Notas iniciais
Oi, lindezas. Vocês acham que estão prontas para esse capítulo, mas eu afirmo que não. Boa sorte. E uma excelente leitura hihihi

Victoria viu os dois se beijarem por mais alguns minutos. Ela não queria sair da janela. Tinha medo de que, caso parasse de observar a cena, ela se tornasse apenas fruto de sua imaginação. Victoria amava seu pai, e amava Elisa. E agora eles eram uma família de verdade. Com pais que se amam e que amam sua filha.

O sol começou a se pôr no horizonte. Darcy e Elisa estavam sentados no banco de jardim, as mãos dele fazendo carinho nela, e ela se deleitando com cada toque. Era bom estar apaixonada! Ela deveria ter se entregado ao sentimento antes.

—Darcy… — Elisa o chamou, segurando as mãos dele e gentilmente as apoiando em sua perna.

—Oi… — a voz dele saiu manhosa e ela riu.

—Tem outra coisa que precisamos conversar.

—Eu gostei da última conversa, por favor que não seja ruim dessa vez.

Ela apertou as mãos dele nas suas antes de falar.

—Eu não quero mais ser paga para ensinar e cuidar de Victoria. Não é certo. Eu sou mãe dela agora.

Darcy não falou nada. Aqueles segundos em que ele permaneceu calado foi uma tortura para Elisabeta. Ela já estava se preparando para a discussão que estava por vir. Mas então ele sorriu e acariciou o rosto dela. Era um sorriso diferente de todos que ela já havia visto. Era um sorriso silencioso, mas que fazia os olhos dele brilharem, quase como se estivessem lacrimejando. Era um sorriso repleto de carinho e emoção. Então ele a beijou.

—Você está coberta de razão, Elisabeta Williamson. Você sempre está. Você é mãe dela agora. Já era há muito tempo. A mãe que ela nunca teve e sempre mereceu. Não receberá mais nenhum centavo por isso. Afinal, não há dinheiro nenhum no mundo que pague o amor de uma mãe. Mas sinto lhe informar que agora a senhora está desempregada. — Ele colocou uma expressão séria no rosto ao dizer isso, mas em seus olhos havia o divertimento e o carinho. Elisabeta riu.

—Nada com o qual não esteja acostumada. Nem sei como passei tanto tempo em um emprego desde que cheguei a Londres.

—Acontece que a senhora tinha um patrão muito misericordioso. Com seu jeito de dona-da-razão já teria sido demitida caso trabalhasse para alguém sem um coração tão bondoso.

—Ainda bem que estamos ao ar livre, ou não caberia o seu ego dentro de casa.

Darcy sorriu e a puxou para mais um beijo.

—Está esfriando mais, vamos entrar. Não quero minha esposa doente.

Victoria estava eufórica durante o jantar. Elisa achava que era por causa da festa do pijama. Darcy estava imerso em sua própria bolha de euforia que pensou que estava vendo todo mundo mais feliz do que realmente estavam.

Ao final do jantar, leram um pouco na sala rosa, que havia se tornado o lugar de reuniões preferido dos três. A leitura da semana era O Pequeno Príncipe*, e Darcy pensou que Elisabeta havia, de fato, se tornado responsável por por aquilo que cativara: pai e filha. E ele sentiu-se grato. Victoria acabou dormindo nos braços do pai, que velou seu sono por alguns minutos até que Elisabeta concluísse o capítulo que estava escrevendo.

Ele admitiu para si mesmo que estava bastante curioso quanto ao conteúdo daquelas páginas. Não era a primeira vez em que ele observava a esposa se perder em meio a sua escrita. Dava para ver a paixão com a qual ela escrevia. A velocidade. Como se estivesse correndo contra o tempo. Como se quisesse aprisionar os pensamentos em palavras naquelas folhas, ao mesmo tempo em que os libertava. Era quase uma obra de arte bem diante dele.

Quando Elisabeta guardou os papéis na gaveta e sorriu para Darcy foi que ele finalmente saiu de seu transe. Ele estava perdidamente apaixonado por aquela mulher incrível. E ela era sua esposa! Como ele tinha tido tanta sorte? Elisa caminhou até ele e ele então ergueu-se do sofá com a filha no colo. Caminharam lado a lado e em silêncio até o quarto da menina, onde Darcy a colocou na cama e beijou sua testa. Na porta do quarto de Elisabeta, ele colocou o pescoço para dentro, retornando com uma expressão de horror exagerada.

—Você não vai dormir aí, vai? Nessa bagunça?

Elisabeta riu e colocou ela mesma o pescoço para dentro de seu quarto.

—Está um pouco bagunçado, realmente. Sr Wilson precisa ser mais rápido nessa reforma. Victoria não gostará de dividir a cama comigo por muito tempo.

—Eu acho a cama de Victoria extremamente pequena e desconfortável para vocês duas. Felizmente existe um quarto limpo e organizado com uma cama grande o suficiente para duas pessoas. — Ele se aproximou dela, com um sorriso de canto de boca que o deixava especialmente lindo sob a meia luz do corredor.

—De fato, há muitos quartos de hóspedes com camas grandes e confortáveis nessa casa. — Ela passou a mão pelos ombros dele, sorrindo divertida.

Ele colocou suas mãos ao redor da cintura dela e a puxou para mais perto.

—A dona da casa não pode dormir no quarto de hóspedes.

—Dona da casa, hum? E o que você sugere, lorde Williamson?

—Hm, deixe-me pensar… Talvez esse quarto aqui? — Ele indicou a porta do seu próprio quarto, bem diante deles.

—Mas este não é o seu quarto?

—Teoricamente, o que é meu, é seu, já que somos legalmente casados. — Ele apertou a cintura dela e beijou seu pescoço.

—E aonde o senhor dormiria?

—Não seria a primeira vez que dividiriamos uma cama. E, pelo que me lembro, a senhora saiu inteira da última vez.

Elisabeta pareceu pensar por alguns segundos. Darcy queria morder aqueles lábios que formavam um discreto bico pensativo. Ele passou o nariz pelo pescoço dela, inalando seu cheiro. Se afastou abruptamente quando ela o puxou pela mão até o quarto dele. Darcy gargalhou, a rodopiando no ar.

—Desistiu de lutar contra sua sensatez, Elisabeta Benedito? — Ele perguntou a segurando a centímetros do chão.

—Talvez parte da minha sensatez tenha ido embora quando me tornei Elisabeta Benedito Williamson.

E naquela noite eles dormiram na mesma cama, mais uma vez. Inicialmente deitaram-se sem se tocar, mas Elisabeta fingiu dormir para se acomodar no peito de Darcy. E ele fingiu dormir e não perceber. Nenhum dos dois viu o sorriso no rosto do outro, pois estavam com os olhos fechados. Mas Darcy apertou os braços ao redor dela e aquilo foi o suficiente para eles saberem que, àquela altura, ambos ainda estavam acordados e conscientes de suas ações.

Elisa acordou antes dele e se esgueirou para o seu quarto para um banho e troca de roupa. Darcy acordou minutos depois com um sorriso no rosto, mesmo ao notar a falta de Elisabeta em sua cama. Mas o lugar dela ainda estava quente, e cheirava a ela.

Se encontraram na mesa do café da manhã. Victoria já falante, se referindo aos últimos preparativos da festa do pijama. Darcy beijou a testa da filha e da esposa antes de sentar-se à mesma. E repetiu o gesto ao se levantar para o trabalho. Victoria olhou de um para outro e sorriu. Elisabeta notou a menina mais disposta durante as aulas naquele dia. Ela própria estava mais alegre. Mais… leve. Parecia Jane. Sua doce e romântica irmã. Sentiu saudades e desejou contar a ela os avanços de seu casamento. Liberou Victoria para a aula de piano e sequer cumprimentou Theo com a atenção costumeira, tamanha a ansiedade de falar com a irmã.

Quando Darcy chegou no final da tarde, soube por Mary que Elisa ainda estava na sala rosa. A encontrou selando o envelope.

—Atrapalho?

Elisabeta dirigiu seu olhar para a porta entreaberta e sorriu para o marido. Deus, seu rosto começaria a doer de tanto sorrir!

—Não. Estava escrevendo para Jane, fiquei com saudades de casa. Mas já terminei. Você chegou mais cedo.

—Tenho um compromisso importante essa noite.

—Algo que eu deveria me lembrar? Algum evento da alta sociedade ou reunião de trabalho?

—Um jantar. Com a minha esposa.

Elisabeta sorriu mais uma vez. Sorrir tanto assim causaria rugas, ela podia apostar.

—Não lembro de ter sido convidada.

—Sra. Williamson, aceita jantar comigo esta noite? Só nós dois. Pode escolher o restaurante.

—Que honra! Eu aceito!

—Entāo vista-se. Estou ansioso para namorar minha esposa no nosso primeiro encontro oficial. Deus, não somos nada convencionais.

—Eu sempre soube que era uma mulher fora dos padrões.

Encontraram um restaurante turco nas proximidades de Soho, não era elegante como aqueles que Darcy costumava frequentar. Mas ele não se incomodou. O ambiente era aconchegante, a comida deliciosa, e o gerente lhes colocou numa mesa mais reservada. Darcy estava mais leve. E Elisabeta reparou em como o sorriso dele parecia mais verdadeiro. O quanto ele parecia mais jovem. Ele estava falando sobre o dia em que se arriscou fora de seu quarto na faculdade para ir a uma festa e acabou encrencado por conta de algum colega quando Elisabeta se inclinou sobre a mesa e o beijou. Sem aviso. Sem preparo. O beijou simplesmente porque sentiu vontade. Porque ele parecia feliz, e estava incrivelmente lindo. Ele puxou levemente o queixo dela em sua direção e correspondeu ao beijo, o intensificando. Agradeceu por estarem em um espaço reservado, ou todos comentariam no dia seguinte sobre a lady Williamson pendurada sob a mesa de um restaurante meia boca em Soho. Nenhum dos dois parecia desconfortável em suas posições, no entanto. E o beijo aconteceu entre sorrisos e leves mordidas.



Eles dormiram juntos no quarto de Darcy pelas três noites seguintes. O quarto de Elisa já estava quase finalizado, mas ela e Darcy pareciam longe de estarem satisfeitos, e todo dia encontravam algo para remodelar. Já era o segundo papel de parede. Já estavam na terceira cor das cortinas. Os funcionários da mansão já falavam sobre o casal que agora dividiam o quarto.

A mansão Williamson amanheceu agitada naquela sexta-feira. Elisa suspeitava de que Victória sequer havia dormido, tamanha a ansiedade para a festa do pijama. As meninas deveriam chegar às 4 horas da tarde para uma festa do chá no jardim, depois haveriam brincadeiras no quarto, e, após o jantar, uma pequena apresentação de teatro que Darcy fez questão de contratar para as pequenas.

Os Williamson fizeram seu desjejum em meio às arrumações de Mary, as interrupções frequentes de Matilda questionando sobre o cardápio do chá e do jantar, e a agitação de Victoria. Darcy estava a um passo de enlouquecer com tanto barulho e correria, enquanto Elisabeta se divertia com a agonia do marido. Quando ele fez menção de se levantar para sair ela foi até a cadeira dele e fez uma rápida massagem em seus ombros.

—Vamos cuidar de tudo, apenas volte para me levantar à noite quando eu desabar de cansaço.

Ele riu e puxou uma das mãos dela até seus lábios, depositando um beijo. Levantou-se e caminhou até a filha para o costumeiro beijo de despedida. Estava a caminho da porta quando ouviu Elisa se despedir da sala, distraída com os preparativos.

—Bom trabalho, meu amor.

O coração de Darcy parou. O estômago deu voltas. Gotas de suor surgiram em sua testa e ele paralisou no lugar. Meu amor. Ele havia ouvido direito? Caminhou de volta para a sala de jantar e puxou a esposa pela cintura, a beijando apaixonadamente.

—O que foi isso? — Ela riu quando ele a soltou.

—Nada. Um homem não pode mais beijar sua esposa?

—Desse jeito? Eu acho que ele deve. Agora vá logo antes que eu encontre algo para você fazer aqui.

Darcy foi para o trabalho, mas não conseguiu se concentrar. Não queria estar ali. Aqueles números estavam apenas dançando no papel. Sua casa estava uma loucura, mas, estranhamente, ele sentia vontade de estar em meio a bagunça. Passou na sala no Clarkson e disse:

—Parabéns, você acaba de ganhar um bônus. Vou entrar em lua de mel com minha esposa. Não sei quando volto. Tchau.

Clarkson riu. Seu chefe agora estava bastante ausente. E os rumores de que os Williamsons eram o casal mais apaixonado da nobreza britânica corriam ha tempos.

Ao chegar em casa, Darcy encontrou um elegante toldo nos jardins e uma mesa redonda com uma bonita toalha. Ele também notou que havia seis cadeiras. Elisabeta arrumava o arranjo de rosas enquanto Mary colocava as louças.

—Estamos esperando mais meninas? — Darcy a abraçou por trás e beijou seu pescoço. Mary olhou de canto de olho e sorriu.

—Não. Mas cada uma trará sua boneca favorita. — Darcy gargalhou. — Você voltou cedo.

—Acabei de me dar férias.

—De novo? O senhor está ficando preguiçoso, Lorde Williamson.

—Na verdade, nós nunca tivemos a nossa lua de mel. E eu estava pensando… Está mais do que na hora de a senhorita conhecer Pemberley.

—Senhora. É senhora Williamson, para você. — Ele a puxou para si e enlaçou sua cintura, beijando seu rosto.

—Eu posso viver com isso. — Ele enterrou os dedos no cabelo dela e a beijou.

—Darcy! A Mary! — Elisa o empurrou de leve.

—Peço desculpas senhorita Smith, pela minha falta de decoro. Espero que não condene este homem apaixonado. — Ao escutar Darcy referir-se a si mesmo como um homem apaixonado, Elisa teve vontade de rir, de chorar, de consumar o casamento naquela mesa naquele instante. Ele se voltou para Elisa — E então, Pemberley?

—Eu acho uma excelente ideia. Estou louca para conhecer sua casa de campo.

—Nosso condado. — Ele corrigiu e ela revirou os olhos. Ele a beijou novamente.

—Darcy!

—Perdão, senhorita Smith. Mas já que eu e a minha senhora iremos passar uns dias em Pemberley, irei dar férias para você, Matilda e Rogers. A senhorita poderá visitar o seu namorado que foi deportado.

—Noivo. — Mary respondeu. — Mas ele está na Espanha. Não tenho como vê-lo. Mas agradeço.

—Besteira. Eu providenciarei tudo. Depois me passe a cidade para que eu possa comprar as passagens e garantir a hospedagem. Pessoas apaixonadas deveriam estar juntas, senhorita Smith.

Mary ficou radiante e abraçou Darcy, e logo depois pediu desculpas a Elisa, que apenas riu. Darcy entrou para ver como Victória estava e encontrou a filha com parte do cabelo trançado, um sapato calçado, e o vestido aberto.

—Filha, tudo bem?

—Estou nervosa. Nunca recebi amigas antes. Estou tentando lembrar de tudo que minha mãe falava.

—Brianna?

—É. — Darcy suspirou. As vezes esquecia que Brianna era a mãe biológica de Victoria e que havia a educado por muito tempo.

—E o que Elisa falou para você fazer?

—Me arrumar e não me preocupar com o resto.

—E o que Brianna lhe diria?

—Que tudo deveria estar perfeito e eu deveria seguir as regras de etiqueta.

—E qual opinião você quer seguir? — A menina parou de procurar o sapato e olhou para o pai sentado na cama.

—Como assim, papai?

—Oras, Elisa lhe disse uma coisa, Brianna lhe diria outra. Você pode escolher quem ouvir. Qual conselho seguir. Então, qual conselho você quer seguir?

—O da Elisa.

—Então venha cá. Eu vou abotoar esse vestido e trançar o outro lado do seu cabelo.

—Você sabe fazer tranças, papai?

—Mas é claro que sei!

Cora chegou às 4 horas em ponto, por vários motivos. O primeiro era que Emma estava pronta desde às 2 horas e a estava enlouquecendo. O segundo era porque era inglesa e, como boa inglesa, pontualidade era algo importante para ela. O terceiro era porque estava curiosa. A sua visita mostrou que Darcy estava completamente encantado pela esposa, e ela nunca o havia visto assim. Quando tocou a campainha, ele atendeu à porta.

—Cora! Emma. Por favor, entrem. — A menina possuía uma pequena maleta, e ele imaginou que seriam as roupas dela para passar a noite. — Me dê isto aqui, eu levarei para o quarto de Victoria. Ela está no jardim, com a Elisa.

Emma olhou para mãe, pedindo permissão para sair, e ela concedeu, com um ascendo de cabeça.

—Então, como vai a vida de casado? — Cora questionou.

—Melhor impossível.

—Estou vendo. Você parece relaxado. Feliz.

—É assim que eu me sinto.

—Fico feliz por você, Darcy. De verdade.- Nesse momento, Elisabeta entrou na sala.

— Ah, Lady Cora, olá! — Ela foi até Darcy e se pôs ao lado do marido.

— Por favor, me chame de Cora. Deixarei de ser Lady Cora de qualquer forma, visto que o título do Jonh agora vai para o irmão mais novo dele.

— Acho essa falta de consideração com as mulheres da família na nobreza britânica ultrajante. — Comentou Elisa.

— Você não sabe da missa um terço. Darcy não te obriga a ir aos eventos, não é?

— Tive o desprazer de ir em alguns, mas muito poucos.

— Não há nada mais nojento, falso e degradante. — Cora suspirou. — Mas agora eu vou voltar para casa. Venho amanhã depois do almoço pegar a Emma.

— Sem problemas. Quem sabe não possa ficar para o chá e conversaremos sobre o sufrágio feminino.- Elisa convidou. Cora levou a mão ao peito.

— Será uma honra.

Lucy e sua mãe chegaram pouco depois de Cora deixar o local. Mary Ann também foi convidada por Elisa para o chá e Darcy ficou feliz de ver a esposa criando laços. As meninas foram apresentadas, e Elisa ouviu Vicky e Lucy convencendo Emma a entrar no balé. Foi uma noite como nunca outra na mansão Williamson, e Darcy estava disposto a permitir outras como aquela se isso fosse levar alegria para a filha. Ele estava profundamente realizado ao ver Victoria socializando com meninas de sua idade e finalmente se permitindo ser criança.

Quando as meninas enfim dormiram, Darcy e Elisa se jogaram na cama, exaustos, os rostos virados para o teto.

—Jamais imaginaria que três garotinhas pudessem ser tão barulhentas. — Darcy suspirou.

—Eu estou começando a me compadecer de minha mãe. — Ela se virou para Darcy. — Imagina só, cinco meninas?

—Deve ter sido exaustivo. E delicioso. — Ele sorriu para ela.

—Darcy.

—Oi.

—Agora que nosso casamento é de verdade… — Ele abriu um sorriso. — O que foi?

—O nosso casamento é de verdade. Não consigo ouvir ou falar isso sem sorrir.

—Bobo. — Ela bateu de leve no ombro dele, sorrindo. — Mas como eu estava dizendo, agora que é de verdade, tem algumas coisas que eu queria saber.

—Diga, minha esposa.

—Você quer ter outros filhos? — Ela se deitou de lado e o encarou.

Darcy não respondeu de imediato. Ele sempre quisera ser pai. O nascimento de Victoria foi uma benção. Mas depois ele se afastou da filha e retomar seu contato com ela foi doloroso, ele achou que desaprendera a ser pai. Seu casamento havia fracassado. E ele havia fracassado como pai também. Mas a chegada de Elisabeta mudou toda essa perspectiva. Ela o guiou de volta ao caminho da paternidade. E agora ele estava feliz como nunca esteve antes. Estava confiante em seu casamento. Estava amando. Ele queria tudo com Elisabeta. Tudo no qual ele havia fracassado antes queria tentar de novo ao lado dela. Tudo que ele não havia experienciado queria descobrir e vivenciar ao lado de Elisabeta.

—Com você, Elisabeta? — Ele finalmente falou, virando-se para ela. — Com você eu quero tudo. Se você quiser filhos, então eu também quero. Desde que seja com você. Desde que seja o que você quiser. Eu quero o que você quiser. A escolha será sempre sua. Pois eu sinto que nasci para este momento, para ser seu parceiro. Para ser seu.

Uma lágrima solitária surgiu no rosto de Elisabeta. Ela se mexeu na cama, se aproximando mais de Darcy e tocando o rosto dele delicadamente. Então ela o beijou. O beijo começou calmo, gentil. Mas então se intensificou. Elisabeta decidiu dar razão a seus desejos e passou uma perna de cada lado do corpo de Darcy, ficando por cima dele. Darcy parou por alguns segundos, mas desistiu de pensar demais, então simplesmente apertou a cintura da esposa. Ela era sua esposa. E ele gostava dela um pouco mais do que um pouco. E, naquela mesma tarde, ela o havia chamado de meu amor. Não havia nada de errado no que estavam fazendo. Ele decidiu não pensar no que viria a seguir, até onde iriam. Decidiu deixar-se levar. Estava bom. Os beijos, o peso de Elisa sobre ele, a forma como o corpo dela começava a se mover. Ele levou suas mãos até o pequeno coque no cabelo dela, o soltando. Os longos fios caíram sobre os ombros dela, revelando alguns cachos nas pontas. Darcy já havia visto a esposa de cabelos soltos, mas acompanhar o movimento do coque se desfazendo o encantou. E o esquentou. Elisa segurou os cabelos, os colocando apenas de um lado, deixando parte do seu pescoço exposta. Aquilo foi o suficiente para fazer Darcy sentar-se na cama em um movimento rápido, levando Elisabeta com ele. Ela arfou e Darcy aproveitou para abocanhar o pescoço dela. Beijou, mordeu, e provou do seu sabor. A mão dele se emaranhando no cabelo dela, a puxando cada vez mais para si. Ele desceu os beijos até o colo dela, as mãos agora empurrando nervosamente as mangas do vestido para baixo. Um lapso de consciência passou por ele, fazendo com que Darcy interrompesse os beijos e encostasse a testa no peito de Elisabeta, enquanto tentava controlar sua respiração.

—Elisa… — A voz dele saiu sussurrada — Se você quiser parar precisa ser agora.

—Eu não quero parar, Darcy.

— Você tem certeza? — Ele ergueu o rosto e olhou para ela, procurando algum sinal de insegurança. Não encontrou. E a certeza no rosto de sua esposa reacendeu nele o desejo e a paixão.

— Até este momento, eu não me conhecia. — Ela passou a mão pelo rosto dele. — Até este momento eu… — Elisa olhou para ele. Existia palavras para o que ela estava sentindo? Mas ele pareceu compreender, mesmo que ela não tivesse verbalizado. Darcy puxou as mangas do vestido de Elisabeta para baixo, e enquanto beijava e mordia os ombros de sua mulher, seus dedos passeavam urgentes pelas costas dela, à procura dos botões que ainda prendiam o vestido ao corpo. Ao encontrá-los, Darcy gemeu. Deus, como ele queria tocar o corpo de Elisabeta. Admirá-lo à meia luz do quarto, deixar que seus dedos passassem por todo ele antes de apertá-lo e finalmente se deleitar com o seu sabor.

Elisa tremeu quando os dedos de Darcy tocaram suas costas nuas. Uma corrente elétrica passando por cada pequena parte de seu corpo. As mãos grandes de seu marido apertaram suas costas, e ela gemeu. O som que saiu da boca de Darcy era quase como um rosnado, antes dele retirar sua própria camisa. As mãos de Elisa finalmente tocaram o peito nu de Darcy. Uma onda de prazer a invadiu. E ela apenas o tinha tocado! Deus!

Darcy abaixou ainda mais o vestido de Elisabeta, ele estava ansioso para sentir o gosto dos seios dela novamente, como havia feito ao piano. Então ele o fez. E Elisa arfou, deixando sua cabeça cair para trás. Mas ela também queria provar de Darcy, dar prazer a ele como ele dava a ela, e, por isso, ela o afastou gentilmente, segurando suas mãos e depositando pequenos beijos no pulso dele. Depois fez um caminho de beijos por todo o corpo dele, começando do pulso e descendo, passando pelo peito até a barriga dele. Darcy estava completamente rendido, embaixo de sua esposa, que o amava a cada beijo deixado em seu corpo. Foi preciso muita força de vontade para interromper os beijos de Elisabeta e trocá-los de posição. Com ela por baixo dele, ficou mais fácil terminar de tirar o vestido. E Darcy ficou hipnotizado com a visão. Sua esposa era linda. Despida não somente de roupas, mas também de qualquer orgulho, insegurança ou pudor. Admirou a beleza de sua mulher por mais alguns segundos antes de beijá-la com carinho.

Darcy levantou-se e terminou de tirar suas próprias roupas. Mesmo à meia luz viu Elisa ruborizar e logo depois morder os lábios. Aquela mulher definitivamente seria sua vida e sua morte. E ele queria dar tudo a ela. Começando por ele. Seu corpo e seu coração.

Sentiu as mãos de Elisabeta lhe puxarem de volta para cama, e ele caiu sobre ela sorrindo. Aproveitou para passar as mãos pelas laterais do corpo dela, desde as pernas, acendendo em Elisa o desejo de tê-lo dentro dela. E quando ela finalmente o teve, não houve dor, ou desconforto, ou qualquer sinal de arrependimento. Elisabeta sentiu-se flutuando. Sentiu o corpo leve e cheirando a Darcy Williamson. Seu marido.

Notas finais
* Importante ressaltar que nos utilizamos da nossa licença poética porque eu queria muito fazer essa referência, mas O Pequeno Príncipe só foi publicado em 1943. But... Queremos saber mesmo é se estão vivas depois desse capítulo. Atendemos às expectativas? Eu preciso de um feedback!!