Across Realms
2 Capítulo 1 – Saving the Savior
Notas iniciais
Regina sabia que não devia ter deixado o garoto seguir rumo à torre, onde a mãe dele estava trancafiada, sozinho. Ele não era mais nenhuma criança, mas ainda assim era jovem e indefeso. Se qualquer coisa acontecesse a ele, a morena não sabia se seria capaz de perdoar a si mesma.
E agora, enquanto caminhava pela floresta, estava em um conflito interno. Decidindo-se se deveria continuar seu caminho e se afastar o mais rápido possível de Snow White – que queria sua cabeça como prêmio – ou voltar e ajudar Henry.
Droga! Ela ainda acabaria se metendo em mais confusão por causa de um garoto ingênuo que acreditava ser seu filho.
Regina girou em seus calcanhares e inverteu o trajeto que percorria.
~*~*~
A morena finalmente havia alcançado o cais. Henry havia comentado sobre pedir ajuda à um capitão conhecido seu para chegar até a torre, que ficava em uma pequena ilha afastada da Floresta Encantada.
Regina avistou o navio Jolly Roger com uma movimentação estranha em cima dele. Ao se aproximar mais, viu quem reconheceu como sendo o Capitão Barba Negra com uma espada apontada na direção de Henry. Sem perder tempo, pegou seu arco e flecha, e lançou na direção de um saco de areia que sustentava um dos adornos do navio. A flecha perfurou o saco, fazendo a areia escorrer pelo tecido e o objeto de madeira perder o sustento, e ir na direção do capitão, acertando a parte de trás da sua cabeça com força e o deixando inconsciente no chão do navio.
“Mãe!” Henry exclamou alegre ao ver a mulher à sua frente. “Você veio.”
Regina guardou o arco e flecha no suporte nas suas costas novamente, e subiu a rampa de acesso ao navio. “Eu não podia deixar você sozinho por aí. E já pedi pra você não me chamar de mãe-” o olhar da morena caí sobre o homem agachado no chão de madeira, com um esfregão em mãos. “Quem é esse?” arqueou uma sobrancelha.
“Esse é Hook” apresentou-o e o homem pôs-se de pé.
“Hook? O Capitão Hook que você falou?” a morena riu divertida. “Ele não parece nada com um capitão.”
“É porque não sou” intrometeu-se na conversa. “Meu nome é Killian Jones.”
“Certo, Killian” Regina cruzou os braços sobre o peito e apoiou-se contra a grade de madeira. “Nós temos que encontrar a mãe do garoto, então trate de zarpar esse navio que não podemos perder tempo.”
“Eu não sei velejar um navio.”
“Que tipo de capitão você é?” perguntou sarcástica.
“Já disse que não sou um capitão.”
Regina revirou os olhos. “Me ajudem a tirar o Barba Negra daqui” pediu, pegando nos pés do capitão e Henry o pegando por debaixo dos braços.
O homem era extremamente pesado para os dois, mas eles foram capazes de carrega-lo para fora do navio e deixa-lo desacordado em um canto do cais.
“Eu posso te ajudar a velejar o navio” Henry disse quando voltaram à embarcação, vendo Hook observar o timão com o cenho franzido.
“E como você sabe?” o fitou desconfiado.
“Eu tive um excelente professor... você” sorriu.
Killian enrugou a testa ainda mais, confuso com aquele garoto. Voltou seu olhar para Regina que estava atrás de Henry e a mesma apenas descordou com a cabeça, revirando os olhos. Mexeu os lábios, sibilando “louco” enquanto apontava a cabeça na direção de Henry.
~*~*~
Henry estava na proa do navio e observava a imensidão do oceano ao se redor, atento a qualquer sinal da torre onde Emma poderia estar.
Hook velejava o Jolly Roger com mais confiança agora, depois das instruções de Henry. Regina estava ao seu lado, em silêncio, observando o horizonte e pensando em como havia se metido naquilo. Ela ia acabar se ferrando por tentar resgatar uma prisioneira da Rainha.
“Então...” Killian começou, tentando puxar assunto. Aquele silêncio estava o incomodando. “Qual é a do garoto?”
“Hhm!?” Regina virou-se pra ele, distraída. “Ah sim, ele acredita que estamos presos dentro de um livro em uma espécie de realidade alternativa” riu-se ao lembrar de toda aquela loucura e Hook lhe ofereceu um sorriso tímido em resposta.
“Olhem!” ouviram o garoto gritar animado e voltaram sua atenção para ele.
Logo avistaram a ilha formada por rochas e uma torre, que parecia abandonada, no centro. Ao redor haviam altos muros de pedra. Henry pegou uma luneta e viu que a entrada da torre era protegida por um guarda.
“Tem um cavalheiro negro fazendo guarda” Hook gritou, com sua própria luneta em mãos.
“Apenas um” Henry se virou para os dois. “A gente pode acabar com ele.”
“Bem, não sei se você percebeu mas eu sou um simples marinheiro e não um soldado” franziu o cenho, a voz carregada de insegurança.
“Deixe de ser covarde” Regina bufou ao seu lado. “Somo três contra um” a morena caminhou na direção de Henry. “E eu sou uma excelente arqueira” vangloriou-se com um arquear de sobrancelhas.
“Bem, talvez a gente não precise lutar” Henry comentou, o navio se aproximando cada vez mais da torre. “Eu tive uma ideia.”
~*~*~
Regina observou, do lado de fora da torre, Hook entrar com Henry. As mãos do garoto amarradas e um saco de pano na sua cabeça, como se fosse um prisioneiro. Era uma ideia interessante, a morena teve que admitir. Ela esgueirou-se com cuidado para dentro da fortaleza escura – iluminada apenas com algumas tochas estrategicamente distribuídas – a tempo de ver o guarda analisar Henry, já sem o saco em sua cabeça, de perto, quando o garoto puxou a espada da bainha de Hook e acertou em cheio o rosto do guarda com seu cabo, que caiu desacordado no chão frio.
“Muito bem, garoto” Regina foi de encontro aos dois, enquanto Henry soltava-se das cordas frouxas ao redor dos seus pulsos, e bagunçou seus cabelos de forma carinhosa.
Henry sorriu para a mãe e correu até o guarda desmaiado, pegando o molho de chaves preso em seu cinto.
“Prendam o guarda na cela” disse aos dois. “Eu vou voltar com minha mãe o mais rápido possível” completou, dando ordens como um verdadeiro líder.
Regina sorriu, vendo o garoto desaparecer nas escadarias. Ela podia aceitar facilmente ele, como sendo seu filho, e sentiu orgulho por ele achar que ela era sua mãe. Mesmo que adotiva, isso significava que ela havia o criado e, se fosse verdade, teria feito um excelente trabalho.
“Faça alguma coisa de útil e me ajude a prender ele” disse se agachando e pegando nos calcanhares do guarda. Hook a observou em silêncio, hesitante. “Anda logo” resmungou sem paciência com aquele marinheiro covarde.
Ele assentiu e correu até onde estava, pegando o guarda por debaixo dos braços e ajudando-a a carregar até uma cela próxima. Jogaram-no lá dentro e fecharam as grades.
Hook soltou um suspiro cansado pelo esforço feito e recostou-se contra a grade da cela. Regina apenas revirou os olhos e voltou pelo corredor por onde haviam passado. Ela estava distraída e nem ouviu os passos apressados descendo as escadarias.
Antes que desse por si, chocava-se contra algo. Aliás, alguém. Regina sentiu duas mãos contra seus ombros e segurou a cintura da loira, amortecendo o impacto. A respiração descompassada da mulher à sua frente batia contra seus lábios, devido à proximidade das duas. Regina olhou fundo em seus olhos esmeraldas e sentiu uma sensação diferente no seu estômago, subindo até seu peito e fazendo seu coração acelerar. O calor dos seus corpos misturando-se em um só. Ela estava paralisada, hipnotizada pelo sorriso meigo que se formou nos lábios da loira enquanto tentava controlar a respiração.
“Regina...” a loira abriu ainda mais o sorriso e envolveu os braços ao redor da outra, abraçando-a com força. “Eu nunca achei que diria isso mas... Eu senti sua falta” sorriu contra os cabelos longos da morena.
Regina ainda estava em choque, e não ousou se mover. Ela arregalou os olhos na direção de Henry, que estava atrás da loira e ele deu de ombros, com um sorriso nos lábios.
Quando se viu livre do abraço da loira, Regina lambeu os lábios a observando de cima a baixo. Os cabelos dourados estavam bagunçados, contrastando com seu rosto angelical, o vestido azul marinho desgastado, mas desenhando suas curvas perfeitamente e o decote... Os olhos castanhos voltaram rapidamente a fitar os verdes e arqueou as sobrancelhas.
“Então... você é a outra mãe dele...” sorriu de canto para a loira.
“Emma” assentiu e sorriu um pouco constrangida por tê-la abraçado. Quando viu Regina à sua frente não pôde evitar e esqueceu completamente que nem ela, nem ninguém, lembrava-se da realidade. Ela permitiu-se observar melhor a morena à sua frente e reconheceu as roupas que ela usava como aquelas que viu sua mãe usar no livro, quando fugia da Rainha Má. Elas haviam trocado de papéis naquela realidade.
Ela tinha que admitir que Regina ficava linda naqueles trajes. Aliás, ela ficava linda de qualquer jeito. E os cabelos negros e muito mais compridos do que estava acostumada, em uma trança bagunçada caindo sobre o ombro direito e emoldurando perfeitamente seu rosto bem desenhado.
Só então a loira notou a presença de Hook, que havia se aproximado de onde eles estavam. Ela sorriu ao ver o namorado e sentiu vontade de correr até ele e abraça-lo. Ela não o fez, todavia. Era difícil agir como se não se conhecessem.
“Killian, essa é minha mãe. Emma” Henry os apresentou e o pirata segurou a mão da loira em um comprimento desajeitado.
Regina observou incomodada o olhar bobo de Emma sobre o homem com um gancho no lugar da mão esquerda. A morena se remexeu inquieta e não conseguiu evitar de revirar os olhos quando o aperto de mão durou mais que o necessário.
“Acho melhor nós irmos antes que o guarda acorde” Emma quebrou o contato com Hook ao ouvir a voz irritada de Regina.
“Certo” a loira assentiu. “Nós temos um casamento para impedir.”
Emma ergueu um pouco o longo vestido antes de caminhar apressada na direção da saída da torre, sendo seguida por Henry. Regina e Killian trocaram um olhar confuso antes de segui-los também.
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