Across The Universe
12 As pessoas fingem.
Notas iniciais
Se quiserem trilha sonora: (http://www.youtube.com/watch?v=ZPWkrp2O8Ew - Got Dynamite - Demi Lovato)
Não confie em qualquer palavra, qualquer sorriso, qualquer beijo, qualquer abraço, qualquer olhar... As pessoas fingem, e muito bem.
Ainda estavamos no bar. Miley pediu duas cervejas para o barman. Kevin ainda não havia notado nossa presença. Eu estava sentada de costas para ele e de frente para Miley. Ela estava de frente para ele. Ele nos viu.
–Ele tá olhando.
–Sério ? Tá vindo pra cá ?
–Não, apenas olhando.
–Quero demonstrar que não ligo e que não quero ele.
–Me beija!
–Como é ?
–Isso mesmo, me beija.
Eu não entendi muito bem aquilo. Mas era a única saida no momento. Me aproximei dela e ela fez o mesmo. Estavamos cara a cara, e desta vez, sem a Selena para atrapalhar. Nos beijamos. Aquilo foi bem estranho.
–Tudo bem, o que foi isso ?
–Eu não sei.
–Você gostou ?
–Também não sei.
–O Kevin viu isso ?
–Não pude ver, estava meio concentrada.
Kevin se levantou e veio em nossa direção.
–Demi, ele tá vindo.
Eu, por um impulso inexplicável, a beijei novamente. Acho que fiz isso para passar um certo tipo de ciúmes no Kevin. Não tenho certeza. Ele estava atrás de mim, ele me cutucou. Eu não virei, continuei fazendo o que estava fazendo.
–Demi será que dá pra você virar pra mim ?!
Desencostei meus lábios dos lábios de Miley, e virei para ele, lambendo-os, como se estivesse acabado de provar algo bom.
–Sim?
–Eu preciso falar com você.
Miley olhou para ele e disse movendo minha cabeça que estava em direção a Kevin, para frente.
–Ela tá meio ocupada agora.
E me beijou de novo. Kevin pareceu ter ficado com raiva. Me puxou pelo braço e me levou para um canto.
–O que é tudo isso ? Por quê beijou ela ?
–Eu não te devo satisfação.
–Demi, por que você beijou a Miley ?
–PORQUE EU QUIS, TÁ LEGAL ?!
Miley se irritou e, com isso, veio atrás de mim.
–Qual é Kevin ? Vai ficar precionando ela ? Não tem medo de morrer?
–Quem me mataria ? Você ?
Kevin soltou uma risada irônica. Miley, não muito feliz, avançou para cima dele. Ambos estavam gritando. Isto também me infureceu.
–CALEM A BOCA!
Algumas pessoas estavam com os olhos fixos naquela cena conflituosa.
–Vamos lá pra fora. AGORA!
Kevin chutou uma das cadeiras do bar e saiu com raiva. Miley não se conformou e começou a questionar.
–Vai ficar do lado dele né?! E olha que ele nem é o Joe. Porque se fosse, eu até entend...
–MILEY CHEGA! EU NÃO ESTOU DO LADO DE NINGUÉM!
–Mas também não está do meu...
–Sim, pior que estou. Agora somos só nós duas. Só você conhece a porta para minha própria alma.
Miley deu uma grande e verdadeiro sorriso, no qual me fez enfraquecer completamente. Fiquei apenas olhando para aquela perfeita face, aonde uma vontade de te-lâ me consumiu. Como poderia ser tão bela ?
Fiquei desligada por alguns segundos. Voltei para a minha realidade. Miley estava me olhando com um sorriso bobo.
Kevin ainda estava lá fora, ele ainda estava no celular com alguém, ele estava com um sorriso sádico no rosto. Fui até ele. Ele desligou rapidamente o celular, parecia estar escondendo algo. Miley não ficou muito contente com a minha atitude. Foi atrás de mim do lado de fora da festa.
–O que você tá fazendo ?
–Nós estamos conversando.
Miley, com raiva, me puxou pelo braço.
–Vem, vamos entrar. Você não tem nada para falar com esse sujeito.
Eu continuei firme. Não rendi, por mais que quisesse.
–Demi, vamos !
–Não Miley. Eu preciso esclarecer algumas coisas com ele.
–Sério ? Você vai preferir ficar com ele ?
–Miley, não é questão de preferir, é questão de bom senso.
Eu iria ceder, se não fosse meu subconsciente, que estava em chamas, me impedindo de prosseguir com Miley.
Nós começamos a gritar, nos exaltamos ao extremo. Dissemos ofenças horríveis uma para outra. Kevin separou-nos e chamou um táxi. Ele então disse, já dentro do carro:
–Você vem ?
Eu olhei para Miley, que estava com uma cara de desapontamento. Eu entrei naquele carro. E me arrependo amargamente.
Miley saiu dançando, com uma garrafa de cerveja em mãos. Fiquei olhando-a pelo retrovisor. Até que tudo sumiu.
–Você vai me levar de volta para o hotel ?
–Você quer realmente ir para lá ?
–Eu não sei. Me leve para onde achar melhor.
Eu estava totalmente bebâda, não deveria ter falado isso. Conversamos sobre o ocorrido da festa. Estava tudo esclarecido.
Ele me levou para um motel. Não sabia exatamente o tipo de pessoa que ele achava que eu era.
–Então... Por quê estamos na porta de um lugar como este ?
–Vamos conversar, você não quer ?
–Aham, em um motel ?
–A gente conversa só se você realmente quiser conversar.
Eu tinha entendido aonde ele queria chegar. E eu iria topar qualquer coisa para de uma certa maneira me vingar de Miley. Usei meu velho método de conquista. Minha lábia e meu corpo.
–Não entramos em um motel apenas para conversar.
Ainda no carro, eu subi em cima dele e começamos a nos beijar.
Ele pagou o táxi. E em suas mãos, tinha uma bebida, eu não sei distinguir bem o que era. Ele entregou-me a bebida, que parecia não ter sido tocada. Me lembrava vodca, mas não era tão amarga.
Entramos rapidamente naquele estabelecimento, que, por sinal, não tinha uma boa aparência. Ele alugou um quarto com o número 305, e depois daquele momento, este número nunca mais foi bom.
–Demi, pegue as chaves, vai indo na frente. Vou acertar tudo aqui.
Ele me entregou uma chave, a peguei e subi. Quando finalmente cheguei ao quarto fui para o banheiro checar algumas coisas. Eu não estava com vontade de fazer aquilo. Eu queria vingança. Estava tão bebâda, não estava raciocinando direito.
Ouvi um barulho que parecia ter vindo da cama.
–Kevin ? Já chegou ?
Ninguém respondeu, parecia ter falado com o vão. Me aproximei da cama, minha visão estava meio embaçada. Isto talvez esteria ocorrendo, por causa da estranha bebida que tinha ingerido antes.
Sentei-me na ponta esquerda da cama, não tinha percebido a presença de ninguém. Senti algo me puxar por trás, do nada.
–Kevin, vai com calma aí.
O que parecia ser o Kevin estava muito violento. Me puxou pelos cabelos e começou a beijar meu pescoço. Aquilo não estava bom.
–Kevin, para com isso. Tá me machucando, cara !
Ele me pegou por trás, eu estava com os olhos fechados, e, por mais que eu quisesse abri-los, algo parecia não deixar. Ele me jogou na cama violentamente, eu não estava gostando nada daquilo.
–Eu esperei anos por isso. Enfim você voltou para mim !
Aquela voz definitivamente não era de Kevin. Eu finalmente consegui abrir os olhos. Não poderia ser verdade aquilo. Lágrimas e mais lágrimas escorreram pelo meu rosto. Era ele, Robby Cyrus.
Ele subiu em cima de mim, abriu minha boca e me fez engolir um comprimido de algum remédio contra a minha vontade.
–Agora vamos ao que interessa !
Depois desta frase, tudo ficou escuro.
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