Adagas
4 Nenhuma notícia de procura
As
semanas passaram e, não adiantava onde procurassem, nenhuma pista de quem
aquele homem fosse.
Julia
entrou em contato com hospitais, delegacias, funerárias, instituto médico legar
regional, hospícios... nada. Nenhuma família procurando por alguém que se
encaixasse na descrição dele.
Julia
permitiu que ele ficasse em sua casa durante este período. O rapaz parecia boa
gente, daqueles que não faz mal a ninguém. E além do fato dele não ter a mínima
idéia de quem era ou onde morava, ela também era muito só. Portanto, resolveu
pensar como no ditado unindo o útil ao agradável.
Mais uma
vez tinha pedido a uma das enfermeiras, da casa de repouso onde prestava
serviço voluntário, para ir até a delegacia e ver se alguém o tinha procurado e
nada. Hoje chovia. O clima era em geral quente, mas naquele dia, a chuva estava
mais fria do que o normal. Tentou chegar seca em casa, mas com o vento que
fazia com que as gotas viessem na diagonal, era impossível ficar seca. Deu
graças a Deus quando chegou na entrada do prédio onde vivia.
– Oi...
Shura? – Tinha decidido que ele seria chamado assim uma vez que era a única
pista de quem ele era – está em casa?
– Sim...
– a voz era um pouco baixa – Aqui na cozinha...
– Tá
bem... – tirava o casaco e o pendurava num pequeno armário que tinha perto da
porta – essa chuva hoje era tudo o que eu queria... melhor que isso só ter
todos os vidros das janelas quebrados!
Não houve
resposta, o que de imediato fez com que ela olhasse desconfiada ao redor. “Será
que tem alguém aqui? Será que foi rendido?”. Não pensou duas vezes. Como estava
dentro do armário, passou a mão pela estante superior, num canto onde ficavam
os sapatos, e pegou sua pistola. Não caminhou com ela alta, de modo que se não
fosse nada não assustasse o rapaz, mas tinha que se prevenir. Foi olhando para
todos os cantos possíveis, procurando por algo fora do lugar que evidenciasse
que havia algo ou alguém indesejado ali. Mas nada encontrou, a não ser um homem
sentado com os braços apoiados nos joelhos e mãos entrelaçadas. Com um olhar
extremamente perdido, ou ao menos perdido o suficiente para não ver ela
esconder a arma em um dos vãos de um dos sofás da sala.
– Está
tudo bem? – Julia perguntou indo em direção a ele e se sentado ao seu lado.
Shura a
olhou, respirou fundo e coçou os olhos.
– Olho
para este bilhete todos os dias... – ele estava com o bilhete entre as mãos e
agora o fitava como se fosse uma rara jóia – tento lembrar de algo...
procuramos em todos os lugares ... nada! – suspirou novamente – não sei que sou!
–
Acalme-se.. – Julia disse passando a mão nas costas dele para o confortar – vai
lembrar... logo vais estar tudo resolvido...
– Se até
agora não sabemos de ninguém que tenho buscado por notícias minhas... – ele
olhou para ela com o olhar perdido e desesperado – não acho que vão fazer
isso... e além disso estou começando achar que estou incomodando você... é a
única pessoa que conheço, e me ajudou sem nem mesmo saber quem sou... – Se
levantou eu falou caminhando em direção a cozinha – não quero chatear você...
acho que já incomodo.
– Não
incomoda. – Julia levantou o seguindo – na verdade, faz o melhor café que já
tomei! – Shura sorriu meio sem vontade em resposta ao elogio – Olha, fica
calmo. Você não tá incomodando ok?
– Mas eu
não ajudo em nada aqui... – ele falou ainda com o olhar cabisbaixo – me sinto
mau com isso...
– como
não ajuda? – ela sorriu novamente pegando um xícara e se servindo de café –
acabei de dizer que faz o melhor café que já tomei! – ele sorriu com um pouco
mais de vontade. Julia pensou um pouco e finalmente falou – Olha... amanhã não
vou para a casa de repouso... – pensou novamente no assunto – vou tentar falar
com uma amiga minha... de repente ela pode achar alguma pista...
– Uma
amiga? – ele olhou curioso.
– é...
ela foi da Policia... tem ainda bastante contato com pessoas de lá... – pegou
outra xícara e deu a ele – quem sabe ela não consegue algo que nós não
conseguimos?
– é... –
Shura não pareceu muito esperançoso. – e como foi a noite?
– Boa. –
Julia sorriu e entrou no jogo dele de mudar de assunto – não houve nenhum
imprevisto lá durante a noite... mas essa chuva da manhã.... tomara que pare...
– olhou para ele com o mesmo sorriso no rosto – se parar, topa ir dar uma
volta? Respirar um pouco de ar fresco... ver gente?
– Não sei
se seria uma boa compania... – falou com um sorriso amargo e baixou a vista
para a xícara – Me sinto um lixo por não lembrar nada de quem eu sou!
– Calma
Shura... – ela pegou a mão dele e apertou – Calma... você vai lembrar.
Ele olhou
com carinho para Julia e sorriu.
–
Então... – Julia piscou e perguntou de novo – dá uma volta comigo se essa chuva
parar?
– Você
não vai desistir não é mesmo? – ele sorriu para ela. Por um momento pareceu que
seu humor tinha voltado.
– Não até
duas coisas acontecerem – contou com o primeiro dedo – você desfazer essa cara
de limão – contou o dois – você aceitar meu convite...
Cap 4 .
Arrepio
Shura
fitou Julia por alguns segundos. Não tinha como negar um pedido feito com
aquele olhar.
– Tá bem
então... – tomou um gole de café – já que não tenho escolha!
– Juro
que não vai se arrepender – Julia também tomou o café num gole – bom, vou tomar
banho... não gosto de ficar com roupa de trabalho em casa... – Passou pelo sofá
onde Shura estava dormindo – esqueci de avisar... deve chegar um sofá-cama,
mais confortável para você dormir... pode arrastar esse para o meu quarto –
essa ultima palavra dita com um sinal de aspas no ar, afinal era uma
apartamento estúdio, não havia mesmo um quarto, mas sim divisórias que serviam
de paredes.
– não
precisava se incomodar. – Shura disse sério.
– Já
disse que não incomoda. – ela sorriu para ele – Além disso, o sofá que vem pra
cá é bem bonito, nem parece sofá-cama... e vai combinar melhor com minha
sala... mas tem que por esse lá pra dentro.
– Fique
tranqüila que eu já levo – ele falou com um sorriso e assentindo com a cabeça.
A única
parte da casa que não tinha paredes feitas de material para divisória era o
banheiro, e isso por causa da umidade que se manteria no local. Mas, quando
“montada” a casa, tinha sido feito de uma forma que o banheiro ficasse de
frente para a porta do único quarto.
Julia foi
até seu aposento e pegou as roupas que vestiria após o banho e se dirigiu ao
banheiro.
Shura
levou com extrema facilidade o móvel até o quarto da moça e lá, percebeu a
janela entre aberta graças a um vento que soprou forte.
Ao sair,
viu que a porta do banheiro estava com uma fresta aberta, mas não foi isso que
chamou sua atenção.
O que
realmente chamou sua atenção, foi uma silhueta por de traz da cortina do
chuveiro e do orvalho da água quente.
Ele já
tinha percebido a beleza do corpo da moça, mas não daquela forma. As formas
perfeitas e bem definidas de seu corpo. Os seios empinados do tamanho exato.
Bumbum redondo, pernas bem desenhadas... era perfeita.
Ficou por
alguns segundos admirando. “Que diabos está fazendo? Se ela ver isso... como
pode ficar aqui...” olhou novamente. “ela nem te conhece e te ajudou... isso
seria uma falta de respeito. Mas...”. Um arrepio na nuca interrompeu seus
pensamentos. Foi quando percebeu que a silhueta parou de se mexer enquanto
lavava os cabelos. Antes que ela se virasse para a direção dele, ele deu dois
passos e se escondeu na parede, próxima a entrada. E em seguida, em mais alguns
passos que não faziam barulho algum estava na sala.
Julia
olhou ao redor e nada viu. Pensou por alguns segundos. Não havia ouvido barulho
algum, por tanto, não teria entrado ninguém diferente. Viu que a porta estava
aberta, então pensou que a chuva tivesse causado aquela sensação. Aquele
arrepio único de quando está sendo observada. Simplesmente fechou a porta.
Na Sala,
Shura queria entender como previu aquilo e como tinha se locomovido daquela
maneira.
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