Foi difícil para Elisabeta voltar para casa no final do dia. Victoria deu trabalho para dormir, com medo de que Elisa a abandonasse. Então Elisabeta deitou do lado dela na cama até ela dormir, mais tarde do que o normal naquela noite.

Darcy não sabia que Elisa ainda estava na mansão quando entrou sorrateiramente para dentro do quarto da filha, para o típico beijo de boa noite. Elisa quase gritou, tamanho o susto, mas levou a mão à boca a tempo.

— Você me assustou! — ela disse ao patrão. Ou seria noivo? Deus, isso era uma completa loucura.

— Desculpe. Não sabia que você ainda estava aqui.

— Victoria não queria me deixar ir embora, demorou para dormir, tive que deitar com ela até ela finalmente pegar no sono.

— Eu só vim… Ver se ela estava bem.

Darcy olhou a filha dormindo tranquila, a mãozinha pequena ainda segurando a mão de Elisabeta.

— Ela realmente gosta de você. — Ele disse sentando-se na ponta da cama, de frente para Elisabeta.

— E eu gosto muito dela também.

— Eu sei… Obrigado, Elisabeta. Pelo carinho e cuidado com minha filha.

Elisa não disse nada, apenas sorriu para ele, e mesmo na penumbra do quarto ele conseguiu ver o canto da boca dela se mover. Ficaram um tempo em silêncio, ouvindo o leve ressonar de Victoria.

— É melhor eu ir.

— Vai deixar Rogers levá-la de novo, certo?

Ela apenas sorriu e acenou. O homem era teimoso, e ela já havia entendido que em questões como aquela não adiantava ela insistir na recusa.

Darcy beijou a testa da filha e Elisa se comoveu com a cena. Era claro todo o amor que ele sentia pela filha, ela não sabia como um dia chegou a duvidar disso.

Os dois caminharam até o corredor em silêncio. Elisabeta encarou o chão e Darcy colocou as mãos nos bolsos, depois de procurar o que fazer com elas e não encontrar melhor opção.

— Eu vou pedir que Rogers prepare o carro.

— Obrigada. — ela disse ainda sem encará-lo, mas depois o chamou, quando ele já saía em direção à ala dos empregados — Darcy… — De novo aquilo, o soco no estômago que o acometia sempre que ela o chamava pelo primeiro nome — Amanhã precisamos combinar algumas coisas… Sobre… O casamento…

Então ele se deu conta de que aquilo era real, ele realmente se casaria com Elisabeta Benedito. Um calafrio lhe ocorreu, mas ele quase pôde sorrir.

— Claro. Amanhã após o café da manhã. Boa noite, Elisabeta.

— Boa noite, Darcy.

***

Quando Elisa acordou na manhã seguinte, Ludmila já estava sentada na pequena mesa da cozinha tomando uma xícara de café.

— A senhorita tem chegado tarde ultimamente.

— Victoria tem me impedido de vir embora no horário.

— A menina se apegou muito a você.

— E eu a ela.

— Elisa, Elisa… Cuidado com seus sentimentos… Ainda mais agora com essa história de casamento.

Elisabeta fingiu não sentir-se atingida pelo comentário da amiga e sentou-se à mesa, pegando um pão fresco.

— Chegou uma carta pra você. — Ludmila mudou de assunto.

— Da imigração?

— Do Brasil. É de Jane.

Instantaneamente Elisabeta levantou da mesa, indo até o balcão da cozinha onde ficavam as correspondências. Uma carta de Jane! Deus, há quanto tempo ela não escrevia para casa, sua vida estava uma loucura! Deveriam estar todos preocupados. Lhe admirava que dona Ofélia ainda não havia aparecido em sua porta em Londres a chamando de desnaturada.

Querida Elisa,

Quantas saudades! Suas cartas nada se comparam a sua presença e o som da sua voz, mas confesso que sentimos falta de receber notícias suas. Está tudo bem por aí?

Se você não tem novidades a contar, eu tenho. Minha irmã, estou noiva! Ele é o homem mais bonito e carinhoso que já conheci na vida. Ele é tudo que uma romântica incorrigível como eu poderia querer. E agora vamos casar!

Eu gostaria muito que você viesse ao meu casamento, mas entendo que seja complicado, principalmente se os boatos que chegaram até aqui de que as leis de imigração na Inglaterra estão mais rigorosas forem verdade. E foi por isso que venci minha vergonha e pedi a Camilo que fosse com ele à Londres em sua próxima viagem. Ele tem negócios na Europa, e o plano era me levar apenas na lua de mel, mas eu não resisti e pedi que ele me levasse junto antes do casamento, porque eu estava morrendo de saudades da minha irmã que mora em Londres.

Não preciso dizer que dona Ofélia achou um absurdo. Ela falou isso depois de acordar do desmaio, claro. Ela disse que era inadmissível que eu viajasse sozinha com meu noivo antes do casamento. E que as suas ideias mirabolantes atravessaram o oceano para chegar justo na filha mais sensata que ela tinha. Mas papai ficou do meu lado. Camilo é um rapaz extremamente correto e respeitoso, jamais ultrapassaria qualquer limite. E graças a Deus, papai e mamãe sabem disso, então autorizaram a viagem. Quando essa carta chegar até você provavelmente eu já estarei a caminho. Algum dia você imaginou isso, Elisa? Duas Benedito conhecendo a Europa? E que a outra Benedito a fazer isso seria eu? Esperava-se algo assim de Mariana ou Cecília, mas não de mim! Admito que isso me trouxe uma vivacidade nunca antes vista. Estou empolgada! Podemos passear juntas por Londres. E você conhecerá Camilo! Eu sonhei tanto com esse momento!

Estou chegando, minha irmã!

Um grande beijo,

Jane Benedito.



Elisabeta estava em êxtase. Jane, sua Jane estava vindo para Londres! Era a melhor notícia que poderia receber. Elisa chorava e ria ao mesmo tempo. Ludmila assistia a cena confusa.

— Elisa, o que aconteceu? São notícias boas ou ruins?

— Ótimas! Jane está vindo para cá!

— Jane? Em Londres? Sua mãe permitiu isso?

— Ela vem com o noivo. Jane está noiva!

— A princesinha Jane vai casar? Espero que ele seja um verdadeiro príncipe para ela.

— Eu acho bom que seja! Meu Deus, Lud, estou tão feliz! — Ela olhou para o relógio na cozinha — E atrasada! Preciso ir!

— Atrasada para o seu emprego de noiva do lorde inglês? — Ludmila riu e jogou um beijo para a amiga, já na porta.

— Ah, Ludmila, contenha-se.

***

Na casa dos Williamson pai e filha estavam nervosos. Elisa estava atrasada. Ela nunca se atrasava. Será se havia desistido do casamento? Teria tido problemas com os policiais da imigração? Havia sido intimada para a “entrevista de esclarecimento”?

— Papai, será se a Elisa foi embora sem se despedir?

— Ela não faria isso, filha.

— O senhor tem certeza?

— Claro. — Mas ele não tinha. Não tinha certeza de nada naquele momento, nem nada que envolvesse Elisabeta Benedito, afinal ela era imprevisível e surpreendente.

Elisa entrou sem fôlego na sala de jantar.

— Desculpem pelo atraso.

— Elisa! — pai e filha falaram juntos, numa expressão de alívio e alegria.

— Por favor, junte-se a nós. — Darcy convidou, levantando-se.

— Já tomei café, obrigada.

— Elisa, nós vamos ao parque hoje?

— Depois da sua lição de português, mocinha. Mas antes eu preciso conversar com seu pai rapidinho. Termine de comer e depois vá arrumar seu material na biblioteca que já eu chego.

— Me acompanha até o escritório? — Darcy indicou o caminho e deixou que ela fosse na frente.

Chegando no escritório, os dois sentaram-se de frente um para o outro. Elisa estava mais agitada naquela manhã. Darcy não soube dizer se era nervosismo ou ansiedade, mas havia um brilho diferente no olhar dela.

— Está tudo bem?

— Sim. Eu só queria combinar algumas coisas com o senhor.

Darcy a repreendeu com os olhos. Aquilo já estava se tornando comum e extremamente cansativo.

— Elisa, nós vamos nos casar. Você não precisa ficar me chamando de senhor e lorde o tempo todo. Darcy, esse é o meu nome, você sabe.

— É exatamente sobre isso que quero conversar. O… casamento.

Ela ainda relutava toda vez que falava a palavra casamento. Precisaria de tempo para se acostumar à ideia. Casamento nunca esteve nos planos de Elisabeta, e imaginou que se um dia fosse se casar, o faria por amor, e não por um acordo trabalhista.

— Você mudou de ideia? — Darcy sentiu todo seu corpo ficar tenso.

— Não, não é isso. — ela não pôde deixar de notar a expressão de alívio no rosto dele — Mas acredito que precisamos estabelecer algumas… regras.

— Claro, você tem toda razão. Pensou em alguns termos?

— Na verdade sim. Você tem uma folha de papel e uma caneta?

Darcy abriu a gaveta de sua escrivaninha e retirou um papel e uma caneta entregando à Elisabeta.

— O senhor… Você mesmo pode anotar. — Ele puxou o papel de volta para si e ficou à espera dos termos.

— Não haverá nenhuma… obrigação.... Matrimonial. Eu quero dizer, corporal… — Elisa ruborizou. Sexo. Uma palavra, quatro letras. Elisa nunca fora puritana a ponto de não falar sobre o assunto. Mas com Darcy ela sentia-se extremamente constrangida.

— Eu entendi, Elisa. — Darcy interrompeu e escreveu no papel “sem obrigações matrimoniais”

— Você precisará ir em alguns eventos comigo. Não serão muitos, não se preocupe, eu não sou afeiçoado à festas.

A expressão no rosto de Elisabeta foi de desagrado, mas não havia como ela recusar esse termo, afinal ele era um lorde, e lordes frequentavam bailes e reuniões sociais.

— Tudo bem. Mas não dançarei com o senhor.

— Apenas quando for necessário.

— Será necessário? — Ela sabia que seria, mas não custava nada tentar a esquiva.

— Elisabeta… — Darcy riu com o canto da boca. Diabo de mulher teimosa! — O que mais?

— Eu não dividirei um quarto com você!

— Não pensei que dividiria.

— Eu quero um tempo para focar no meu trabalho com… Com a escrita. Gostaria de tentar algo nessa área depois, quem sabe quando a crise regularizar…Mas ainda ensinarei as lições de Victoria, e a levarei para alguns passeios. É só que agora que morarei aqui achei que deveria encontrar uma forma de passar meu tempo… livre.

— Claro! Não sabia que você gostava de escrever! Posso tentar conseguir algo para você na área!

— Darcy, não precisa. Eu só quero um tempo e um espaço para escrever, se possível.

— Com certeza! — Então ele escreveu “uma escrivaninha no quarto de Elisabeta para que ela possa escrever”. — Você usará uma aliança, é claro. — Elisa pareceu engasgar com a própria saliva. — É bem óbvio, na verdade, mas achei de bom tom reforçar esse termo.

— Não sei porque você acha que é óbvio.

— Ora, Elisabeta, casais casados usam aliança. Acredito que seja assim em qualquer lugar do mundo, até mesmo no Vale do Café.

— Mas nosso casamento não é… convencional.

— Mas precisa parecer que sim. Eu faço questão.

— Tudo bem, mas eu não quero dinheiro além do meu salário.

— Elisabeta, agora terei que ir contra. Você será minha esposa, não posso deixá-la desamparada.

— Não há formas de ficar desamparada com o tanto que você me paga, Darcy!

— Eu posso criar uma conta no seu nome no banco. Uma garantia para o futuro.

— Não tem necessidade disso.

— Uma conta conjunta, então. Para sempre que você e Victoria precisarem de algo. Alguma emergência.

Elisabeta realmente não via necessidade de dinheiro envolvido, mas percebeu que essa era mais uma daquelas situações em que de nada adiantaria discutir com Darcy Williamson, então simplesmente acatou. Ela não mexeria nesse dinheiro, de qualquer forma. Não era dela.

— Mesmo que não estejamos nos casando pelos motivos corretos, eu espero que saiba que prezo muito pela fidelidade. Você ainda será minha esposa, de qualquer modo. — Ele disse com naturalidade e logo notou os olhos furiosos de Elisabeta lhe encarando.

— Espera, você não vai escrever isso no contrato, vai?

— Claro que vou!

— Isso é totalmente descabido! Uma cláusula de fidelidade! Nós nem vamos nos casar de verdade.

— Assinaremos uma certidão de casamento. Será um casamento de verdade. E foi você quem inventou isso de contrato! Funciona para os dois lados. — Ele rebateu, como se fosse óbvio.

— Você é louco!

— Você por acaso tem um namorado que eu não saiba? Tem pretensões de me trair?

Ela iria rebater, mas lembrou-se do que Ludmila lhe contou, sobre o escândalo no baile dois anos atrás, quando a ex-mulher de Darcy o traiu e todos viram. Imaginou como foi vergonhoso e humilhante para ele e optou por ser empática.

— Tudo bem, você tem razão. Não nos envolveremos com outras pessoas enquanto estivermos juntos, mesmo que por vias de um contrato.

Ele relaxou e escreveu no papel “ser fiel ao cônjuge, não se relacionar com outras pessoas”

— Eu quero o direito de continuar vendo Victoria depois do divórcio.

Agora foi a vez de Darcy engasgar com a própria saliva.

— Perdão?

— Eu não vou perder o contato com Victoria, nós nos apegamos muito uma a outra. Se for para me impedir de vê-la após o fim desse contrato então eu paro por aqui mesmo.

— Elisa, por favor, não vamos nos precipitar. Não tem a menor necessidade de colocar cláusulas envolvendo um divórcio em um contrato de casamento.

— É para garantir o futuro, Darcy, foi você mesmo quem disse.

Elisabeta Benedito e sua incrível capacidade de usar suas próprias palavras contra ele mesmo. Ele não queria pensar em nada disso agora, mas escreveu mesmo assim.

— Você irá contratar um professor de piano para Victoria.

Darcy começou a escrever mas parou e encarou Elisa, confuso.

— Eu devo escrever isso no contrato do casamento?

— Não! Era apenas algo que eu queria falar. Victoria tem uma aptidão musical incrível, é ela quem já está me ensinando coisas no piano. Eu não posso mais dar aula de música a ela.

— Ela puxou à tia — Darcy sorriu, lembrando-se da irmã — Se Charlotte estivesse aqui ela mesma poderia ensinar piano à Victoria. Vou procurar uma professora.

— Posso colocá-la no balé? Você não me respondeu naquele dia.

— Claro. Vamos fazer um teste.

— Ótimo. Agora me dê aqui esse papel, vamos assinar.

Darcy a olhou incrédulo. E depois começou a rir.

Elisa nunca o tinha visto sorrir de verdade. Jamais tinha ouvido o som da risada dele. Não imaginou que seria um som tão bonito e acolhedor. Mas ele escolheu um péssimo momento para isso. Elisabeta odiava quando não a levavam à sério. Ela fechou a cara e o encarou, furiosa.

— Você está falando sério. — Ele parou de rir e comentou, quase constrangido.

— Claro que estou falando sério, é um CONTRATO. Você esperava o quê? Que Victória fizesse um lindo desenho atrás e colocássemos em uma moldura na parede?

— Quer que seja autenticado em cartório também? — Darcy questionou irônico enquanto assinava.

— Por que não? Agora que você comentou…

— Elisa, por favor. — entregou o papel a ela, que assinou.

Ela lhe devolveu a caneta e ele guardou o contrato em sua gaveta. Os dois ficaram em silêncio. Até que Elisa fez o pedido:

—Tem algo que eu queria lhe pedir. Nada tem a ver com o casamento. Eu queria uns dias de folga. Não sei exatamente quando. Mas recebi uma carta de minha irmã hoje pela manhã, ela está vindo para Londres com o noivo. Fui pega de surpresa, não sei quando chega, mas quando isso acontecer quero poder passar um tempo com ela.

— Claro, só me avise quando ela chegar e estará liberada quantos dias precisar.

— Obrigada.

— Não há de quê.

Elisa sorriu para ele em agradecimento e deixou o escritório, indo em direção a biblioteca para a aula de português de Victoria.


***

O novo professor de piano de Victoria chegou dois dias depois da conversa entre Darcy e Elisa. O nome dele era Theodore, e era muito bonito. Moreno, olhos castanhos claro, barba cheia, e extremamente simpático. Ele e Victoria se deram bem logo na primeira aula, então Elisa simplesmente comunicou a Darcy que o professor era ótimo e deveria ficar. Então ele ficou.

Em uma semana Theodore já havia conquistado todos os funcionários da mansão Williamson. Matilda todo dia preparava um lanche diferente, biscoitos, bolos dos mais variados sabores, sanduíches.

Naquele dia Darcy chegou mais cedo do trabalho. Queria surpreender Victoria e Elisabeta e as levar para jantar fora. Seria sua primeira aparição em público com Elisabeta como sua noiva. Ele estava nervoso, mas ao mesmo tempo sentia quase que uma animação. A cena que viu logo a abrir a porta de casa, no entanto, fez com seu corpo ficasse mais rígido, e poderia jurar que o clima havia esquentado naquele começo de dezembro.

Elisabeta e o professor de piano sentados diante do instrumento tocando um dueto.

— Vamos, Elisa, tente de novo, você consegue.

— Eu não sei porque você ainda insiste em mim, Theo, eu sou horrível. Além disso, é Victoria a sua aluna, não eu.

— Eu não tenho problema em ensinar as duas.

Theo? Darcy havia escutado direito? O tal professor estava dando aula a Victoria há pouco mais de uma semana e já se tratavam por diminutivos de seus nomes? Elisabeta mal o chamava pelo seu primeiro nome! E eles estavam noivos!

Elisa tocou algumas teclas do piano. Ela errou de novo, Darcy logo percebeu, conhecia aquela canção. Deveria ser um ré e não um dó. Elisabeta retirou as mãos do instrumento, frustrada. Theodore trouxe as mãos dela de volta, cobriu com a sua, e tocou a tecla correta. Agora o professor tinha ido longe demais! E onde estava Victoria afinal? Era ela quem deveria estar aprendendo qual tecla apertar.

—Boa tarde — Darcy falou mais alto do que o normal, fazendo com os dois olhassem em sua direção. Ele encarou os dois, sentados próximos demais. Elisa percebeu o desconforto da cena e levantou-se, dirigindo-se a Darcy:

— Chegou cedo hoje.

— Quis fazer uma surpresa a Victoria. Onde ela está, afinal? Não deveria estar tendo suas lições de piano?

— Ela foi apenas buscar um lanche para o Theo.

De novo. O diminutivo do nome. Aquilo era irritante. Se a expressão de Darcy pudesse ficar ainda mais carrancuda não havia dúvidas de que ela teria ficado.

—Papai! — Victoria correu quando viu o pai

— Meu amor, não corra com a bandeja na mão! — Elisa a alertou e correu em sua direção para tomar a bandeira da mão da menina.

— Você quer ouvir a música que o Theo me ensinou hoje? — Victoria perguntou animada no colo do pai.

Darcy dirigiu um olhar furioso ao pobre professor. Até sua própria filha estava usando aquele diminutivo irritante! A colocou no chão e caminhou até Theodore, pegando um biscoito da bandeira e levando-o à boca. Mastigou com uma força inapropriada para o processo de mastigação. A sala permaneceu em completo silêncio. Até que Darcy fingiu olhar o relógio no seu bolso e depois se dirigiu ao professor:

—Acredito que já tenha encerrado por hoje. Nós vamos sair para jantar e as moças precisam se arrumar. Victoria, querida, suba com Elisa e fiquem bem lindas, sim?

— Você ouviu, Elisa? Papai vai nos levar para jantar! Eu já sei que vestido vou usar, precisamos escolher o seu! — a menina disse animada e puxou a brasileira pela mão.



Darcy estava terminando de abotoar os punhos de sua camisa social preta quando Elisabeta invadiu seu quarto feito um furacão.

—Que cena ridícula foi aquela na sala hoje mais cedo?

—Não sei do que você está falando. — ele respondeu simplesmente, procurando uma gravata na gaveta.

— Com o pobre do Theo.

— Ah, você fala da cena lamentável de você e o professorzinho namorando na minha sala? Devo lembrá-la do contrato que a senhorita mesmo fez questão de assinar?

— Namorando? — Elisabeta não sabia se ria do comentário ridículo de Darcy ou se o tomava como uma ofensa. — Então foi isso, tudo não passou de uma cena de ciúmes completamente infundada.

— Infundada? Elisabeta, o rapaz estava flertando com você em níveis inaceitáveis. Totalmente deselegante.

— Ele estava me ensinando uma música no piano!

— Ele está aqui para ensinar Victoria, não você.

— Eu também estou aqui para ensinar Victoria,no entanto parece que tenho ensinado você como criar sua filha.

— Você não perde uma única oportunidade de jogar na minha cara que sou um péssimo pai. — Ele sentou-se na ponta da cama, chateado.

— Eu não disse isso, Darcy…

— Tudo bem, Elisabeta, eu entendi. Vamos jantar antes que eu perca completamente o apetite.

Notas finais
Ai, gente, tadinho do Darcy :(((