Notas iniciais
Adão colocou o vidro vermelho e revistou os órgãos vitais de Rama. Coração, cérebro, pulmão, pâncreas, fígado, e tudo estava tomado pelo câncer como árvore trepadeira, cujos galhos apertavam, torturavam, e esmagavam um ser humano por dentro. Imediatamente, Adão combateu a agonia, deteve todas as dores e começou a atacar o câncer. Desintegrava os galhos, desinfetava o sangue, abaixava a febre, mas, em seu lugar ficavam buracos e mais buracos, difíceis de regenerar.

Nestor demorou vários dias para dar a notícia a seus filhos e netinhos. Todos os fins de semana, eles invadiam a casa de Nestor e Ana, como sempre fizeram. Só que desta vez chegavam junto Amon-rá com Noemi, Diana e Caim, e Fábio Júnior com Anahí. A casa ficava lotada, estendidos em toda parte, em conversas eternas. Ana ficava olhando-os, imaginando todos a caminho da morte, e saía correndo a se esconder para não chamar a atenção. Nestor evitava olhar nos olhos, fechando todos os canais telepáticos. Mas Amon-rá sentiu o cheiro de algo estranho e deixou cair a bomba durante a sobremesa.

— Quando vai abrir o bico, tio? O que está se passando? Não tenta me enganar, que faz uns 30 dias que você está estranho...

Alexandre falou:

— Isso ali, pai... Eu também notei, fala...

Miguel disse:

— Calma. Se ele não quer falar, vamos respeitar...

— Tá bom... Adão já está sabendo, portanto, a choradeira vai ser dos meninos. Aruma Júnior, Anahí, Adão, Moisés, Fábio Júnior, se preparem... Os seus pais foram escolhidos para liderar uma guerra...

Aruma Júnior falou:

— Legal! Eu posso ir junto, é claro.

Moisés acrescentou:

— Nós também... Casar com uma guerreira estava nos nossos planos do futuro, né, mano?

Sílvio explicou:

— Pirralhos não vão para uma batalha... Isso é coisa de gente grande...

Amon-rá retrucou:

— Só eu, que saí com 5 anos para a ação. Mais ainda, minha linda mulher chegou à Terra com dois aninhos...

E todos começaram a rir. Fizeram piadas, tentando confortar os filhos, que ainda não entendiam que ser chamado para uma guerra dessas significava o suicídio.

No dia seguinte, Nestor levou todos os escolhidos para falar com “00” no “Espelho falante”.

A imagem de “00” apareceu ao lado de uma mulher, tão bela quanto Diana e Helena. Ela estava sorrindo, e queria conhecer as heroínas. Em seguida, permaneceram olhando o futuro: havia três planetas primitivos, cuja classificação era “W, Y, e X de SIGMA” na oitava Dimensão, e eles se matariam uns aos outros numa guerra sangrenta. Os três mundos eram iluminados por três estrelas enormes. Quando essas 3 estrelas se alinhassem, os guerreiros partiriam para intervir nos encontros entre esses três povos. A guerra ia ser terrível, com armas perigosíssimas. A morte ia ser a companheira deles, e muitos ficariam viúvos e o “suicídio por amor” estava proibido. Portanto, “00” fez uma escalação para caso de morte. Primeiro, assumiria Sílvio como Comandante geral das tropas. Na morte dele, assumiria Areti. Na morte dela, assumiria Diana. Na morte de Diana, era Miguel, e assim sucessivamente. Por último, acolheu perguntas. Aruma falou:

— Estou muito honrado pela escolha...

O resto acrescentou em coro:

— Nós também. Tentaremos não decepcioná-lo.

E finalmente Diana entendeu o que sua mãe falou um dia para ela. Em Atalanta, ser escolhido para uma missão era uma honra. No fundo, isso os indicava como os melhores guerreiros do Universo.

Quando a imagem de “00” desapareceu, todos estavam chorando. O que mais doía era deixar os filhos.

Antes de morrer, todos eles viajaram para a Terra para dar um abraço em Adão e Eva, Inês e Rama, os pais de Aruma na selva Amazônica. Também eles foram até a África visitar os Khoisans, abraçar a família de Natália e Zezé, sem explicar muita coisa.

Rumaram para a escuridão, e depois de 50 dias essa nave explodiu no espaço como uma bomba. Os espíritos foram sugados por um túnel negro, que os puxou com força rumo à “L de ALPHA”, na primeira Dimensão do Universo.

Ana e Eva entraram em depressão.

Adão colocou sua mulher numa cabine de cristal, com todas as luzes do arco-íris, pelo período de 15 dias, na cidade de Olímpia.

Nestor e Ana se deitaram juntos, em cabines azuis, pelo período de um ano, na Base Lunar de seu planeta.

Aruma Júnior, Adão e Moisés saíram para o espaço em viagem de férias. Tristes, pois finalmente entendiam que os pais estavam mortos. Fábio Júnior e Anahí se consolaram numa segunda lua de mel, perdidos numa ilha de seu mundo. Eles fizeram amor, até que um dia, a dor do peito ficou menor.

E o tempo curou todas as feridas.

Abel inaugurou Agarta, a mais linda urbe da Terra, no interior do monte Everest, algo que mais parecia um encantamento. A cidade era iluminada por milhares de estrelas artificiais. O Lago interno mais parecia um mar, de tão grande que era. Os altos edifícios atingiam até 90 andares, e se uniam entre si por passarelas aéreas, que os ligavam. O aeródromo desta vez ficava na entrada da cidade cuja porta afastava como um paredão olhando para o Leste. Abria como uma cortina gigante, cujas lâminas fechavam assim que as naves atravessavam. O oxigênio era farto, pois uma selva tropical completava o visual. Plantas trazidas da Amazônia foram enfileiradas pela sua grande capacidade de fazer a oxigenação. Elas formavam uma nuvem grossa sobre o Lago, de tanta umidade que havia no ar. E em meio do lago, uma ilha artificial, que faria as delícias dos amantes, erguia-se com areias brancas, rochas, e coqueiros sem fim.

Todos os bichos de estimação foram resgatados, trazidos, e recolocados nesse lugar. Os felinos de Eva corriam como nunca, seguidos de mais 20 bichos, filhos e netos delas mesmas. E os macacos de Adão pulavam de galhos em galhos gritando junto aos pássaros. Os cavalos de Amon-rá também era uma manada maravilhosa. Até as tartarugas foram resgatadas do rio Amazonas e trazidas de volta.

E no centro da cidade, a Escola foi inaugurada com emoção.

Desta vez, os alunos da terra entravam e saíam dessa cidade com olhos vendados. Como fizera Diana com a tribo Guarani na selva, cuja existência nunca foi descoberta por nenhuma tribo.

Os maias terminaram também sua cidade deslumbrante, nas alturas do Peru. Adão e Abel a percorreram ano após ano dando palpites, conselhos, orientando-os, e quando ficou pronta ficaram abismados. Ela era tão bela, mas tão bela, que era um encanto. Os bolivianos, em outras montanhas do altiplano, chamaram a atenção de Abel e Adão. Meninos inteligentes começaram a frequentar a cidade de Agarta no Himalaia, no primeiro ano de sua inauguração. E guiados pelos mestres, levantaram outra cidade maravilhosa, na beira do rio Titicaca.

Mais uns 50 anos se passaram na doce rotina.

Peter e Nohiki consolaram Adão e Eva, pois passaram a chamá-los de pais. Junto a Fernando, Mônica e Fernando Júnior continuaram a viver em família, intercalando viagens para a Índia para visitar Inês e para o Egito ver Quéops.

Infelizmente, Rama começou adoecer. Um câncer galopante no fígado o jogou na cama, e Inês desesperada gritou por socorro para seu pai, com berros de telepatia.

Adão e Eva chegaram correndo, num palácio onde todos lacrimejavam em coro. Eva se abraçou na filha, que estava em greve de fome, pois havia decidido morrer junto com seu homem.

Adão colocou o vidro vermelho e revistou os órgãos vitais de Rama. Coração, cérebro, pulmão, pâncreas, fígado, e tudo estava tomado pelo câncer como árvore trepadeira, cujos galhos apertavam, torturavam, e esmagavam um ser humano por dentro. Imediatamente, Adão combateu a agonia, deteve todas as dores e começou a atacar o câncer. Desintegrava os galhos, desinfetava o sangue, abaixava a febre, mas, em seu lugar ficavam buracos e mais buracos, difíceis de regenerar.

Rama suava, mas estava feliz. Ele nunca entendera essa mania de Adão de querer a imortalidade. Todos um dia haveriam de morrer, e apenas havia chegado sua hora. Era somente isso. Adão que lia sua cabeça como livro aberto falava:

— Eu posso congelar vocês e enviá-los para um mundo onde existe recuperação completa... Em mais 20 anos, estariam de regresso.

— Não, pois com Inês já falamos sobre isso... Vamos morrer, para voltar numa outra encarnação, em mais uma missão. Eu vou reencarnar como Zaratustra... Sabe quem vai ser?

— Não! Na certa um sábio. Um filósofo. Um iluminado. O que mais poderia ser?

— Então, sogro. Deixa-me ir... Deixa o Carma decidir... Não interfere no meu destino...

— Esta bem... Vou ter que matar Inês... Ela está cheia de saúde...

— Eu sei... Obrigado por entrar na minha vida... Eu fui muito feliz...

— Nós também... E no futuro, um dia, vamos ser uma família novamente... Eu vou estar vivo, quando vocês reencarnarem na Terra... Vou vasculhar cada canto até descobri-los.

— Gostei... Então, só vamos nos separar por alguns anos...

Em seguida, Adão começou a soluçar como um garoto.

Quando Eva e Inês entraram nessa suíte, Rama estava morto e Adão ajoelhado no chão, braços cruzados, completamente derrotado. Derrotado pela vida e pela morte.

Eva olhou para Inês, que era a mais calma dos três. Inês beijou seu homem na boca, e em seguida se estendeu ao seu lado, esperando pela sua morte. Eva se abraçou chorando a Adão, pois não haveria palavras que convencessem sua filha a continuar vivendo. Depois, entraram os seis filhos, os 20 netos e 45 bisnetos, pois Rama e Inês deixaram uma grande descendência. Todos rodearam o casal, sem saber o que fazer. Inês os mirava, acariciava, consolava, mas se negava a sair do lado de Rama. Morreria junto com ele, como já explicara tantas vezes.

Inês demorou doze horas para morrer.

Adão lhe colocou uma mão no peito, e deteve seu coração aos poucos, lentamente. Ela parou de respirar, dando um suspiro suave, com um sorriso nos lábios. Em seguida, ambos os corpos foram carregados para a beira do rio, onde foram colocados por cima de uma pirâmide de madeira. Assim que o fogo começou, Adão partiu. Eva mais uma vez estava com depressão profunda, e ele também. Desta vez, não haveria luz suficiente no Universo para tirá-los do martírio. Nada era pior do que a morte. Desse tipo de morte. Daquela que independe da vontade dos homens, o onde não há um chamado divino, para uma missão importante. Só os gérmens, os vírus, os crimes humanos, matando uns aos outros, numa carnificina diária.

Muito longe deles, no meio do espaço infinito, Aruma Júnior, Adão e Moisés estavam chegando num planeta maravilhoso, com mulheres altas, perfeitas, de todas as cores. Era uma civilização intermediária. Ou seja, não era superior, mas não existiam assassinos, nem ladrões, e na medicina eram muito evoluídos. A sexualidade as havia de todas as formas. Quem casava, era fiel até a morte e tinha muitos filhos. Quem era solteiro, fazia farras de sexo, de amor, bacanais, festas onde rolava de tudo, pois o amor não faz mal a ninguém.

No aeródromo inter-espacial, os três foram recebidos como heróis. Eram filhos de filhos de Atalanta, do “Mundo B de BETA”, onde os homens são todos imortais, invencíveis, telepáticos, com domínio em levitação, desintegração, ou seja, super-machos.

Eles começaram a se deixar amar.

Foram até lugares admiráveis observar a natureza, se deliciaram com banquetes de comidas deliciosas, onde eram assediados por fêmeas maravilhosas, que os seduziam sem trégua. Como eram telepáticos, sabiam que elas só queriam sexo. Amor não se encontrava em lugar algum. Muito menos alguém que quisesse casar, ter filho, ser fiel a um homem só, pois as mulheres solteiras dormiam com todos.

Aruma Júnior achava que podiam perder a virgindade com uma mulher, só para saber como era o sexo com mulher. Depois, viajariam para outro mundo. Novamente para fazer sexo, e partir para outro planeta mais uma vez. O amor podia estar em qualquer parte do Universo e tinham a eternidade para achá-lo. Moisés e Adão terminaram concordando. Iriam num bacanal, onde rolava TUDO, e não seriam tímidos desta vez.

Num hotel de luxo, entraram numa festa com mulheres seminuas, pernas surpreendentes, cabelos longos, olhos cativantes, e se deixaram seduzir. Moisés se estendeu num sofá macio, com uma gata fantástica, lindíssima, que o enlouqueceu com beijos de língua. Para cúmulo do incrível ela adorava sexo anal, algo que em seu mundo só era feito nas épocas de gravidez, em período de resguardo médico. Entrou nela, com suavidade, e sentiu o prazer o invadir.

Num outro lugar, Adão ficava com duas gatas maravilhosas, preso, pois elas o beijavam por trás e pela frente, se esfregando nele como cobras. Ele entrou numa delas, enquanto a outra, atrás dele, entrava um membro em seu ânus. Ficou atônito. O que era isso? Uma mulher com pênis? Empurrou as duas para longe, vestiu as roupas e saiu dessa festa como um raio.

Aruma Júnior, numa outra suíte, estendeu uma mulher gostosa sobre uma mesa. Começou a beijá-la de cima para baixo. Quando chegou entre as pernas dela, um pênis, igual ao dele e em pé, estava encostando-se ao seu nariz. Ficou petrificado. Uma mulher com pênis? Só podia ser piada. Vestiu as roupas e saiu correndo. Encontrou Adão na rua, envergonhado, pois uma mulher havia sido homem com ele, e ele mulher com ela. Ou seja, o que estava se passando?

Quando Moisés apareceu correndo, ele estava nu. Assim que viu o membro gigante de sua mulher, que não era mulher, era um homem vestido de mulher, mas com seios de mulher, boca de mulher, ele saiu dali em disparada sem sequer perceber que estava nu. Para cúmulo do incrível, uma patrulha de policias o seguia para prendê-lo por atentado ao pudor.

Os três foram parar na Delegacia.

Como estavam sem documentos, foram detidos imediatamente para interrogatórios. E como estiveram numa festa gay, colocaram-nos numa cela com 30 presos que gostavam de homens.

Aruma Júnior deu um berro telepático aos robôs de sua nave. Eles desceram e se posicionaram por cima dessa prisão com as luzes brancas acesas, fizeram um buraco nas paredes, e aspiraram aos três no momento em que os presos se aprontavam para um desfrute geral.

Dentro da nave, passado o susto, começaram finalmente a rir. Eles se perguntavam entre si, o que diriam seus pais, Aruma e Sílvio, onde quer que estivessem se soubessem disso tudo? Aruma Júnior ficou sério e falou:

— Eu acho que estamos perdendo o tempo... Não existe o amor neste lado do Universo...

Moisés completou:

— Também acho. Vamos voltar para casa?

Adão retrucou:

— Fazer o quê? Construir mais uma cidade, ganhar mais uma medalha, eu não gostaria de regressar, não...

— Então fazemos o quê? Virar gays? Só temos robôs machos nesta nave...

E mais vezes começaram a gargalhar. Finalmente Aruma Júnior falou:

— Eu ia nessa guerra com os velhos... O que acham?

Adão retrucou:

— Eu adoraria cara... Mas não fomos convidados...

E Moisés completou:

— E se precisa de convite para isso? Eu sei onde fica essa Dimensão. Vamos demorar. Vamos chegar tarde. Vamos engravidar nossas mães durante a viagem... A caminho da guerra.

— Nossa! Vai ser como a Noemi. Vamos ser filhos das estrelas...

— Gostei, cara! Filho das estrelas! Que poético, que lindo!

— Nossa! Já pensaram? Vamos ser guerreiros, cara... Gatas lindas de uniforme, boas de briga, já estão me arrepiando...

— Alguém sabe como se morre?

— Não, mas os robôs sabem...

Dias depois essa nave explodia no espaço como uma bomba. Imediatamente, seus espíritos foram sugados por um túnel escuro, direto para o mundo dos “Guerreiros intergalácticos”.

Enquanto eles morriam de verdade, Eva e Adão morriam de mentira. Cinco médicos de Agarta congelaram seus corpos pelo período de 1.500 anos. Adão perdera completamente a alegria de viver, e seu discernimento. Eva chorava o tempo todo, e em casos como esse a melhor coisa a se fazer era enfrentar um longo sonho.

Abel e Fernando então, tomaram para si os deveres com os homens da Terra.

Notas finais
Quando Moisés apareceu correndo, ele estava nu. Assim que viu o membro másculo de sua mulher, que não era mulher, era um homem vestido de mulher, mas com seios de mulher, boca de mulher, ele saiu dali em disparada sem sequer perceber que estava nu. Para cúmulo do incrível, uma patrulha de policias o seguia para prendê-lo por atentado ao pudor. Os três foram parar na Delegacia. Como estavam sem documentos, foram detidos imediatamente para interrogatórios. E como estiveram numa festa gay, colocaram-nos numa cela com 30 presos que gostavam de homens.
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