Across Realms

3 Capítulo 2 – Is it love or just an illusion?


Notas iniciais
Que comentários mais lindos, obrigada à todas. Está aí um capítulo maiorzinho pra compensar a demora *-----* Momentos fofos, ciúmes, etc e tal.

“Espere um momento” a morena gritou, logo atrás de Emma que já subia a rampa de acesso ao navio pirata. Ela se virou para fitar Regina. “Você não está pensando em impedir o casamento de Robin e Zelena, está?”

“Claro” respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Regina franziu o cenho e parou na metade do caminho, não entrando no navio e impedindo o acesso à Hook também, que vinha logo atrás dela. A morena apoiou as mãos na cintura.

“Você não acredita em toda essa loucura também, acredita!?” arqueou uma sobrancelha.

“Tudo o que Henry te contou sobre essa realidade é verdade” confirmou, séria.

“Okay” seus lábios se comprimiram em uma fina linha. “Eu, sinceramente, não sei porque estou perdendo meu tempo com uma louca que chama a si mesma de Salvadora” disse em um tom debochado. Não interessa o reino ou a realidade que estivessem, Regina continuava com seu sarcasmo.

“Porque eu posso te ajudar” disse nervosa. Eles precisavam sair daquela ilha o mais rápido possível e a morena estava os atrasando. “Sua felicidade ainda é possível. E o primeiro passo é ir atrás do homem que você ama.”

“Meu final feliz não é um homem” disse arqueando as sobrancelhas. “E eu não amo Robin Hood.”

“Mas- O que? Como não?” perguntou confusa.

“Ela está em fase de negação” Henry disse atrás da loira, enquanto preparava o navio para zarpar.

“Não é negação” a morena replicou, irritada. “Por que ninguém consegue entender que eu não senti nada quando encontrei com ele?”

“Tudo bem, a gente conversa sobre isso depois” Emma suspirou, confusa com a declaração de Regina. Ela deveria estar apaixonada pelo ladrão. “Entra no navio e vamos embora antes que Lily acorde.”

“Quem diabos é Lily?” Regina franziu o cenho.

“Eu explico logo, apenas entre na droga do navio” disse caminhando até ela pela rampa e a puxando pela mão para dentro da embarcação.

Regina soltou um gemido de dor ao ter o corte na mão – causada pela espada de Charming no seu confronto com Snow White – pressionado por Emma. A loira a olhou confusa e soltou sua mão. Ao ver o corte aberto, a fitou preocupada e sussurrou um “sinto muito”.

A morena entrou a contragosto no navio e acariciou a região machucada. Após Robin ter a salvado de Snow, ela não o deixou ver o machucado. Isso seria demonstrar fraqueza, apesar de saber que aquilo podia infeccionar. Agora doía mais do que nunca.

Killian entrou apressado, ajudou Henry a recolher a rampa e correu para a popa, para começar a velejar o Jolly Roger.

~*~*~

“Hey” Emma se aproximou de Regina, que estava sentada nos degraus de uma escada na parte de cima do navio. A morena, que observava o corte na sua mão, desviou o olhar para fitar a loira. “Como você conseguiu esse machucado?” perguntou, sentando-se ao seu lado no degrau.

“Eu assaltei a carruagem da Rainha por engano e o bichinho de estimação dela me cortou com a espada enquanto me desarmava” disse entortando um pouco a boca e desviando o olhar para sua mão novamente.

“Bichinho de estimação?” perguntou confusa.

“Charming.”

“Oh” arqueou as sobrancelhas, lembrando-se de que Snow estava com o coração do seu pai e o controlava. Aquela realidade estava totalmente de cabeça para baixo.

Emma retirou um cantil da bainha improvisada no seu vestido e pegou a mão de Regina, delicadamente. A morena sentiu seu coração acelerar e uma corrente elétrica percorrer seu corpo quando sentiu o toque suave da outra.

“O que você-” interrompeu sua frase quando sentiu o álcool arder contra sua ferida e contorceu o rosto em uma expressão de dor, comprimindo um gemido.

“Você não pode deixar esse corte aberto por tanto tempo” disse sem tirar os olhos da mão da morena. Emma pegou um pedaço de pano e começou a enrolar a palma da mão de Regina. Quando chegou ao final do pano, deu um nó, firmando-o na sua mão, como um curativo improvisado. “Não é o ideal, mas vai servir por enquanto” sorriu para Regina, encontrando seus olhos.

A morena sorriu fraco. “Ainda dói” admitiu em um sussurro.

“Aqui” Emma, que continuava segurando sua mão, a trouxe para perto de seus lábios e depositou um beijo suave sobre a palma da sua mão. O olhar preso ao de Regina, que observava a cena intrigada e com a respiração levemente descompassada, surpresa por aquele ato repentino. “Henry me contou que quando ele era menor e se machucava, você dizia que um beijo podia curar qualquer coisa” lhe sorriu carinhosa, após afastar os lábios da sua mão. Ela mesma surpresa com o ato, mas aquilo pareceu tão natural que não pôde evitar. “Se sente melhor?”

Regina assentiu em silêncio, corando levemente. Aquela mulher realmente acreditava que elas se conheciam, e que Henry era filho das duas. O próximo pensamento que cruzou pela sua mente fez seu rosto ficar ainda mais vermelho e ela desviou o olhar de Emma, puxando a mão e perdendo o contato da loira. Ela apoiou as duas mãos sobre seu colo e as remexeu de forma nervosa.

“Então...” começou, hesitante. Ela precisava perguntar aquilo. Emma a observou em silêncio. “Nesse mundo em que você insiste que a gente vive... Eu e você... Nós...” Regina se enrolou nas palavras e sentiu o rosto queimar, sem coragem de fitar Emma. “Somos um casal?” as palavras saíram apressadas.

Emma se engasgou com a própria saliva ao ouvir a pergunta e arregalou os olhos na direção de Regina, que continuava a fitar as mãos sobre suas pernas. Ela abriu a boca algumas vezes para tentar falar, mas não conseguiu. O que faria a morena pensar isso? O fato de as duas serem mães do Henry, talvez. Ou será que ela havia olhado tempo demais para Regina? Se perdido em seus olhos castanhos e profundos por mais tempo do que o necessário? Ou talvez fora o ato de carinho que acabara de fazer, beijando o machucado na sua mão?

Quando Emma nada respondeu, Regina tomou coragem e fitou seu semblante. O rosto da loira estava tão vermelho quanto o dela. “Me desculpe, eu não-” ela balançou a cabeça negativamente. “Foi só... Isso é loucura” sorriu desconfortável.

“Tudo bem” Emma se apressou em dizer, ao notar o desconforto de Regina. “Não me admira você confundir, nós dividimos um filho afinal.”

“Se isso que você está dizendo for verdade” ressaltou.

“Você ainda não acredita, não é?”

“É difícil de acreditar” respondeu. “Se coloque no meu lugar.”

“Eu já estivesse no seu lugar” ela respondeu. “Alguns anos atrás, Henry me procurou para que eu quebrasse a maldição lançada por v-” Emma cortou a frase no meio. Não havia motivos para dizer que na verdade Regina fora a vilã por muito tempo. Aquela Regina podia ser uma ladra, mas ela estava sobrevivendo, e ela a lembrava tanto da Regina que se redimira e agora estava do lado dos heróis. Não seria justo despejar todo o peso de ser a Rainha Má sobre ela. “Bem... Eu também achei que fosse loucura no começo, até que eu acreditei.”

Regina olhou em seus olhos verdes e ela parecia falar a verdade, ou ao menos acreditar em tudo o que falava. Observou todo o rosto da loira antes de fitar seus lábios rosados. Ela não iria se importar nem um pouco se elas realmente fossem um casal.

Emma notou o olhar de Regina e se remexeu um pouco desconfortável no degrau, sentindo seu próprio coração acelerar.

“Mãe!” Henry gritou, chamando a atenção das duas mulheres, que desviaram o olhar para o garoto. “Eu já preparei tudo para pararmos a Lily caso ela nos ataque.”

“Muito bem, filho” Emma levantou-se e beijou a testa do garoto.

“Okay, quem diabos é Lily?” Regina perguntou, nervosa.

“É a guarda que estava vigiando a torre, ela é perigosa.”

“E o que ela poderia fazer contra nós? Já estamos à uma boa distância da tor-”

Antes que Regina pudesse terminar, escutaram um estrondo vindo de trás do navio e viram um dragão romper as paredes de pedra da torre, voando furioso na direção deles. A morena se levantou rapidamente e abriu o alçapão no chão do navio, onde havia uma escada para descer.

“Henry, fique aqui em baixo” ela apontou e o garoto obedeceu.

“Os canhões já estão com munição” avisou antes de descer e Regina fechar o alçapão, deixando-o protegido do ataque do dragão.

“Dispare no meu comando” Emma avisou, posicionada na frente dos dois canhões. Regina e Hook correram até os canhões e ficaram preparados para o ataque. “LILY! AQUI! VAMOS LÁ!” a loira gritava na direção do dragão e gesticulava com as mãos, tentando chamar sua atenção.

Regina sentiu seu coração parar por um instante e as mãos, que seguravam uma tocha com o fogo, começarem a suar. O medo pela vida do garoto e de Emma, caso aquele dragão cuspisse fogo neles. Ou caso ela não saísse da frente dos canhões a tempo e fosse atingida por engano.

“AGORA!” gritou quando Lily estava a uma distância boa e se abaixou rapidamente. Hook e Regina acenderam o pavio do canhão, que em seguida era disparado, atingindo em cheio o peito do dragão, que perdeu o equilíbrio e caiu com força no mar. O impacto contra a água causou uma onda forte, que balançou o navio.

Emma sorriu contente, segurando-se em uma corda do navio. Regina também sorriu, e suspirou aliviada.

“Essa foi perto” ela ouviu Killian se aproximar de Emma e a loira sorrir na direção do homem. Regina engoliu em seco. O pirata puxou o cantil do seu cinto e o ergueu. “Saúde” proferiu antes de beber um gole do líquido. “Você conseguiu” sorriu para a loira, que retribuiu o sorriso.

“Nós conseguimos” corrigiu, tirando o cantil da sua mão e bebendo também. Fez uma careta de desgosto. “O que é isso?”

“Leite de cabra” respondeu.

Regina, que observava a cena de longe, teria dado risada do pirata falsificado. Mas algo corroía seu peito por dentro, observando os dois interagirem daquela maneira. Talvez ele fosse seu namorado no mundo em que ela acreditava viver. Era a forma que ela olhava pra ele naquele momento pelo menos.

Ela pensou que a loira havia lhe olhado da mesma forma enquanto cuidava do seu ferimento, claro que agora ela via que era tudo loucura da sua cabeça. E sentiu o desconforto em seu peito aumentar. Porque quando as duas esbarraram na torre e ela olhou bem fundo nos orbes esmeraldas de Emma, ela se sentiu da mesma forma que Robin falara da sua noiva. Ela não se importaria de perder-se pelo resto da vida naquela imensidão verde, porque eles eram tão intensos e profundos. Ela sentiu como se pudesse ver a alma de Emma através deles, e borboletas voaram no seu estômago ao sentir as mãos dela, firmes contra seu ombro e o hálito quente contra seus lábios.

Era daquela forma que ela deveria se sentir em relação à Robin – ao menos pelo o que Henry dissera. Mas era a loira que lhe causava aquelas sensações. E era daquela forma que ela acreditava que iria se sentir quando se apaixonasse. Estaria ela apaixonada por Emma? Uma mulher? Uma doida que acreditava, assim como o garoto, estarem vivendo em um universo alternativo? Aquilo estava errado. Regina devia estar confusa, apenas isso. Não existia tal coisa como amor à primeira vista.

Emma notou o olhar de Regina sobre ela, e fitou a morena com curiosidade. A ladra logo desviou o olhar e virou de costas, afastando-se do casal. Ela agachou-se e abriu o alçapão, para que Henry saísse.

“Está tudo bem agora, garoto” disse, o observando sair as escadas.

“Vocês conseguiram” exclamou animado abraçando a mãe em seguida.

Regina se sentiu um tanto desconfortável com o ato do garoto, mas não conseguiu evitar de o abraçar de volta, sentindo seu coração aquecer com tamanho carinho. Não importava em que loucura ela estava metida, ela agradecia pela aparição daquele garoto. Ela nunca recebera tamanho carinho na sua vida. Seus pais adotivos nunca lhe deram muita atenção e ela era sozinha no mundo. Todo aquele amor, vindo de um estranho para ela, era novo, mas reconfortante.

Emma aproximou-se dos dois, deixando Hook a velejar o navio, um sorriso nos lábios. Henry afastou-se de Regina, lhe sorrindo também.

“Você foi corajosa em ficar na frente dos canhões. É muita confiança depositada em dois estranhos. Ainda mais em um pirata e uma ladra” a morena comentou.

“Bem... é complicado” sorriu carinhosamente para a morena.

Elas permaneceram em silêncio por alguns instantes antes de Regina se manifestar novamente.

“Esse vestido deve ser desconfortável...” disse a olhando de cima a baixo, mais uma vez. “Deve ter alguma muda de roupa pra você trocar. Se quiser seguir nessa aventura maluca, vai precisar de roupas mais confortáveis.”

“Você tem razão” disse olhando a si mesma. “Você...” o olhar voltou para Regina novamente. “Vai nos ajudar?” perguntou, insegura.

“Eu...” a morena intercalou o olhar de Emma para Henry, que lhe olhavam com filhotinhos abandonados. Como dizer não para aquelas carinhas? “Porque não” deu de ombros. “Eu sempre fui fã de uma boa aventura.”

O sorriso nos lábios da loira aumentou consideravelmente. Ter o apoio de Regina era importante para ela, mesmo que a morena ainda não acreditasse totalmente em tudo que lhe contara.

“Vamos” disse por fim, descendo as escadas do alçapão. “Deve ter algo aqui em baixo pra você vestir.”

Emma assentiu e seguiu a morena escadas a baixo. Elas entraram em um quarto, que parecia pertencer ao capitão e começaram a vasculhar o lugar. Encontraram várias roupas, mas todas grandes demais para Emma.

“Acho que isso vai servir” Emma anunciou, retirando um conjunto de roupas dentro de um baú. “Parecem ser femininas e do meu tamanho.”

Depositou a muda de roupas sobre a cama de casal. Uma calça de couro preta, uma blusa branca com detalhes bem delicados nas mangas, e um colete azul marinho.

“Aqui tem um par de botas, luvas e um cinto” Regina ergueu os acessórios na direção da loira.

“Isso vai servir” sorriu.

Regina colocou as coisas sobre a cama e sorriu tímida para Emma. Elas se encararam por alguns instantes, um silêncio um pouco constrangedor se formando entre elas.

“Hmm... Eu preciso me trocar” Emma disse baixinho, umedecendo os lábios.

Regina finalmente percebeu que a encarava por tempo demais e sorriu constrangida, saindo do quarto em seguida. Ela fechou a porta de madeira atrás de si e escorou-se contra ela, passando a mão sobre os cabelos bagunçados. A trança que os prendia anteriormente estava desfeita. Suspirou.

O que aquela loira tinha que a fazia se sentir daquele jeito? E por que aquela vontade imensa de vê-la se despir dominou seu corpo? O certo era se afastar de Emma assim que chegassem em terra firme novamente. Seguir com ela e seu filho naquela aventura só lhe causaria mais problemas. Mas e convencer seu coração que isso era o melhor? Regina não queria nem pensar na possibilidade de nunca mais ver Emma. E era por isso que ela estava certa que seguiria aquela doida até o fim do mundo se fosse necessário.

A porta abriu-se de repente, tirando a morena abruptamente dos seus pensamentos e a fazendo perder o equilíbrio. Regina tropeçou para trás e seu corpo entrou em contado com os braços fortes de Emma, que a segurou firmemente pela cintura.

“O que você está fazendo aí?” perguntou, soltando um riso ao ver a forma desajeitada como Regina se soltava dos seus braços e tentava se recompor.

“E- eu... Estava pensando” disse sem jeito, arrumando a roupa, como se tivesse amassada ou suja. Emma sorriu com aquele gesto. Era o mesmo que Regina sempre fazia, no mundo real, quando estava nervosa. Mas por que aquela Regina parecia sempre tão nervosa na sua presença? Ou era impressão sua? Ou talvez ela fosse assim sempre?

“Hmm... E então!? Como fiquei?” disse dando uma voltinha.

A morena a observou de cima a baixo. As roupas haviam servido perfeitamente em Emma. A calça justa, marcando suas pernas bem torneadas e o bumbum firme. A cintura fina demarcada pelo cinto e o azul marinho do colete contrastando perfeitamente com sua pele clara. Os cabelos bagunçados, agora estavam presos em um rabo de cavalo, junto com a pequena trança – feita com apenas uma mecha de cabelo –, dando um charme à mais e destacando seu rosto.

“Você está-” cortou-se e mordeu o lábio inferior. Ela estava linda e sexy naquela roupa. “Ficou perfeito” disse com um sorriso tímido nos lábios.

Emma sentiu o olhar intenso de Regina sobre ela e sentiu seu rosto corar. “Obrigada” sussurrou de volta.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, opiniões e sugestões na caixinha aqui em baixo ;) @helgenlover