Acordo Perfeito
18 Capítulo 17
As semanas seguintes do inverno passaram-se de uma forma doce, divertida e leve. Os Williamsons agora possuíam um casamento de verdade, e até saíram em algumas colunas sociais. Eram constantemente avistados em jantares, clubes de jazz, cinemas. Raramente em eventos da alta nobreza, exceto quando eles eram oferecidos pelos Russel ou pelos Legge. A principal coluna social do Times, sempre se referia aos dois como os apaixonados de Pemberley, ou o Conde e a Condessa do amor. Elisabeta achava brega, mas Darcy achava divertido. O quarto de Elisa fora oficialmente, abandonado e eles agoram usavam o de Darcy. Victoria se saia bem nas aulas e gastava suas tardes com suas duas melhores amigas, Emma e Lucy. Naquela tarde, que anunciava o início da primavera, Darcy estava planejando a ida para Pemberley, que aconteceria em uma semana enquanto Elisa estava sentada preguiçosamente no banco da janela, fazendo a primeira leitura de seu manuscrito.
—Eu estava pensando. — Disse Victoria.
—Em que? — Elisa ergueu a cabeça.
—Se vocês tiverem um filho ou filha, ela vai chamar o papai de papai.
—Sim. — Elisabeta achou divertido.
—E você de mamãe.
—Assim eu espero. — Ela sorriu.
—Isso é muito injusto!
—Por quê? — Darcy finalmente levantou o rosto dos papéis. Ele estava sentado à mesa de Elisa.
—Para ele será sempre papai e mamãe, para mim será papai e Elisa.
—Onde você quer chegar com isso? — Darcy perguntou, olhando para Elisa, curioso. Mas Victoria apenas exalou alto e jogou o braços para baixo.
— Que é injusto. Só isso. — Ela fez menção em sair da sala, mas Elisabeta a impediu.
— Vicky. É um nome. É só um termo. Uma palavra. O que chamamos de rosa sob outra designação teria igual perfume. — Darcy riu ao ver a esposa citar Shakespeare para a filha de 8 anos. E Victoria a olhou confusa.
— Não entendi.- Ela disse por fim.
— O que é uma mãe para você? — Elisa perguntou.
— Alguém que cuida da gente. Ensina coisas. Dá carinho. Cuida quando a gente está doente. — Ela enumerou com os dedinhos.
— Acho que eu me encaixo bem nesse papel, o que você me diz? — Victoria concordou balançando a cabeça. — Sendo assim, você me chamar ou não de mãe não muda o que sou. — Ela pegou Victoria no colo. — Porque, linda garotinha, eu sou sua mãe agora e nada que você diga irá mudar isso.
Victoria passou as pernas e o braços ao redor de Elisa a abraçando forte.
—Eu posso te chamar de mamãe?
—Então era isso que você queria com essa história toda de irmãos? — A menina balançou a cabeça afirmativamente. — Deus, você parece seu pai. Sempre dando voltas. É claro que pode, meu amor. De fato, nada me faria mais feliz.
Victoria sorriu e Darcy logo se juntou a elas no abraço, pensando no quanto ele e Victoria deram sorte. 8 meses atrás, ele estava sozinho, e ela sendo abandonada por Brianna, e agora os dois tinham uma mulher maravilhosa que complementava a vida deles. Quem diabos falou que o inverno era ruim?
A primavera chegou trazendo consigo uma inquietude nas crianças. Elisa estava tendo dificuldade de manter as meninas dentro de casa, e Darcy estava mandando preparar Pemberley para chegada deles. Entretanto, haveria um festival de primavera no bairro de Lucy, e Victoria, assim como Emma, estavam empolgadissimas. Cora, entretanto, havia pego um resfriado, e ligava neste momento para os Williamsons.
—Como pode uma pessoa passar o inverno na mais bela saúde e adoecer na primavera? — Ela reclamou para Elisa.
—Minha mãe diria que é a mudança de tempo. Matilda faz uma canja maravilhosa, vou pedir que ela prepare um pouco para você.
—Na verdade, o favor que preciso é outro. Vocês levarão Vicky para o festival em Hampstead ?
—Não seríamos nem loucos em não fazê-lo. Victoria não fala de outra coisa!
—Pelo bem da minha sanidade mental, por nossa amizade e consideração que vocês tem a mim, levem a Emma? Eu não aguento mais ela me atazanando porque eu fiquei doente bem no dia do festival. Péssima mãe, eu. Ela está pensando em pedir para que você a adote. Palavras dela, não minhas. — Elisa gargalhou.
—Seria um prazer.
—Deus abençoe você. — Ela espiroru. — Agora vou me preparar para minha morte.
—Não seja dramática, Cora! Amanhã irei lhe fazer uma visita. Podemos deixar as meninas com a Mary Ann.
—Ela nos deve essa depois da semana passada.
—Com certeza. Em uma hora passaremos aí para pegar a Emma.
—Eu estarei dormindo. Por favor, não me acorde.
Victoria desceu usando o novo chapéu de palha dela, e seus cabelos estavam presos em duas tranças. Darcy estava ficando bom nisso, Elisa pensou. No chapéu, ela havia amarrado uma fita laranja berrante, que combinava com seu vestido estampado, também laranja berrante, com flores amarelas. As meias brancas iam até quase o joelho e os sapatos pretos estavam lustrosos.
—Mas que belo vestido! — Elisa comentou. — Minha irmã Mariana iria adorar.
—Foi o papai que escolheu. — Darcy sorriu para esposa e ela quis rir de volta. Laranja berrante.
—Achei que combinava com a estação.
—Pois vamos? Ainda teremos que buscar Emma. — Ela se virou para Darcy que a roubou um beijo. — Cora está doente.
—Sério?
—Nada demais, um resfriado.
—Você diz isso porque nunca a viu doente. Para ela é sempre a morte. — Ele riu.
—Eu percebi.
Emma também usava um chapéu de palha igual ao de Victoria, que ela descobriu naquele momento, havia sido um presente de Lucy, para que elas usassem no festival. Estava de rosa dos pés à cabeça, incluindo meias, sapatos e fita no chapéu. Elisa concluiu que Cora não viu a filha sair de casa e desejou que houvesse fotos coloridas para ela registrar aquele momento. Lucy já as aguardava, impaciente, em seu chapéu de palha com fita verde e Elisa sentiu um aperto no peito quando as três se abraçaram usando as cores de suas irmãs. Elisa quis poder correr até o Vale.
—O que foi, meu bem? Você pareceu triste tão de repente. — Dary notou a expressão de Elisa, e a questionou preocupado.
—As meninas me lembraram minhas irmãs. Nós costumávamos brigar muito pelas roupas, então mamãe passou um tempo costurando vestidos em cores específicas para nós. Jane era azul. Combinava com os olhos dela. Mariana, sempre espoleta, era laranja. Como a Vicky hoje. A Cecília usava verde e Lídia brigou pelo rosa.
—Deixa eu adivinhar, você era vermelho? — Ele passou os braços em volta da esposa.
—Podemos dizer que até hoje temos um carinho especial pelas nossas cores. — Ela apertou os braços do marido. — Estou com saudades de casa.
—Nós podemos ir para o Brasil no verão. — Ele disse com tranquilidade.
—Oi?
—O que foi? Já passou da hora d’eu conhecer meus sogros. E minhas cunhadas. Pensei em julho porque assim a Vicky não estranha tanto o calor, já que lá é inverno
—Bom, teremos um pequeno problema.
—E qual é?
—Acho que meus pais irão passar mal. Minha mãe com certeza iria desmaiar.
—Por quê? — Darcy a soltou e a encarou.
—Eles não sabem que estou casada.
—Elisabeta...
—Desculpe. Eu não achei certo contar quando era de conveniência. Depois, eu não soube como.
—Mas você liga para sua mãe quase toda semana.
—Eu sei. Mas como eu diria isso? Oi mãe, minha semana foi ótima! A neve já derreteu, eu fui no Big Ben hoje, e a propósito, estou casada. Pode me chamar de Lady Williamson.
—Eu gostei. Soou bem.
—Darcy! — Ela bateu no marido, rindo. — Vamos pensar em uma solução que não mate os meus pais do coração.
***
Brianna tinha voltado para Londres havia uma semana. Michael havia a trocado por uma menina de dezoito anos. Sua sorte é que ela sabia onde ele guardava dinheiro. Com a falência dos bancos, seu ex amante costumava manter o dinheiro em uma meia na garagem. Era uma boa quantia. O suficiente para ela voltar à Inglaterra e se restablecer no antigo apartamento. Sua mãe estava passando uma temporada com a prima em Bath. E qual não foi sua surpresa ao abrir o Times e, na coluna social, encontrar uma nota sobre os Williamsons no baile de aniversário dos Russel. Ele lera tantas vezes que decorara:
“O baile foi prestigiado também pelos Williamsons. O Conde e a Condessa de Pemberley, que não são dados a aparições em eventos dessa natureza, pareciam tão apaixonados quanto qualquer outra vez em que foram avistados juntos. Foi perguntado a Lady Williamson o que ela achava do apelido que haviam ganhado. Simpática, ela respondeu: ‘Um pouco brega, de certo, mas existe forma melhor de ser conhecida?’. Esse jornalista aqui acredita que a nova Condessa é um grande upgrade em relação a anterior, e parabeniza o Lorde Williamson por ter acertado dessa vez. Mas afinal de contas, você só precisa acertar uma vez.”
A primeira reação de Brianna foi gargalhar. Conheceu Darcy sua vida toda e jamais poderia imaginá-lo apaixonado.
—Darcy Fitzgerald Williamson apaixonado? Darcy não é um homem de paixões, é um homem de conveniência. — Ela disse para o seu reflexo no espelho.
Então, logo se preocupou com outras coisas. Precisou contratar empregados. Trocar alguns móveis. Fazer novos vestidos. Entretanto, quando Adeline perguntou se ela já havia visto Victoria e como a menina parecia gostar da madrasta, Brianna se pegou mais uma vez curiosa com relação a nova esposa de Darcy. Adeline não proveu muitas informações.
—Não faço fofocas sobre minhas clientes.
—Clientes? Oras, Adeline. Eu sempre fui sua cliente mais fiel.
—Mas o fato da Madame não saber nada sobre a Elisa só significa que ainda não foi ver a pequena. Um tanto quanto desnaturada. — Ela deu uma espetada em Brianna.
—Aparentemente a senhora não faz fofoca mas julga as clientes. Elisa. Diferente o nome. Espanhol?
—Não vou lhe dizer mais nada. A senhorita que vá ver sua filha. Ou é senhora? Nunca sei como lhe chamar agora.
—Se não me der mais nenhuma informação sobre essa mulher, juro por Deus, que vou fazer uma nova coleção de vestidos inteira no François. — Adeline levou a mão ao peito chocada. — Ande, mulher. Qualquer coisa. Não me recordo se Darcy estava vendo alguém quando fui para a América. Há quanto tempo eles se conhecem? Qual o nome de solteira dela? Burguesa? Não me lembro de ninguém em nosso ciclo com este nome.
—Não teria como. A nova Lady Williamson é brasileira. Pronto. E isto é tudo que obterá de mim.
—Brasileira? Como tia Francisca? Interessante.
E assim, Brianna resolveu passear pela rua sua antiga casa. Avistou uma moça chegando com Victoria. Se escondeu para que a menina não a visse. A pestinha faria um escândalo e não estava com paciência para lidar com ela. Não ainda. A moça usava vestidos simples, cabelos compridos e soltos e conversava animadamente com a sua filha. Imaginou que deveria ser a preceptora de Victoria, afinal, era bastante simplória para ser uma Lady. Voltou à casa masi duas vezes naquela semana, mas não conseguiu avistar ninguém além dos mesmo empregados e a nova preceptora. Na tarde de sábado, por fim, se deu por vencida. Resolveu fazer uma visita formal. Afinal de contas poderia usar Victoria como desculpa. A senhorita Smith abriu a porta.
—La...Senhorita Brianna.
—Mary Smith. — Ela deu um sorriso de canto. — Não vai me convidar para entrar? Os modos desta casa caíram desde que deixei de ser a senhora. A nova Lady Williamson deve deixar vocês correrem soltos. Afinal de contas, onde ela está?
—Perdão, mas os Williamsons não se encontram em casa.
—Nem Darcy?
—Não senhora.
—Minha filha Victoria?
—Todos saíram para um festival.
—E você, por acaso, saberia me dizer onde é este festival?
***
Darcy e Elisa estavam dividindo uma maçã-do-amor, encostados numa árvore, enquanto observavam as meninas no carrocel.
—Quando você vai me deixar ler seu livro?
—Quando estiver pronto.
—Mas você já não acabou?
—Estou revisando.
—Ouvi dizer que sempre é mais confiável deixar que outra pessoa o revisse. — Ele tentou, mas a esposa lhe lançou um olhar firme. Tudo bem, já que não me deixa ler seu livro, eu vou ser obrigado a roubar essa maçã-do-amor.
—Para isso você precisa me pegar primeiro. — Elisa saiu correndo mas logo foi alcançada pelo marido, que a pegou com um braço e a rodopiou, a beijando com ela ainda no ar.
Victoria veio até eles, pedir dinheiro para andar na roda-gigante quando ficou paralisada.
—Mamãe? — Ela disse.
—Sim, meu amor? — Elisa respondeu, mas a menina não olhava para ela. Encarava a figura de roxo que se aproximava deles.
—Brianna? — Darcy disse por fim.
—Darcy! — Ela caminhou até ele e o abraçou. — Olha só para você!
Darcy e Victoria tinham reações espelhadas. Os dois pareciam mortificados, congelados. Ele não reagiu ao abraço de Brianna, que se demorou mais do que o condizente com a educação, segundo os pensamentos de Elisa. Compreendendo a situação, ela segurou uma mão de cada um de seus Willianson e se pôs um passo a frente, para protegê-los.
—Então você é a famosa Brianna. — Ela disse por fim.
—E você… Não me diga que esta é a sua nova esposa, Darcy. — Ela se voltou a ele. — Oras, um tanto quanto…
—Um tanto quanto o que? — Elisa indagou.
—Mamãe, por favor. — Victoria disse e as duas olharam para ela. Brianna pareceu só notar a menina naquele momento, e sua testa se franziu.
—Laranja, Victoria? Eu não lhe ensinei nada? E estas coisas na sua cara?
—São óculos. — Ela falou num muxoxo, encarando os sapatos. — Eu não enxergo direito sem eles.
—Claro que não. — Aquilo quebrou o feitiço que Darcy estava. Ele encarou a filha, que já parecia cabisbaixa e alisava o vestido com a mão livre, e depois olhou para Elisa, que parecia prestes a voar no pescoço de Brianna.
—Victória está linda como sempre e os óculos apenas exaltam seus olhos. — Elisa apertou a mão da menina. — Por que você não vai na roda-gigante com suas amigas, meu amor? Aqui, toma. — Elisa entregou uma nota que tirou do par de calças que usava, fazendo com que Brianna a olhasse de cima para baixo.
—Obrigada, mamãe. — Victoria respondeu no automático, e deixou o local, olhando para trás a cada dois segundos.
—Mamãe?- Brianna encarou o casal. — Então além de meu marido, você também resolveu ter a minha filha?
Darcy tomou à frente de Elisa e da situação. Já havia ouvido o suficiente. Ninguém magoaria sua filha ou ofenderia sua esposa diante dele. Muito menos Brianna.
—Com que direito, você aparece assim, do nada e resolve ofender a minha esposa e ainda por cima diminuir Victoria? Dois minutos em sua presença e a menina já ficou triste. Que Deus me perdoe, Brianna, mas se você apareceu apenas para atormentar a vida de minha família…
—Você o que? — Ela abriu um meio sorriso.
—Você não faz ideia. — Darcy deu mais um passo à frente em direção a Brianna e Elisa segurou seu braço, com medo de que seu marido perdesse a cabeça. Mas para a sua surpresa, Brianna riu.
—Se eu soubesse que você tinha um lado tão… másculo, talvez o nosso casamento tivesse dado certo. — dessa vez, foi Elisabeta quem se descontrolou.
—Olha aqui, Brianna — o nome da ex-esposa de Darcy foi pronunciado de um jeito quase ofensivo-. Quem você pensa que é…- Mas antes que ela terminasse, Brianna interrompeu.
—Eu sou a verdadeira esposa de Darcy e mãe de Victoria. E se você não quer aceitar o primeiro fato, precisa aceitar o segundo. Mas não façamos um cena. Você pode não ser nobre, mas Darcy e eu somos. Amanhã, às cinco da tarde. Aparecerei para um chá e conversaremos sobre a nossa situação. — Ela se voltou a Darcy. — Bye, Darling. Dê um beijo em Victoria.- Ela se virou mas antes de ir, disse — E pelo amor de Deus, não vistam minha filha em cores fortes. Ela não tem uma pele boa para isso.
Darcy e Elisa suspiraram assim que ela saiu. No caminho de casa, após deixarem Emma em casa, Victoria estava extremamente quieta. Elisa a olhava pelo retrovisor, preocupada. Por fim, a menina disse.
—Elisa, me desculpe.
—Por que, querida?
—Por chamar ela de mamãe. Eu não sei mais do que chamá-la. Mas a Emma disse que você ficou triste depois que ela apareceu. Não precisa, ta? Se eu pudesse escolher, você teria sido minha mãe desde sempre. — Elisabeta tentou conter as lágrimas mas não conseguiu. Não sabia que tinha sido tão transparente. Se sentiu boba, mas desde que Brianna aparecera ficou um pouquinho insegura.
—Eu não fiquei triste, meu bem. E agora, ouvindo isso, é que não vou ficar mesmo. Mas, Victoria, você precisa saber que ela vai lá em casa amanhã.
—Por que? Eu não quero vê-la.
—Você não precisa, se não quiser. — Darcy falou por fim. — Nós lidaremos com ela.
—Eu não vou voltar a morar com ela, não é? — Ela olhou para o pai.
—De jeito nenhum.
***
Depois que Victoria dormiu, Darcy encontrou Elisa no balanço do quintal, com o seu manuscrito na mão. Mas ela não o lia, apenas encarava a noite. Elisa refletia sobre a vida, sobre sua história e sobre a volta de Brianna.
—Um doce pelos seus pensamentos. — Darcy falou sentando-se ao lado dela.
—Você quer a versão que eu ensaiei, madura e segura, ou verdadeira que estou tentando soterrar?
—Sempre a verdadeira, meu amor.
—Estou me sentindo… insegura. Ameaçada.
—Por Briana? — Ele levantou a sobrancelha e riu.
—Não vejo graça alguma.
—Pois eu vejo muita graça. Você, ameaçada por Brianna?
—Ela foi sua esposa. A primeira mulher na sua vida. Ela é mãe de sua filha.
—Sim. Ela é tudo isso. Mas sabe o que ela não é?
—O que?
—Você, Elisa. A mulher que eu amo. Brianna para mim é apenas uma preocupação. Da influência dela sobre Victoria. E nada mais.
—Promete?
—Eu amo você, Elisabeta Williamson. E nem Brianna, nem ninguém jamais será uma ameaça. Já não lhe disse que sou seu?
Elisabeta sorriu e beijou o marido. Um beijo longo, profundo, até que ela perdesse o fôlego. Nunca achou que se sentiria assim. Mas como ela mesma (re)escreveu na primeira página de seu livro, o amor é um salto no abismo.
No dia seguinte, Darcy e Elisa acharam melhor Victoria não estar presente quando Brianna chegasse, então Elisabeta a levou para passar a tarde com Lucy. Quando retornou para casa, escutou vozes um pouco altas vindas da sala de visitas. Ao chegar na porta, ouviu as vozes de Darcy e Brianna.
—Eu não entendo! Seja clara, Brianna o que você realmente quer?
—Eu quero você, Darcy.
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