Existe uma míriade de lendas, contos e histórico de feitos, relatando para o futuro os marcos das sociedades e povos diversos.

Tais contos, embora portadores da habitual face tendencialista humana, prestam como forte recurso memorial, uma forma de tornar vivo para todos o que já pereceu há muito.

Aqueles que se prostra no fronte de combate precisam ter total consciência das variáveis.

O inato e furioso instinto de sobrevivência tão utopicamente pronto para a superação total, possui barreiras tão mortais e físicas quanto qualquer outro conceito idealizado.

Teoria, razão, lógica, conhecimento...Pertencem à um plano alheio, com neutralidade conceitual, tão sublime que duvida-se que venham de tão pútridas mentes quanto as que tão comumente as concebem.

Qualquer sublimidade pode ser dissecrada, e no combate isso não é excetuado. A dor, o cansaço, o peso de seus latejantes membros exaustos, o cheiro de morte e o sopro desta indesejada. Tudo culminando em desespero, de forma desenfreada.

O Último não se desesperava. Todas essas forças adversas o afetavam, porém não havia desespero. Quando abandonado por todos os seus artifícios lógicos e materiais, é comum recorrer à fé. A fé do Último não remetia a uma presença superior. E sim a uma lembrança, uma lenda.

A idosa figura lhe narrara do mais difundido dizer, principalmente nos tempos de crise que a tantos vitimaram.

É dito que de cada um do seu povo que for assassinado, remanescerá parte deste um. Enquanto houver um representante, o povo viverá através deste.

Quando chegado for o dia do fim, que encerrará a vida desta gente, aqueles que pacientemente aguardam, vigiam e prezam pelo Último se mobilizarão.

Do ambiente este povo empresta força, e no fim, a força definitiva será emprestada, pois de todos os que se foram energia será usada. E assim da última flecha proverá a cólera final.

O Último em sua capacidade analítica percebeu que cairia naquele combate. Seu adversário não demonstrava cansaço, mesmo depois de todos os recursos empregados contra.

Agarrado ao conto de esperança narrado por seu antepassado, o Último ergue seu sólido arco e com a mão direita reúne tudo no ambiente, aquela força dos milhares que pereceram.

E assim foi disparada a luminosa, portadora do orgulho, da justiça, vingança, medo, esperança e poder total do povo.

Com um sopro final da Zanpakutou, Ishida foi desintegrado.

A flecha não se difere em nada das milhões de anteriores. A Última Flecha Quincy não atinge seu alvo.

Notas finais
Apêndice:

Gosto do conceito dos Quincys, até porque naturalmente não gosto dos Shinigami. Então neste caso, busquei uma tendência desmistificadora no escrito.

Acho interessante a noção de crer em algo, usar-se desse algo para se erguer perante um desafio maior. Todavia, o objetivo deste escrito é justamente, demonstrar uma situação de invalidez de tal ponto.

E não pude deixar de apimentar essa morte de Ishida, sendo idealizada por um Shinigami.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!