Rosagunde me fitava com o rosto oerto do meu e com uma estranha simpatia. Voltei minha atenção para a mesa e tentei memorizar o que ela acabara de dizer, mas todos os talheres pareciam absolutamente iguais.

Uma das criadas entrou na sala com uma bandeja, visivelmente pesada, com xícaras, bule e biscoitos.

- Deixe-me ajuda-la!

Levantei já estendendo as mãos para segurar a bandeja quando Rosagundo agarrou meus pulsos.

- Majestade! Permita-me dizer que este é um comportamento inaceitável para uma pessoa na sua posição. Uma rainha nunca segura numa bandeja.

A criada acomodou o lanche na mesa e quando eu ia pegar um pouco de chá, Rosagunde me impediu novamente.

- Muito menos serve-se o chá. Sente-se e saborei.

Sentei novamente e a criada me serviu o chá.

- Obrigada.

Rosagunde deu um profundo suspiro e revirou os olhos.

- Em uma ocasião como o lanche da tarde real, uma rainha se encontra com mulheres cujos maridos são grandes lordes e duques, da própria Nárnia ou até mesmo da Calormânia. É aí que ela tem de mostrar sutileza e hospitalidade para passar boa impressão de vosso reino. Quando o chá é servido, segure a xícara pela asa com o polegar, o anelar e o médio.

- Certo.

Tentei segurar a xícara corretamente mas acabei derrubando um pouco de bebida quente em Rosagunde.

- Ho! Me perdoe Milady!

Tentei limpa-la mas ela se levantou e se afastou um pouco.

- Tudo bem Majestade. Para a primeira aula até que avançamos... um pouco. Encerramos por aqui. Foi uma honra Majestade, nos vemos amanhã. — disse ela ao sair apressada da sala.

- Amanhã...

Fiquei olhando ao redor na sala vazia procurando um ponto que me distraísse. Passei a observar a fumaça que saía do bule, reparava até nos desenhos que ela fazia no ar, até que senti alguém de mãos grandes e quentes tampar meus olhos. Deu um largo sorriso quando o senti beijando meu pescoço.

- Caspian!

- Acertou.

- Deveria estar um uma reunião.

- Ela já acabou. Agora somos só eu e você.

Caspian me beijou nos lábios apaixonadamente e eu o retribuí da mesma forma. Quando paramos um pouco para respirar Caspian disse entre os ofegos:

- Vamos para o nosso quarto.

- Caspian!

- Eu não consigo me controlar Estela. Depois da nossa primeira noite sempre que fico perto de você meu corpo enlouquece.

- Vamos com calma, ainda somos novos nisso.

- Deve ser por isso que te quero tanto.

- Então quando formos mais maduros não vai me querer mais? — ironizei.

- Não, vou querer muito mais. — disse ele sorrindo.

Nos beijamos novamente, só que agora com mais intensidade. Estavamos empolgados com o beijo, tanto que senti as mãos de Caspian na barra do meu vestido.

- Por favor meu amor, hoje não.

- Tudo bem. — disse ele abaixando o rosto.

- Me perdoe Caspian, é que estou cansada depois de ontem a noite, quase não dormimos.

- Eu entendo meu amor. Podemos fazer outras coisas. O que acha de transferirmos esse lanche para o jardim? Está um dia lindo lá fora.

- Seria maravilhoso.

Quando chegamos ao jardim vi que uma toalha estava estendida na grama com várias guloseimas em cima.

- Você planejou tudo! — eu disse.

- Sabia que iria aceitar.

Dei um leve beijo em seus lábios e sentei em cima da toalha e me servi de manjar turco.

- Este doce tem uma história em Nárnia.

- Qual?

- Assim que Rei Edmundo entrou pela primeira vez em Nárnia deu de cara com a Feiticeira Branca, que o enfeitiçou com alguns pedaços de manjar.

- Deve ser por isso que são tão deliciosos.

- Mas não são tão doces se comparados aos seus lábios.

- Se é isso que diz, acho melhor ficar longe deles! — brinquei.

- Isso é o que veremos!

Saí correndo pelo gramado e Caspian foi atrás de mim, mas não demorou muito para ele me pegar e sair rolando pela grama. Quando paramos, ele estava em cima de mim com um largo sorriso, me segurando para não fugir.

- Acho que mereço o meu prêmio.

Nos beijamos lentamente, um saboreando outro, sem medo de sermos vistos.

Notas finais

abrigada por lerem!!!

seus comentários são muito importantes para mim!!!

bjooooooooooooo