Acordo com o Duque
2 Capítulo 2 - Um encontro interessante
"Se levantem de imediato de seus sofás e suas camas, caros leitores, pois eu, como sempre, trago as novidades mais frescas (ou deverei dizer, mais quentes) da semana. Chegou à minha atenção que o Duque Fitzwilliam Mayfair, o cobiçado solteiro de Londres, regressa à cidade para a sua primeira temporada social, após dois anos afastado das luzes da sociedade por..."
— Por Deus, mãe! — Resmungou Fitz, sentado na sala de jantar, enquanto tentava tomar seu café da manhã em paz, longe de qualquer tipo de interação social matinal. Infelizmente, a chegada daquele odioso folhetim de cuscuvilhice barata que todas as senhoras pareciam apreciar, veio transformar uma refeição perfeitamente tranquila num rol de fofoquice que a sua mãe, a Duquesa de Malbourough, insistia em ler com o máximo de entusiasmo — Mas o que me interessa o que esse sujeito reles tem para dizer.
— Mas deveria — Retorquiu a duquesa. Em todos aqueles anos, nunca tinha entendido como é que ela, a pura vivacidade da sociedade, por vezes histérica e obcecada com fofoquice, tinha dado à luz um garoto tão ácido, tão irónico — Especialmente porque falam sobre você. E bastante bem, devo acrescentar.
— Exactamente por isso — Fitz engoliu seu café, com esperança de se apressar para o conforto do seu escritório, onde estaria a salvo das investidas da sua mãe relativamente ao baile daquela noite, que daria início à temporada social — Consigo tolerar o escárnio, e até apreciar a coragem do autor, mas anunciar a minha chegada como se do príncipe se tratasse é verdadeiramente indignante. Imagine a quantidade de incómodos que terei esta noite.
A mãe fitou-o, visivelmente aborrecida.
— A quantidade de donzelas bonitas e interessantes dispostas a dançar consigo? — Contrapôs ela — Oh, sim, deve ser um tormento tão grande, que nem sei como o menino suporta!
Fitz revirou os olhos.
— Não seja irónica, mãe. Sabe que não tem jeito para isso.
— Como você, ninguém tem. Sabe, Fitz, se não tivesse tanta vontade de o ver casar, por vezes gostaria de ver uma jovem tão ou mais sarcástica como o menino. Provaria certamente o seu próprio veneno.
— Está para nascer tal dama — Foi a resposta — Se a mãe não se importa, irei recolher-me.
E, antes que a mãe se pudesse lançar na continuação do folhetim, Fitz dirigiu-se ao escritório, lançando-se nos seus afazeres diários. A duquesa calçou as luvas e saiu, pronta a comentar as cuscuvilhices com todas as senhoras que encontrasse pelo caminho.
A mãe, como aliás não perdia oportunidade de referir, insista que Fitz se deveria casar. Um duque rico, com posição social, bonito, agradaria a qualquer jovem solteira, especialmente as ricas e desesperadas. A duquesa podia ser espalhafatosa, mas não deixaria que o filho escolhesse uma noiva sem classe, sem o pedigree natural de uma senhora bem nascida. Um bom dote, muitas jovens tinham. Um comportamento irrepreensível, meia dúzia delas, se tanto.
Era evidente que, enquanto Fitz se dedicava à sua correspondência, aos seus negócios, às passeatas noturnas até ao clube, que a mãe já havia feito conversa com todas as famílias mais influentes de Londres, a fim de desencantar o melhor partido para o filho. Elizabeth Johnson agradava-lhe. Era uma jovem modesta, simples de aspeto mas refinada de costumes. Riquíssima. Não conhecia a filha mais nova dos Browley, mas a mais velha era um regalo para a vista. Tinha tido diversas oportunidades de se comprometer na temporada anterior, e uma jovem que não se atirava ao primeiro noivado conveniente era bem vista aos olhos da duquesa. No entanto, a jovem parecia indiferente à ideia de casar. Talvez fosse necessário procurar uma jovem mais... Maleável às ideias casamenteiras da duquesa.
As horas passaram demasiado depressa, na opinião de uns. Para outros, como Anne Browley, avançavam vagarosas e inquietantes. Ainda fazia calor, apesar de ser Novembro, e a jovem passarinhava pelo seu quarto, já completamente vestida, abanando-se com um leque.
A irmã abriu a porta, espreitando para o interior da divisão. Vestia um robe de quarto e chinelas de cetim. Tinha os cabelos soltos.
— Até que enfim, Catherine! — Queixou-se Anne — Estou aqui à espera que me ajude com o cabel.. — E nisto, girou sobre os calcanhares e encarou a irmã. Quase que desfaleceu — Mas, irmã! Ainda não está vestida? Quer que cheguemos tarde ao baile de Lady Clarke?
— Relaxe, irmã, chegaremos mais que a tempo — Catherine fez sinal para que a irmã se sentasse sobre o seu toucador. Anne obecedeu, sentando-se em frente ao espelho. Catherine pegou na sua escova — Está nervosa, Anne?
A rapariga fez que sim com a cabeça. Não possuía a confiança nem a indiferença à crítica de Catherine, sendo mais sensível e frágil que a irmã. Era imprescindível causar uma primeira impressão à sociedade.
— Perdoe-me, irmã. Trago-lhe algo que a vai agradar — Disse Catherine. Pousou o folhetim de Wintergarden sobre o pequeno toucador e pegou na escova, demorando-se a desembaraçar os caracóis alourados da irmã.
Anne apressou-se a ler. Finalmente algum tipo de novidade sumarenta, logo antes da temporada.
— Não fala em si — Comentou ela, com tristeza.
— Abençoado seja — Foi a resposta — Dispenso publicidade barata a meu respeito. Ou qualquer outro tipo.
— Dispensa que a mamã lhe faça a conversa do casamento, quer a irmã dizer — Brincou Anne. Catherine encolheu os ombros.
— Pode fazer a conversa que quiser. A mamã sabe que eu pretendo outras coisas.
— Pode perfeitamente viajar com o seu marido.
— E com uma trupe de crianças atrás? Anne , não seja ridícula — Pousou a escova, segurando os ganchos — Não se trata apenas de viajar. Quero ir a clubes, participar em debates, escrever críticas. Se soubesse, querida irmã, o deleite que é a discussão acesa com um homem! Todo o seu ego inchado pelos costumes ridículos da sociedade explode como uma bexiga de porco inchada!
— É incorrigível — Anne riu-se — E até poderá mesmo consegui-lo. A minha querida irmã e irmão mais velhos são os preferidos do nosso pai, bem o sabem. Já eu...
— É a favorita da mãe. Ela adora-a, Anne. Adora ensina-la a ser uma senhora, vesti-la como uma princesa e... A Anne também gosta.
— Não posso negá-lo — apanhou o olhar de Catherine no espelho e sorriu-lhe — Confesso que não me sentia tão viva desde a sua estreia, na temporada passada.
— Uma tortura que não desejava repetir.
— Foi assim tão mau ter a atenção de dezenas de cavalheiros bonitos?
Catherine afastou-se para contemplar o penteado da irmã. Decidiu que necessitava de umas flores. Afinal de contas, era a estreia de Anne, e tudo faria para que fosse perfeita.
— Admito que é bastante agradável. A lisonja cai muitíssimo bem em qualquer mulher. Os elogios, as flores, um outro poema que me permite horas de riso.
— Não me parece que a poesia que lhe é dedicada tenha esse o objectivo.
— Mas tem esse efeito em mim! Compararem-me a uma ninfa, imagine! Agradou-me em especial aquele que fazia rimar os meus cabelos escuros com segredos obscuros. Muito... Imaginativo.
— Eu achei romântico.
— Que surpresa. A Anne acha tudo romântico. A meu ver, há meia dúzia de verdadeiros amores, eternos e duradouros. Tudo o resto não passa de inclinações etéreas e facilmente esquecidas.
— Mas aqui está uma inclinação que não me importaria — Comentou Anne, ao passar os olhos pelo folhetim — O Duque de Malbourough regressou a Londres.
— E...?
— E um solteiro rico, bonito, aristocrático não faz tremer o seu coração?
— A menos que indiferença seja uma emoção, não.
— Nem um bocadinho de entusiasmo? Um certo nervosismo na barriga?
— Agora que o refere... Realmente sinto um pequeno ardor. Certamente será... Azia.
Anne revirou os olhos.
— Oh, Catherine, é incorrigível!
— Completamente. Que lhe parece o penteado?
Anne levantou-se, admirando-se ao espelho. Sorriu.
— Perfeito — Admitiu — Devo arranjar o seu como agradecimento. Sente-se.
— De modo algum — Recusou a irmã — Ainda há muito que fazer. Um simples apanhado servirá perfeitamente, não há necessidade de a incovenienciar.
— Bem... De qualquer forma sei que irá estar lindíssima, tal e qual como uma vénus — Disse Anne, sorrindo, lembrando-se da comparação que um certo cavalheiro havia feito a Catherine, num rol interminável de versos que dirigira à irmã.
— Isso, brinque, ao primeiro verso mal conseguido que lhe seja dirigido, não perde pela demora! — Brincou Catherine, rindo-se. Saiu para o seu quarto, a fim de se arranjar convenientemente.
(...)
— Lady Clarke — Cumprimentou Lady Browley, fazendo uma pequena cortesia — Muito agradecida pelo seu convite tão amável.
— É uma honra — A voz de Lady Clarke era nasalada e aguda, e as filhas não lhe ficavam atrás. Pavoneavam-se pelo salão de baile como duas jarras a condizer, vestidas de cores garridas, que destoavam de todos os outros convivas.
— Certamente que se recordará da minha filha, Lady Catherine — Catherine fez uma cortesia, aborrecida, mas educada como sempre — E permita-me que lhe apresente oficialmente a minha filha Anne, que se estreia nesta temporada.
— Encantada. Espero que ambas se divirtam.
— Certamente, minha senhora — Respondeu Anne, com um largo sorriso. Agarrou no braço de Catherine e ambas desapareceram por entre a multidão.
— Olhe – Anne puxou a irmã, apontando para uma figura ao fundo do corredor. Lá estava o príncipe Andrew, envolto numa conversa amena com um grupo de senhoras. Avistou-as, sussurou qualquer coisa a uma das senhoras e avançou pelo corredor.
— Ele está a vir para aqui! – Anne susteve a respiração, enquanto o príncipe se aproximava, parecendo ainda mais garboso no seu uniforme azul.
— Minhas senhoras – Cumprimentou ele. Nesse momento, todo o salão, fora os pares ocupados a dançar, os fitava. Catherine estava impassível, não mostrando qualquer falta de à vontade por ter mais de 50 pares de olhos a fitá-la. Anne, por seu lado, sentia-se profundamente envergonhada – Permitam-me que me apresente. Sou um príncipe Andrew, das Astúrias.
Fez uma vénia. As duas jovens responderam com uma cortesia baixa. A atenção do príncipe era sempre uma honra para qualquer jovem. Louis, que pairava à distância, aproximou-se de imediato.
— Muito prazer, Vossa Alteza – Cumprimentou ele, com uma vénia. Já conhecia o príncipe, sendo ambos frequentadores do mesmo clube social – Permita-me que vos apresente as minhas irmãs, Catherine e Anne.
— É uma honra, Vossa Alteza – Disse Anne, baixinho, com um sorriso envergonhado.
— Deveras – Acrescentou a irmã – Se me dão licença, vejo a minha queria amiga Elizabeth, chegou agora com os Johnson. Com a vossa licença – E, antes que Louis pudesse tecer algum tipo de comentário, afastou-se.
— Lady Anne – Chamou o príncipe – Seria muito ousado pedir-lhe um espaço no seu cartão de dança?
Anne, que ainda não tinha sido convidada para dançar, lançou um olhar ao irmão. Para ela, a aprovação dos irmãos era fulcral. A mãe ficaria contente com qualquer tipo de arranjo conveniente e o pai mostraria a indiferença do costume. Apenas tinha olhos para os filhos mais velhos, mais liberais, com mais convicções. Louis dirigiu-lhe um aceno de aprovação e afastou-se elegantemente.
— Com certeza, Vossa Alteza – Disse ela, tentando mostrar-se tão polida e refinada quanto a irmã mostrava ser (quando não tinha outra escolha). Estendeu-lhe o cartão e o pqueno lápis. O príncipe Andrew demorou-se a preencher o seu nome, estendendo-o novamente à jovem.
— Espero que não considere uma impertinência ter solicitado duas danças – Disse-lhe ele.
Anne olhou para o cartão, surpreendida. Sorriu.
— Não, de todo.
O príncipe ofereceu-lhe o seu braço.
— Vamos?
Anne deixou-se conduzir para a pista de dança. Tinha praticado o suficiente naquele verão, maçando os irmãos até à exaustão, aperfeiçoando a arte de se deixar conduzir sem pisar os seus pés.
O duque por fim chegara, acompanhado pela mãe. Dirigiu breves palavras de cortesia à anfitriã, bem como às suas duas filhas, que pareciam abutres esfomeados, esperando carne fresca, e escapou-se para a tranquilidade de um canto.
— Se dançar com um jovem esta noite, podemos então retirar-nos?
A mãe suspirou, exasperada. Amava o filho, mas a persistência dele tirava-lhe anos de vida.
— Como queira.
Uma luz ao fundo do túnel aos olhos de Fitz. Explorou a sala cheia de jovens, com os seus penteados demasiado elegantes e os seus risinhos infantis, procurando uma com a qual dançar não fosse um perfeito aborrecimento.
Catherine estava junto da amiga, numa conversação amigável. Elizabeth vinha ofegante. Tinha acabado de dançar uma dança rápida com um jovem e ansiava pela opinião sincera da amiga. Envolveu o braço no dela enquanto circulavam em torno do salão.
Ele é tão agradável, tão educado, tão seguro. Catherine, minha querida amiga, rogo-lhe uma avaliação completa dele. Que opina sobre o seu semblante?
— Não está mal, é até bastante agradável à vista.
Elizabeth sabia que havia algo mais.
— Mas...
— Tem os dentes tortos. Por Deus, parecem peças de piano desencaixadas!
Elizabeth riu-se.
— E do seu carácter?
— Aceitável... Para quem gosta de o ouvir gabar-se sobre a sua predilecção pela caça cinco vezes por dança. Mesmo assim, é um bom partido para ti, se o entenderes.
Vinham tão entretidas na conversa que quase esbarraram com um cavalheiro.
— Mil perdões! — Apressou-se Elizabeth a dizer. Era um jovem que nunca antes haviam visto, mas que lhes era vagamente familiar.
Fitz fez uma pequena vénia a ambas as jovens, dirigindo-se em seguida à mais bonita das duas. Tinha um ar distinto, desapegado e refrescante. Conseguiria não o aborrecer durante uma dança.
— Minha senhora, dar-me-ia a honra da próxima dança?
Elizabeth inspirou demasiado alto. Catherine deu-lhe uma cotovelada discreta, que mesmo assim não escapou ao olhar de Fitz, que se esforçou para manter a compustura e não se rir.
— Meu senhor, agradeço, mas...
Ela está encantada — Apressou-se Elizabeth a dizer. Catherine fulminou-a com o olhar mas, ao lembrar-se do quanto a deixariam em paz se a cedesse a uma única dança, aquidesceu.
Fitz estendeu a mão. Catherine, com relutância, entregou-lhe o seu pequeno caderno, que foi preenchido com uma caligrafia pequena e perfeita, quase feminina. Ofereceu-lhe o braço e Catherine seguiu-o para o centro do salão.
Elizabeth olhou em volta. Anne estava ocupada, a sorrir nos braços do príncipe Andrew, a segunda dança de ambos naquela noite. Avistou a mãe das jovens, conversando alegremente com Louis, que parecia cansado. Aproximou-se deles.
— Boa noite, Lady Browley.
— Perdeu a minha filha, Menina Elizabeth?
De todo. Aliás, penso que consegui um milagre. Consegui que a minha queria amiga aceitasse um convite para dançar.
Apontou com a mão enluvada para a pista de dança. O queixo de Louis quase caiu até ao chão, e uma surpreendida Lady Browley quase deixou cair a sua máscara de perfeição constante.
— Mas... A menina sabe de quem se trata?
— É um cavalheiro deveras familiar — Admitiu Louis.
— É mais que isso. Aquele, crianças, é nem mais nem menos que o duque de Malborough.
— O duque? — Repetiu Eliza, contentissima — Oh, saiu a sorte grande à Catherine!
— Veremos. Mas confesso que me dá muita alegria ao vê-la dançar.
Anne, na pista de dança, deixou-se rodopiar pelo príncipe. Ao ver a irmã, fitou-a, de olhos muito abertos.
— Sente-se bem, Menina Browley?
Anne fitou o seu parceiro, com um sorriso tranquilo.
— Perfeitamente, Vossa Alteza. Apenas fiquei um pouco surpreendida.
— Com?
— Não o quero maçar com trivialidades.
— Oh, não o considero maçada alguma. Admito que eu próprio tenho gosto em pequenos mexericos.
Anne riu-se. O príncipe era tão bonito, tão elegante, tão fácil de conversar, que ela temia beliscar-se e acordar na sua cama depois de um belo sonho.
— É a minha irmã — Fez sinal para o lado — Nunca a tinha visto dançar, excepto com o meu irmão mais velho.
O príncipe Andrew fitou a jovem. Reconheceu-a de imediato, com uma expressão perfeitamente neutra, a rodopiar nos braços de Fitzwilliam Mayfair.
— E logo com quem — Comentou ele.
— Com quem? — Repetiu ele.
— Não conhece? É o duque de Malborough. Ouvi que tinha regressão à cidade.
— Sim, eu também li algo a esse respeito — Não estava pronta a admitir que lia o jornal de escândalos de Winteegarden — Conhece-o?
— Apenas de vista. É pouco falador. Alguns dizem que é bastante ácido — Comentou o príncipe, sentindo um estranho à vontade com aquela jovem londrina.
— O que explica porque é que a Catherine acedeu a dançar com ele — Comentou Anne, entredentes.
A dança começou e Catherine já se sentia arrependida. Por onde quer que olhasse, notava expressões de surpresa, a recair sobre ela.
— Não sei porque concordei com esta dança — Disse ela, prontamente, sem papas na língua — Estão todos a olhar para mim.
— O duque olhou em volta, sobre o ombro da jovem.
— Não estão a olhar para si, estão a olhar para mim.
— Oh? Deve ter-se em elevada conta para achar que toda a sala o quer adorar.
— A menina é que o disse primeiro.
— Posso saber o nome deste grande conquistador de olhares indiscretos?
— Creio que é justo eu saber primeiro o seu?
— Só porque é um homem não pretendo ceder aos seus caprichos. Eu perguntei primeiro, logo tenho direito a ser a primeira a obter resposta.
Fitz quase se riu. Gostava daquela irreverência tão refrescante, tão diferente das jovens que desfaleciam ou deixavam cair os leques na sua presença.
— Fitzwilliam Mayfair.
— O duque de Malborough — Comentou Catherine, com uma neutralidade tal como se o jovem tivesse anunciado que a note estava fresca.
— Não parece surpreendida.
— Deveria? Acaso acha que devia suspirar, desmaiar aos seus pés, desfazer-me em sorrisos?
— Nem esperava que o fizesse.
— Não brinque. O ego masculino alimentar-se da devoção e fragilidade feminina.
— Não o meu.
— É assim tão grande que não se permite vacilar? Ou tão pequeno que está condenado a morrer à fome?
— Poderia mostrar-lhe, mas seria indigno — Lançou um olhar divertido às suas partes baixas. Se fosse qualquer outra dama, teria desfalecido. Mas Catherine limitou-se a sorrir ao de leve.
— Dispenso espectáculos tristes.
— Devo interpretar isso como uma ofensa?
Catherine encolheu os ombros.
— Interprete como quiser.
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