Acorrentados
9 Enigma
Mello induziu-me para que informasse ao Departamento de Investigação Criminal do FBI que a SPK e o Grupo de Investigação Japonês estariam se encontrando em breve. A SPK chegaria ao Japão em apenas três semanas e eu deveria estabilizar as investigações até lá. Assenti e encerrei a ligação.
Eu não estava tão frustrado quanto a situação pedia. A lógica e os sentimentos não andavam juntos, esta era uma das coisas que L deixava claro enquanto vivo. Certa vez disse que quando estamos a lidar com pessoas, temos que nos lembrar de que não estamos lidando com criaturas de lógica, e sim com criaturas de emoção, criaturas animadas com preconceitos e movidos pelo orgulho e vaidade, e não literalmente com suas mentes e respectivas capacidades mentais. Uma pessoa é capaz de perder 60% de suas habilidades cognitivas assim que deixa as emoções como principal forma de controle, e segundo ele, 40% são perdidas pelo fato de não se sentar da maneira “correta”.
De qualquer forma, estava relativamente calmo com a situação. Sabia que, mesmo falando todas essas coisas sábias e precisas, no final L não conseguiu me superar. Isso prova que minhas táticas mentais são e sempre foram infalíveis.
Naquela semana, eu havia pesquisado tudo sobre o caso dos assassinatos em série de Los Angeles, ou o estranho caso do boneco de palha. E tudo ficou claro em questão de segundos.
Este caso foi importante, tanto para o caso Kira como para o próprio L, já que foi o primeiro caso pelo qual L se fez chamar Ryuuzaki. O fato do caso BB de Los Angeles envolver os olhos de Shinigami, facilitou para L descobrir do que realmente se tratava o caso Kira. A princípio, creio que L achava que Beyond Birthday era Kira, antes de me ter como principal suspeito.
Misora Naomi foi o corpo, olhos e escudo de L durante todo o caso, e deduzi que L sabia quem era o culpado desde o inicio, já que a guiou diretamente para ele. No final, B tentou se queimar vivo, porém sem êxito. Dizem que até hoje ele possui a pele mais avermelhada em algumas partes, e cicatrizes que nem o tempo pôde curar. Mas não houve nenhuma deformação de sua face, o que significa que ele ainda possui sua suposta semelhança com o L.
De alguma forma, ele estava de volta, o que fez perguntar-me o porquê de não tê-lo matado antes, e deve ser por esse motivo que eu precisava matá-lo agora. Eu não sabia se a hipótese de Near, B e Mello trabalharem juntos era a verdade, mas de qualquer forma B tinha que morrer, antes que o Death Note que estava com ele parasse em mãos erradas.
Eu sabia que o Death Note ainda estava com ele, pois no dia 5 de outubro houve três mortes totalmente fora dos padrões de Kira. A primeira, às 4:15 da manhã, Shine Sarvic foi morto com uma machadada na cabeça por uma garota de 15 anos chamada Sheyla Stone, em uma vila no condado de Óregon. Pude constatar através de pesquisas que ele mantinha suas formas típicas de matar. Depois, a garota retirou os olhos do cadáver, e se matou através de asfixia às 4:43.
A segunda, 7:21 da manhã, um homem chamado Paul Price matou uma mulher chamada Partiner Parvin através de desmembração em um apartamento trancado na Califórnia, fazendo-a sangrar até a morte. Logo depois, se matou com um tiro na boca às 7:49.
E por fim a terceira, às 12:43, Kiroshi Katamura, homem de 28 anos e escritor autônomo que assinava com vários codinomes, matou Kishan Kantomi e a si mesmo jogando ambos do 13° andar de um prédio comercial no centro de Tóquio.
Não pude deixar de perceber que Beyond estava se divertindo com o caderno, controlando a ação das pessoas para fazerem-nas matarem outras antes de morrer, e eu tinha certeza de que Near não estava a par desta situação. Mas algo me chamou a atenção...
O último assassinato era o único que possuía apenas um horário de morte, enquanto os outros possuíam dois, um para cada pessoa. Porque ele matou de forma diferente desta vez?
E foi então que eu percebi a inteligência oculta nas entrelinhas do caso.
As iniciais dos envolvidos do primeiro assassinato do dia 5 de outubro eram a letra S.
As do segundo assassinato, P.
E as do terceiro assassinato, K.
SPK.
Vendo seu histórico no caso BB de Los Angeles, pude perceber que ele usava muito os horários e datas para montar enigmas. Observando os horários do primeiro e do segundo assassinato, pude perceber que havia um espaço de 28 minutos entre eles.
E o terceiro só possuía um horário, que era 12:45. Acrescentando 28 minutos à ele, tínhamos 13:13.
Juntando o algarismo 1 com 3, se tem a letra B. Mas esta era uma conexão perdida, assim como o fato dos dois primeiros assassinatos terem ocorrido nos Estados Unidos, e apenas o último no Japão.
Uma ótima lógica, tinha que admitir. Ele realmente afirmou sua mente brilhante.
Em relação aos locais dos assassinatos, demorei dois dias para descobrir o enigma que havia ali.
Juntando a primeira e a última letra do nome de cada local, têm-se o nome Oncato. Aparentemente este nome não fazia sentido algum, mas descobri um edifício comercial de alta segurança que se localizava em uma rua de mesmo nome no centro de Kanto.
SPK. 13:13, Rua Oncato. Beyond dera a localização de onde a SPK estava prestes a se instalar dali a três semanas. Mas isso de nada me servia, já que eu não sabia o nome de seus integrantes e tampouco como adentrar o edifício.
Eu precisava de novos olhos. Alguém disposto a fazer o acordo com um shinigami por um bem maior. E eu sabia quem era o bastardo... Ryuk o encontraria para mim. Eu seria o seu deus, e ele seria meu servo justiceiro. E Beyond Birthday estaria com seus dias contados.
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