Adaptação
22 Capítulo 22
Engasgei com o café que motava e levei alguns minutos para me recompor.
- Mas... como assim?
- Sua Majestade... não sabe?
- Bem, não exatamente. Tudo é muito novo para mim.
- Me desculpe perguntar... mas como uma estrela... hum... gera outra estrela?
- Meu pai dizia que era muito lindo. Contou que parte do céu se iluminava ao redor da mãe, e que bem do alto descia sedimentos de luz brilhante que se depositava em seu colo e quando aquele brilho ofuscante sumia, surgia uma linda criança. — ao terminar dei um suspiro.
- Com os humanos é completamente diferente.
- Como?
As bochechas de Rosagunde ficaram vermelhas e ela deu umas três goladas do café antes de me responder.
- Bem, depois de certas \"ocasiões\", como a de ontem a noite, a mulher pode ou não ter guardado a semente que o homem dá a ela. E se sim, ela vai crescendo dentro dela até que nove meses depois a criança nasce.
- Então pode ter uma semente dentro de mim? — disse olhando o meu corpo. — Mas... onde?
- Aqui!- disse ela pegando na minha barriga.
Coloquei minhas mãos lá e Rosagunde tirou as dela. Passei alguns segundos um pouco perplexa até que acariciei levemente.
- Eu tenho que falar com Caspian!
- Não, não tem! Não devemos interromper o rei com assuntos menos importantes.
- Mas eu posso ter uma semente dele dentro de mim.
- Como pode não ter! Imagine o quão decepcionado ele ficaria se atiça-lo todo e depois descobrir que não está grávida.
- Grávida? É assim que se fala?
- Sim, Majestade. Agora por favor voltemos às nossas lições.
- Sim, milady.
...
- Eles estão chegando.
Disse Caspian três dias depois quando estávamos no nosso lugar secreto, a torre de vigilâcia oeste.
Nesses dias ele andava ocupado e preocupado com a integração das vilas narnianas e telmarinas. Seus dias eram recheados de reuniões e só nos viamos nas refeições e quando iamos nos deitar. O pouco tempo que tinhamos juntos nós não conversávamos verbalmente, apenas nos amando e acarinhando. Mas essa noite era diferente, Caspian cancelou uma reunião para ficar comigo, e eu sentia que ele precisava desabafar suas preocupações, e ele sabia que eu sempre estou disposta a ouvi-lo.
- Vai dar tudo certo, meu amor.
- Espero que sim. Não quero que ninguém se sinta ofendido ou prejudicado.
- Isso não acontecerá.
- Há quatro anos luto por uma relação pacífica, mas cada um tem um pé atrás com o outro. Principalmente os descendentes de Telmar, não veem os narnianos como parte do seu povo. E os narnianos reagem ao preconceito.
- Tudo vai mudar. A convivência os mudará.
- Os telmarinos são cabeças-duras.
- Disso eu sei, conheço muito bem um telmarino para lhe afirmar isso.
- Eu sou cabeça dura?
- Em relação a confiar mais em si mesmo, sim. És o rei mais dedicado e justo que um povo poderia ter. Dá o seu sangue e suor por cada cidadão. Não é possível que eles não encherguem isso.
- És maravilhosa e sábia, Estela.
- Nem tanto assim, se fosse saberia muito mais do que sei.
- Não diga isso. Pode não saber muito bem como usar os milhões de talheres da mesa ou como andar toda empinada. Mas sabe muito bem o que se passa no coração das pessoas, e isso já basta.
Sorri encabulada enquanto Caspian aproximava o rosto do meu. Pude sentir seu hálito quante se aproximando dos meus lábios, que quando ele ia me beijar, uma fria corrente de ar atravessou o meu corpo e me fez extremesser.
- É o inverno chegando. — disse Caspian.
Caspian pegou uma manta que estava dobrada sobre seu braço e a enrolou em nosso volta.
- Inverno? Pensei que Nárnia não tivesse inverno.
- Tem sim, Nárnia fica como um lençol branco nessa época, nada rigoroso como o da Feiticeira Branca, mas forte o bastante para se agasalhar bem. O melhor, é que junto com ele vem o Natal, a maior festa daqui. Pois quando ele chega, sabemos que estamos seguros.
- Uau! Deve ser lindo.
- E é. Mas eu conheço algo infinitamente mais lindo que os picos das terras agreste norte cheios de neve.
- O quê?
- Você.
E finalmente me beijou, do jeito delicado e fugaz ao mesmo tempo de sempre. Mas que sempre me rancava vários suspiros e me deixava cada vez mais apaixonada.
...
Acordei bem cedo para relaxar um pouco sozinha no jardim. Meus afazeres com Rosagunde e as outras ladys estavam me deixando exausta, precisava de um momento menos formal.
Peguei um atalho pela cozinha do castelo. Lá, as panelas ainda estavam guardadas e pratos limpos estavam empilhados na robusta mesa de madeira. Uma senhora saiu da dispensa com um sesta e uma caderneta na mão, quando me viu fez uma reverência.
- Bom dia Majestade, que devo a honra de recebe-la aqui na cozinha. — disse a mulher docemente.
- Estava cortando caminho para o jardim, e a senhora, onde vai com esta sesta?
- Ao mercado da vila, a dispensa está quase vazia.
- Será que eu posso ir com você?
- Mas, Majestade... o marcado não é muito apropriado para a senhora.
- Estou praticamente presa aqui dentro. Se sair apenas por algumas horas me sentirei muito mais disposta para cumprir meus deveres reais. Um pouco de simplicidade não me fará problema. Por favor, permita-me que a acompanhe.
- Nunca diria não à minha rainha. — disse com um sorriso.
- Muito obrigada. Acho que vou precisar de roupas mais simples que essas. — disse me referindo ao meu suntuoso traje da manhã.
- Aqui tem um de minha filha. Deve lhe servir se sua Majestade não se importar em vestir tecidos groceiros se comparados aos que está acostumada.
- Engana-se querida, me sentirei confortável dentro dele.
Me troquei e coloquei um lenço no cabelo para parecer uma aldeã.
- Ainda não nos apresentamos! Como se chama?
- Helen, Majestade.
- Por favor Helen, me chame de Estela.
- Sim Ma... Estela.
Helen me deu uma sesta e saímos em direção à vila. Assim que atravessamos os portões, nos deparamos com um cenários de lindas casas camponesas com trepadeiras subindo entre as pedras da qual eram feitas as paredes. Vi crianças brincando enquanto iam para a escola e cheiro de pão fresco vindo de um armazém. Janelas eram abertas e o comércio começava a abrir, ouvia-se música de peregrinos que mostravam seus talentos nas calçadas, e como esperado, nenhum narniano.
Estava tão distraída com a simples beleza da vila que acabei esbarrando em um homem que carregava um sesto de tomates que, com o leve impacto, caíram alguns no chão.
- Me desculpe senhor! Estava distraída.
- A sua distração não colocará tomates no meu molho!
- Pago-lhe mais uma dúzia de tomates se quizer.
- Agora quer me comprar com dinheiro?! Quem pensa que é, mulher!?
- Me desculpe...
- Agora chega! Vou lhe mostrar uma lição!
Ele segurou o meu pulso e começou a me arrastar para algum lugar quando ele foi interrompido pela voz de Caspian.
- Pare agora!
Ele estava montado em Destro que era acompanhado por dois centauros.
- Majestade, essa mulher...
- Se não percebeu, ela é sua rainha, e mesmo que não fosse não é assim que se trata uma dama. — ouvi alguns suspiros quando ele falou isso- Agora solte-a imediatamente.
Ele me soltou e Caspian me colocou na garupa de Destro, galopando comigo para fora da vila.
Notas finais
bjooooooooooo
abrigada por lerem!!!
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