Notas iniciais
Adão e Evita atravessaram o corredor humano de mãos dadas, cumprimentando os sacerdotes com telepatia. No final, a porta desse templo abriu, e uma cortina negra apareceu frente deles. Atravessaram o túnel escuro e ficaram esperando que um caminho de prata se formasse. Pouco a pouco, uma luz branca acendeu como uma chama e em seguida milhares de estrelas apareceram ao redor deles, como se estivessem flutuando no meio do espaço. Depois uma alameda prateada tomou forma, com uma luz amarela no final da avenida, aonde “00” chegaria a uni-los em casamento. Adão abraçou Evita pela cintura e ambos caminharam lentamente até ficar na frente de um gigantesco espelho dourado. Pouco a pouco, a imagem do espírito mais lindo do Universo apareceu.

Durante todo esse tempo vivido por Carlão e Joana, na cidade de Atalanta, Adão havia-se formado na Universidade como Médico e Nestor como Geólogo, Biólogo, Astrônomo e Arquiteto. Evita havia se especializado em Arquitetura primitiva e Ana estudara Costura, Tecelagem, Culinária, e Enfermagem.

Nestor havia sido condecorado por “00” no templo com a medalha de ouro, que o designava oficialmente Comandante para a missão de “V de BETA” e Adão estava como candidato único para Comandante da missão “Z de BETA”. Ambas as viagens estavam com data marcada para acontecerem e os irmãos só esperavam uma coisa apenas, que suas mulheres menstruassem, para poder casar e se perder no espaço rumo aos seus destinos.

No dia em que Evita começou a sangrar, Adão sentiu-a de longe chamando pela mãe, pois as pernas dela ficaram vermelhas em pouco tempo. Dina colocou-lhe uma toalha entre as pernas, deitou-a numa cama confortável, e lhe aplicou uma compressa de argila com cebola no abdome para parar com a dor. Assim que Adão chegou junto, tomou conta dela como médico e como noivo. Abaixou sua febre, puxou-lhe todo o sangue do útero e depois congelou seus óvulos. Ele mesmo os amadureceria um a um, cada vez que quisesse ter um filho. Telepaticamente chamou seu irmão para preparar a festa de casamento, pois sua vida de solteiro havia terminado.

E Nestor e Ana capricharam na programação do maior acontecimento vivido por essa cidade. Eles organizaram um show, onde o próprio Nestor faria uma mostra de mágica. A Gangue formou uma orquestra de rock com Ana como solista. Incluíram outros artistas. Em seguida convidaram para o casamento todos os amigos do João, dos pais de Adão, das famílias da Gangue, as famílias de todos os amigos de Adão e Evita da Escolinha Infantil, da Escola Esportiva e da Universidade. De longe escutaram Mariuska e Adônis falando que chegariam com a casa voadora cheia de gente desde Esparta, junto aos gêmeos que haviam nascido durante esses anos.

Depois que Ana invitou todas as pessoas para esse enlace, através do Espelho falante, os presentes para os noivos começaram a chegar a casa de Dina, carregados por robôs bem comportados. Eram coisas simples feitas pelos próprios homens de Atalanta. Obras de arte, tapetes, artesanato com mil e uma utilidades, joias, e móveis. Evita e Adão abriram tudo com um sorriso, pois os homens de desse mundo tinham grande talento artístico. Havia pinturas clássicas perfeitas, onde as figuras pareciam que estavam vivas dentro da tela. Mais lindo ainda eram as esculturas em metal, argila, e mármore, de tamanhos diferentes, tanto para interiores, como para o jardim. Os cristais compunham jogos de copo e jarras, e as havia em forma de esculturas decorativas. Mais o que arrebatou o coração de Evita foi às porcelanas translúcidas, finíssimas, pintadas à mão, que suportavam um chá quente e davam requinte ao momento do lanche. Depois percorreram a cidade em busca de uma casa desocupada para formar seu ninho de amor.

Encontraram-na a poucos metros dali, em meio do mato, que ultimamente servia para bestas se aconchegar durante os dias de chuvas. Era de madeira, com 2 andares. Na parte baixa havia uma sala ampla, uma lareira, uma TV panorâmica que se estendia de parede a parede, uma cozinha americana com um balcão para o desjejum, e dois quartos em cujo interior havia banheiro com um chuveiro e uma patente que desintegrava as fezes. Evita escolheu um quarto para montar seu ateliê, e o outro foi destinado para receber visitantes. Algo corriqueiro numa sociedade superior, onde as casas sequer têm portas na entrada principal. A escada era uma obra de arte. Como uma escultura de 4 metros, que se enroscava mostrando os patamares de granito unidos por flores e ramas metálicas douradas. Ao lado da escada estava a luz branca em forma de chafariz, em cujo lugar uma pessoa flutuava, tanto subindo como descendo entre os dois andares. Como o pó e as folhas do mato inundavam tudo, subiram para o patamar superior através da luz. Encontraram 3 dormitórios, dois com banheiro com chuveiro e patente, e o quarto maior com um banheiro que mostrava uma pequena piscina embutida no chão. Evita então falou:

— Só temos que limpar tudo, passar um verniz nas paredes, e trazer os presentes, meu amor...

— Vamos pegar o caminhão do João, e os seus robôs...

Depois riu cinicamente. Evita o fitou e disse:

— Sequer vai me ajudar a pendurar os quadros? Ou, a estender as alfombras? E Belzier? Não vai lhe construir uma cavalariça?

— E qual seria a gorjeta?

Sorrindo do malandro, Evita desintegrou a sujeira em redor de um olhar, sentou no chão e invitou seu noivo a inaugurar essa casa com beijos e carícias ardentes.

Enquanto isso, Ana e Nestor revistaram as danceterias, os parques, os aeroportos, e finalmente acharam o lugar ideal para o festão. Era uma quadra de futebol, com arquibancadas ao redor, onde dava para colocar mesas espalhadas pelo gramado e construir um cenário com luzes coloridas para fazer o show. Depois revistaram todos os supermercados de Atalanta em busca do que havia nas prateleiras para fazer um banquete gastronômico. Encontraram iogurtes, sopas, verduras ao molho pardo, macarronadas, pizzas, lasanhas, mas não havia comida suficiente para todos.

Para solucionar o problema, Ana pediu ajuda para sua mãe, para os pais de Adão e algumas amigas boas para a cozinha, enquanto Nestor convidava a Gangue a dar uma olhada nos pacotes que Carlão enviara antes de morrer.

No meio da Escola de Aeronáutica, se encontrava o “Congelador”, um salão com prateleiras, onde eram guardadas as excentricidades que chegavam de outras civilizações do Cosmos. Havia o fichário humano, animal, vegetal, e de produtos industrializados. Alguns elementos estavam flutuando no vazio, outros eram mantidos num líquido em tubos grandes, e havia os industrializados guardados em câmaras fechadas, cuja classificação externa marcava sua procedência.

A amostra se iniciava com o mundo de “Z de BETA”, onde havia homens peludos flutuando no centro de uma luz amarela, com aparência de macacos, vestindo peles de animais e carregando armas para caça e pesca. Em câmaras de vidro transparente de cor celeste, se encontravam algumas cerâmicas pintadas com cores da terra. Imediatamente Nestor apertou um botão que colocava a peça em processo de ambientação. Ela foi banhada com uma luz vermelha e depois por uma luz branca. Em seguida, a câmara se abriu deixando as cumbucas ao descoberto. Examinaram-nas de perto, pois essa argila vermelha era desconhecida. Ana guardou-as para dar a Evita como presente de casamento, enquanto Nestor procurava num outro lugar as comidas trazidas desse mundo. Havia porcos assados, churrasco de mamute, pato ensopado, e bichinhos desconhecidos numa centena de caixas. Nestor riu para com ele mesmo. Imaginou um cabeludo comendo “aquilo” e riu alto, chamando a atenção dos amigos.

—O que é isso, cara?

—Parece formiga gigante...

—Será que é gostosa?

—Alguém comeria isso?

—Poderíamos fazer um concurso. Quem tiver coragem poderia ser o macho mais macho deste mundo...

—E porque não incluir as mulheres? Eu comia...

—Fazemos o “concurso” antes, durante, ou, depois do casamento de Adão?

—Durante... Quantos machos estão vindos com Adônis?

—Vinte amigos... Não vamos deixar que o campeão ser de outra cidade... Vamos?

—Nunca! Vamos fechar os circuitos telepáticos, pois se Adão fica sabendo vai acabar com a farra... Já pensaram? Vai ser um casamento inolvidável!... Banquete primitivo, cara...

Depois eles revistaram gavetas de “V de BETA”, onde encontraram maravilhas daquele mundo. Encontraram um conjunto de aparelhos para show de mágica, onde uma pessoa podia ser cortada pela metade, ou desaparecer dentro de uma gaveta. Havia uma jaula onde se podia colocar um elefante, e ele desaparecia e aparecia novamente. Dispensaram os truques que levitavam, pois em Atalanta isso não era novidade alguma. Também acharam roupas, e instrumentos para uma orquestra de rock pesado, lâmpadas luminosas, caixas de som gigantescas, e uma coisa estranha chamada “gelo seco”. Além das roupas havia revistas de moda, onde se mostrava aos homens usando tudo aquilo. Nestor vestiu-se de mágico e Ana escolheu uma peruca vermelha, crespa, óculos escuros, um colam preto, um cinto que a cortava em duas, e botas altas que custou a se acostumar, pois ela perdia o equilíbrio. O resto da gangue carregou com roupas de artistas pop desse mundo junto a outras perucas escandalosas.

E o grande dia do casamento aconteceu.

Ao redor da casa de João havia 50 barracas, ocupadas pelos amigos das filhas fazendo acampamento, vindos de lugares distantes. No hotel da cidade havia 100 sacerdotes, pois Adão era considerado um “similar” por causa de seu grau de Comandante estelar. A casa voadora de Mariuska estava a 20 metros da fazenda, na beira de um riacho cujos convidados podiam tomar banho, ou beber água fresca. E no resto da cidade de Atalanta, estavam outros pessoais, parentes de amigos, esperando pacientemente pelo dia e hora dessa festa.

Quem vestiu a noiva foram suas irmãs.

E quem costurou o vestido da noiva foi Ana ajudada pela família, que costuraram com agulhas finas todas as pérolas e pedras que esse vestido possuía. Ele era branco, apertadíssimo, com botões nas costas desde o pescoço até as nádegas, marcando o corpo perfeito de Evita. Para poder caminhar ele tinha uma abertura na frente, mostrando a perfeição dessa perna grossa e firme. Nas costas, Ana prendeu uma capa transparente que arrastava pelo chão uns 4m e sobre a cabeça colocaram uma coroa de rosas pequenas entrelaçadas, e nas mãos uma rosa vermelha para entregar a “00”, dentro do templo.

Adão se vestiu conforme o grau de Comandante de tropas e de acordo à moda dos homens de “A”. Uma blusa sem manga, uma calça justa, como bailarino de balé de mundos inferiores, e sobre seus ombros uma capa branca, até os tornozelos. Na testa, seu pai colocou-lhe um cinto branco com uma esmeralda verde, para ele não morrer de amor depois de casado.

Frente à entrada do templo, os 100 sacerdotes formaram uma passagem para os noivos caminharem pelo meio. Depois deles, atrás deles e nas ruas, a cidade inteira foi a dar uma olhada na noiva, pois o vestido dela havia acendido a curiosidade do mulherio, depois que Ana mostrou-o no espelho falante. Com tanta gente nas ruas, João e Dina deixaram a filha ao lado do noivo, que a esperava a uns 200m da entrada, e partiram para a festança onde Nestor e a Gangue colocava as últimas comidas nas mesas.

Adão e Evita atravessaram o corredor humano de mãos dadas, cumprimentando os sacerdotes com telepatia. No final, a porta desse templo abriu, e uma cortina negra apareceu frente deles. Atravessaram o túnel escuro e ficaram esperando que um caminho de prata se formasse. Pouco a pouco, uma luz branca acendeu como uma chama e em seguida milhares de estrelas apareceram ao redor deles, como se estivessem flutuando no meio do espaço. Depois uma alameda prateada tomou forma, com uma luz amarela no final da avenida, aonde “00” chegaria a uni-los em casamento. Adão abraçou Evita pela cintura e ambos caminharam lentamente até ficar na frente de um gigantesco espelho dourado. Pouco a pouco, a imagem do espírito mais lindo do Universo apareceu. Ele era enorme, alto, imponente, vestido igual a Adão, com a capa flutuando, esvoaçando no vazio. Ele os uniu pela eternidade de todas as futuras encarnações, beijou-os através do espelho, e deu para Evita um colar de esmeraldas que se materializou no seu pescoço como mágica. Adão recebeu um medalhão de ouro, que ficou pendurado no peito com uma corrente de pérolas minúsculas, que o indicavam dali para frente o representante direto de “00” em qualquer lugar do Universo. Recebeu a rosa vermelha das mãos da noiva e desapareceu sorrindo. Depois se extinguiram as estrelas, o caminho prateado desapareceu, o espelho apagou, e ficaram na espera de uma luz azul tênue, que assim que acendeu lhes mostrou a entrada por onde haviam chegado, atrás deles.

Na saída do templo, não havia mais ninguém.

Subiram num carro e voaram para esse campo esportivo onde havia tanta gente, mais tanta, a maioria sentada nas arquibancadas, pois o povo de Atalanta havia-se instalado ali para ver o show de rock, levando seu próprio lanche, para não incomodar nem interferir na festa de casamento.

E assim que os noivos chegaram, o festão começou.

Para que todas as pessoas vissem o show, Nestor trouxera umas telas gigantes, que mostrava o rosto dos artistas e dos noivos, em intervalos regulares. Os noivos subiram no estrado para agradecer a vinda das pessoas das outras cidades e em seguida falou João, como pai da noiva, marcando da importância desse dia. Chorou uma lágrima quando se lembrou de Joana, e em seguida chamou Dina para iniciar a parte artística. Dina, para começar os festejos, cantou uma canção em homenagem à filha. Depois ela convidou as pessoas a atacar o banquete preparado por ela, suas filhas, e suas amigas de Atalanta. As bebidas estavam em todas as mesas em jarras de vidro e copos coloridos. As delicias gastronômicas se alinhavam em 10 cantos diferentes, onde 40 robôs bem-vestidos serviam os pratos num rodízio eterno. Em seguida, Nestor iluminou o cenário com muitos focos coloridos, cujas luzes fez todas as pessoas abrir a boca e dar um “ooiii” em uníssono. A seguir uma fumaça branca invadiu esse estrado, no momento em que Nestor, vestido de negro, iniciava sua demonstração de magia. Ana trouxe uma caixa e ele convidou um sacerdote de Atalanta a entrar nela. Fez um passe de magia e ele desapareceu na frente de todos. As primeiras risadas começaram timidamente. Quando o sacerdote reapareceu, vestido com roupas diferentes, os primeiros aplausos apareceram. Depois Nestor cortou Ana estendida dentro de uma caixa pela metade, com um serrote primitivo, e fez desaparecer e aparecer três cavalos dentro de uma jaula.

Adônis pegou uma laranja de um arranjo de frutas e lançou-a contra o mágico no momento que cumprimentava o público, que aplaudia euforicamente. O fecho na frente arrebentou, a calça caiu ao chão e a masculinidade dele ficou à vista de todos, pois em Atalanta a cueca era conhecida só em dicionário. As risadas desta vez foram hilariantes, pois a saída do mágico com as calças na mão fora superengraçada.

Foi a vez da Gangue se colocar na frente dos instrumentos trazidos do “Congelador”, e da música de rock invadir o ambiente. O baterista usava uma peruca loira, enorme, crespa, trajava roupas negras, com colares metálicos, peito nu, calças apertadas, no melhor estilo de um mundo inferior. Os guitarristas luziam perucas longas, com roupas similares. Ana, que cantou 20 músicas, estava com o colam e um cinto que a cortava em duas, peruca vermelha fogo, brincos escandalosos, e botas altas. Suas pernas bem torneadas realçavam fazendo-a parecer mais alta. Ela rodopiou, mexeu o corpo, cantou berrando, cujas baladas levaram o público ao delírio. Nestor nunca esteve mais orgulhoso dela. Todos os homens ali presentes babavam de admiração. As pessoas assoviavam e ninguém mais lembrava que, naquele lugar, havia dois noivos festejando uma união consagrada por “00”.

Os sacerdotes, que não suportaram o barulho, se retiraram com educação dessa festa, falando telepaticamente com os noivos.

E finalmente, depois de terminado o rock, Nestor convidou a todos os homens de Atalanta, que se consideravam machos, a demonstrar isso de verdade. Contou que havia 50 pratos com comidas primitivas, e que ele achava que o que um irmão de outra Galáxia comia qualquer homem de um Mundo Superior também podia engolir. E ponderou que ele próprio e seus amigos fariam parte da competição, para dar prova da macheza da cidade de Atalanta. Expôs que a pessoa que comesse mais e melhor, seria o campeão, o rei dos homens, a realeza verdadeira desse mundo. Inclusive mostrou uma coroa trazida do Congelador e que era usada pelos reis de “V de BETA”.

Imediatamente todos os amigos de Adônis, vindos de Esparta, se levantaram e correram para esse cenário. Depois uma fileira de curiosos correu para se colocar de perto e ver o que é que havia naqueles pratos. Ana tomou a palavra e disse que o que um macho comia mulher também era capaz, e invitou suas amigas a desafiar o sexo masculino.

Adão, abraçado a Evita, mexeu a cabeça. Como é que havia escolhido seu irmão, para preparar a festa do dia mais sagrado de sua vida? Estava claro que ele ia fazer a maior palhaçada já vista nesse mundo.

Depois olhou para Nestor, sorrindo com os olhos brilhando, e uma lágrima correu pelo seu rosto. Como é que ia viver sem ele depois que cada um partisse para mundos diferentes? Para apagar a dor beijou Evita ao seu lado e lhe perguntou se queria ver o concurso ou sair dali de fininho. Ela disse que fecharia os olhos, mas que ele tinha que contar tudo o que se estava passando.

E foi uma ótima ideia, pois o que seguiu foi mesmo nojento.

Como a TV estava ali filmando tudo, eles enfocaram as baratas, as minhocas, as formigas, as larvas, os carrapatos, todos eles vivos, depois de passar pelos raios azuis que os ressuscitou. Imediatamente, a Gangue começou a comer bichos, na frente da TV, se ajudando com copos de água, fazendo contagem frente das testemunhas.

Algumas mulheres convidadas, e outras nas arquibancadas, saíram correndo desse lugar, e vomitaram a caminho de casa. Outras foram mais rápidas e o fizeram por ali mesmo. Na verdade, somente quem tinha estômago firme ficou até o final dessa competição.

Adão ria tão alto quanto o João, pois havia gente correndo para todos os lados por motivos diferentes. Evita com olhos fechados ria junto com eles, pois Adão narrava tudo para ela. Ela só os abriu quando Adão falou que a Tathiane estava hipnotizada por um “comedor de minhoca”, um moreno cabeludo que parecia o próprio homem da caverna vindo de Esparta.

Quando um membro da Gangue foi coroado o “Rei do mundo”, eles saíram, rindo, abraçados, dando um beijo nos velhos, e falando um adeus com telepatia a todos os convidados que ficaram até o fim dessa festa maluca.

Notas finais
Foi a vez da Gangue se colocar na frente dos instrumentos trazidos do “Congelador”, e da música de rock invadir o ambiente. O baterista usava uma peruca loira, enorme, crespa, trajava roupas negras, com colares metálicos, peito nu, calças apertadas, no melhor estilo de um mundo inferior. Os guitarristas luziam perucas longas, com roupas similares. Ana, que cantou 20 músicas, estava com o colam e um cinto que a cortava em duas, peruca vermelha fogo, brincos escandalosos, e botas altas. Suas pernas bem torneadas realçavam fazendo-a parecer mais alta. Ela rodopiou, mexeu o corpo, cantou berrando, cujas baladas levaram o público ao delírio. Nestor nunca esteve mais orgulhoso dela. Todos os homens ali presentes babavam de admiração.