Notas iniciais
E para ter uma luz em meio da escuridão, Gautama, Felício e Adão se perderam pelo mundo em meio aos povos mais afastados de Roma. Percorreram Armênia, Síria, e um dia chegaram à Judeia onde “Herodes, o Grande” governava cidades maravilhosas. Contemplaram admirados palácios magníficos, fortalezas impenetráveis, complexos de banhos com água morna, onde a cultura romana mostrava que era o maior império, rico em sabedoria arquitetônica. Visitaram Mazada, uma fortaleza por cima de uma montanha, onde o palácio do rei Herodes era seu refúgio seguro. As tropas eram abrigadas em redor, em hospedagens confortáveis, prontas para conter qualquer tipo de invasão. A cidade de Cesárea, ........

Enquanto Adão e Eva dormiam, Gautama e Yasodhara tomaram conta do mundo com responsabilidades. Abdicaram de ter mais filhos, para se dedicar com fervor aos "grandes pensadores" que abririam o caminho para o futuro. Junto aos mestres sábios de Agarta, prepararam todos os grandes filósofos da Antiguidade, que entravam e saíam da cidade de Agarta dormindo. Péricles, Anaxágoras, Fídias, Sócrates, Sólon, Platão, Epicuro, Kuantsé, Mêncio, Mo-Ti, Aristóteles, chegaram a Agarta para estudar e aperfeiçoar suas filosofias, e tentar ganhar a graça dos governantes para que ouvissem seus sábios conselhos.

Aristóteles levou isso tão a sério, que preparou Alexandre da Macedônia para ser um grande homem. Ensinou-lhe filosofia, geografia e todas as artes. Tentou mostrar que o melhor caminho para governar as nações era através da sabedoria, e do amor. Martelou na sua cabeça que a democracia era a melhor maneira de administrar um grande povo, e que “a tirania” era o mais frágil de todos os sistemas de governo.

Mas depois de crescido, os ensinamentos de Aristóteles ficaram no esquecimento e Alexandre tornou-se o maior tirano do Império Macedônico. Subjugou todas as cidades-estados gregas e invadiu a Mesopotâmia dominada pelos persas, e destruiu uma civilização de mais de dois mil anos. Incendiou a cidade de Persépolis, antiga Babilônia, com seus jardins encantados que fora construído na época do Rei Nabucodonosor. Combateu o Zoroastrismo, a doutrina de Zaratustra, e impôs aos vencidos o Deus Zeus e todos os deuses gregos. Todas as “Gathas”, profecias e revelações escritas por Zaratustra foram queimadas na fogueira da ambição.

Em cada cidade conquistada por Alexandre, permaneceu um chefe grego administrando o poder. E esses gregos colonizadores também espalharam sua cultura pelo mundo. Viajaram com Alexandre escultores, arquitetos, escribas, com o intuito de implantar aos vencidos seu conhecimento. Esculturas com as medidas gregas foram feitas até na Índia. A estatueta do mestre Gautama foi modificada e esculpida com contornos suaves, e proporções gregas.

Depois de invadir a Índia, Alexandre morre na viagem de regresso, deixando como lembrança de sua passagem pelo mundo as batalhas sangrentas que travou, mas também as obras da cultura grega. Como seu mestre Aristóteles lhe ensinara, sua tirania durara poucos anos.

Outra civilização que virou sanguinária foi Cartago, o centro da Fenícia, impiedosa com seus inimigos. Depois das batalhas, sacrificava os escravos aos Deuses. E essas carnificinas sagradas assustavam mais do que a própria guerra.

Durante as “Guerras Púnicas”, Roma se enfrentara com Cartago na mais cruel batalha da antiguidade. Depois do triunfo de Cartago, ambos os povos viveram em paz durante 25 anos. Mas Aníbal, rei de Cartago, invadiu Roma, perdeu a guerra, e Cartago fora completamente destruída. Nenhum homem dessa cidade sobreviveu ao massacre. Foi a primeira grande demonstração da crueldade dos soldados romanos, que mataram até as crianças, as mulheres, os velhos, deixando de Cartago apenas a lembrança de sua existência.

Depois de terminar com Cartago, o grande império romano ergue-se o todo- poderoso, ameaçador, temido, conquistando todo o Mediterrâneo, a Ilha de Inglaterra, a Ásia Menor e o norte da África.

Perto do ano 31, antes dos nascimentos dos gêmeos, o romano Otávio derrubava Marco Antônio na batalha naval de Áccio, ocasionando o suicídio da rainha Cleópatra do Egito. Otávio matara também todos seus inimigos, e se transformara em Imperador de Roma, enterrando com a espada a democracia.

E, o mais grave era que filósofos inteligentíssimos eram assassinados na Grécia e em Roma, pois as palavras não tinham mais nenhum efeito. Ao redor do Mediterrâneo e em toda Ásia Menor, onde quer que se olhasse, só havia sangue.

Gautama nessa altura de sua existência nem sabia dizer para si mesmo o que era certo ou errado, numa terra dominada por guerras. O único consolo de Gautama era que os ex-alunos de Agarta formaram uma aliança oculta, chamada como a “Grande irmandade branca”.

A irmandade era uma “sociedade secreta de sábios”, que para manter a cultura a salvo dos invasores haviam se juntado no Egito, com o intuito de preservar o conhecimento em cavernas, catacumbas e embaixo das pirâmides e da Esfinge. Os chineses da irmandade traziam para o Egito tudo escrito em duas línguas. Manuscritos em sânscrito, que era a língua oficial da congregação, e em mandarim. Os indianos faziam a mesma coisa. As doutrinas de Gautama e de Zaratustra eram guardadas junto aos mandamentos de Moisés. Com decorrer do tempo foram se acrescentando as filosofias de Epicuro, Platão, Péricles, Sócrates, Sólon, Aspásia, amante de Péricles, e de todos os filósofos gregos. Estavam juntos os legados dos homens mais inteligentes da terra, desde os ensinamentos de Amenofis IV, até os últimos tempos. Para se identificar os membros da irmandade havia inventado um símbolo, a cruz ansata do Egito. Eles a penduravam ao pescoço, ou gravavam no corpo, ou carregavam de outra forma.

Gautama observava esses acontecimentos através do espelho, como um espião, e nos dias subsequentes discutia com os professores da Escola.

Infelizmente, os homens de todas as cidades subterrâneas pensavam da mesma forma. O futuro dos homens da superfície eram deles mesmos. O máximo que podiam fazer era hipnotizar um ditador de vez em quando para salvar da morte um aluno de Agarta.

Mas, Gautama tinha uma ideia na cabeça. E esperou com paciência o momento de acordar Adão, para colocá-la em prática.

Quando Adão e Eva foram acordados do seu sonho, Gautama estava com os nervos à flor da pele, pois não fazia ideia de como mais combater a maldade. Sua esperteza era a do amor e nunca o da guerra. O máximo que sabia de luta era o sumo, só para dar cambalhotas com os amigos. Pela primeira vez, não sabia o que fazer. E esperou impaciente que o casal recuperasse a consciência, ficassem fortes, e se acasalarem pelo período de 3 meses.

Adão, ainda alheio às desgraças, fez o mesmo que nos renascimentos anteriores. Fazer amor com sua mulher sem descanso. Eles só pararam a maratona, quando um berro os chamou para entrar no batente.

— Amor, Gautama está chamando. Acho que está na hora de enfrentar a realidade.

— Hum... Lembro que Jesus falou que queria nascer quando o bicho vai pegar...

— O que será que isso significa?

— O horror... Se prepare. Nossos filhos vão enfrentar a morte...

— E você vai os ressuscitar...

— Mas, você vai fazer a parte mais difícil, querida. Desviar as armas. Nunca, mas nunca, as armas vão atingir o coração, cabeça, nem estômago...

— E você vai ensinar a dar patadas. Eu ensino telepatia e desintegração da matéria.

Subiram numa nave e berraram com telepatia para Gautama: — Prepara o relatório, queremos saber de tudo...

Adão e Eva depois que chegaram a Agarta, abraçaram Gautama e Yasodhara com muitos amigos desconhecidos. Já em casa, olharam todos os documentários que mostrava como Roma tinha o mundo sob seus pés. Todo o povo civilizado era escravo de Roma. Sírios, egípcios, armênios, árabes, hebreus, judeus, fenícios, eslavos, arianos, africanos, eram escravos, ou, povos submetidos que pagavam impostos e obedeciam ao poder romano. E os documentários eram feitos com lentes de longa distância, para não poupar detalhes. E a espada de um soldado romano era mortal. Forte. Pesada. Assassina.

Onde é que iam nascer os gêmeos?

Foi então que Adão ficou impotente do dia para a noite e Eva começou a chorar. Yasodhara a acompanhava tentando consolá-la, enquanto Gautama ficava ao lado de Adão o tempo todo, esperando instruções futuras. Ivani e seu marido Felício chegaram junto, e se ofereceram para tudo. Espionar todas as tribos da Ásia Menor, cuidar das crianças, o que Adão pedisse.

E para ter uma luz em meio da escuridão, Gautama, Felício e Adão se perderam pelo mundo em meio aos povos mais afastados de Roma. Percorreram Armênia, Síria, e um dia chegaram à Judeia onde “Herodes, o Grande” governava cidades maravilhosas. Contemplaram admirados palácios magníficos, fortalezas impenetráveis, complexos de banhos com água morna, onde a cultura romana mostrava que era o maior império, rico em sabedoria arquitetônica. Visitaram Mazada, uma fortaleza por cima de uma montanha, onde o palácio do rei Herodes era seu refúgio seguro. As tropas eram abrigadas em redor, em hospedagens confortáveis, prontas para conter qualquer tipo de invasão. A cidade de Cesárea, também levantada por Herodes com o conhecimento romano de construção, possuía aquedutos, com água suficiente para toda a cidade. Também Herodes, o Grande construiria portos e renovara Jerusalém, e o mais importante, restaurara o templo de Salomão.

Mas Herodes, o Grande era odiado pelos judeus. Era acusado de matar Mariana, sua esposa, e todos seus filhos, para se manter no trono, como governante absoluto. Além do mais, Herodes era também subordinado a Roma, e se beneficiara disso da maneira mais astuta. Usara os imperadores Antônio e depois Augusto para permanecer no trono, e usufruiu dos construtores romanos para modernizar suas cidades.

Adão e seus amigos continuaram a viagem, vestidos como hebreus ricos, andaram por Israel, Samaria, Galileia, Capernaum, Zabulom, e um dia chegaram a Belém, onde um povo alegre e simples os recebeu. Percorreram a pequena vila, onde pessoas humildes lavravam a terra, cuidavam de ovelhas, porcos, galinhas, e vestiam roupas simples de linhagem. Assistiram festas ao anoitecer, onde homens e mulheres dançavam abraçados, numa roda encantadora. Na verdade, eram pessoas adoráveis. Trabalhadoras, ninguém passava fome, pois faziam comidas deliciosas, bebiam vinho, e compartilhavam o fruto das lavouras.

Um casal de noivos chamou atenção, pois o homem tinha uns 45 anos e a noiva Maria apresentava uns 13 anos ao máximo. Estavam com data marcada para casar e José, o noivo, era tão virgem quanto a noiva. Ao lado deles, Isabel, uma prima de Maria, casada havia muitos anos, estava na festa olhando tudo com ar de tristeza. Seu velho marido estava com os dias contados e ela ia ficar viúva, sem jamais ter tido um filho sequer.

Dando um suspiro de alívio, Adão chamou sua mulher com telepatia.

Eva, Yasodhara e Ivani se deixaram cair de uma nave, antes do anoitecer. Chegaram à festa, sentaram com os maridos, tentando escolher os casais que seriam os pais dos meninos.

Eva sorriu. Falou para Adão ao ouvido:

— Jesus nasce de Maria e Isabel engravida de Paulo...

— Aprovado.

Mais calmos, Adão e Eva entraram na folia, pois dali para frente ambos viveriam ali mesmo, no meio desse povo, cuidando deles, comendo sua comida e dançando suas músicas. Ao tempo que eles se divertiam, Gautama regressou para Agarta com sua mulher a cuidar da Escola. Enquanto isso, Felício retirava da nave os tubos de ensaio para iniciar o descongelamento dos embriões.

Notas finais
Mas Herodes, o Grande era odiado pelos judeus. Era acusado de matar Mariana, sua esposa, e todos seus filhos, para se manter no trono, como governante absoluto. Além do mais, Herodes era também subordinado a Roma, e se beneficiara disso da maneira mais astuta. Usara os imperadores Antônio e depois Augusto para permanecer no trono, e usufruiu dos construtores romanos para modernizar suas cidades.