Adaptação
31 Capítulo 31
Depois da aula de frações, salva graças ao nosso novo aluno, chamei Arn para uma audiência em particular para discutirmos onde deveriamos transferir os nossos encontros de estudo, já que o número de alunos está ficando maior de que esperava.
- O que acha do bosque à oeste de Cair Paravel? Fica bem entre a vila telmarina e a vila narniana.
- Seria uma ótima ideia, Arn. Mas eu acho que os pais se sentiriam mais tranquilos com seus filhos dentro dos limites do castelo.
- Ou longe de narnianos...
Arn olhava timidamente para baixo, encarando seus dedos que amassavam sua camisa.
Tentei repreende-lo mas vi que o que dizia fazia sentido. Se as próprias crianças ficaram desconfiadas com um fauno na classe, imagine seus pais.
Acariciei o ombro esquerdo de Arn tentando reconforta-lo, mas ele continuava a encarar sua camisa esfarrapada.
- Tudo será resolvido em breve, Arn. Só é necessário um pouco mais de convivência.
- Majestade... nesses últimos anos as coisas vêm melhorado muito. Foi um bênção rei Caspian ter aparecido em prol dos narnianos. — Não pude evitar sorrir com seu comentário. — Mas a humilhação... Eles ainda nos tratam copmo animais. Claro que todos não! Mas a maioria. Podem não demonstrar por palavras, mas seus olhares dizem tudo.
Lembrei da reação das crianças e da indiferência de lorde Ersan em relação à questão narniana.
- O maior passo já foi dado, querido. Agora só precisamos nos ajustar, nos adaptar. E isso leva tempo. Não culpe as pessoas pelas injustiças que elas cometem, mesmo que silenciosamente. Foram milhares de anos de preconceito e falta de informação que meia década vai mudar. Precisamos ter paciência.
Arn olhou para mim e deu um sorriso tímido. Fiz mais um afago em seu ombro e o acompanhei até a saída do palácio. Combinamos de nos encontrar novamente para discutir sobre um melhor local para as aulas. Nossa reunião ficara para a próxima semana, a qual daria férias para os alunos e fim de organizar a futura escola mista.
Arn colocou os livros debaixo do braço e sumiu no bosque. Dei um pequeno suspiro enquanto observava sua silhueta de bode sumir entre as árvores. Quando desapareceu, fiz o meu retorno para o castelo com uma leve sensação de que estava esquecendo de uma coisa muito importante.
...
- A postura é o que diferencia uma rainha do resto dos convidados. Em um jantar real, ela está sempre altiva, elegante e...
- Amarrada? — disse enquanto tentava me ajeitar nas cordas que amarravam meus ombros à luxuosa cadeira de jantar.
- Se isso quer dizer "não avançar sobre a comida", sim.
- Não consigo nem mesmo alcançar os garfos!
- É tudo uma questão de prática... Não estique tanto o braço! Não está tentando alcançar um livro numa estante alta demais. Tente a leveza...Majestade! Esse é o garfo para pescado!
- Rosagunde, eu agradeço mas eu tenho outros afazeres.
- Quais? Pelo que sei sua... seu encontro de estudos de hoje terminou.
- Tenho que conversar com meu marido...
- Com o "rei", sempre refira-se ao seu "marido" como o "rei".
- Certo. Tenho que me encontrar com o rei.
- Seria completamente inapropriado. O rei deve estar ocupado com os assuntos de Estado.
- Mas se eu for até ele...
- Minha rainha, entenda que ele tem questões mais importantes para resolver, seja lá qual for que seja a sua.
E com isso voltamos às nossas lições de etiqueta.
...
Depois de um banho e da estranha ajuda para me vestir, finalmente estava sozinha em minha câmara de dormir, penteando meus cabelos enquanto esperava Caspian para dormir.
Senti uma leve brisa e ouvi o barulho da porta se fechando atrás de mim. Pouco depois, as molas do colchão rangeram e um par de botas foram jogadas no chão. Fez-se alguns minutos de silêncio. Sei que quem estava sentado na cama era Caspian, pude sentir o seu cheiro no mesmo momento em que abriu a porta. Não me permitia olhar para ele, não queria ver uma expressão de dor ou de decepção nos olhos que tanto amo.
- Não a vi o dia inteiro. — disse Caspian com a voz rouca. Que mesmo estando a alguns passos atrás de mim, tive a impressão de que falava ao meu ouvido, resultando num arrepio na nuca.
- Estive muito ocupada com as crianças e Rosagunde. Almocei e jantei na sala íntima.
- Senti sua falta.
Não pude evitar de olha-lo. Estava, assim como o esperado, sentado na cama, sem as botas, com as calças de flanela, mas com uma leve camisa de algodãom; estava pronto para dormir.
- Me perdoe pelo que aconteceu no desjejum...
- Pensei que iria me defender.
Caspian levantou da cama e veio ao meu encontro, segurando levemente nas minhas mãos.
- Juro que era o que eu mais queria. Mas... Estela... quero que entenda que não posso ser parcial em uma reunião dessa. Tenho que ouvir todas as opiniões e considera-las. E você agora, meu amor...
- Eu sou a rainha.
- Sim. E é por isso também que não a defendi. Eu e você devemos seguir a mesma conduta, para também não gerar conflitos dentro da corte. Mas isso não quer dizer que a proíbo de defender seus ideais. O que quero dizer...
- É que tudo tem uma hora certa.- disse com um sorriso.
- Exato.
Caspian me retribuiu o sorriso e aproximou seu rosto do meu. Fechei meus olhos e senti seus lábios acariciarem os meus e pedirem passagem para minha boca. Nos beijamos até perdermos o ar dos pulmões. Tentamos recuperar o fôlego por alguns momentos, mas sem desencostar nossos lábios. Depois de devidamente oxigenados, Caspian me deu um leve beijo na testa e me tomou nos braços me levando para a cama.
Assim que meu corpo encostou nos lençóis e almofadas macios, não pude evitar um bocejo.
- Acho melhor descansarmos, tivemos um dia muito agitado hoje.
Eu concordei e nos enrolamos nos lençóis assim como um no outro, para desfrutar de um sono limpo e sem mágoas.
Notas finais
bjoooooooooo
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