquele homem tocou em você. Minha vontade era de sacar a espada e ....

- Já passou. Eu estou bem. Olhe para mim, por favor.

Caspian olhou para mim com uma ruga de preocupação na testa. A massageei e beijei.

- Isso não se repetirá. Vamos esquecer.

- Vamos.

Ele concordou, mas o seu comportamento ainda era fechado e frio.

- Há mais alguma coisa, Caspian. Por favro me fale. Eu amo você e quero saber o que o aflinge.

- Não é aflição. É que esse lugar me trás várias lembranças. Mas algumas já não tem tanta importância, mas ainda me encomodam só de pensar. Mas o que importa é que eu tenho você. — disse ele com um sorriso sincero.

- E eu você.

Deu-me um leve beijo nos lábios e acariciou gentilmente meus cabelos, tirando o lenço e rindo ao vê-lo.

- Melhor assim. Vamos, é melhor deixar os homens trabalharem.

...

- Não entendo por quê está tão chocada Milady. — disse para Rosagunde quando observei sua cara de espanto ao contar-lhe sobre a minha pequena aventura na vila.

- Majestade! Tens noção do perigo que estava correndo, só de pôr os pés para fora do palácio? O que o vendedor de tomate fez nào é nada comparado ao que podia acontecer. Ainda bem que o rei chegou há tempo!

- Ele pediu para que não fosse sozinha há vila por enquanto.

- Sábias palavras! Concordaste, não?

- Sim, achei sensato.

- Mesmo que não achasse, Majestade, mesmo que não. O marido sempre tem razão sobre o que sua esposa deve fazer, com isso ela deve acata-lo. É um dos ingredientes para um casamento próspero e feliz. Assim não há controversias e há mais tempo de... aproveitar o que o outro tem para oferecer.

- Tens razão. Como fui tola. Tinha que te-lo ouvido.

- Não se culpe Majestade. Mas agora que sabe, espero que não haja mais situações como essa.

- Obrigada por se preocupar comigo milady.

- Faço apenas o meu trabalho, minha rainha.

...

As criadas me ajudaram a colocar minha camisola e prepararam a cama para eu me deitar. Estava exausta, meus olhos estavam quase se fechando mesmo estando em pé. Mas antes comecei o meu ritual noturno de pentear os cabelos antes de dormir. Enquanto passava a escova entre os fios, nem percebi quando Caspian saiu do vestíbulo e entrou no quarto. Tomei conciência de sua presença quando o vi refletido no espelho da penteadeira. Ele se aproximou com um belo sorriso de lado, me abraçou por trás e beijou meu ombro nu pela camisola.

- Seus cabelos sempre serão lindos mesmo se não os pentear.

- É um velho costume.

- Adoro-o, assim como tudo em ti.

Seus lábios passaram para o meu pescoço, fazendo-me arrepiar.

- Quero ama-la a noite toda, senti-la mais perto, junto há mim...

Ia para-lo para dizer o quanto estava cansada e lamentar, mas o que Rosagunde disse para mim nesta tarde veio à minha cabeça me impedindo de para-lo. Caspian me levou para a cama em seus braços e me despiu. Dei inúmeros bocejos enquanto o fazia mas ele nem percebeu pois estava ocupado em beijar o meu corpo.

A noite toda não fiz nenhum movimento, meus músculos estavam tõa cansatos que Caspian teve que fazer praticamente tudo sozinho, e no final, a sensação não foi tão boa como das outras vezes, para nós dois. Quando terminamos Caspian ia dizer alguma coisa, mas não pude evitar que finalmente meus olhos se fechassem e o sono viesse.

Notas finais
comentem gente!!!
obrigada por lerem!!!