Acting For Dummies
1 Oneshot.
Notas iniciais
Portanto, essa história tem fluff, fluff e mais fluff. Cuidado com seus dentes. u3u
Lucy não tinha a mínima ideia de como fora parar naquela situação. Se tivesse, ela já teria fugido para debaixo de sua cama há tempos.
Era dia dos namorados. Ela estava num encontro, num parque fechado só para casais. Com Natsu.
Natsu.
Ok, não tinha acontecido tão de repente assim. Ela lembrava-se vagamente da missão, algo relacionado a perseguir um casal foragido num parque temático. Achou fácil demais, o preço era bom, e os requisitos encaixavam...
Pensando bem, eles disseram sim que a missão teria que ser feita por um casal. Só que casal pode ter muitas definições, e a que ela se encaixava com seu parceiro de equipe não era a pedida.
Então é por isso que Mira tinha dado um sorriso estranho quando aprovou a missão. Aquela maldita.
- Vamos logo Lucy, eles tão em algum lugar aí dentro! – O caçador de dragões a apressou, impaciente. Happy estava logo atrás, não tendo parado de rir desde que descobriram o verdadeiro sentido da missão.
- Natsu, você não entendeu? – Ela bufou, seu rosto quente. – Só casais entram aí dentro. Não somos um! Teríamos que fingir se quiséssemos fazer isso.
- E...?
- Como assim “E”? Eu não vou fazer uma coisa dessas! – Ela continuou, não sabendo mais se estava vermelha de vergonha ou raiva. Aquele garoto não entendia!
- Mas Lucy! – Ele choramingou. – Eu tô sem dinheiro nenhum! E você também tem que pagar seu aluguel!
Droga, isso era verdade. E a missão era sim relativamente fácil, só não deve ter sido aceita antes pelo dia dos namorados ser um dia em que casais de magos evitam fazer missões.
O que não é o caso dela, que está solteira.
Ah, ela podia ver Aquarius rindo de sua cara no mundo celestial.
- ...Tá bom. – Ela suspirou. – Mas teremos de agir direitinho, se não levantamos suspeitas. O pessoal do parque não deve gostar de gente que finge namorar para entrar de graça.
- O que a gente faz então? – O rosado arqueou uma sobrancelha.
- Pretendemos estar juntos, capturamos esse casal aí e voltamos para casa sem relatar nada do que aconteceu aqui. – Lucy explicou, dando uma encarada mortal a um certo Exceed. – Ouviu, Happy?
- A-aye sir. – O gatinho respondeu, tremendo. Ela podia dar muito medo às vezes.
- Tá, eu entendi tudo, mas... – Natsu franziu a testa. – Como se pretende estar junto?
Silêncio.
- Bem... – A maga celestial corou outra vez, estendendo sua mão. – Vamos começar por segurar as mãos um do outro, ok?
- Só isso? – Ele apertou a mão dela, confuso.
- Por enquanto. – Lucy corou mais. A mão dele era quente, mais do que ela imaginava. Tentou controlar as borboletas no estômago, mas isso estava se mostrando impossível no momento.
- O que estamos esperando? – O garoto sorriu, mostrando seus caninos pontudos. – Vamos logo!
- Espera! – Ela bufou, apontando para o gato azul. – Ele não pode ir com a gente.
- Por que não? – Ambos caçador de dragões e Exceed perguntaram ao mesmo tempo.
- Além de ser restrito a casais, ali diz que animais não podem entrar. – Ela disse, apontando para um informativo ao lado da entrada.
- E se procurar esses dois estranhos lá de cima? – Happy ofereceu, apontando para a foto do casal no panfleto da missão. – Se achar um deles, desço escondido e aviso onde eles estão.
- Boa ideia! – Natsu sorriu para seu amigo alado, e a maga celestial concordou.
- Só não se esqueça de avisar, Happy, temos que terminar isso logo. – Lucy disse.
- Aye! – O exceed sorriu, fazendo uma continência. – Estou indo então! Boa sorte Natsu, Lucy~
Os dois observaram o gato levantar voo para o céu do parque. Lucy, virando-se para seu companheiro, sorriu.
- Vamos então? – Ele assentiu.
Dirigiram-se à porta de entrada, onde uma fila pequena existia. A garota sentiu um arrepio na espinha ao notar que um casal acabara de ser barrado, e saíra resmungando pela rua.
Precisamos ser convincentes... – Ela pensou, engolindo em seco. Aproximou-se um pouco mais de Natsu, recebendo um aperto mais forte em sua mão como resposta. O gesto deixou-a um pouco mais calma, e ela se concentrou outra vez.
Não demorou muito até chegar a vez de ambos. Uma mulher esperava-os na entrada, sorrindo.
- Bem vindos ao parque temático de Athlas! – Ela falou. – Hoje o parque é restrito a casais para comemorar o dia dos namorados. Vocês dois sabem disso, certo?
- Sim. – A loira respondeu, apertando ainda mais a mão de seu parceiro de equipe. Este, por sua vez, retribuiu o gesto e encarou a desconhecida.
- Hm... – Ela analisou-os por um tempo. Após isso, sorriu. – Ok, podem passar. Aproveitem o dia!
- Só isso? – Lucy murmurou para si mesma, com uma gota. Ela não pensava que seria tão fácil...
- Falou alguma coisa? – A mulher perguntou.
- A-ah, nada, nadinha mesmo. – A maga celestial respondeu imediatamente, tropeçando nas palavras. Virou-se para seu companheiro que parecia entediado de ficar parado numa fila. – Err, Natsu, vamos?
- Finalmente. – Ele bufou, puxando-a para dentro do parque. A mulher ficou observando o casal, notando depois o segurança que foi até ela.
- Senhora, foram esses dois os que foram ouvidos estarem fingindo na frente do parque. Tem certeza que vai deixá-los passar?
- Shh! – Ela o interrompeu brava. – Não os atrapalhem, estão aqui para fazer um trabalho que eu mesma requisitei.
- Me desculpe. – O segurança se afastou, e ela bufou. Olhou uma última vez para onde os dois tinham ido, e deu um sorrisinho.
Além disso, eles são bem óbvios. – A mulher riu um pouco alto demais, assustando os próximos casais da fila. Ah, como ela adorava o seu trabalho.
Lucy conseguiu parar o dragonslayer que a puxava quando já estavam longe da entrada. Olhou em volta, e para cima. Sem sinal do Happy.
- O que a gente faz agora? – Ela perguntou para si mesma, com uma gota. Queria ir para casa, ver filmes de comédia romântica e se afogar no sorvete para compensar o fato de que não tinha namorado.
- Ei, Lucy. – Ela virou-se, olhos encontrando com os de seu parceiro de equipe. – Por ali.
- Por ali o quê? – Ela indagou, confusa.
- Senti um cheiro vindo de lá. Vamos! – O rosado pegou em sua mão novamente – e ela não corou com esse ato, de jeito nenhum! – e arrastou-a para algumas tendas na parte esquerda do lugar.
Ah, ele achou alguma coisa! – Ela adivinhou enquanto era puxada. Se eles achassem logo aqueles dois ela não teria de passar por aquela vergonha! Isso!
Depois de andar mais um pouco, pararam. Era uma praça pequena, onde vários casais comiam ou compravam coisas uns para os outros. Lucy sentiu-se um pouco desconfortável com isso: adoraria ter um encontro num lugar assim, mas não para uma missão...
E, obviamente, não com seu acompanhante.
...Certo?
Ah, Lucy! Esses pensamentos estranhos de novo não! – Ela bateu-se internamente. Aquela aura de dia dos namorados estava a afetando, por que mesmo ela concordou em continuar essa missão?
- E então, achou alguma coisa? – A loira indagou, tentando esquecer-se de seus devaneios.
Natsu concordou com a cabeça, sorrindo. Ele parecia alegre, o que a deixou mais intrigada ainda.
- Tudo bem, vamos até lá então-
Não precisou nem dizer. Ele tinha a empurrado para frente de uma barraca de espetinhos.
- ...Natsu, nós comemos antes de vir para cá. – A loira murmurou, irritada. O que ela estava pensando? Ele nunca iria querer terminar logo uma missão e ir para casa, nunca!
- Eu botei tudo para fora. – Ele respondeu.
É verdade né... – A maga celestial ficou com uma gota. Não tinha sido prazeroso ver o garoto com a cabeça para fora da janela do trem a viagem inteira até Athlas. Mas como ela ficara com pena dele, não conseguira deixá-lo desacordado como Erza fazia.
- ... Argh, tudo bem. – Ela desistiu, e o dragonslayer comemorou. – Só que você vai pagar.
- Mas Lucy... – Natsu fez cara de choro. – Eu tô sem dinheiro...
- E como você acha que eu estou?! – Ela respondeu, com raiva. Se ela tivesse dinheiro estaria em casa, não fazendo essa missão! – E além disso, isso é um “encontro”, certo? O garoto sempre paga e...
- Lucy. – Ela olhou para ele de novo. – Eu estou mesmo sem dinheiro.
A garota o encarou.
-... Você gastou seu único dinheiro vindo para cá?
- É.
-... Tá bom. – Ela suspirou, derrotada. Tirou a carteira da bolsa, e comprou um espetinho de fogo para ele e de carne para ela.
- Valeu! – Ele agradeceu, já com metade daquilo na boca. Lucy ficou com uma gota, mas sorriu. Era típico dele fazer uma coisa dessas.
Andaram mais um pouco, terminando de comer seu lanche. Havia muitas barracas por lá, algumas de ganhar brindes. A loira passou os olhos por uma boneca, e arregalou os olhos.
- Aquela boneca... – murmurou, parando. Era idêntica à que sua mãe a dera de aniversário, mas fora roubada durante uma viagem que ela fizera com seus empregados quando era criança. Nunca tinha achado uma igual.
- Tudo bem aí? – Natsu a chamou, percebendo que ela tinha parado. A garota piscou, olhando para ele. Ela queria a boneca... Mas aquilo era um jogo de força, e era algo que ela não tinha. Mesmo assim, se fosse ele, poderia ter uma chance...
Pedir ou não pedir?
Mas espera aí. – Ela lembrou-se. Se eu pedir algo para ele, mesmo que eu acabe pagando, não seria idêntico a um... Encontro?
Tá certo que era para ser um no papel da missão, mas não significava que ela teria de agir como se fosse um. A ideia de estar em um encontro com Natsu fazia seu estômago dar reviravoltas e deixava-a um pouco zonza, e isso era algo que ela queria evitar ao máximo.
Afinal, era só uma missão. E se sua cabeça ficasse pregando peças nela seria bye-bye dinheiro do aluguel.
- Alô, terra para Lucy? – Ela só percebeu que Natsu chegara até ela quando levou um beliscão na testa. Ela colocou uma mão no lugar, e o encarou.
- Ei! Por que você fez isso? – A maga perguntou com raiva. O rosado bufou, cruzando os braços.
- Você tava olhando para o nada e com um rosto estranho. – Ele constatou.
- Não precisava ter me beliscado só por isso.
- Você tava me ignorando!
- Mesmo assim, idiota.
- Estranha.
- Para de me chamar de estranha!
- Não paro não, Lucy estranha-
Ele foi interrompido quando outra pessoa esbarrou nele. O dragonslayer se virou, ao mesmo tempo em que o outro cara. Estava acompanhado de uma garota também, só que ela parecia um pouco entediada.
- Ei! Olha por onde anda! – O desconhecido vociferou. A maga celestial mordeu o lábio, sabia que isso ia dar problema...
- Você que olhe para onde anda,eu tava parado! – Natsu respondeu, ficando irritado. A loira ao seu lado tentou chamar sua atenção puxando-o pela ponta de sua camisa, mas sem efeito.
- Se você e sua namoradinha não ficassem parados aí discutindo eu não precisaria olhar, idiota. – O cara retrucou, apertando um pouco mais o braço em volta de sua acompanhante.
- Ora seu... – O mago de fogo começou, dando um passo a frente. Lucy, que tinha ficado vermelha com o comentário anterior, percebeu isso e segurou-o pelas costas.
- Para com isso, Natsu, não vale a pena. – Ela disse, olhando bem nos olhos dele. De alguma forma, segurá-lo desse jeito sempre o acalmava. E estava funcionando, pois ele parou de andar e bufou.
- Isso, escuta a sua namoradinha. – O desconhecido sorriu. Só então notou a marca nas mãos dela e nos ombros dele. – Afinal, vocês da Fairy Tail não conseguiriam nem machucar uma mosca.
- O que você disse? – Ah não, isso tinha o irritado outra vez. Lucy admitira que também ficara incomodada com o insulto, mas a vida tinha a ensinado que entrar em brigas desnecessárias só resultavam em machucados e pagar pelos danos causados.
- Que foi cabelo rosa, vai me bater? – O outro cara gargalhou, e a moça ao lado dele tentou dar um risinho também, mas sua irritação era tanto que saiu mais um esguicho. – Tenta! Você e essa sua loirinha aí não conseguiriam machucar nem uma mosca-
Ele foi interrompido por um soco flamejante que o lançou voando até uma barraca de prêmios. Lucy observou o fogo passar do cabelo do cara para a barraca e, consequentemente, botar fogo em umas quatro barracas diferentes.
- Haha, o que é que você disse mesmo? – Natsu perguntou alto, satisfeito com o que fez. A maga celestial, por outro lado, observava o fogo de boca aberta.
É, lá se vai o dinheiro do aluguel. De novo.
- Ei, garota. – Ela virou para o lado, encontrando com a mulher que acompanhava o estranho que tentava apagar o fogo de seu cabelo. – Obrigada por me livrar daquele traste. Se você fugir agora, não vão perceber quem foi.
- O-obrigada! – Lucy agradeceu, pegando Natsu pelo braço e o arrastando contra a multidão de pessoas que se aproximara para ver o que tinha acontecido. Quando estavam a uma distância segura do lugar, ela parou.
- Natsu... Você pode me dizer por que fez aquilo? – A loira o deu uma encarada mortal, que fez o garoto arrepiar-se.
- Ele falou mal da guilda! – O rosado respondeu, aflito. A maga suspirou, acalmando-se um pouco.
- Eu sei, não pense que eu não fiquei com vontade de dar uma chicoteada nele. – Os orbes chocolate dela encontraram com os ônix dele. – Mas você sabe que destruir um parque temático não vai melhorar a nossa reputação.
-...Tá, desculpa. – O dragonslayer resmungou, olhando para o lado. A garota riu um pouco: ele parecia uma criancinha que fez besteira com aquela expressão.
- Agora, o que fazer... – Lucy voltou-se para suas roupas. Por estar perto da mão de Natsu quando este deu o soco flamejante, uma ponta de sua blusa tinha ficado chamuscada. – E essa roupa era nova, também...
- Você quer que eu arrume uma blusa por aí? – O rosado ofereceu, coçando a cabeça. Ela suspirou.
- Tá, mas não demora. Happy pode chegar enquanto você não estiver por perto. – Lucy falou a tempo de ele ouvir, já se apressando pelos brinquedos do outro lado do parque. Ela cruzou os braços, e ficou encarando a direção em que ele fora.
Era problemático ter ele como parceiro de equipe, ainda mais quando suas roupas sempre acabavam magicamente queimando. Mas ela sabia que se separar dele seria impossível agora, ainda mais com os sentimentos estranhos que ela andava tendo.
Seria doloroso demais. E ela já tinha perdido seu pai, que por mais cruel que tenha sido durante tempos de sua vida ainda a fizera chorar por horas por tê-lo perdido. Imagine alguém da Fairy Tail, sua nova família? E ainda mais dele, que ficara do seu lado sempre que ela precisava...
— Hey! – Ah, ele tinha voltado. E parece que achara uma blusa. Lucy pegou o tecido, observando-o com uma cara feia. Era uma blusa bege horrível com o logo do parque na área do busto. Ótimo.
- Obrigada. – Ela disse mesmo assim, olhando para ele. – O pessoal do parque não estranhou de você pedir uma blusa?
- Nah, foi até esquisito. – O rosado respondeu, com uma gota. – Eles começaram a rir baixo e falaram que isso acontecia bastante pelo parque hoje.
Ela congelou, corando até as orelhas. Sabia exatamente do que eles estavam falando. Para evitar perguntas desnecessárias vindas de Natsu, ela tratou de apressar-se até o banheiro para trocar sua roupa.
Voltou um pouco depois, emburrada e olhando para o design horrível de sua blusa. Por isso, não percebeu a movimentação ao seu redor até que sentiu algo ser colocado no seu pescoço.
- Huh? – Ela olhou para baixo, e encontrou o famoso cachecol de escamas. Encarou Natsu ao seu lado, olhando para o lado oposto.
- É para disfarçar a sua blusa. – Ele murmurou. Ela corou um pouco, e sorriu. Então era assim que ele pedia desculpas?
- Mas Natsu, é o seu cachecol, presente do Igneel. – A maga estelar lembrou-o, olhando para ele. – Tem certeza que eu posso usar ele? E se acontecer alguma coisa?
- Não vai. Você o pegou para mim lá na ilha Tenrou, lembra? – Ele respondeu, e deu um de seus sorrisos que deixava seus caninos à mostra.
Lucy corou mais. Mesmo com aquela desculpa, ela sabia que aquele cachecol não valia só aquilo. Era o tesouro mais precioso de Natsu, algo que ele nunca deu para ninguém. Para entregá-lo para ela por um motivo tão bobo desses...
Ele confiava tanto nela assim?
O garoto em questão começou a puxá-la pela mão, provavelmente tendo visto outra coisa. Eles pareciam mesmo um casal naquela hora. Ah não, ela estava sentindo o pulso acelerar outra vez...
- Casal fofo.
Ambos pularam para trás, assustados com a voz do além. Que, nesse caso, era ninguém menos do que Happy.
- H-happy! Não me assusta assim! – Lucy falou, vermelha, resolvendo ignorar o que ele tinha dito antes.
- Você achou alguma coisa? – Natsu foi direto ao assunto.
- Aye! – O Exceed informou-os. – Estão perto da montanha russa a leste daqui.
- Ótimo! – A loira sorriu. – Obrigada Happy. Pode ir agora.
- Espera! – O gato azul interrompeu-a. – Tenho que fazer algo antes!
- O que? – Ambos perguntaram ao mesmo tempo.
- Compra um peixe para mim? – Ele pediu, os olhos brilhando.
- Essa não é uma hora boa para comer, gatinho... – A garota comentou, com uma gota. Mesmo assim, foi até uma barraca próxima e comprou um espetinho de peixe para o Exceed. – Toma.
- Valeu Lucy, você é a melhor! – Ele comemorou, devorando o peixinho em pouco tempo.
- De nada. – Ela sorriu, passando então para um rosto sério. – Agora vai logo antes que te vejam!
- Aye sir! – Happy fez uma mini continência, e levantou voo. Depois de uns segundos vendo-o se afastar, ela se virou para Natsu.
- E então, vamos?
- Vamos!
Os dois dispararam na direção da montanha russa ainda de mãos dadas – ainda tinham que fingir estar juntos, afinal -, até avistarem um casal que parecia um pouco com a descrição.
- São eles? – Natsu perguntou, parando de correr e olhando para ambos de relance.
- Acho que sim. – Lucy deu uma olhada no papel. Olhou para os dois novamente, e viu que eles se encaminhavam para um beco. – Ah, estão fugindo! Vem!
Ela puxou o dragonslayer até o beco, passando pela brecha mínima que tinha ali entre um brinquedo e outro. Saiu dela devagar, olhando para os lados para ver se via alguma coisa.
- Eles não parecem estar aqui... – Ela murmurou. – Estranho, eu tinha os visto antes...
De repente, a loira foi puxada para trás, para o final da brecha. Abriu os olhos para ver o que tinha ocorrido, e deu de cara com o rosto de Natsu.
A poucos centímetros. Se ele não estivesse olhando para o lado, estariam a milímetros...
- N-Natsu? – Ela murmurou, sentindo seu rosto esquentar e seu coração dar cambalhotas. Ele manteve sua posição, olhando para fora da brecha entre os brinquedos.
- Sinto o cheiro deles por aqui. – Ele respondeu, segurando-a mais para perto com um dos braços. Droga, ele não sabia o que estava fazendo?! Daqui a pouco ela teria um infarto!
- T-tá. – Lucy encostou a testa na curva entre o ombro dele e seu pescoço, e esperou. Aquela posição era confortável, e somado ao cachecol seguro em seus ombros, bem quentinho. Ela tinha certeza de que não havia como se sentir mais protegida do que ali.
Ela ouviu passos ao longe, e olhou para a direção deles. Era o casal, que olhava para os lados, confuso.
- Ué, eles deviam ter nos seguido. Tem certeza que nos acharam? – O homem perguntou.
- Tenho sim! A garota estava com o panfleto da missão na mão! – A mulher respondeu, emburrada.
- Argh, odeio essa dona do parque. – O homem resmungou. – Manda magos idiotas para nos caçar todo o ano. Só por que tentamos ter uma diversão, que saco!
- Sim! – A desconhecida concordou, dramática até demais. – Ela não sabe o quanto é divertido atrapalhar os encontros dos outros?
- Espera aí... – Lucy murmurou, com uma gota. – Eles estragam o encontro dos outros? É só isso?
- E a separação deles é a melhor parte, haha! – Ambos riram ao mesmo tempo, parados.
A garota ficou com uma gota, não sabendo exatamente o que fazer. Ela estava esperando foragidos comuns de missões, não dois malucos estragadores de encontros. Olhou para o dragonslayer à sua frente, e este também parecia confuso.
-Uh... Atacamos eles? – Ela perguntou, movendo uma de suas mãos até seu chicote preso à sua saia. Não precisou nem continuar, pois no momento seguinte ele já tinha a puxado para fora do beco.
- Ahá, então vocês estavam aí! – O homem desconhecido falou, notando os dois. – Outro casalzinho, não é? Vai ser ainda mais divertido-
Ele não pôde terminar a frase, visto que tinha sido atingido por uma bola de fogo. A mulher pulou para o lado, assustada, e olhou para os dois magos que se colocavam em posição de ataque.
- Hey, isso não foi legal! – Ela falou, ajudando seu acompanhante a apagar o fogo das roupas. – Tenham um pouco de espírito do dia dos namorados!
- Você estraga o dia dos outros e quer que nós tenhamos espírito? – Lucy perguntou com uma gota, já com a chave de Virgo segura em uma das mãos. – Agora se rendam logo!
- Mas nós nem lutamos com eles! – Natsu se virou, emburrado.
- E correr o risco de ter que pagar pelos estragos? Nunca! – A loira rebateu, lançando-o um olhar mortal. Voltou-se para a mulher, percebendo que o cara tinha conseguido apagar o fogo das roupas.
- Você vai pagar por isso! – Ele exclamou, posicionando-se no lugar da mulher.
- Oh, Mario, está tudo bem com você? – A estranha virou para ele, checando se todo o fogo dele tinha apagado.
- Estou sim, minha linda Melody! – Ele respondeu, segurando nas mãos dela. – Você vai ver, eu vou estragar a relação desses dois para provar meu amor por você!
- Oh, Mario!
- Melody!
Os dois magos observaram o casal entrar em um círculo vicioso de elogios e falas estranhas. Lucy suspirou, virando-se para seu parceiro de equipe que parecia entediado.
- Quer saber? Vai em frente, queima ele logo. – Ela disse, cruzando os braços.
- Valeu! — O rosto dele se animou, e Natsu partiu para cima do homem interrompendo seu “momento meloso” com sua companheira.
A loira, não querendo ficar de fora, sacou seu chicote e impediu a mulher de escapar de fininho. Não demorou muito para ambos estarem incapacitados no chão, visto que de poder não tinham muita coisa.
- Agora vocês se entregam? – A maga celestial perguntou, vendo as duas figuras no chão.
- S-sim... – Os dois murmuraram ao mesmo tempo, derrotados.
A parte mais chata foi levá-los até a central do parque, principalmente com todas aquelas pessoas olhando estranho. Quando chegaram, encontraram Happy sendo acariciado pela mulher que antes os recebera no parque.
- Ah, vocês chegaram! – A mulher os recebeu sorrindo, ainda acariciando o Exceed. – Happy aqui estava contando sobre uma gatinha branca de quem ele gosta...
- Espera, você que pediu a missão? – Lucy perguntou com uma gota. – Quem é o dono do parque?
- Eu. – Ela arqueou uma sobrancelha. – Esperava alguém diferente?
- ... Para falar a verdade, não. – A loira sorriu, suspirando outra vez. – Mas e então, completamos a missão... A recompensa?
- Seu amigo acabou de pegar, não viu não? – A loira virou-se para trás e viu que, sim, ele não estava mais lá. Nem o dinheiro.
- O que diabos ele- Lucy parou, e suspirou. Tinha que ficar calma... Sim, calma. Natsu devia ter ido comprar mais espetinhos ou coisa assim, ele não iria gastar todo o dinheiro.
- E eu descontei o prejuízo às barracas destruídas. – A mulher continuou, séria.
Retiro o que disse, o dinheiro já era. – Lucy sentiu seus olhos lacrimejarem. Tudo aquilo, todo aquele dia em que ela poderia ter ficado em casa, para nada...
- Bom, mas você e o seu “amigo” gostaram do dia? – A dona do parque perguntou, dando ênfase à palavra amigo.
- Vamos ver... – A maga começou, irritada. – Eu tive que pagar por toda a comida, queimei uma das minhas blusas favoritas, tive que usar essa outra horrível, aturar esses dois foragidos que só sabem falar coisas melosas... O que você acha?
A mulher ficou com uma gota. Happy, no momento em seus braços, riu.
- Se preocupa não, ela é sempre assim. – Ele informou-a. O gato teve de agradecer que Lucy estava cansada demais para correr atrás dele.
- Eu só quero tomar um banho quente e dormir... – Ela resmungou, choramingando. Depois, percebeu passos aproximando-se deles de novo. Pelo menos Natsu tinha voltado...
- Ei, Lucy. – Ela virou, e deu de cara com uma boneca. Pegou-a, e quando olhou direito para ela...
- Isso é... – Era a de antes, que ela queria! A maga olhou para o parceiro de equipe, que sorria. – Como você soube?
- Você tava olhando para ela antes, então... – Ele deu de ombros. – Mas eu acabei gastando o dinheiro que restou da recompensa com ela...
-... – Lucy encarou a boneca. Virou-se para a dona do parque, que tinha um prato de peixes na mão e entregava-o ao Exceed. – Ei, o parque fica aberto até que horas?
- Até as oito, e vai ter fogos de artifício às sete horas.
- Ótimo. – Ela sorriu, e olhou para Natsu. – Eu ainda tenho dinheiro sobrando. Que tal comer mais espetinhos?
- Vai ter de peixe? – Happy voou até ela, ignorando os que estavam no prato.
- Vou pensar no seu caso. – Ela brincou, rindo. Puxou o dragonslayer pela mão pela décima vez naquele dia e, acompanhada do Exceed, partiram os três para as atrações do lugar.
A dona olhou para onde eles tinham partido, com uma gota. Não era permitidos animais no parque, mas ela podia fazer uma exceção. Sorriu, indo de volta para a entrada do parque. Ah, como ela adorava aquele trabalho.
Lucy, mais tarde, nunca confirmaria que passara o dia dos namorados com Natsu. Se insistissem mais um pouco, talvez ela falaria de como fora horrível, de como tudo acabou dando errado e eles saíram de lá sem dinheiro nenhum...
Mas no final, ela sempre sorriria e olharia na direção de uma boneca em cima de sua escrivaninha.
Lucy nunca admitiria para ninguém, claro, mas aquele fora o melhor dia dos namorados que ela já tivera na vida.
Notas finais
Eu até pediria reviews, mas to sem imaginação para chantagens. Mas até que um comentário pequenininho não faria mal a ninguém, né? *-*
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