Notas iniciais
Blá blá blá já sabem né? Haha Espero que gostem!

O garoto entrou, meu contrariado. Dava pra ver que ele não queria nem ter saído de casa. Ele não era como eu imaginava. Na verdade, ele se parecia mais com Lyan Roadmore.

Na verdade... Bem, na verdade ele era Lyan Roadmore.

Fiquei meio paralisada por um pequeno instante.

Então, eles eram os pais de Lyan...

"Minha mãe quase nunca ficava em casa, e eu aposto que não era por culpa do trabalho, afinal, ela troca de namorado como troca de roupa..."

"Agora com esse novo namorado que se parece mais um babaca que me quer chamando-o de pai"

Ele tratou de me cumprimentar para manter as aparências:

– Olá, Samantha.. Samantha, correto? — ele sorriu.

Aquele sim parecia um sorriso verdadeiro.

– Correto — eu nem preciso dizer que já estava sorrindo igual uma boba alegre — Prazer em conhecê-lo.

Ele piscou pra mim. Eu sorri.

–Okay, vamos para a sala de jantar agora, eu não quero me gabar nem nada, mas fiz um assado incrível — disse minha tia, conduzindo os convidados para a sala de jantar.

Nos sentamos todos na mesa: Minha tia ao meu lado, Kim do outro lado da mesa ao lado de Jonathan e Lyan de frente pra mim.

Ao contrário do que pode parecer, eu não fiquei olhando pra Lyan dando sorrisinhos bobos e piscadelas.

Eu estava com meus olhos cravados naquela Kim Jhones. Tinha algo errado com ela. Algo que eu não conseguia engolir.

Mesmo enquanto ela ria e conversava com os outros, tinha um olhar, ou talvez um sorriso nela, algo cínico, que embrulhava meu estômago.

Eu dava algumas garfadas na comida de vez em quando, mas minha atenção estava sempre virada para ela.

Foi quando, ao olhar atentamente, percebi que ela estava usando um colar. Com um pingente.

Aquele colar era bem parecido com o que meu pai havia dado de presente pra minha mãe em seu aniversário. Ao perceber a parte riscada na lateral do pingente, tive certeza. Era o mesmo colar.

Nessa hora senti vertigens, quase vomitei.

Lembro de ouvir minha mãe dizer que o adorava, brincava até, dizendo que queria ser enterrada com ele...

E agora ele estava ali, pendurado no pescoço de uma mulher que parecia ter uma nuvem negra sobre sua cabeça.

Meu estomago queimava, e nem sei porque agarrei a toalha da mesa, como se assim a dor fosse passar.

Respirei fundo, mas eu continuava a agira como se nada estivesse acontecendo. Não sei se funcionou, mas pelo menos ninguém percebeu.

Eu queria sair dali, tomar um pouco de ar. Sair daquela atmosfera pesada.

Para minha sorte, Mariane pediu para que eu fosse à cozinha buscar a sobremesa.

Fiquei tão feliz por dentro, que me levantei de uma vez, louca para dar uma volta.

Mas eu havia esquecido de um pequeno detalhe: a toalha de mesa.

Só percebi quando dei os primeiros passos e ela veio junto.

Tudo sobre a mesa se moveu bruscamente, e as taças de vinho tombaram, manchando a toalha. E a roupa de Kim.

Manchou um pouco sua blusa de seda, e ela não se levantou a tempo de sujar o resto.

Eu ri por dentro. Mas por fora, pedi desculpas, claro.

Meu pai se levantou sobressaltado, e tentou ajudar Kim, que estava imóvel, me fuzilando com o olhar. Se eu tinha alguma dúvida, naquele momento tive certeza que Kim Jhones me O-D-I-A-V-A.

Meus olhos rapidamente passaram por Lyan, que surpreendentemente estava com um sorriso discreto nos lábios.

–Eu... eu sinto muito... eu não queria.. — eu tentava parecer preocupada e fingi sentir muito por aquilo.

–Não.. está tudo bem, só.. — ela respondeu, mas somente eu devo ter sido capaz de sacar sua ironia. Ela estava ficando irritada.

–Puxa, Samantha, você não mudou nada hein?- meu pai começou, ajeitando as taças e os outros talheres sobre a mesa- Desastrada como sempre...

Fui tentar ajudá-lo e só piorei as coisas. Derrubei uma taça novamente, fazendo-a se estilhaçar no chão. A poucos milímetros do pé dela. Fazendo voar alguns cacos em seu tornozelo. Foi a gota d'água.

– Oh, eu sinto mui--

– Como se não tivesse sido de propósito- ela me interrompeu, soando seca. Percebi que estava se segurando pra não ser mal-educada.

– Me desculpe? eu não acho que.. quer dizer, eu sou meio --

– Desastrada? Imprudente?

– Perdão? — eu estava surpresa, né.

–Você é igualzinha à sua mãe, garota. Isso é decepcionante.

–Kim, não seja rude — meu pai soava surpreso também, tentando consertar as coisas. Não estava funcionando muito bem.

Mas eu também não podia deixar que ela falasse assim comigo.

– Você deveria medir suas palavras, Kim. Afinal, você veio à minha casa, como convidada, pra me ofender? Ha, deplorável.

– Não seja ridícula, garota. Quem você pensa que é pra levantar a voz pra mim? Pft... Não sei o que ainda estou fazendo aqui, perdendo meu tempo, discutindo com uma pirralha. Não sei você, Jonathan, mas eu vou pra casa dar um jeito nessa roupa. Me desculpe pelo reboliço, Sra. Brookeheart.

Kim saiu estalando seu salto alto, e meu pai foi atrás dela. Provavelmente Lyan deve ter ido, eu não percebi mais nada que estava à minha volta.

Apenas saí, mas fui para a varanda, sem me importar muito com a sujeira que havia deixado para trás.

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Lá fora o ar estava úmido e uma leve brisa fria fazia meus cabelos se desalinharem.

Sentei me em um velho banco de madeira que havia na grama e suspirei fundo.

Eu sendo Samantha novamente. Eu não queria ter estragado tudo, queria que Mariane se orgulhasse de mim.

"Você é igualzinha sua mãe, garota.."

Aquela frase ecoava em meus pensamentos. Teria Kim conhecido minha mãe no passado?

Estava tão perdida em meus pensamentos que quase não ouvi alguém dizer:

– Samantha? Oh, Você está aí então.

Virei-me procurando as palavras certas para me desculpar com minha tia.

Mas era Lyan quem estava ali parado.

–Pensei que você tivesse ido embora também — eu disse, sem me importar muito.

Ele se aproximou e sentou do meu lado.

– A sua mãe não vai com a minha cara.- eu falei, cruzando os braços.

Ele riu:

–Já te disseram que você parece uma criança com seus atos, não já? Eu percebi bem que vocês não combinaram muito.

– O mundo é muito pequeno.. Sua mãe, meu pai...

–Sim — ele sorriu — nem mesmo eu sabia disso. Ele já havia me falado de sua filha certa vez, mas eu não imaginava que ela fosse a garota esperta de olhos verdes que eu conheci em um bar.

Eu olhei pra ele, e seus olhos (Oh, aquelas piscinas claras) pousaram nos meus.

Com toda a agitação da noite, eu não havia percebido como ele estava bonito.

A fraca iluminação que vinha da rua realçava a cor de seus olhos e de seu sorriso.

Eu poderia aceitar a hipótese de que estava começando a gostar dele?

"Que isso hein, Samantha? Deu de ficar romântica agora?" pensei.

Ficamos ali sentados, eu e ele. Conversávamos banalidades, ríamos como jovens tolos. Até me esqueci do incidente anterior.

– Tenho que ir pra casa.. bem que eu queria ficar mas..- ele disse, e eu chorei por dentro (exagero hein, quem é você e o que fez com Samantha). A mãe dele provavelmente não iria querê-lo aqui por mais tempo.

– Tudo bem.. eu.. até a próxima então. — eu sorri.

Ele se levantou e disse, antes de sair:

– Só não sinta muito a minha falta.

"Vou tentar" pensei.

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Entrei em casa novamente. Minha tia estava na cozinha e percebi que ela já havia limpado toda a bagunça. Me senti mal por aquilo.

Subi as escadas sem que ela me visse, e fui para o quarto.

Troquei de roupa e me joguei na cama.

Meus devaneios me levaram ao momento em que vi o colar no pescoço DELA.

Como meu pai pôde fazer isso? Presentear à outra mulher a lembrança mais viva de sua esposa, com a qual construiu uma verdadeira família!

Percebi há muito que ele já não amava Lauren, muito antes... disso tudo. Lauren.. ainda sinto falta dela.. minha mãe.

Com lágrimas pelo rosto, sem perceber caí no sono.

Notas finais
O próximo capítulo... Ah, quer saber? Deixa pra lá.. Vocês já sabem mesmo Hahaha
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.