Acordo Nupcial

12 Capítulo 12 - Bem atrás de Você


Notas iniciais
Oi, meninas! Vou começar as notas agradecendo as leitoras maravilhosas que recomendaram a fic: Clea Cullen e Jo G Cullen. Obrigada pelo carinho de sempre, eu amei ♥ Espero que gostem do capítulo, boa leitura ♥

Era inegável que as palavras de Alice me deixaram reflexivas e tudo se repetia em um looping sem fim na minha mente.

Como assim ele tinha contado para ela que eu o abandonei?

Aquilo não fazia o menor sentido. Tanto quanto a parte do ciúme.

Porque ele teria ciúme de mim quando a única coisa que queria era se vingar?

Respirei fundo sentindo minha cabeça dar voltas. Nada daquilo fazia sentido, e por mais perdida que estivesse me sentindo, já deveria estar acostumada. Quando se tratava de Edward tudo perdia o sentido.

—Isso não tem lógica. – rompi o profundo silêncio que recaiu sobre minha sala em meio a um suspiro. —Tudo o que você disse não encaixa com a verdade. Não com a minha, pelo menos.

Alice se remexeu na poltrona e respirou pela boca. Seus olhos cor de mel eram pacientes, mas ao mesmo tempo ansiosos.

—Como te disse, eu conheço meu irmão. E sei que ele estava falando a verdade. – colocou com cuidado. —Posso te fazer uma pergunta?

Prendi o lábio inferior entre os dentes antes de manear com a cabeça em consentimento.

—Qual é a sua verdade? – engoli a seco diante sua pergunta. —Se não quiser responder, não vou insistir. Mas eu gostaria de tentar entender tudo isso, e ouvir o seu lado ajudaria muito. – continuou diante o meu silencio. —Só quero tentar ajudar vocês dois.

Falar abertamente sobre tudo o que aconteceu fora uma opção negada por mim durante os longos quinze anos que se passaram. Contudo, muitas coisas me fizeram concordar em falar sobre aquilo com a Alice.

Seu cuidado e receptividade comigo, todo o sofrimento que anulei por anos, os acontecimentos da noite passada, e as revelações que ela me fizera sobre Edward.

—Tudo bem, eu vou te contar. – respondi soltando o ar que nem havia sentido prender. —Só quero que me prometa que não vai dizer para ninguém o que ouvir aqui.

—Jamais contaria. – sorriu e me passou confiança com seu olhar.

Engoli a seco e me arrumei na cadeira de couro, meu estomago estava gelado e minhas pernas tremiam levemente. Era sempre assim. Os efeitos das lembranças de todo o ocorrido, eram visíveis.

—Edward e eu nos conhecemos quando ele foi fazer um trabalho de jardinagem na casa dos meus pais.

Enquanto iniciava a história, imagens daquela tarde quente renasciam na minha mente. Era como se eu estivesse revivendo aquele exato momento em que eu o avistei da janela do meu quarto.

—Ele era lindo e não precisou de muito para que eu me interessasse por ele. Contava as horas para chegar da escola e ficar observando-o pela janela do meu quarto. – Alice abriu um leve sorriso. —Até que um dia, recebi duas amigas em casa, e elas quiseram descer até o jardim para falar com ele. Você sabe como adolescentes são... – ela concordou com a cabeça e seguiu em silêncio.

Me lembrava da euforia de Jéssica e Lauren como se tudo tivesse acontecido na noite passada. Elas praticamente me obrigaram a descer até o jardim, e mesmo sendo completamente tímida acabei cedendo.

Foi então que nós nos vimos pela primeira vez. Na verdade, foi a primeira vez que ele me viu.

—Não consigo descrever com palavras o que eu senti quando o vi tão de perto. No auge dos meus quinze anos, foi a coisa mais mágica e surreal que já havia vivido. – fiz uma pausa para respirar fundo. —Edward foi muito educado, um pouco tímido, mas extremamente simpático. Tinha o sorriso mais lindo que eu já vi, e uma pose de galã de cinema...

Alice e eu rimos levemente diante minhas últimas palavras. Era cômico relembrar aquilo porque aquele Edward magro, tímido, e tão encantador, não se parecia em nada com aquele Edward que era o meu marido.

—Depois que nós conversamos a primeira vez, foi impossível deixar de falar com ele. Ele me dava uma atenção que eu nunca havia recebido. Era carinhoso e gentil. – tomei fôlego pela boca. —Não foi difícil eu me apaixonar.

Na verdade, foi extremamente fácil. Ele era a única pessoa que ocupava meus pensamentos. Meus dias se resumiam em acordar ansiosa para vê-lo, estudar pensando em voltar para casa, conversar com ele o máximo de tempo possível e depois quando ele precisava ir embora, ficava ansiando pelo dia seguinte.

—Depois de muita conversa sobre os assuntos mais aleatórios possíveis, Edward me chamou para sair e eu aceitei de imediato. Fomos em um boliche que já não existe mais, e depois de um encontro muito divertido, ele me beijou.

Aquele foi o meu primeiro beijo. E foi exatamente como sonhei que seria: carinhoso e mágico.

Nós nos divertimos muito naquela noite e encerrá-la com aquele beijo me deixou ainda mais encantada por ele, por tudo o que estava sentindo e vivendo.

—Depois desse beijo, foi impossível conter as coisas. Não pisamos no freio. E tudo aconteceu muito rápido.

Não precisa contar a ela que seu irmão e eu transamos no terceiro encontro. Aquela parte dava para pular. Pelo menos para narrar, porque as lembranças vivíssimas em minha mente eram impossíveis de serem ignoradas.

—Com quinze anos a gente não tem muita noção da vida, e eu era muito inocente em relação aos meus pais. Achei que eles iriam gostar de saber que estava namorando o Edward, porque tinha escutado o meu pai elogiá-lo no inicio do seu trabalho... – ainda me achava uma estúpida por tamanha ilusão. —Como você deve saber, meus pais foram contra.

Eles ficaram irados, Charlie principalmente. Não pensou duas vezes em demitir Edward e me deu o ultimato: Não se aproxime desse rapaz novamente!

—Sim, Edward me disse que eles não aceitaram. – Alice falou pela primeira vez, seu semblante estava pacífico demais para que eu pudesse lê-lo.

—Foi a partir disso que começamos a nos encontrar escondido. No começo foi divertido, foi instigante, mas depois de alguns meses vê-lo apenas duas ou três vezes por semana já não era suficiente.

A dor que sentia por estar longe dele era imensa. Tanta coisa passava pela minha cabeça. Não conseguia ter a confiança necessária e tudo o que acreditava era que Edward encontraria rapidamente uma mulher mais interessante e com menos problemas do que eu.

—Essa urgência em estar perto fez com que eu começasse a faltar as aulas, sair mais cedo do colégio, mentir muito para os meus pais... Como eles estavam sempre ocupados, nunca imaginei que eles fossem descobrir.

—Mas descobriram.

Concordei com a cabeça e Alice torceu os lábios.

Nunca tinha visto Charlie tão enfurecido como naquele dia. Eles só começaram a suspeitar do meu comportamento quando a diretora do colégio ligou para minha mãe tentando entender o porque eu estava faltando tanto. Os dois juntaram as peças rapidamente e colocaram um segurança para me seguir.

Naquela tarde em específico Edward e eu nos encontramos em um hotel, tivemos um momento lindo juntos e quando cheguei em casa precisei lidar com aquela avalanche que caiu sobre mim.

—Depois que descobriram, as coisas ficaram piores. Eu só saía acompanhada por segurança. Não tinha permissão nem para ir na casa das minhas amigas... Foi um inferno. – confidenciei. —Naquela época a tecnologia era muito remota e isso só dificultava ainda mais as coisas. O único jeito que nós encontramos de conversar era através de cartas.

Ainda guardava algumas em uma caixa pequena no fundo do meu armário, no meu antigo apartamento.

—Eu estava muito revoltada com meus pais, mas o Edward conseguiu me acalmar. Pediu que eu tivesse paciência, jurou que enfrentaríamos toda aquela dificuldade juntos... E os dias foram passando.

Foi uma das fases mais difíceis da minha vida, porque fiquei muitas semanas sem vê-lo. Sem tocá-lo, e aquilo doía tanto. Não tinha uma noite que passava sem chorar de saudade.

—Então surgiu a oportunidade de fugirmos. Meus pais iam viajar para comemorar o aniversário de casamento e eu dei a ideia de irmos embora.

Teria deixado tudo aquilo sem pensar duas vezes.

—Edward não aceitou de primeira. Ficou com medo do que poderia dar errado, de que eu me arrependesse..., Mas não havia outra saída. Ou iriamos embora, ou era o fim. Não dava para namorar daquela maneira.

Alice concordou com a cabeça apoiando o queixo na mão.

—Nós conseguimos nos encontrar algumas vezes antes de tentar fugir. Por conta do mal tempo as aulas acabavam mais cedo e nós tínhamos uma hora para ficarmos juntos. Não era todo dia, mas já ajudava.

—Sim.

—Nesses últimos encontros, nós planejávamos tudo. Cada passo que daríamos nos próximos dias, meses e anos. – soltei um riso irônico diante as lembranças. —Adolescente é um serzinho sonhador!

Alice abriu um sorriso em concordância, a curiosidade brilhava em sua face delicada.

—As coisas fluíram, meus pais viajaram e no dia seguinte iriamos embora....

—Mas não foram. – ela proferiu visivelmente entristecida.

—Não. – minha voz saiu amarga enquanto me relembrava daquela tarde chuvosa e fria. —Edward não apareceu. Fiquei esperando por horas e nada. Ele não foi. E depois disso não tive mais nenhum contato com ele.

Alice chacoalhou a cabeça completamente desacreditada do que eu havia lhe dito.

—Isso não faz sentido. – assobiou um tanto quanto perdida. —Toda a história bate, menos o final... Edward me disse que foi ao seu encontro, mas você não apareceu. E você me diz que quem não apareceu foi ele!

Ela correu a mão pelo rosto em plena frustração.

—Não tenho motivos para mentir, Alice...

—Eu sei, e não acredito que esteja mentindo. Posso ver a dor em seus olhos. – sua voz explanou sinceridade. —É a mesma dor que vejo nos olhos do meu irmão.

Respirei fundo sem saber o que dizer. Ela não iria inventar aquilo. Não a conhecia há muito tempo, mas sentia que Alice era uma pessoa verdadeira.

—Vocês precisam conversar, Bella. Algo aconteceu com vocês. Esse desencontro não foi natural.

—Alice...

—Bella, me ouça, por favor. – pediu me interrompendo. —Vocês dois juram que foram ao encontro, que não desistiram. – pontuou pausadamente. —E os dois juram que foram abandonados.... É óbvio que algo aconteceu! – aumentou a voz em plena certeza. —Alguém armou para separar vocês!

Sua última afirmação me fez recuar o corpo. Ela parecia tão certa daquilo, que contestar fora impossível.

—Mas... Quem? – tinha medo de fazer aquela pergunta e mais ainda da resposta.

Alice me encarou por longos segundos e então desviou o olhar, encolhendo os ombros e se afastando.

—Não posso acusar ninguém. – disse visivelmente constrangida. —Mas posso pedir, ou melhor, implorar para que vocês conversem sobre o que aconteceu. – seus olhos voltaram para os meus. —Eu sei que o meu irmão ainda ama você, acho que ele usou a empresa como desculpa para se aproximar novamente. – fez uma pausa para poder respirar. —E se você ainda o ama, não perca mais tempo. Vá atrás da sua felicidade!

Tamborilei os dedos sobre a mesa enquanto repensava seu conselho. Não demorou muito para que eu transformasse as palavras motivadoras de Alice em coragem. Coragem para me levantar e enfrentar o que for para ficar com o homem que eu amava novamente!

—Você está certa! – empurrei a mesa para afastar a cadeira e me levantar. —Eu preciso resolver isso...

Alice vibrou diante minha atitude, se colocou de pé e me deu um rápido abraço dizendo o quanto estava feliz e o quanto torcia por mim e seu irmão.

Não consegui prestar muita atenção, porque tudo que dominava minha cabeça era a vontade de encontrar Edward, esclarecer as coisas e me entregar de vez a tudo aquilo que lutei contra durante tanto tempo.

Abri a porta decidida a atravessar aqueles corredores correndo, mas a presença de Renée me impediu. Precisei me segurar no batente de madeira para não cair, surpreendida ela se afastou dois passos, me encarando sem entender a euforia.

—Mãe?

—Oi, querida. – soltou me olhando de cima a baixo. —Tudo bem?

—Tudo. – dei de ombros tentando me recompor. —O que está fazendo aqui?

—Estava passando por aqui e vim te ver. – explicou rapidamente, desviando os olhos de mim e encarando Alice.

Não sabia se ela tinha conhecimento de quem Alice era, mas Alice sabia muito bem que estava a frente da mulher que negou seu irmão, e tratou mal somente pela condição financeira.

—Na verdade, eu estava de saída. – proferi me negando a fazer as apresentações e deixar o clima ainda mais pesado.

—Preciso conversar com você. – respondeu firmemente com os olhos presos em mim. —Vai ser rápido, eu juro.

Tomei fôlego pela boca pronta para negar, mas Renée fora mais rápida ao passar por mim e se instalar dentro da sala. Alice e eu nos entreolhamos, pude ver a impaciência em sua face.

—Mãe, essa é a Alice. – disse resignada. —Irmã do Edward.

—Oh. – Renée não escondeu a surpresa. —Não sabia que ele tinha irmãos. – observou antes de abrir um sorriso e estender a mão em direção a Alice. —Como vai, Alice?

—Bem, obrigada. – a vi ser seca pela primeira vez desde que havíamos nos conhecido. —Vou deixar vocês conversarem a sós... Mais tarde conversamos. – abriu um leve sorriso ao me olhar. —Boa sorte.

Recebi sua piscadela abrindo um grande sorriso. Ela era uma pessoa tão especial, uma amiga verdadeira!

O clima na sala ficou tenso e pesado assim que Alice fechou a porta. A adrenalina me consumia por dentro, estava ansiosa para ir falar com Edward, e aquilo me deixava ainda mais incomodada com a presença da minha mãe.

Unindo o fato de tudo o que ela me dissera na noite passada, sua presença ali era a mais indesejada possível.

—Por favor, seja breve, eu preciso sair. – pedi com certa impaciência.

—Não seja dura comigo, querida. Não queria ter discutido com você ontem. – ela suspirou profundamente. —Soube do que aconteceu com você e fiquei extremamente culpada. Não deveria ter te dito aquelas coisas... – Renée se aproximou dois passos e segurou minhas mãos. —Me desculpe.

—Está desculpada. – teria lhe dito qualquer coisa naquele momento, tudo para acabar logo com aquele encontro e poder finalmente seguir na direção que queria.

Renée soltou minhas mãos e me puxou para um abraço. Me senti incomoda e inquieta enquanto ela me apertava, mas tentei retribuir. Não queria perder tempo discutindo.

—Não quero me afastar de você, filha. Não por causa desse rapaz. Ele não vale a nossa briga.

—Mãe, por favor. – me afastei retirando o cabelo do rosto. —Nós não brigamos por causa do Edward, nós brigamos por causa do que você disse. – fiz questão de relembra-la.

—E você acha que não é culpa dele? – me encarou um pouco indignada. —Bella, tudo o que aconteceu de ruim e vem acontecendo, é culpa desse rapaz!

Rolei os olhos e respirei fundo completamente desgastada.

—Isso não é verdade. – a encarei com firmeza. —Agora se você já terminou, eu preciso sair...

—Você ainda gosta dele. – observou ao me interromper. —Mesmo depois de tudo o que ele te fez passar, você ainda gosta dele. – repetiu um tanto quanto perplexa.

—Gosto. – concordei impaciente. —Gosto sim, e daí? – bati o pé ao cruzar os braços. —Qual o problema? Ele é meu marido...

—Isabella! – sussurrou fingindo-se de espantada. —Como você pode se inferiorizar tanto, filha? – rolei os olhos sentindo a impaciência crescer dentro de mim. —Como pode assumir que gosta de um rapaz que lhe fez tanto mal? E pior, que fica tendo almoços românticos com outras mulheres enquanto você está aqui...

—Espera. – pedi confusa. —O que você disse? – lubrifiquei os lábios com a ponta da língua rapidamente. —Almoço romântico? Que história é essa?

Renée maneou a cabeça e forçou o drama ao cambalear para se sentar na poltrona que antes era ocupada por Alice. Ela me encarou com a boca coberta pela mão, voltou a chacoalhar a cabeça e respirou fundo algumas vezes antes de continuar a falar.

—Fui almoçar com umas amigas no Flavor Great e quando estava deixando o restaurante o encontrei. – narrou com certo desdém. —Estava acompanhado de uma moça loira, muito bonita alias...

Engoli a seco diante a descrição.

—Se não estou enganada, ela se chama Tanya. – todo meu corpo gelou com o nome proferido. —Estavam cheio de intimidade, se tocando a todo momento e dando risadinhas cumplices. – explicou detalhadamente. —Tudo isso em público, sem se importar de serem vistos.... Enquanto você está aqui, trabalhando e lutando para ajudar sua família. – Renée negou com a cabeça mais uma vez em pleno desacordo com a atitude de Edward.

Eu precisei me sentar diante o impacto que aquilo teve sobre mim. Já suspeitava que algo rolasse entre os dois, mas aquela era a confirmação definitiva! E o fato de que não tinha como Renée ter inventado aquela história me deixou ainda mais abalada.

Os segundos de surpresa em que me senti vazia foram embora quando a raiva cresceu dentro de mim.

Como eu posso ser tão idiota?

—Você não pode ficar se rebaixando assim...

—Mãe! – aumentei a voz ao interrompe-la. —Será que você pode me deixar sozinha? – pedi com o tom duro. —Preciso trabalhar.

Renée me encarou por longos segundos, mas não relutou em ficar. Beijou minha testa e pediu para que eu me valorizasse mais antes de me deixar sozinha.

Sozinha na sala minha respiração funda fazia eco. Tudo o que eu queria era que alguém se aproximasse de mim e desse uns bons tapas no meu rosto. Quem sabe assim eu acordaria para vida e finalmente percebesse quem era Edward Cullen.

Quando eu ia entender que o homem que eu amava não existia mais? Edward Masen morreu para que Edward Cullen nascesse. E já era hora de compreender aquilo.

Edward Masen jamais enganaria a irmã. Edward Cullen se dissimularia e interpretaria um papel de vitima para quem fosse.

Edward Masen era carinhoso, gentil e romântico. Edward Cullen era um babaca arrogante de ego inflado.

Os dois eram completamente diferentes e já estava na hora de eu entender aquilo. Já estava na hora de eu me conformar com tudo o que acontecera e enterrar de vez aquela história.

O homem que eu amava não existia mais. E as chances daquele casamento darem certo foram para o túmulo junto com Edward Masen.

Não podia encarar aquilo com tristeza ou pesar, deveria enxergar como um livramento. Porque quem ia querer estar ao lado de um homem tão babaca quanto Edward Cullen?

Tanya que fizesse bom proveito!

—Oi, Bella. – Jéssica atendeu a ligação animada. Fazia tempo que não passava algum tempo com as minha amigas e precisava de um momento de descontração naquela noite.

Estava cansada de Edward, dos meus pais, da minha vida. Elas seriam minha válvula de escape.

—O que acha de irmos ao pub do Liam hoje? – fui direta e ela soltou um risinho em resposta.

—Achei que não gostasse mais de ir a pubs. ­— debochou relembrando das minhas palavras da última vez em que fomos a um barzinho.

Realmente havia externado o meu desgosto pelo ambiente, alegando que aqueles lugares movimentados e barulhentos já não eram para mim. Contudo, eu precisava fugir um pouco da minha realidade. Quanto mais barulho e movimento menos conseguiria pensar em todos meus problemas.

—É, acho que mudei de ideia. – dei de ombros. —Mas o que você acha? Estou com saudades de passar um tempo com minhas amigas.

—Acho ótimo. Vou ligar para Lauren e avisá-la que você deu uma pausa na sua vida de casada e se lembrou de nós duas. – ela gargalhou na ligação e eu só consegui bufar. —Aliás, como vai o casamento?

—O contrato, você quer dizer. – a corrigi. —E estamos seguindo todas as cláusulas.

—Argh! Não sei como consegue ser tão prática perto de um homem tão gostoso. – Jéssica soou um tanto quanto atirada, e por mais que tentasse negar aquilo me incomodou um pouco. —Com todo o respeito!

—Você fala isso porque não o conhece. – rebati. —Não essa nova versão dele, pelo menos. – completei diante o fato de que há quinze anos os Edward e Jéssica se davam muito bem.

—É, pode ser. – pude apostar que ela estava dando de ombros. —Falamos sobre isso mais tarde então, que horas podemos marcar?

—As sete?

—Perfeito. – concordou rapidamente. —Até mais então, beijo.

—Beijo.

Encerrei a ligação ainda com o coração disparado de raiva. O que eu mais queria era ir até Edward e lhe dizer poucas e boas.

Deveria ter colocado uma cláusula no nosso contratado que o impediria de me trair. Fui muito burra. Como sempre!

Por mais que eu tivesse que me concentrar no trabalho e gastar minhas energias com toda a burocracia da empresa, não consegui me manter centrada ali. Isso fez com que eu decidisse ir embora mais cedo.

Recolhi minhas coisas na força do ódio, e cada passo que dei para fora da sala fora movido com uma força desnecessária.

—Ângela eu estou indo embora. – a avisei assim que parei a frente de sua mesa. —Se alguém vier me procurar avise que não me senti bem e fui para casa.

—Certo. – ela arrumou os óculos a frente do rosto e me encarou com certa preocupação. —Mas você está bem?

—Estou ótima. – forcei o sorriso, minha voz entonou um cinismo palpável. —Até amanhã.

—Até amanhã.

Marchei em direção ao elevador e me irritei ainda mais com a demora do ascensor. Porque tudo tinha que colaborar para que eu estressasse ainda mais?

Pressionei o botão do térreo com brutalidade assim que entrei pisei no chão de aço. No espelho do elevador pude observar minha cara de poucos amigos. Para ajudar, o lado esquerdo que fora afetado pelo acidente estava um pouco inchado.

Não sei porque fui sair da cama naquela manhã.

Frederick se surpreendeu ao me ver no hall de entrada da empresa, mas correu em direção ao carro assim que o avisei que estava indo para casa. Estava pronta para entrar no sedã prateado quando Alice me chamou.

—Ângela me disse que está indo para casa... – fez uma pausa para tentar recuperar o fôlego perdido. —Você não ia...

—Ia. – a interrompi. —Mas mudei de ideia assim que fiquei sabendo que seu irmão estava em um almoço romântico com Tanya.

Alice arregalou os olhos e ameaçou rir da situação, como se aquilo fosse algo impossível ou improvável.

—Almoço romântico? Com Tanya?

—Sim. – rolei os olhos diante das perguntas de respostas óbvias.

—Acho que quem te contou isso entendeu algo errado, Bella. Porque a Tanya...

—Alice, eu gosto muito de você. – voltei a corta-la. —Por isso acho melhor que a gente não fale mais sobre esse assunto. Ele é seu irmão, e é obvio que vai sempre o defender.

—Jamais passaria a mão na cabeça de Edward se soubesse que ele está te machucando. – sua voz saiu mais séria.

—Eu sei. – suspirei abaixando um pouco a guarda. —Mas prefiro não misturar as coisas.

Ela me encarou por alguns segundos antes de concordar com a cabeça e se afastar dois passos.

—Tudo bem, Bella. Me perdoe pela intromissão.

—Não há motivos para se desculpar. – coloquei um pouco sem jeito. —Gosto de você, te vejo como uma amiga. E é por isso que prefiro não misturar assuntos.

—Certo. Eu entendo. – forçou o sorriso antes de se despedir rapidamente.

Suspirei profundamente ao me sentar no banco do carro. Minha vida estava tão movimentada quanto uma montanha russa. Eram momentos tão opostos, repletos de sentimentos contraditórios...

Parecia que eu estava perdida em um labirinto escuro e estreito. Não sabia para onde ir e cada decisão que tomava me levava para um lugar mais sombrio.

Voltar para aquele quarto fez com que as lembranças da noite anterior voltassem com tudo. Uma coisa eu não podia negar: Edward me proporcionavam os melhores momentos de prazer.

Sexo com ele era uma amostra do paraíso.

Uma pena que a convivência fosse o próprio inferno. Tomei um longo banho na vaga tentativa de ficar mais relaxada, porém, era impossível deixar o corpo leve quando a mente estava pesando toneladas.

Tive um bom tempo para me arrumar. Usei o babyliss para dar ondas leves ao meu cabelo e me maquiei sem pressa, tentando sem sucesso camuflar o curativo em meu supercílio. Os pontos estavam doloridos, contudo, preferi não tomar o remédio para dor já que pretendia beber algumas doses de tequila.

Encontrei certa dificuldade em vestir o body de couro, mas o trabalho não fora nada se comparado a missão de fechar o zíper traseiro da saia de couro justa. Eles formavam um belo conjunto e ficavam ainda mais lindos quando eram acompanhados de botas de cano longo, e um belo sobretudo.

A sobreposição da cor caramelo para os tons pasteis do conjunto de body e saia era lindíssima. Satisfeita com minha aparência saí de casa meia hora adiantada, sabia que Edward estava para chegar e queria evitar aquele encontro.

Quem me esperava na garagem era o senhor Thomas. Ele era educado e gentil, mas não gostava de conversar muito igual Frederick. Como quase não saia de carro a noite, nós não tínhamos muita intimidade.

—Se quiser ir embora, Thomas, está liberado. – disse a ele assim que parou o carro rente ao meio fio. —Depois eu pego carona com minha amiga.

—Obrigado, senhora. Mas devo espera-la aqui. Ordens do senhor Cullen.

Rolei os olhos antes de concordar com a cabeça. Ele saiu do carro e abriu a porta de trás para que eu descesse. Estremeci ao sentir a temperatura negativa, estava muito frio e a neve caia sem parar.

O clima ruim não influenciava muito no movimento do pub. Muitas mesas estavam ocupadas, e sabia que aquilo era reflexo do fim de semana que estávamos iniciando. O pub do Liam era amplo e espaçoso, a decoração tipicamente inglesa fazia com que tivéssemos a plena sensação de estar em Londres.

Estava tomando a primeira dose de tequila quando Jéssica e Lauren chegaram. Era tão bom vê-las que me senti com o coração aquecido.

—O que aconteceu com você? – Lauren perguntou de olhos fixos no curativo em meu rosto.

—Bati o carro ontem, mas não foi nada grave. – as duas arregalaram os olhos a minha frente.

—Ainda bem. – Jéssica suspirou aliviada. —Você sempre foi tão cuidadosa no transito, o que aconteceu? Edward te estressou a ponto de te deixar avoada?

—Basicamente isso. – dei de ombros em meio aos risos dela.

O garçom se aproximou para anotar os pedidos e isso fez uma breve pausa na nossa conversa.

—Mas e aí? Como anda a vida de casada? – Lauren não escondeu a curiosidade, essa que também existia em Jéssica.

—Vocês sabem que meu relacionamento com Edward é baseado em um contrato. – declarei com certo esforço para soar verdadeira.

—Ah, Bella, fala sério! – Jéssica pediu enquanto Lauren bufava. —Você está casada com aquele homem lindo e vem me dizer que o relacionamento de vocês não passa de um contrato?

—Justo com o cara que você mais amou? – Lauren completou tão incrédula quanto Jéssica.

—Vocês sabem muito bem de tudo o que aconteceu...

—Sabemos, mas isso não te impediu de casar. – Lauren retirou o cabelo do rosto antes de continuar. —Porque te impediria de transar?

Rolei os olhos e bufei alto.

—Para a informação de vocês, nós transamos ontem e hoje ele foi almoçar com a amante.

Vi a boca das duas se abrirem em “o” perfeitos.

—Amante? – Jéssica soou surpresa.

—Sim. – só pensar naquilo já ficava irritada. —E eu estava até pensando em falar com ele e tentar validar nosso casamento... – soltei o ar pela boca me sentindo uma idiota.

Quando eu ia aprender e parar de ser trouxa?

—Como você sabe que é amante dele? – Lauren perguntou verdadeiramente interessada.

O garçom voltou com nossas bebidas e isso me impediu de responde-la de imediato. Tomei mais uma dose de tequila e apreciei o formigamento que a bebida deixava em minha garganta.

—Suspeitei que havia algo a mais na primeira vez que os vi juntos. – confidenciei dando de ombros. —E hoje minha mãe os viu juntos no restaurante dele. Disse que estavam cheios de intimidade.

Só de imaginar a cena o ódio se alastrava por meu corpo. Não conseguia entender como ele tinha coragem de ser tão babaca. Nós havíamos transado há menos de vinte e quatro horas!

Eu era o que para ele? Uma piada?

—Não imaginava que o Edward fosse esse tipo de homem. – Jéssica assumiu bebericando seu chopp. —Achei que ele tivesse mudado.

—Ele mudou. E é aí que mora o problema. – minha voz saiu amarga, tão amarga quanto os sentimentos que me consumiam.

Era um misto como sempre e não conseguia identificar qual falava mais alto.

Senti o celular vibrar dentro da minha bolsa e meu coração pulou uma batida quando o nome dele piscou na tela. Mordi meu lábio inferior verdadeiramente tentada a atender e lhe mandar para o inferno, mas decidi ignorar a ligação.

Não tinha nada para falar com ele.

—Você deveria atender seu marido. – Lauren proferiu com certo cuidado.

—Não tenho nada para falar com ele. – externei o pensamento a elas, que encaravam algum ponto atrás de mim.

—Mas acho que ele tem alguma coisa para falar com você.

—Porque? – encarei Jéssica sem saber onde ela queria chegar.

—Porque ele está bem atrás de você.

Notas finais
Quantas informações esse capítulo trouxe, não? hahaha Coletem tudo, logo a explicação vem! Por aqui, queria agradecer a todas as leitoras maravilhosas que estão comentando a fic. Acho que nunca tive uma história tão comentada e isso enche meu coraçãozinho de amor! Não parem, estou respondendo a todas sempre que sobra um tempinho! E vocês sabem como funciona, né? Quanto mais comentarem, mais rápido eu volto... Se arrasarem como fizeram no anterior, sexta-feira estou de volta ♥ Por aqui é isso... Nos vemos, beijos!