Acordo Nupcial
7 Capítulo 7 - Senhora Cullen
Notas iniciais
Eu sabia que aquilo era errado e que muito provavelmente acabaria comigo quando tudo terminasse.
Sabia que me entregar a ele mais uma vez depois de tanto tempo reacenderia sentimentos que levei anos para apagar. Sabia que permitir que ele tomasse meu corpo de um jeito que ninguém mais fora capaz me faria ter ainda mais certeza de que ele era a única pessoa que tinha por inteiro.
Eu sabia. Sabia de tudo.
No entanto, nenhuma razão era maior que a paixão que consumia cada pedacinho do meu corpo, enquanto Edward descia sua boca por meu pescoço. Seus lábios sugavam sem delicadeza aquela parte tão sensível de mim, e as mãos grandes percorriam as laterais do meu corpo com uma intimidade sem igual.
Elas me conheciam muito bem, sabiam me explorar com a pegada certa.
Edward deixou meu pescoço de lado para voltar a me beijar. Foi impossível conter o suspiro quando seus lábios se encaixaram nos meus novamente. Sua língua pressionou a minha antes de seus lábios sugarem o meu inferior lentamente. Um arrepio passou por mim, me deixando momentaneamente nostálgica.
Eu amava quando ele fazia aquilo. E pelo visto, Edward ainda não havia se esquecido.
Com um impulso forte, eu fui suspensa do chão para cair sentada na ilha de mármore.
Nem mesmo a temperatura fria fora capaz de me desconcentrar. Estava super fixa na ideia de bagunçar —ainda mais— os fios cobreados de Edward, saciando —ou ao menos tentando— aquela saudade matadora que me consumia e que tanto lutei para reprimir.
O anseio que eu sentia ia além de qualquer descrição era uma vontade insuportável.
Aquilo queimava, corria por minhas veias pulsando em meu sangue.
Edward se colocou entre minhas pernas, se ajustando e me puxando para manter nossos corpos colados. As mãos seguravam meu rosto com a força certa, afagando minhas bochechas enquanto sua língua acariciava a minha.
Meu corpo estava todo arrepiado e quente, latejando por todo o desejo que tanto reprimi em quinze anos.
As mãos de Edward mudaram de posição, uma se alojou atrás da minha nuca, tratando de aprofundar ainda mais nosso beijo, enquanto a outra desceu por meu pescoço passando por meu ombro em um toque envolvente, até abaixar a lateral do roupão que me cobria.
Um calafrio subiu por minha espinha deixando meu estomago gelado.
Outro suspiro escapou de mim quando suguei e mordi seus lábios.
Sua mão passou por meu braço, seus dedos se arrastaram por minha pele em uma caricia envolvente... E naquele segundo tive um lapso de consciência que me fizera perceber o quanto havia sentido falta daquele toque único.
Enrolei meus dedos em seu cabelo movendo o corpo contra o seu, tentando nos deixar ainda mais colados.
Era uma urgência inarrável. Um desejo incomum.
Tinha tanta necessidade de sentir seus toques, seus beijos, suas caricias, quanto tinha por respirar.
Chegava a ser absurdo.
Meu baixo ventre vibrou mandando recados diretos a minha boceta que se contraiu em uma piscada de suplica desesperada. Já estava molhada, praticamente encharcada. Completamente pronta para receber Edward por inteiro.
Aquilo fez uma expectativa imensa surgir dentro de mim, me fez saltar no mármore frio, minhas pernas passaram por seu quadril e com um impulso forte eu o trouxe para mais perto.
Nós dois gememos juntos quando seu pau duro se encontrou com meu centro molhado e mergulhando de vez naquela loucura, comecei a convulsionar meu quadril contra o seu.
Os panos do roupão e da calça que ele vestia atrapalhavam um pouco, mas não eram capazes de diminuir toda a excitação que aqueles movimentos de vai e vem me proporcionavam.
A urgência apareceu em Edward também, que separando nossas bocas, me empurrou até fazer com que eu deitasse sobre a ilha de mármore. Mal conseguia respirar, tamanha a euforia que sentia.
Todos os sentimentos intensos que tanto lutei para enterrar estavam voltando a cada toque que Edward dava em meu corpo. E o tesão só aumentava.
Ele se inclinou sobre mim e me beijou mais uma vez. Afundei os dedos em seu cabelo sugando sua língua e me deliciando com aquele beijo que eu jamais provei igual.
Minhas pernas se estreitaram ao redor de sua cintura o que ajudou a pressionar ainda mais seu pau duro contra minha boceta.
Nós dois gememos em meio ao beijo, um resfolegando na boca do outro. Meu corpo queimava diante seu toque, implorava por mais.
Afoito, ele afastou nossos corpos para poder soltar o laço que prendia meu roupão, e quando sua pele pressionou a minha cada pelinho do meu corpo ficou arrepiado.
Sua mão subiu por minha barriga e em clara provocação, pressionou meus seios por cima do sutiã, antes de se voltar as minhas costas.
Ofegante, separei minha boca da sua na vaga tentativa de recuperar o folego.
Mas como eu podia fazer isso quando tinha a boca macia e quente de Edward em meu pescoço?
Ele mordia, chupava, lambia... Me deixava ainda mais cega de desejo.
Chegava a doer. Eu o queria tanto que doía.
A pressa tomou conta de mim e em meio a ânsia de saciar toda aquela luxuria que queimava em minhas veias, desci minhas mãos por suas costas até encontrar o cós de sua calça. Senti um sorriso nascer contra minha pele quando pressionei o moletom para baixo, no mesmo instante, os colchetes do meu sutiã foram separados.
Nossos corpos se separaram e eu senti instantaneamente. Não queria me separar dele. Não mais.
Ofegante, abri os olhos para logo encontrar os dele.
Estavam intensos, mais escuros e fodidamente brilhosos.
Olhando em seus olhos naquele momento consegui reconhecer o homem por quem me apaixonei há quinze anos... e aquilo me deixou ainda mais entregue.
Edward se inclinou, deixou um rápido beijo sobre a minha boca antes de soltar meu sutiã e jogá-lo para longe.
Suspirei profundamente me sentindo mais aliviada. Por mais que fossem apenas lingeries rendadas, estar vestida naquele momento me deixava incomoda demais. Então, lá estava eu: deitada sobre o roupão, apenas de calcinha, arfante, excitada ao extremo e a frente do ex mais gostoso que alguém poderia ter.
Minha visão estava turva, embaçada, —eu sabia que era só uma consequência de todo aquele tesão que me consumia— mas consegui ver e muito bem a mordida sexy que Edward deixara em seu lábio inferior.
A atenção estava presa nos meus seios, podia ver a fome e a luxuria, delineando seus olhos verdes.
Sua boca pousou sobre a minha com calma, subi as mãos por suas costas entreabrindo meus lábios. A língua quente deslizou por eles até esbarrar com a minha.
Suspirei profundamente passando minhas unhas por sua pele macia.
Interrompendo nosso beijo, Edward desceu sua boca por meu queixo deixando uma mordidinha provocante. Engoli a seco sentindo meus pelos se arrepiarem. Sua boca continuou a correr por meu pescoço com beijos molhados.
E deliciosos.
O hálito quente colidia contra a minha pele que estava absurdamente sensível. Ele deixou beijos por todo meu colo e conforme ia descendo, eu ia inclinando meu corpo deixando seu caminho ainda mais livre e fácil.
Mordi meu lábio quando sua língua molhada contornou meu mamilo rijo, seus lábios entreabertos pousaram sobre ele e então, o sugaram lentamente.
Não contive o gemido.
Edward sustentou todo o peso do meu corpo enquanto sugava com calma o bico do meu peito, passando a língua e os dentes por ele.
Minhas mãos foram para seu cabelo, puxando-o no ritmo em que ele me chupava.
Meu quadril parecia ter vida própria, rebolava incansavelmente de encontro ao dele na tentativa desesperadora de encontrar o volume que seu pau duro provocava na calça.
Edward fez questão de chupar meus dois meus dois peitos com uma voracidade impressionante. Estava faminto... Saudoso.
Os gemidos que saíam sem reserva da minha boca cessaram por um momento, quando ele afastou a boca dos meus peitos... Estava pronta para praguejar, mas assim que ergui a cabeça, tive a vista privilegiada do seu pau saindo para fora da calça. Engoli a seco com o corpo todo arrepiado pelo longo calafrio que percorreu minha espinha.
As mãos de Edward foram rápidas e habilidosas em abaixar minha calcinha e sem deixar de me olhar, deslizaram ela por minhas penas.
Um suspiro de alivio escapou de mim quando passei meus braços pelos ombros de Edward e as pernas por seu quadril, podendo enfim sentir pele contra a pele.
Sem roupas, sem empecilho, sem nada no caminho.
Seus orbes verdes me hipnotizavam da mesma forma que fizeram pela primeira vez.
Suspirei voltando a beijá-lo, sabendo que, olhar naqueles olhos por muito tempo, não era boa ideia. Podia sentir seu pau raspar em minha boceta, por isso rebolava a procura de um contato maior.
Edward e eu gemíamos pelo mero e delicioso contato, o que só nos deixou mais afoitos e ansiosos.
—Edward... – o nome escapou dos meus lábios em um reflexo impossível de conter. Estava tão excitada que já me encontrava em transe, precisava que aquela tortura acabasse logo, precisava ter seu pau dentro de mim.
Inclinei o corpo em direção ao seus e sem medir a distância que separavam minhas mãos da boleira de cristal, acabei empurrando-a para fora da ilha.
O barulho do vidro colidindo contra o mármore fora alto. Alto o suficiente para me fazer pular na poltrona e arregalar os olhos.
Com os batimentos aceleradíssimos me vi momentaneamente perdida, levei alguns segundos para processar onde estava e o que tinha acontecido.
O dia começava a clarear em Chicago, a neve caia com mais intensidade e o transito a beira do rio Michigan estava começando a ficar intenso.
Abaixei os olhos até os meus pés e praguejei ao ver o chão coberto por cacos de vidro. O vidro da garrafa de champanhe que havia tomado.
Ainda anestesiada pela mistura de sonho e realidade, pelo susto que a quebra da garrafa me causou, me levantei da poltrona onde havia passado a noite. Minhas costas estavam doendo, sentia todo meu pescoço tensionado, mas nada incomodava mais que aquela sensação de frustração.
Então era só um sonho?
Me encarei no espelho do banheiro observando o corar intenso das minhas bochechas. Meu peito subia e descia rapidamente abaixo do roupão, e as lembranças daquele sonho intenso ainda estavam vividas na minha mente.
Chacoalhei a cabeça me esforçando para espantá-las.
O que estava acontecendo comigo? Desde quando tinha aquele tipo de sonho... Ainda mais com Edward?
Afundei todo o corpo na banheira na falha tentativa de me livrar daqueles sentimentos que me embalavam. Principalmente do tesão que ainda existia em mim.
—Estou ficando maluca. – decretei evitando me olhar no espelho enquanto escovava os dentes e passava meu hidratante facial.
Claro que tudo aquilo era resultado de dias e acontecimentos muito intensos. E a falta de sexo, obviamente... O champanhe também deve ter ajudado minha mente a criar aquela situação.
Respirei fundo e maneei a cabeça veementemente, a vergonha que sentia me fazia corar ainda mais.
Como se já não bastasse todas as sensações e sentimentos contraditórios que aquele sonho me proporcionara, ter passado a noite naquela poltrona me deixou quebrada. Meus ombros estavam duros, e quase não conseguia mover meu pescoço.... Não sem sentir uma fisgada dolorida na nuca.
Me vestir e me maquiar fora uma tarefa complicada visto as tensões musculares que haviam me acometido.
Um belo presente de casamento!
Ironizei abrindo a gaveta de joias onde as poucas peças que me restavam estavam postas. Assim que coloquei o colar delicado de brilhante, que fazia par com belos brincos, parei em frente ao espelho para avaliar minha roupa.
Contudo, não fora a calça caramelo de cintura alta e barras largas que chamaram minha atenção. Tampouco o body de couro negro ou as botas de cano curto, bico e salto fino.
O que atraiu meus olhos assim que me postei à frente do espelho fora a falta da aliança. Senti todo meu corpo gelar enquanto tinha um leve surto a procura daquele anel. Por mais que não tivesse desejado aquele casamento, sabia das minhas obrigações e iria cumpri-las.
Quando voltei para o quarto consegui ignorar a poltrona e os cacos de vidro no chão, procurar minha aliança era uma missão mais importante do que ficar relembrando aquele sonho... Que deveria ser esquecido.
Soltei o ar pela boca aliviada assim que encontrei a aliança sobre o móvel branco. Colocá-la novamente no dedo me deixou ainda mais tensa. Era a primeira vez que sairia com ela, que sairia casada... Sendo oficialmente a Senhora Cullen.
Maneei a cabeça e deixei aquelas constatações de lado para focar no que realmente importava: reerguer a empresa da minha família.
—Bom dia, senhora Cullen. – Gina me cumprimentou assim que nos encontramos no corredor silencioso.
—Gina, por favor, me chame apenas de Bella. – reforcei o pedido olhando em seu rosto alvo que ficou levemente corado. —Bom dia.
—Claro, Bella, me desculpe. – pediu em extrema cortesia. —Já ia vir te chamar, o senhor Cullen já está tomando o café da manhã, e eu queria saber o que devo fazer para a senhora.
—Não costumo comer nada pela manhã, Gina. – a olhei rapidamente enquanto descíamos as escadas. Abafei as lembranças do meu sonho, mas não consegui deixar de me surpreender. Havia visto aqueles degraus pouquíssimas vezes e minha mente fora capaz de reproduzi-los com extrema perfeição. —Só tomo um pouco de café, as vezes como uma torrada... Obrigada pela preocupação.
—Certo. – maneou a cabeça e colocou o cabelo loiro atrás da orelha. —Se quiser que eu faça algo pela senhora...
—Na verdade eu queria te pedir um favor. – cessei os passos para olhá-la. —Quebrei uma garrafa no quarto sem querer, você pode pedir para alguém recolher os cacos?
Por um segundo seus olhos claros se revelaram um pouco curiosos, mas ela não demorou a se recompor.
—Com toda certeza. – afirmou. —A senhora se machucou?
—Não, estou bem. – respondi com um sorriso rápido.
—Ok, vou pedir para limparem seu quarto. – correu as mãos pelo uniforme preto que era um tanto quanto elegante. —O senhor Cullen está a sua espera na cozinha, quer que eu a acompanhe?
—Na cozinha? – perguntei após engolir a seco.
—Sim, algum problema?
—Não. – forcei o sorriso. —Problema nenhum. Obrigada, Gina.
É claro que ela estranhou minha reação, mas quem não estranharia? Não precisava ser uma terceira pessoa para saber que meu rosto se contorceu assim que o local fora divulgado.
Aquele apartamento era imenso... Porque ele tinha que estar tomando o café da manhã justamente na cozinha?
Engoli a seco enquanto criava coragem para seguir até o cômodo. As lembranças ainda estavam vivas na minha cabeça, as sensações ainda repercutiam em meu corpo... E assim que atravessei a porta entrando no cômodo amplo todo meu corpo se arrepiara.
Inclinei o queixo e me forcei a ignorar a presença da ilha a minha direita.
É só fingir que ela não está ali!
Decretei a mim mesma caminhando rapidamente até a mesa redonda que ficava no fundo da cozinha.
E então percebi que ignorar a mesa não era nada se comparado a missão de ignorar Edward. Sentado em uma das cadeiras, ele desviou os olhos do celular para me olhar assim que me aproximei. Havia aparado um pouco a barba, e exalava a loção pós banho. O terno preto deixava-o ainda mais branco, o que fazia com que seu cabelo ruivo se destacasse ainda mais.
—Bom dia, Isabella. – cumprimentou antes de levar a xícara branca aos lábios. Engoli a seco observando-o correr a língua no lábio inferior para capturar uma gotícula de café que escapara de sua boca. —Dormiu bem?
Maneei a cabeça sentindo minhas bochechas queimarem enquanto minha mente se afundava nas lembranças daquele sonho quente.
—Bom dia. – minha voz falhou consideravelmente e quis me estapear pela falta de postura. —Já pedi para me chamar só de Bella.
Não queria entrar no assunto sobre minha primeira noite ali. Era melhor esquecer. Ou tentar esquecer.
—Não vai comer nada? – indagou ao ignorar meu pedido.
De olhos baixos maneei a cabeça em negação. E com os dedos trêmulos servi minha xícara com um pouco de café.
Que merda estava acontecendo comigo?
—Ainda não tem fome de manhã?
—Não. – respondi rápido antes de tomar um gole do líquido quente que desceu cauterizando toda minha garganta.
Tamborilei os dedos sobre a mesa mantendo meus olhos baixos, encarando todas as comidas que estavam a minha frente, tudo para não olhar dentro daqueles olhos verdes. Tudo para não me torturar ainda mais com as lembranças do meu sonho.
—Se você não vai comer nada, acho que já podemos ir.
—Sim. – confirmei me levantando ao mesmo tempo que ele.
Evitar olhá-lo me preservou de certas coisas, mas me fez perder completamente a não de espaço, o que resultou em um esbarrão entre nossos corpos. Suas mãos foram rápidas ao segurar em minha cintura e impedir que eu me esborrachasse no chão.
Com o coração disparado no peito ergui a cabeça para olhá-lo e foi a pior decisão que tomei nas ultimas horas. Seu rosto estava tão próximo do meu que podia sentir o ar quente de sua respiração bater contra minha pele. E seus olhos... Seus olhos verdes praticamente reluziam de tanto que brilhavam.
—Você está bem? – perguntou baixo, a voz rouca eriçou todo meu corpo.
—Sim. – minha resposta saiu em um sussurro quase inaudível.
Edward intercalou o olhar entre meus olhos e minha boca, e o vi engolir a seco antes de se afastar. Dando um passo para trás, correu a mão pelo cabelo e pigarreou alto.
—Vamos?
Ainda afetada só consegui concordar com a cabeça, e então o segui para fora no mais profundo silencio, ignorando mais uma vez a presença da ilha. O silencio ficou ainda mais constrangedor quando entramos no elevador, por maior que ele fosse parecia que estávamos compridos.
Foi impossível não me sentir aliviada quando as portas se abriram na garagem exclusiva que o edifício oferecia apenas para Edward. Ele tinha muitos carros, eram quatro fileiras separadas por modelos, e deixei de conta-los quando o motorista se aproximou.
—Bom dia, Frederick. – Edward cumprimentou educadamente.
—Bom dia senhor Cullen. – o homem que deveria beirar os cinquenta anos respondeu com um sorriso largo. —Senhora Cullen, é um prazer te conhecer. – estendeu a mão em minha direção e rapidamente aceitei seu cumprimento.
—O prazer é meu.
—Bella, o Frederick vai te levar até a Gamovies, e para qualquer outro lugar que precise ir.
Estreitei os olhos e me virei para encará-lo.
—Você não vem junto?
—Não. – negou desviando os olhos. —Vou ter que ir até a minha empresa resolver uns assuntos, mas logo nos encontramos.
Respirei fundo repassando suas palavras antes de concordar com a cabeça.
—Podemos ir, senhora Cullen?
—Claro. – confirmei sentindo o frio no meu estômago aumentar por não saber como deveria agir.
Frederick sabia que não éramos um casal de verdade? Ou ele pensava que éramos recém-casados apaixonados?
Minha duvida fora anulada assim que Edward me deu as costas e tirou o celular do bolso para pressioná-lo contra a orelha. Pisquei algumas vezes tentando assimilar com naturalidade aquela postura fria e impessoal.
Porque eu estava me incomodando com aquilo? Era exatamente assim que tinha que ser... Nós não tínhamos nada, e iríamos continuar não tendo. O teatro aconteceria apenas na frente de algumas pessoas...
—Quer que eu faça algum caminho específico, senhora Cullen?
Maneei a cabeça para me livrar daqueles pensamentos e encontrei os olhos escuros de Frederick através do retrovisor.
—Não, pode fazer o trajeto que achar melhor. – forcei um sorriso. —Mas por favor Frederick, me chame apenas de Bella.
—Como quiser, Bella. – sorriu. —Mas me chame de Fred então.
—Assim fica perfeito, Fred.
Fred era um homem muito atencioso e simpático. Nós conversamos durante toda a meia hora que passamos no carro, e ele me contou muitas coisas sobre sua vida. Era casado há trinta e cinco anos, tinha quatro filhos e dois netos. Me surpreendi ao saber que ele já tinha sessenta anos, e ele me respondeu que o segredo de sua juventude era o excesso de melanina.
Conversar com ele me deixou mais calma e me fez esquecer um pouco de tudo o que estava acontecendo na minha vida.
—Bom dia, senhora Cullen! – Ângela me saldou sorrindo com malicia assim que cheguei no andar da minha sala.
Soltei o ar pela boca verdadeiramente cansada de ouvir as pessoas me chamarem assim. E era apenas o primeiro dia.
O primeiro de trezentos e sessenta e cinco dias...
—Bom dia, Ângela. – respondi abrindo a porta do meu escritório. Era melhor parar de corrigir as pessoas e me acostumar de vez com aquilo.
Afinal de contas, eu era a senhora Cullen.
—Pensei que nem fosse vir para a empresa hoje. – ela disse com a voz cheia de segundas intenções. —Achei que fosse aproveitar o maridão.
—Não fale bobagens. – pedi e ela riu alto em resposta. —Preciso que reúna o pessoal e avise sobre a presença do Edward.
Com a postura mais séria ela concordou com a cabeça enquanto pendurava meu casaco no armário embutido.
—E já deixe bem avisado que não vou admitir nenhum tipo de comentário maldoso sobre o meu casamento.
—Pode deixar, chefe! – bateu continência. —Mas o seu marido... Ele não vai vir para cá? – ela perguntou fingindo um ar de desinteresse. Rolei os olhos ao me sentar na poltrona de couro e não contive a careta.
Meu pescoço estava extremamente dolorido!
—Vai. Ele vai vir. – soltei o ar pela boca tentando massagear meu ombro na vaga tentativa de melhorar a tensão. —E me avise assim que ele chegar, ok?
—Sim, senhora. Por enquanto é só?
—Veja se você consegue um horário com a Clarisse para mim? – pedi com a voz lamuriosa. —Dormi de mal jeito e estou toda dolorida.
Tudo o que eu mais precisava era de uma massagem intensa e relaxante nos ombros. Como se já não bastasse todo o peso dos últimos acontecimentos para carregar, a noite naquela poltrona havia acabado comigo.
Quando Ângela me deixou sozinha toda a exaustão recaiu sobre mim. Tantas coisas estavam acontecendo ao mesmo tempo que era extremamente complicado assimilar tudo.
A falência da Gamovies, o retorno de Edward, nosso casamento...
Era tanta coisa para pensar que minha cabeça queria explodir. E no meio de toda aquela bagunça, ainda tinha que lutar para não confundir o passado com o presente. Claro que depois daquele sonho minha batalha ficara ainda mais árdua e complicada.
E trouxera à tona uma coisa que não queria admitir: ainda tinha atração por ele. Meu corpo ainda pedia pelo dele. Por mais que quisesse negar, era melhor admitir de uma vez por todas que estar ao lado me deixava em alerta o tempo todo.
Sabia que assumindo aquilo para mim mesma seria mais fácil lidar e ignorar a tensão sexual que me possuía quando estava com ele.
Corri a mão pelo cabelo e tentei deixar aquilo de lado recomeçando a ler o documento pela quinta vez.
Ler aquela planilha de gastos nunca foi tão difícil!
Meu celular vibrou sobre a mesa e me fez abandonar por vez aquela missão de ler o documento para poder atender a chamada de Edward.
—Oi, Edward.
—Peça para arrumarem uma sala de reuniões aí, que já estou chegando com todo o pessoal. – foi direto.
—Todo o pessoal? – estranhei. —Que pessoal?
—O que eu separei para trabalhar conosco. – respondeu como se fosse algo óbvio. —Te explico quando chegarmos aí. Peça para deixarem a sala arrumada para oito pessoas.
Não tive tempo de responder já que ele encerrou a ligação assim que terminou de falar. Rolei os olhos diante sua grosseria.
Porque ele tinha que ser tão ogro?
Ângela me ajudou a organizar a sala de reuniões principal para receber Edward e os profissionais que trabalhavam para ele, já que os faxineiros que trabalhavam na Gamovies estavam em um tipo de greve por falta de pagamento.
No exato momento em que terminamos de posicionar as cadeiras ao redor da mesa retangular Edward chegara com seu “pessoal”. Seis pessoas o acompanhavam, duas eu já conhecia: Alice, minha “cunhada”, e Emmet o melhor amigo de Edward.
—Como vai, Bella? – ele perguntou assim que entrou na sala. Sorria simpaticamente como sempre, e covinhas fundas emolduravam seu sorriso branco.
Emmet era muito simpático, e fora uma das poucas pessoas que gostei de conhecer na tarde de ontem.
—Bem e você, Emmet?
—Muito bem. – ele me lançou uma piscadela divertida antes de ir se sentar.
Alice me cumprimentou com um abraço rápido e não deixou de dizer como eu estava linda. Era impossível não me sentir a vontade com ela. Diferente do irmão, Alice era sempre um doce de pessoa.
—Vou adorar trabalhar aqui com você. – declarou ao se sentar ao meu lado, me lançando um sorriso terno e verdadeiro.
Entreabri os lábios para responde-la, mas a voz de Edward me impediu. Sentando na cabeceira da mesa ele se mostrou sério e profissional ao me apresentar cada um que ali estava.
Alice, Emmet, Garret, Jacob, Leah e Tanya, compunham a equipe que ele selecionara para trabalhar na Gamovies conosco. Cada um com sua competência e especialização.
—Como vocês bem sabem, a Gamovies enfrenta uma crise difícil e intensa, por isso preciso da dedicação total de cada um. – intercalou seus olhos entre os presentes. —É uma questão de honra para mim, ajudar a empresa da família da minha mulher.
Contive o ar nos pulmões sentindo meu corpo gelar com suas ultimas palavras. O observei de soslaio e percebi que sua atenção estava em mim. Ignorando o aumento do ritmo das batidas do meu coração, peguei o copo com água e tomei um grande gole do líquido gelado.
—Não tenho a menor dúvida que nós vamos conseguir, Ed. – Tanya a mulher alta, loira e dona de curvas esguias, proferiu de olhos no notebook a sua frente.
Ed.
Repeti mentalmente me sentindo levemente desconfortável com o grau de intimidade que aquele apelido de duas letras externava.
—Então a partir de amanhã nós já podemos vir para cá? – Garret questionou enquanto equilibrava uma caneta entre os dedos.
—Sim, quero todos aqui. – Edward confirmou após tomar um pouco da água. —Depois peça para Ângela explicar a disposição das salas para cada um... – pediu voltando os olhos para mim.
—Ok.
A reunião não durou muito tempo e percebi que ela acontecera mais para que eu fosse apresentada a cada um. Todos foram educados e se mostraram a minha disposição para qualquer problema.
Contudo, não deixei de reparar na aproximação constante entre Edward e Tanya. Hora ou outra os dois falavam baixo entre si, e em alguns momentos até trocavam alguns risinhos.
—Usem o período da tarde para se inteirar sobre os detalhes da empresa. Amanhã quero todos focados. – a voz de Edward saíra autoritária, mas não havia excesso de poder. —Exceto você Tanya. – desviei os olhos do notebook para olha-lo. —Você vem comigo, vou precisar da sua ajuda.
—Como quiser, Ed. – ela sorriu e voltou a guardar seus pertences na bolsa de marca.
—Você não vai almoçar? – perguntei ao me levantar da cadeira. Um sentimento desconfortável me comichava por dentro. Não que eu me importasse com aquilo, só estava curiosa...
—Não, vou comer algo rápido no escritório. – me respondeu de olhos atentos no celular. —Nos vemos a noite. – completou me olhando por um rápido instante, e em um gesto rápido deixou um beijo casto sobre meus lábios.
Boquiaberta o vi deixar a sala de reuniões sendo escoltado por aquela Tanya, a qual já havia ganhado minha antipatia.
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