Acorrentados
3 Capítulo III
Notas iniciais
Acorrentados:
Capítulo III
Naruto pov's on:
Passei o corredor todo do comboio procurando um lugar onde eu pudesse dormir em paz, passava por cada salinha silenciosamente, abrindo e fechando a porta e murmurando um "desculpa" aos que perturbava, enquanto batia contra as pessoas que vinham na direção oposta com a minha enorme mala de alça que trazia pendurada no meu ombro. Perdido e desesperado para ter algum lugar vago, finalmente cheguei quase ao fim do comboio e vi uma salinha vazia como se tivesse lá exposta só para mim. Entrei, arrumei a mala para a cama de cima e deitei na cama de baixo observando todos os cantos daquela pequena sala, provavelmente eu estava aliviado de não estar mais naquela casa insuportável e sim num comboio. Apalpei o colchão da cama e apareceu um sorriso, sim, até a cama era melhor do que a de antes. Quem me visse a fazer tal coisa, pensaria que eu era anormal, mas ninguém sabia que passado eu tinha. Continuei amasiando o colchão com a mão enquanto pensava em como seria lá, em Hogwarts, seria melhor ou pior, bom ou mau, terrível ou maravilhoso. Pela primeira vez senti um pouco de ansiedade. Cai no sono, pode ser que assim o tempo passaria rapidamente e acordaria quando tudo tivesse perfeito.
Naruto pov's off.
Já estavam todos no comboio, as pessoas ocupavam os últimos lugares do comboio para iniciar o caminho, andavam já poucas pessoas fora do sítio, pois a maior parte já se encontrava dentro das salinhas comendo ou dormindo. O pobre garoto de cabelo loiro dormia finalmente descansado até que uma pessoa que ele desconhecia entra na sua sala. O desconhecido sem saber se podia entrar ou se estava ocupado resolveu acordar o garoto que estava a ter um belo sonho. Abanou-o uma vez, viu que não tinha resultado, abanou novamente até se irritar e abanar várias vezes. O garoto rosnava e protegia-se com as mãos até acordar mesmo.
Naruto pov's on:
Eu estava finalmente dormindo em condições até que um idiota me acorda, pensei que fosse o guarda ou a vendedora de doces reclamando comigo mas aí tive uma grande surpresa. Arregalei meus olhos e nesse mesmo instante saltei e sentei rapidamente na cama, limpando os olhos e ficando a observar o anónimo. Ele era perfeito... As suas curvas, o seu cabelo espetado caindo sobre os ombros e traçando toda a sua beleza, eu estava espantado com aquilo que via, ou eu estava sonhando ou então eu morri.
– Está ocupado ? — apontou o garoto de olhos ônix para a cama ao lado enquanto estava em pé, encarando-me de cima, eu continuei o observando, não conseguia entender de onde é que apareceu tanta perfeição. E aquela roupa? De certeza que ele era duma família rica e bem educada. Eu não tinha chance mesmo...
– Está me ouvindo cara? — voltei a ouvir aquela voz grossa e sedutora passando pelos meus ouvidos que me fazia arrepiar, abanei rapidamente a cabeça, ele devia estar vendo o meu estado, esperava eu não estar me babando.
– Não, está a vontade ! — sorri de lado enquanto olhava para a janela para esconder as bochechas que se enchiam duma cor avermelhada, eu não estava entendendo o porquê de eu estar assim.
Ele se sentou na cama ao lado enquanto tirava algo da mala, fazendo de conta que eu nem estava presente naquela sala, eu apenas o observava de lado, todos os seus passos e gestos, era bastante interessante. Eu acabei por ficar o observando e esqueci que precisava de respirar e mexer os olhos de vez em quando e fiquei completamente paralisado.
– Uchicha Sasuke! — aumentou o tom de voz, esticando-me a sua mão, o garoto suspeito. Aí eu me lembrei que estava ainda vivo e acordei, olhei para a sua mão, tão grande...estiquei a minha mão e sorri, como a mão dele era forte e quente... — E você é? — voltou a ouvir-se aquela voz. Eu fiquei confuso.
– Uzumaki Naruto. — consegui responder calmamente sem nenhum stresse,
O comboio vinha com uma média velocidade, já estava anoitecendo e a lua estava já cheia, algumas pessoas andavam pelo corredor conversando ou chateando a vendedora de doces que lá passava pedindo pelo menos um só doce por não terem com o que pagar. O loirinho se encontrava encostado à janela, observando a paisagem, mas na verdade só o estava fazendo para não trocar olhares com o seu vizinho de sala que o tanto interessava. Enquanto esse escondia sua curiosidade, o outro continuava mexendo na sua mala, procurando por algo especial, franzindo o cenho por não achar nada. Olhou o relógio que tinha no seu pulso e remexeu-se irritado.
Naruto pov's on:
Como eu queria saber o que ele tanto procurava naquela mala, seria uma arma qualquer ou um livro moderno? A curiosidade estava me matando, eu levantava meu queixo e tentava espreitar mas o suspeito sempre me apanhava. Depois de tanto procurar ele se fartou, pensei que as surpresas se tinham acabado mas aí eu estava errado, ele começou a arregaçar uma das suas mangas da blusa e aí minha curiosidade se tornou em medo. No seu braço ele tinha tatuado uma cobra, meus olhos se arregalavam cada vez mais enquanto ele subia ainda mais a sua manga. O que será que aquilo significava? Sem entender que o jovem me encarava com um sorriso sarcástico continuei observando aquela arte até ouvir um pequeno riso.
– Você está com medinho é? — perguntou o jovem rindo e abaixando logo a manga. Ele se estava rindo mesmo? Meu coração pareceu aquecer depois de tantos anos fechado à chave e congelado lá bem fundo. Pela primeira vez alguém riu verdadeiramente de mim, da minha idiotice. Eu estava feliz.
– O que isso significa? — perguntei sem pensar duas vezes, quis voltar o tempo atrás pois estava ficando arrependido com o que perguntei quando vi o jovem que estava ficando cada vez mais assustador, juntando as sobrancelhas e cruzando os braços.
– É relíquia da família. — respondeu e logo se deitou na cama observando o teto, achei estranho mas nem quis tocar mais no assunto pois não queria estragar os laços que apareciam entre nós.
– Seria legal eu e você ficarmos juntos em Hogwarts. — estragou o silêncio aquela voz que me metia nervoso, mas desta vez o que ele disse me meteu ainda mais. Eu nesse mesmo instante me calei como se tivesse perdido a voz e meti meus olhos num ponto qualquer da sala.
– Se-Se-ria legal? — gaguejei duma maneira que até eu entendi isso, ele riu de novo. Quantas vezes ele ia fazer isso comigo? Mais um bocado e eu me espalhava no chão.
– Já entendi que você não é de conversa. Na verdade eu também não sou mas sabe, não ter gente de jeito durante anos realmente foi secante. Precisava de alguém que ficasse calado me ouvindo e não me perturbasse a cada segundo sem me deixar dizer tudo. — eu o ouvia com toda a atenção como se aquilo fosse alguma matéria que sairia num exame, eu sabia que esse cara não era de muitos amigos, obviamente que ninguém se chegava perto dele com esse caráter difícil. Eu apenas abanei a cabeça concordando com o desabafo dele. Ele apenas suspirou como se tivesse enervando com algo. Eu me encolhi já preocupado. — Garotas...como eu as odeio, você não? — me olhou fixamente nos olhos e me fez acordar e ficar o encarando perdido naqueles olhos ônix. — Ahh, você nem deve saber, mas não interessa. Se alguma vez quiser conhecer uma, uma dica: NÃO O FAÇA. São umas verdadeiras bestas. Sempre te perguntando coisas idiotas, irritando a cada instante, te perseguindo por todo o lado, tsc... até chegaram ao ponto de me seguir até a casa e enviar cartas... — estava surpreendido por o jovem estar desabafando comigo e não com outro alguém, desabafando com um desconhecido que não sabia como responder e reagir pois eu não era profissional nestas coisas, resumindo, em nada. Eu apenas seguia com os meus olhos todos os seus gestos e mudanças de humor. — Por falar em cartas...eu antes de sair de casa recebi uma carta anónima de alguém que sofreu muita na vida, espera ... — o jovem começou a mexer na sua mala enquanto eu ficava um pouco ansioso para saber o que ele ia dizer, vi-o a tirar de lá uma pequena carta e a abri-la. Ele esticou sua mão com a carta para eu pegar e ler o que lá estava escrito. Eu peguei com todo o cuidado para não rasgar nem amassar e comecei lendo. O meu estado de humor mudou depressa, meu coração pareceu ficar fraco, meus olhos começaram a correr dum lado para o outro e as minhas mãos tremendo. Aquela carta era minha, sobre minha terrível vida, o dono da minha antiga casa era ele....Levantei meus olhos na direção do jovem que se encontrava confuso com a minha reação. — Naruto? — me chamou o jovem que agora era dono da minha antiga casa, eu não sabia se devia contar a verdade, eu nasci habituado a não mentir para ninguém, não seria capaz de mentir, principalmente a ele. Estava decidido.
– Sasuke, essa carta...
– UCHICHA SASUKE? VOCÊ AQUI? QUE GENTE QUE AQUI VEM! HÁ TANTO TEMPO ! — de repente entrou disparada uma garota, com uma voz bastante irritante e se pendurou na porta com um sorriso do tamanho do planeta. A garota até podia ser bonita e se vestir tão bem como o jovem bonitão mas podia se ver que não era de confiança e difícil de aturar. Seu cabelo era loiro, um pouco mais claro que o meu, longo mas preso, seus olhos eram azuis marinhos como o oceano, seu corpo era perfeito para uma garota. Eu não sabia avaliar muito bem ninguém mas dava para entender que a garota tinha muitos concorrentes mas ela só queria um. Já estava entendendo tudo, ela iria ser minha rival. Rolei os olhos e comecei fazendo algo, algo que não fosse olhar para eles dois.
– Ah é você... que quer? Não me diga que também vai. Nossa, eu estava pensando que me livrei de todas vocês.- a cara de preocupado do Sasuke mudou para uma cara de irritação, fiquei feliz por dentro que ele não tinha interesse nenhum nela. 1-0 garotinha vaidosa!
– Ai Sasuke-kun você continua o mesmo engraçadinho de sempre. — riu ironicamente a loiraça e dum momento para o outro olhou para o meu lado, aí eu me senti perturbado. — Estou vendo que você já arranjou companhia é Sasuke? — me olhou de baixo para cima com um olhar dessatisfeito e voltou seus olhos azuis nos olhos ônix dele. A maneira de como ela me encarou era exatamente tal e qual à maneira de como todos me olhavam antes. Estava mesmo vendo que me ía dar mal em Hogwarts também.
– Não é do seu interesse, agora se não se importa faça o favor de sair. — o jovem moreno se levantou e empurrou a loira pelas costas que se encontrava confusa. — Claro que não se importa. Adeus. — levou a loira para fora da sala e fechou-lhe a porta na cara, acenando com um sorriso irónico nos seus lábios que mudou logo para um suspiro de alivio.
Eu nem comentei o passado ali, me mantive calado durante o caminho inteiro, ele nem se lembrou do que estávamos falando antes e isso me aliviou bastante. Passamos o caminho todo silenciosamente, sem ninguém estragar o silêncio que lá reinava. Estávamos já nos aproximando do destino e eu me sentia cada vez mais nervoso e ansioso por saber como aquilo era. Enquanto pensava nisso tudo, mexia minhas pernas de baixo para cima como se tivesse tremendo, o moreno só me observava e ria do meu estado.
O comboio parou, começou a ouvir-se ruídos e murmurinhos por todo o lado, o moreno abriu a porta para observar a situação, já estavam todos saindo das suas salas e se preparando para sair. Eu me levantei e fui atrás do moreno, a gente começou se metendo em fila até que fui empurrado por outros garotos que se meteram logo à minha frente e se riram da minha cara de assustado. Eu senti-me perdido pois o moreno já se encontrava muito mais à frente enquanto eu era empurrado por mais idiotas que viam que eu não lhes fazia absolutamente nada. Sim eu não prestava mesmo. Comecei me metendo em bicos de pé, procurando pelo moreno, meu coração estava acelerado, eu tinha medo de perder o meu único amigo naquele momento e nunca o voltar a ver, queria que o desejo dele de ficar junto comigo em Hogwarts se concretizasse mas aí estava tudo falhando.
Finalmente o avistei, ele estava quase à beira da saída, seria difícil passar por toda a gente agora e ir até ele, ferrei o lábio sem nenhum plano. Não sabia como o chamar a atenção, tinha vergonha, ou era agora ou nunca. Gritei o nome do moreno uma vez mas ele não reagiu, não deve ter ouvido, gritei ainda mais alto e muitas pessoas se viraram me observando de baixo para cima. Outra vez estes olhares... Tentei ignorar e continuei chamando, já ouvindo gente a reclamar de tanto me ouvirem. O moreno nem me deu ouvidos, continuou parado na fila sem sequer olhar para trás, até que a gente começou saindo do comboio. Eu fiquei parado no sítio e aí a gente se encheu de fúria e começou berrando comigo : " Se mexa moleque" ; " Não temos a tua vida cara" ; " Ou vem ou fica aí ué" ; " Pare de berrar e vá para a frente" ; "Não se esqueça que atrás também existe gente". Irritantes... Pela minha admiração essas palavras todas passaram pelos meus ouvidos como se fossem vento, nem prestei atenção nelas, estava tentando chamar o moreno que parecia não ouvir, tentei ser positivo e pensar que ele estava apenas de fones. Tentei ultrapassar algumas pessoas à frente para me chegar mais perto do jovem e ignorar os insultos.
– SASUKE! — gritei pela última vez já me encontrando mesmo atrás das costas do moreno, esse nem ligou, desceu as escadas do comboio com as mãos nos bolsos, olhando para os lados já rodeado de garotos e garotas. Eu estava mesmo confuso com aquilo. O que eu podia ter feito de ruim para ele me ignorar? E novamente eu me encontrava sozinho, abandonado por todos, até pelo meu vizinho de sala que foi dono da minha antiga casa e dono do meu coração. Foi bem jogado. Claro, um idiota como eu cair nessa, o que eu esperava? Que todo mundo começasse gostando de mim dum dia para o outro? Pelos vistos eu ficarei sozinho para sempre.
Enquanto estava nos meus pensamentos, segurava com a mão na alça da mala pendurada no meu ombro, parado no meio do caminho, enquanto todo mundo passava por mim e me empurrava como se eu não existisse.
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