Acordo Nupcial
6 Capítulo 6 - E eu os declaro Marido e Mulher
Notas iniciais
Tomei um grande gole do champanhe francês enquanto encarava o cômodo amplo a minha frente. Era muito bem decorado, a cama era grande e os lençóis importados. A parede de vidro oferecia uma vista maravilhosa do rio Michigan, e todas as persianas eram automáticas.
Tudo ali era de um luxo tremendo. Começando pelas luminárias de cristal puro, até os tapetes de pelo macios e vistosos. Contudo, era tudo tão frio e impessoal, que nem todo o valor exorbitante do quarto chegava perto da tristeza que era estar ali. Aquela suíte de mais de cem metros quadrados seria a minha “casa” pelo próximo ano.
Respirei fundo e me encolhi na poltrona branca.
Tudo que tinha acontecido na ultima semana havia me deixado completamente exausta. Principalmente a tensão dos últimos dias.
Conhecer a família de Edward foi uma tarefa complicada, mas se comparado ao que senti quando ele fora a casa dos meus pais, aquele jantar com os Cullen’s virava um sonho.
Pensei que fosse desmaiar de nervoso quando Charlie atravessou as portas sanfonadas da biblioteca e deu de cara com Edward, contudo, nada tinha me preparado para sua reação. Diferente de Renée, ele não o reconheceu, o que obviamente, chocou a todos.
—É um prazer te conhecer, rapaz. – disse com toda sua dificuldade, aproximando-se um pouco de Edward.
—O prazer é meu. – sua resposta saiu entredentes, aparentemente aquilo havia o decepcionado muito.
Mas eu só conseguia me sentir aliviada. Se Charlie soubesse que aquele Edward, era o mesmo que causara tantos problemas na nossa família, ele provavelmente teria outro AVC.
—Então vocês vão se casar? – indagou interessado, enquanto nos acomodávamos nos sofás vitorianos da biblioteca.
Meu estômago doía de tanta aflição e evitava a todo custo encarar Renée. Sabia que assim que ficássemos sozinhas ela iria despejar tudo o que estava pensando.
—Vamos sim. – Edward respondeu a Charlie que sorriu um tanto quanto satisfeito.
Mal conseguia acreditar naquela falha de lembrança do meu pai. Edward tinha mudado muito, mas seus traços permaneciam os mesmos... Talvez fosse o AVC que o deixara meio confuso.
—Bella! – a voz que entonou um ar perplexo rompeu minha bolha de lembrança e me pegou completamente desprevenida, me fazendo praticamente saltar na poltrona.
—Que susto, Jéssica! – praguejei me virando para olhá-la, meu coração batia disparado no peito.
—Olha só o seu vestido... Está todo amassado. – lamuriou com os olhos no tecido branco.
Respirei fundo antes de me levantar, as rugas que se formaram no vestido se desfizeram quase que por completo.
—Renda não amassa. – rolei os olhos tomando o restante do champanhe que havia na minha taça.
—O forro não é de renda. – respondeu com certa impaciência.
Contive a vontade de correr a mão pelo rosto para não borrar a maquiagem e deixei que ela ajustasse o vestido por meu corpo.
—Você está tão linda! – suspirou ao ficar ereta novamente, seus olhos castanhos brilharam e o sorriso em sua face fora grandioso.
Tentei retribuir com o máximo de entusiasmo que consegui, mas tenho certeza que não fui além de uma careta.
—Você não parece muito feliz.
—Não estou mesmo. – dei de ombros deixando a taça vazia sobre o aparador branco. Me olhei rapidamente no espelho e a imagem refletida pesou ainda mais nos meus ombros.
O vestido que tinha escolhido era realmente lindo. Tinha decote ombro a ombro com o recorte da renda contornando meu colo, descia justo modelando meu corpo, e se abria na altura dos meus joelhos, seguindo em comprimento midi.
Meu cabelo já tinha sido arrumado em ondas largas, e a maquiagem, felizmente, era a prova de água. Por mais que estivesse impecável, não estava nem um pouco feliz... Tinha sonhado diversas vezes com o dia do meu casamento e nem de longe me imaginei tão deprimida.
Se aquilo tivesse acontecido há quinze anos, eu seria a mulher mais feliz do mundo!
—Poderia ser pior, amiga. – a voz de Jéssica rompeu milha bolha de pensamentos.
—Não vejo como isso poderia piorar... – as batidas na porta interromperam minha lamuria. Não era o tipo de pessoa que ficava reclamando, mas naquele dia estava especialmente amargurada.
Lauren saltitou para dentro da suíte e correu em minha direção para me abraçar apertado.
—Bella, estou tão feliz por você! – suspirou se afastando um pouco para me olhar. —Depois de quinze anos você vai se casar com o amor da sua vida... Isso é tão romântico!
—Lauren, você se lembra do que eu te contei, não é?
—O que? – me fitou sem entender. —Que isso é só um contrato? – assenti com a cabeça em resposta. —Isso é só um detalhe... – deu de ombros.
—Um detalhe. – ironizei arrumando a pulseira de ouro no meu pulso, e consequentemente a maga do vestido.
—Eu duvido que vocês vão ficar só nesse contrato. – alegou se sentando na cama, que ficou ainda maior com a sua presença. —Aquele homem virou um deus grego!
Foi impossível não rir de sua fala, até porque ela tinha razão. Edward tinha se transformado em um tipo de deus grego, contudo, somente quando estava de boca fechada.
—Eu preciso concordar. – Jéssica se colocou ao lado de Lauren. —Ele está um tesão... – assobiou. —Com todo o respeito. – arqueou as mãos ao me olhar.
—Ele está lindo, é verdade. – aquilo era um fato incontestável. —Só que é um completo babaca quando abre a boca.
—E daí? – Lauren jogou o cabelo para trás e me desafiou com o olhar. —Você só precisa que ele seja bom de cama, de resto...
—Ela sempre disse que ele foi o seu melhor sexo. – Jéssica a lembrou, me fazendo corar imediatamente.
—Jéssica! – ralhei. —Isso foi antes...
—Antes do que? – desviou os olhos de Lauren para me encarar. —Amiga, faz quanto tempo que você não sai com um homem?
Estreitei os olhos e cruzei os braços, encarando as duas taradas a minha frente.
—Que importância tem isso? – senti meu rosto esquentar ainda mais quando as duas sorriram maliciosamente.
—Provavelmente deve ter uns quinze anos... – Lauren zombou arrancando risos altos de Jéssica.
Rolei os olhos e bufei alto, mas não consegui deixar de rir também. A presença das duas me fez ficar mais leve e parar de pensar tanto no que estava prestes a acontecer.
—Mas falando sério, você deveria tirar um proveito disso. – Jéssica jogou o cabelo para lado e me encarou com malícia.
—Já vou tirar. Edward vai salvar a empresa da minha família. – forcei o sorriso e vi seus olhos castanhos darem uma volta de trezentos e sessenta graus. —O que faz vocês duas pensarem que eu iria querer ir para a cama com o homem que me encheu de promessas e depois me abandonou?
As encarei fixamente sentindo meu coração bater mais forte. Relembrar aquilo era duro, mas dizer em voz alta aumentava ainda mais a angustia que eu sentia.
Lembranças daquela tarde chuvosa onde esperei Edward por horas até tentaram me assombrar, contudo, fui mais forte e as mantive presa naquela caixinha pouco acessada do meu subconsciente.
Ignorei o fato de que estava cada vez mais difícil conter as lembranças ali dentro.
—Acho que o fato de ele ter se tornado um grande gostoso! – Lauren disse após um longo período em silêncio.
Rolei os olhos e bufei alto, as batidas na porta antecederam minha resposta a elas, a qual deixei de lado assim que Renée adentrou a grande suíte. Seus olhos cor de mel brilharam ao me encarar, era um misto de encantamento com preocupação.
—Você está linda, filha! – elogiou tocando meu rosto e em resposta lhe abri um meio sorriso. —Meninas, vocês podem nos dar licença? Preciso falar com a minha filha em particular.
Renée pediu em tom calmo, mas autoritário o suficiente para que nenhuma das duas contestasse seu pedido. Engoli a seco assim que a porta fora fechada e nós duas ficamos sozinhas no cômodo.
—Ainda dá tempo de você desistir dessa loucura. – seu tom saíra sério, encarando o chão, apenas maneei a cabeça em negação. —Devolva o cheque a ele, filha... Nós podemos encontrar outra solução.
—Que solução, mãe? – ergui os olhos para encará-la. —Não há outra solução. Se houvesse pode ter certeza que jamais teria aceitado me casar com Edward.
Renée contraiu os lábios e me encarou por longos segundos. A aflição era nítida em seus olhos cor de mel.
—Não acho justo você se sacrificar assim, Bella... – soltou em meio a um suspiro pesaroso, enquanto caminhava sem rumo pelo quarto. —A menos que... – o barulho de seus saltos contra o piso de mármore cessou assim que interrompeu seu andado. —A menos que ainda goste dele. – completou com certa perplexidade.
Não sei exatamente o porquê, mas aquela hipótese levantada por minha mãe me deixou momentaneamente em choque. Entreabri os lábios algumas vezes, contudo a voz não saía por minha garganta. Precisei pigarrear para limpar a garganta e a mente.
—Isso é um absurdo. – minha voz falhou entre as sílabas. —É claro que não gosto mais dele. – afirmei repetindo aquilo mentalmente várias vezes.
—Menos mal. – soltou o ar pela boca. —Depois de tudo o que ele te fez passar...
—Por favor, mãe. – pedi. —Não quero falar sobre isso.
Porque era tão difícil ficar longe daquele passado? A todo momento algo ou alguém me fazia recorrer aquelas lembranças...
—Tudo bem. – maneou a cabeça em consentimento. —Só queria ter certeza de que ele não te iludiu mais uma vez.
Rolei os olhos e respirei fundo algumas vezes.
—Não sou mais aquela menina inocente, mãe. Pode ficar tranquila. – nossos olhares se cruzaram e daquela vez demonstrei a firmeza que precisava. —Já tomei minha decisão e um ano passa muito rápido.
—Se é isso que você quer...
—É sim. – afirmei. —Onde está o papai? – tratei de mudar de assunto para que ela não insistisse mais. Já estava cheia de dúvidas, se mamãe continuasse minha cabeça iria explodir.
—Como não vai ser algo grande, ele preferiu não vir. Disse que parabeniza vocês depois.
Maneei a cabeça em consentimento e tentei não dar voz a chateação que senti pela ausência de Charlie. Por mais que tentasse fingir, a falta de interesse dele em estar no meu casamento me deixou ainda mais chateada.
Eu havia me tornado um ima de decepções nos últimos dias... Era incrível como estava colecionando aqueles momentos torpes.
Novas batidas da porta me fizeram deixar aquela questão de lado, e focar em Alice que surgiu no quarto assim que liberei sua entrada.
—Com licença. – pediu e abriu um enorme sorriso ao me ver. —Você está linda, Bella! – seu elogio sincero me fez sorrir.
—Obrigada, Alice. – agradeci vendo-a se aproximar. Ela também estava lindíssima, usava um vestido lilás justo que realçava todo seu corpo esguio. —Essa é a minha mãe, Renée. – apresentei dando um passo para o lado para que elas pudessem se ver melhor.
—E essa é a Alice, irmã do Edward. – proferi a mamãe que não conseguiu esconder a surpresa em seu semblante.
—Irmã? – indagou visivelmente sem entender. —Irmã. – ela mesmo confirmou sua dúvida. —Como vai, Alice?
—Bem, obrigada. – Alice manteve o tom cordial e doce na voz, mas senti que seus olhos ficaram mais duros.
Obviamente ela sabia da participação dos meus pais naquele passado trágico que Edward e eu dividíamos, e eu não a culpava por tomar as dores do seu irmão, por mais que ele não fosse a maior vítima da situação.
—Desculpe se interrompi vocês, mas é que o juiz já chegou.
Tomei fôlego pela boca diante a informação. Se antes já estava nervosa, agora estava prestes a sair de mim.
Tentei me acalmar inspirando e expirando fundo enquanto seguíamos para o terraço do apartamento, onde os convidados já estavam a minha espera. O lugar era absurdamente lindo, havia uma estrutura construída toda em vidro que estava ricamente decorada com flores brancas.
Bastou que eu colocasse o pé no ambiente para me tornar o centro das atenções. Estava começando a nevar, mas não era a temperatura negativa que me fazia tremer dos pés a cabeça, o que me deixou ainda mais instável fora a aproximação de Edward.
Entre tanta mágoa e raiva, uma coisa eu não podia deixar de assumir: ele estava lindo. O terno azul escuro fazia com que seu cabelo e barba se destacassem ainda mais, um meio sorriso se abriu quando parou a minha frente, os olhos verdes reluziam.
—Finalmente você desceu. – proferiu com a atenção totalmente voltada para mim. Estendeu a mão em minha direção e aumentou um pouco o sorriso no canto dos lábios.
—Estava me arrumando. – respondi aceitando sua mão sem muita vontade.
Edward entrelaçou seus dedos aos meus, e me guiou por entre os poucos convidados. Forcei o sorriso no rosto, e agradeci a cada felicitação que recebi, mas meu espirito estava longe de alcançar a felicidade.
Tudo ali estava lindo, a decoração, a neve fraquinha que caia do lado de fora, os pouquíssimos convidados todos muito bem arrumados... O pequeno altar montado para que o juiz celebrasse a cerimônia.
Precisei entreabrir os lábios para tomar fôlego, o peso em minhas costas era tão massacrante quanto o aperto que sentia no peito. Era uma mescla de sentimentos tão louca, que era impossível definir o que me preenchia mais... A aflição, o medo, a raiva.
—Hoje nós nos reunimos aqui para celebrar a união desse casal, que em meio a tantos desencontros, se reencontraram no amor. – o juiz iniciou o discurso assim que paramos diante ao altar. —Mais de uma década separados... – desviou os olhos dos convidados que estavam sentados nas cadeiras estofadas de estilo vitoriano, para nos encarar. —Fisicamente, é claro... Porque as almas nunca deixaram de se buscar.
As almas nunca deixaram de se buscar.
Repeti a frase mentalmente, assumindo a contragosto o quanto aquilo era real. Em todos aqueles quinze anos, por mais que quisesse, nunca tinha deixado de pensar em Edward. Em como ele estava, e em como teria sido se nós dois tivéssemos indo embora juntos.
O aperto em meu peito aumentou ainda mais, voltei a respirar pela boca tentando acalmar tudo aquilo que estava sentindo, mas era um momento tão intenso...
—Quando o sentimento é verdadeiro, não há espaço de tempo que o faça acabar. – ele continuou e fez uma breve pausa para virar a página do livrinho onde seu discurso estava escrito. —Hoje eu vou celebrar a união daqueles dois jovens que infelizmente se separaram por um percalço da vida, mas de agora em diante estarão unidos...
A voz do homem foi desaparecendo aos poucos e lentamente fui sendo tragada por minhas memórias onde Edward e eu ainda éramos dois adolescentes apaixonados. As lembranças daquela tarde chuvosa e fria rodaram feito um filme em minha mente.
Conseguia ouvir o barulho da chuva caindo no asfalto, meus olhos só enxergavam a via expressa onde os carros transitavam em velocidade, e meu corpo tremia de frio.
O aperto em meu peito aumentou consideravelmente em um misto de angustia, decepção e medo.
—Isabella!
A voz irritada de Charlie ecoou dentro dos meus ouvidos, e sua expressão furiosa estava tão viva que me fez questionar se aquilo era uma lembrança ou o momento atual.
—Isabella? – me chamou novamente, dessa vez a voz era de Edward.
Maneei a cabeça piscando algumas vezes, e em um estalo de dedo eu estava de volta. De volta para aquele momento tão perturbador quanto a minha lembrança. De volta para o meu casamento com o homem que me deixara há quinze anos.
—Desculpe. – pedi sentindo minhas bochechas esquentarem assim que percebi que toda a atenção estava voltada para mim.
De soslaio vi a face séria de Edward, o sorriso já não existia mais em seus lábios.
—Isabella, é de livre e espontânea vontade que você aceita Edward Cullen como seu companheiro em matrimônio? – o juiz perguntou e tive a impressão que já não era a primeira vez que ele falava comigo.
Engoli a seco prendendo o ar nos pulmões.
Mais uma vez as lembranças atormentadoras escaparam da caixinha e vieram me assombrar, em um resumo angustiante do meu passado com Edward. Fora um flashback rápido, mas muito bem detalhado, começando no nosso primeiro beijo e finalizando naquela clínica fria.
Maneei a cabeça mais uma vez para me livrar daqueles pensamentos.
—Sim. – respondi em um lapso de coragem.
Ao meu lado, senti o corpo de Edward relaxar com sua respiração profunda, e a ruga de preocupação desapareceu da face do juiz.
—Assim sendo, por favor, deem-se as mãos.
Tomei fôlego pela boca ao me virar de frente para Edward. O sorriso havia voltado para sua boca, e me obriguei a sorrir também.
Aquele era o meu dever: demonstrar felicidade por mais dilacerada que estivesse por dentro.
—As alianças, por favor. – o juiz pediu e Alice prontamente se aproximou com a caixinha aveludada. —Edward e Isabella, que estes anéis sejam um lembrete visível do seus sentimentos um pelo o outro nesse momento. Ao olhar para eles lembrem-se que vocês têm alguém especial com quem partilhar suas vidas. Lembrem-se de que vocês encontraram um ao outro e um no outro, e de que nunca mais andarão sozinhos.
Minhas bochechas doíam pelo esforço que eu fazia para manter o sorriso, e enquanto Edward deslizava o anel de diamantes pelo meu dedo repetindo os votos que o juiz ditava, só conseguia repensar em suas palavras:
Que estes anéis sejam um lembrete visível do seus sentimentos um pelo o outro nesse momento.
E ela seria. Com toda certeza seria um lembrete diário de todo aquele sentimento atormentador que eu sentia.
—Edward, eu te dou essa aliança como prova de que escolhi você para ser meu marido e meu melhor amigo. – minha voz saiu tremula por conta do choro que se acumulava dentro de mim. —Receba-a e saiba que... – precisei tomar fôlego para continuar. —Eu te amo.
As três últimas palavras saíram acompanhadas de uma lágrima grossa e solitária.
—É com alegria que pela autoridade em mim delegada, eu Joseph Noah, os declaro marido e mulher.
Tentei engolir, contudo o nó que prendia minha garganta me impediu. Mais uma lágrima escapou dos meus olhos quando forcei o sorriso novamente, mas daquela vez Edward a capturou com o indicador.
—Pode beijar a noiva. – o juiz deu o passe livre, e Edward não pestanejou.
Suas mãos me puxaram pela cintura e um segundo depois sua boca cobriu a minha. Corresponder ao beijo não fora bem uma obrigação. Ele beijava bem, sabia me segurar contra seu corpo, e era um homem extremamente atraente.
No entanto, estava completamente embriaga pelo nosso passado, e selar aquele casamento com um beijo só conseguiu me deixar mais amargurada.
É claro que não deixei transparecer toda a tristeza que sentia durante o almoço de comemoração. Já estava acostumada a engolir toda a minha dor e emanar apenas felicidade para os outros, já era um costume vestir aquela máscara e fingir que estava tudo bem.
Enquanto o baquete elaborado por um dos chefs mais prestigiados do pais era servido aos pouco mais de vinte convidados, só conseguia pensar em como aquela situação era cômica.
Há quinze anos, eu seria a mulher mais feliz do mundo por estar casada com Edward, já no atual momento só conseguia me sentir ridícula por deixa-lo entrar em minha vida mais uma vez. Ele já havia feito tanto estrago, havia deixado tantas feridas...
Só queria que aquele ano passasse rápido.
Sendo oficialmente a “Senhora Cullen” conheci alguns amigos íntimos de Edward, e o apresentei as minhas amigas também. Era estranho mesclar nossas vidas daquele jeito, por mais que os “seus” estivessem próximo aos “meus”, eles pareciam não se encaixar entre si. Principalmente nossas famílias, dava para sentir a tensão de longe. Esme e Renée mal se olhavam.
Era exatamente o reflexo de Edward e eu.
Estar naquela micro comemoração não me deixou muito satisfeita, mas quando as pessoas começaram a ir embora, a angustia cresceu em mim.
Já não tinha mais volta. O contrato estava selado, o acordo estava feito. Os papéis já haviam sido assinados.
Lidar com todo aquele sentimento não era uma opção para mim, fora isso que me fizera levar uma garrafa de champanhe para o meu quarto.
Um quarto imenso. E silencioso. E vazio.
Me livrei daquele vestido azarento e tirei a aliança que parecia pesar uma tonelada a deixando sobre o móvel claro. Puxei uma das poltronas até as janelas e abri as persianas para poder apreciar a vista enquanto tomava a bebida.
Nunca gostei de beber além do que deveria, mas estar embriagada pelo álcool era melhor do que estar embriagada por pensamentos indevidos.
Que estes anéis sejam um lembrete visível do seus sentimentos um pelo o outro nesse momento.
A fala do juiz voltou a me assombrar assim que desviei os olhos dos flocos de neve que caíam para fitar o anel. Ele reluzia sobre a madeira alva. Era lindo, mas frio. Assim como o homem que me dera.
Virei o restante da champanhe de uma vez e praguejei assim que vi que a garrafa estava vazia.
—Merda! – bufei ao me enrolar no roupão.
Desde quando havia me tornado tolerante ao álcool? Uma garrafa de champanhe deveria ser o suficiente para me deixar sonolenta, no mínimo...
Rolei os olhos diante minha tremenda falta de sorte, enquanto caminhava por aquele apartamento gigante e silencioso, em busca da cozinha.
O breve tour que Gina, a governanta de Edward, me dera não fora suficiente. Iria levar um bom tempo para aprender onde ficava cada cômodo ali.
A cozinha, que ficava no andar de baixo, estava iluminada por luzes indiretas e aquilo fazia com que os armários retangulares se destacassem ainda mais. Tudo era tão silencioso, que apesar da beleza, me parecia tão sem vida quanto a casa dos meus pais.
—Está com fome? – a voz grave me pegou de surpresa, e foi impossível conter o pulo que meu corpo dera pelo susto.
Fechei a porta da geladeira e me sobressaltei mais uma vez ao dar de cara com Edward.
—Caramba, Edward! – meu coração dava saltos dentro do meu peito. Ele tentou conter a risada, contudo não obteve muito êxito. —O que está fazendo aqui? – indaguei levemente irritada.
Além de me assustar, ainda se divertia com a situação!
—O mesmo que você. – deu de ombros e esticou o braço para abrir a geladeira. Sua pele reluziu quando o led da geladeira o iluminou, e foi impossível não reparar que ele estava vestindo apenas uma calça de moletom.
Observei os músculos de suas costas tensionarem e aliviarem conforme ele se movimentava.
—Vim comer alguma coisa. – completou ao tirar a boleira de cristal da geladeira.
Encarei-o de cima e dei de ombros.
—Não vim comer nada.
Já tinha uns dias que não tinha fome. Desde que ele voltara para a minha vida, aliás.
—Vim buscar um champanhe. – declarei abrindo a geladeira mais uma vez. Corri os olhos pelos mantimentos frios a procura da bebida, mas só havia leite e sucos.
—Quer se embebedar? – ignorei sua pergunta enquanto abria os armários a procura do champanhe. —As bebidas ficam na adega.
—Onde fica essa adega? – me virei para encará-lo e percebi que era uma ideia péssima assim que o vi sugar o polegar, tirando o recheio que sujara seu dedo.
Sentado em um dos bancos a frente da ilha, ele comia um pedaço do bolo que fora servido mais cedo.
Que Edward havia se tornado um homem irritante e petulante era um fato, mas não podia negar que ele estava absurdamente lindo. Seu peitoral definido era lardo e verdadeiramente atraente para os olhos.
—Acho melhor eu não te falar. – deu de ombros. —Amanhã nós vamos trabalhar e não quero minha sócia de ressaca. – o sorriso que surgiu em seus lábios fora pura provocação.
É claro que ele iria me provocar, iria fazer de tudo para me irritar. Estava claro que a missão de Edward era uma só: fazer da minha vida um inferno.
—Você não tem que querer nada. – deixei claro. —Se eu quiser beber, eu vou beber. E você não vai falar nada. – pontuei as últimas palavras com a voz decidida e firme.
Seus olhos encararam os meus, já era difícil interpretá-los em condições normais, e depois de tomar uma garrafa de champanhe decifrá-los na pouca luz era praticamente impossível.
—Você sabe que eu posso falar, não é? Porque agora nós somos casados, e sendo a minha mulher...
—Você acha que vai poder palpitar na minha vida só porque assinamos uns papéis? – cruzei os braços encarando-o com deboche.
—Acho. – confirmou ao se levantar. —Goste ou não, agora você é minha mulher!
Soltei uma risada alta, inclinando a cabeça para trás de modo dramático, e foi uma péssima ideia. Aquele movimento rápido me fez perceber que o mundo realmente girava, e que eu não iria precisar de mais champanhe.
A mudança brusca me deixou momentaneamente desiquilibrada, e com o reflexo retardado por conta do álcool, não consegui me apoiar nas bancadas do armário. Estava pronta para colidir contra o chão frio de mármore, quando os braços fortes e quentes me seguraram.
Meu coração saltou dentro do peito, assim que encarei os olhos verdes. Engoli a seco percebendo o quanto estávamos próximos.
—Eu não sou sua mulher. – espalmei as mãos em seu peitoral e tentei empurrá-lo, mas Edward era muito mais forte que eu. —Me solta.
—Não solto. – me desafiou aumentando o aperto que me mantinha presa em seus braços.
Sentir a quentura de sua pele e o aroma de seu perfume desarmavam certas barreiras que havia criado.
—Edward... – minha voz saiu mais baixa. —Me solta. – repeti com a convicção diminuída.
Ele mordeu o lábio inferior deixando-o ainda mais vermelho. E sexy. Senti-o respirar fundo enquanto encarava sua boca, e então, seus braços se afrouxaram ao meu redor.
—Está claro que já bebeu demais por hoje. – declarou dando um passo para trás e se afastando de mim.
Inclinei o queixo e cruzei os braços recostando nas bancadas dos armários, minhas pernas tremiam bastante e não queria correr o risco de me desequilibrar novamente. Ele me deu as costas, e pude ver pela primeira vez algumas cicatrizes em sua pele.
—Não pedi sua opinião sobre isso, guarde-a para você. E me diga onde fica a adega.
Já não tinha interesse me beber mais, mas as palavras fluíram por minha boca quase que automaticamente.
Ele se virou, e fitando seu peitoral, vi mais cicatrizes em sua pele. Inclusive uma bem grande que corria na horizontal de suas costelas esquerdas.
Não me lembrava delas, e foi impossível deixar de pensar em como aquelas marcas surgiram em seu corpo.
—Porque você é tão teimosa? – cerrou os olhos ao me encarar enquanto se aproximava lentamente.
Respirei fundo tentando acalmar as batidas do meu coração, e dei de ombros.
—É seu dom essa teimosia?
—Não sei. É seu dom ser um babaca? – algo na minha pergunta o fez rir, e me esforcei para não o acompanhar.
Aquilo não era nem um pouco engraçado!
—Sabe, você poderia variar um pouco no xingamento. – parou a minha frete, e voltar a sentir o calor do seu corpo me deixou com o corpo arrepiado. —É sempre babaca, e babaca, e babaca.
—Perdoe minha falta de variação. Prometo que vou encontrar palavras novas para te definir. – minha voz saiu debochada, e em resposta, ele abriu um sorriso torto.
O sorriso torto que fizera com que eu me apaixonasse anos atras. Por breves segundos, consegui reconhecer o antigo Edward naquele homem parado a minha frente.
—Você é extremamente irritante, Isabella! – proferiu erguendo uma das mãos para tocar meu rosto.
Minha mente cogitou a ideia de me afastar, contudo não consegui me mover. Seus orbes verdes eram hipnotizantes demais para que eu fizesse qualquer menção de me deslocar.
—E você é um baba... – apertei os lábios contendo a repetição da palavra. —Um idiota.
Edward mordeu o lábio inferior mais uma vez me fazendo engolir a seco. Não tive muito tempo para processar aquela vontade súbita que senti de beijá-lo, já que sua mão se alocou em minha nuca e me puxou para ele.
Nossas bocas se uniram ávidas, desesperadas. A vontade que eu sentia era completamente retribuída por ele. Sua língua roçou na minha e minhas mãos foram automaticamente para seu cabelo, puxando-o com força.
Edward agarrou em minha cintura e com um simples puxão me tirou do chão. Sugando seu lábio inferior com vontade, enlacei as pernas ao redor de seu quadril me ondulando contra ele. Sentir seu pau duro, mesmo através do pano grosso da calça, me fez ferver.
O gemido escapou que escapou da minha garganta se mesclou ao dele quebrando aquele silêncio imaculado da cozinha.
Sabia que provavelmente iria me arrepender de tudo aquilo no segundo em que acabasse, mas no momento, a única coisa que conseguia pensar e querer era em ter seu pau dentro de mim.
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