Acordo Nupcial
14 Capítulo 14 - Desencontro
Notas iniciais
Acordei naquela manhã fria e branca com o peito tão leve que me sentia uma pluma. Tinha muito tempo que não me sentia daquela maneira e chegava a ser estranho estar me sentindo tão bem.
É claro que todo aquele sentimento bom estava resumido em uma pessoa: Edward.
Nós tínhamos muitas coisas para resolver, e é claro que iríamos, mas no momento eu só queria aproveitar aquela sensação de felicidade e satisfação. E lógico, admirá-lo enquanto fritava panquecas.
Sentada a frente da ilha de mármore, a que servira de cenário para meu sonho erótico com meu marido, eu observava atentamente cada movimento que ele fazia, como se quisesse decorá-los. Edward não tinha muita habilidade na cozinha, e aquilo era engraçado e fofo.
Ver aquele homem com dois metros de altura, que deveria pesar quase cem quilos, todo desajeitado com panelas era algo delicioso de assistir.
—Olha só o que eu sei fazer. – pediu minha atenção após soltar a panqueca da frigideira antiaderente com a espátula. Me olhou rapidamente por cima do ombro, acho que garantindo que estava olhando-o, deu dois passos para trás e lançou a panqueca para cima.
Ela deu uma volta no ar até cair novamente na frigideira. O sorriso que apareceu em sua boca mostrou o quão orgulhoso ele estava de seu feito.
O aplaudi enquanto elogiava sua desenvoltura.
—Quanto talento! Entendi o porquê resolveu comprar um restaurante. – lhe lancei uma piscadela enquanto arregaçava as mangas da sua camisa azul de botões, a qual estava usando para cobrir meu corpo.
Dava para fazer um belo vestido com elas. E ainda sobraria seda.
—É, as vezes eu passo por lá para ensinar alguma coisas para o chefe.— sua resposta me fez rir com vontade e ele não hesitou em me acompanhar.
Deixou a última panqueca sobre a pilha e vi a fumaça subir do alimento dourado enquanto Edward procurava pelas caldas doces nos armários. Mais uma vez parei para observá-lo, eram tantos armários que ele não evitou em praguejar pela dificuldade de achar o que queria.
Apoiei a cabeça não e suspirei verdadeiramente encantada.
Tudo aquilo começou quando acordamos há mais ou menos uma hora e ele se mostrou verdadeiramente empenhado em preparar panquecas com mel para mim. Perceber que ele lembrava que aquele era o meu café da manhã favorito me deixou com o coração quentinho.
—Prontinho, senhorita. – cantarolou enquanto terminava de despejar o mel pelas panquecas. —Aqui está o seu café da manhã! – ele deu a volta na ilha e deixou o prato a minha frente. Respirei fundo sentindo o aroma de baunilha se mesclando com o do mel fresco.
—Uh, que delícia! – lubrifiquei os lábios com a ponta da língua após comer um pedaço da panqueca. Estava incrivelmente macia e saborosa.
Edward sorriu orgulhoso ao se sentar ao meu lado. Cortei mais um pedaço da panqueca e levei até sua boca, ele a recebeu com receptividade e pareceu aprovar seu trabalho após degustar um pouco.
—Que eu me lembre você não sabia cozinhar. – proferi levando mais um pedaço a sua boca. —Quem te ensinou?
—Esme. – respondeu com um sorriso, correndo a mão pelo cabelo e deixando-o ainda mais bagunçado.
Ele ficava tão lindo com o cabelo desgrenhado...
Suspirei comendo mais um pouco do meu café da manhã.
—Quando nós nos conhecemos você já morava com eles? – ele negou com um aceno. —E como a adoção aconteceu?
Quando nós namoramos há quinze anos, Edward já tinha dezoito. Pelo o que eu me lembrava ele ainda morava no orfanato, mas é claro que depois de tantos anos, já não podia ter certeza de nada.
—Não sei se você vai se lembrar, mas cheguei a comentar com você sobre a assistente social que trabalhava no orfanato onde cresci. – chacoalhei a cabeça em negação e ele fez uma pausa para limpar os lábios no guardanapo. —A assistente social era Esme, ela me conheceu quando entrei no orfanato... Acho que eu tinha uns dez anos. – estreitou os olhos tentando se lembrar. —Enfim, desde que entrei ela tentou me adotar, mas sempre aparecia uma barreira que impedisse.
Deixei o garfo sobre o mármore branco da pia, e me virei de frente para olhá-lo melhor e prestar mais atenção na história.
—Mas eu sempre convivi com eles, na casa deles... Não foi difícil chama-los de pai e mãe depois que finalmente conseguiram me adotar. – um sorriso brincava no canto de seus lábios. —Adotar não é bem palavra. – se corrigiu. —Depois que eles conseguiram me registrar como filho deles, porque eu já era maior de idade na época.
—Isso aconteceu depois de que nós...
—Sim. – confirmou entendendo o que eu queria perguntar. —Mas acho que comentei sobre eles com você.
—Não me lembro. – suspirei decepcionada. —Me esforcei para te esquecer de todas as maneiras possíveis. – minha sinceridade o deixou momentaneamente em choque. —E eu acho que esqueci todos os detalhes da sua vida... Só não esqueci você. – minha voz soou mais baixa no fim da frase.
Edward sorriu e puxou sua banqueta para mais perto da minha. Uma das suas mãos afagou meu rosto carinhosamente, enquanto a outra retirava todos os fios de cabelo que estavam em minha face.
—Eu não parei de pensar em você um minuto durante todos esses anos. – declarou com exímia sinceridade.
Respirei fundo olhando dentro de seus olhos claros. Eram tão lindos e tão sinceros.
—Você se envolveu com alguém? – a pergunta escapou da minha boca antes mesmo que eu pudesse processá-la, Edward pareceu um pouco surpreso ao ouví-la, mas se recompôs com um sorriso.
—Sério? – assenti com a cabeça, um frio estranho cobria meu estômago e não tinha certeza se ia gostar de resposta. —Não. – soltei o ar pela boca, esse que eu nem tinha reparado que estava prendendo. —Nunca consegui firmar compromisso com nenhuma mulher. – aquilo me deixou muito satisfeita. —É claro que fiquei com algumas...
—Esses detalhes não me interessam. – o cortei rapidamente. Pensar nele com outra era uma tortura que eu não apreciava.
Ele soltou um riso rouco, soltou meu rosto para pegar minha mão e beijou cada um dos meus dedos.
—E você? Se envolveu com alguém?
—Tentei. – assumi em meio a um suspiro. —Tentei muito, mas não consegui me prender a ninguém.
Edward me escutou em silêncio, os olhos eram carinhosos.
—A verdade é que eu procurei você em todos os caras que eu me envolvi. – aquilo era um fato indiscutível. —E nunca te achei.
Ele respirou fundo e beijou minha mão mais uma vez antes de se colocar de pé e envolver minha cintura com os braços.
—O importante é que agora nós nos encontramos. – disse com os olhos nos meus. —E eu não vou te deixar ir de novo.
Ergui o queixo e aceitei o beijo rápido que seus lábios deixaram sobre os meus, antes de recostar a cabeça em seu queixo e me aquecer em seu abraço envolvente.
Nós deixamos a cozinha completamente bagunçada, mas com alguns pontos mais transparentes entre nós. Era bom saber que ele não conseguiu se envolver com ninguém, assim como eu. Dava a impressão de que havíamos passado pelo mesmo inferno. Só que distantes um do outro.
Voltamos para o quarto de Edward e seguimos direto para o chuveiro. O banho daquela vez fora diferente do de ontem a noite, que acabara em um sexo delicioso na banheira, o banho no box do chuveiro fora rápido.
—Eu quero te mostrar uma pessoa. – Edward proferiu assim que terminei de secar meu cabelo com o secador.
Curiosa, concordei com a cabeça e caminhei em direção a cama enquanto prendia meu cabelo em um coque frouxo.
Edward teclou rapidamente no macbook que estava sobre suas pernas grossas, e quando sentei ao seu lado, ele ampliou a foto de uma moça negra na tela. Ela era linda, tinha um sorriso reto e dentes brilhantes. Os olhos eram quase verdes o que contrastava lindamente coma a cor de sua pele. O cabelo era ondulado e parecia ser longo, não dava para ter certeza de o comprimento por causa da foto ser quadrada e focar mais no rosto. Intercalei os olhos entre a imagem e ele sem entender o que estava acontecendo.
—Quem é?
—Anelise. – respondeu simplesmente.
—Ok, mas quem é? – repeti a pergunta ainda sem entender o porque ele estava me mostrando a foto daquela mulher.
Edward soltou um risinho e passou a imagem para o lado. Pisquei algumas vezes ao ver a foto na tela.
Anelise continuava ali, mas agora, dividia espaço com Tanya. As duas estavam abraçadas, usavam pijamas iguais e seguravam um pequeno Spitz Alemão nos braços.
—Anelise e Tanya estão juntas há dez anos. Vão se casar na próxima primavera. E esse na foto é o Cupcake, filhinho delas. – Edward explicou pacientemente, acho que diante a minha perplexidade.
Entreabri os lábios e tentei lhe dar alguma resposta, mas não consegui emitir nenhum som. Estava completamente em choque.
—Então a Tanya é gay? – rompi o silencio quando consegui processar a informação. Edward concordou com a cabeça, seu semblante descontraído deixava claro que ele estava se divertindo com a situação. —E vocês dois nunca...?
—Nunca. – negou fechando o computador e o deixou de lado. —Eu a conheci na faculdade, e somos muito amigos. Além é claro dela ser extremamente competente.
—Uhum. – não conseguia responder nada além disso. Ainda estava perdida em meio aquela revelação.
—É por isso que eu sei que quem te disse do meu almoço com ela, só queria te colocar contra mim. – sua voz ficou mais séria em meio quela afirmação.
Encarei-o por alguns segundos enquanto repassava suas palavras.
—Fui almoçar com umas amigas no Flavor Great e quando estava deixando o restaurante o encontrei. – narrou com certo desdém. —Estava acompanhado de uma moça loira, muito bonita alias...
Engoli a seco diante a descrição.
—Se não estou enganada, ela se chama Tanya. – todo meu corpo gelou com o nome proferido. —Estavam cheio de intimidade, se tocando a todo momento e dando risadinhas cumplices. – explicou detalhadamente. —Tudo isso em público, sem se importar de serem vistos.... Enquanto você está aqui, trabalhando e lutando para ajudar sua família. – Renée negou com a cabeça mais uma vez em pleno desacordo com a atitude de Edward.
Revivi aquele momento algumas vezes em meu subconsciente, buscando alguma palavra, gesto ou ação, que me fizesse ter certeza de que minha mãe não tinha agido por má fé. No entanto, não dava para eu tentar me enganar.
Ela tinha aumentado a situação para culpabilizar Edward por algo que ele não estava fazendo. Só para que nós nos afastássemos ainda mais.
Chegar a aquela conclusão me deixava extremamente decepcionada.
—Foi a minha mãe que me contou. – disse baixo, evitando olhar em seus olhos. —E você tem razão... Ela fez isso só para me colocar contra você. Para que nos afastássemos ainda mais.
Assumir aquilo doía. Muito mais do que pensei que pudesse doer. Ela sabia do meu sentimento por ele. Tinha assumido a ela, e mesmo assim não hesitara em me manipular contra Edward.
Porque? A troco de que ela fazia aquilo? Edward já não era aquele menino pobre que ela e meu pai tanto desprezaram... Então porque ela ainda nutria tanto asco por ele?
—Tudo bem? – a pergunta de Edward fez que eu silenciasse as questões em minha mente.
Erguendo a cabeça, encontrei seu olhos preocupados e atentos. Respirei fundo algumas vezes.
—Não sei... Não consigo entender o porque ela fez isso. – minha voz saiu baixa quase um sussurro. —O que a minha mãe iria ganhar me afastando de você?
Edward lubrificou os lábios com a ponta da língua e prendeu o inferior entre os dentes. Algo em sua expressão me fez pensar que ele sabia a resposta.
—Você tem alguma coisa para me contar, Edward? – fazer aquela pergunta me deixou em um nível extremo de medo e apreensão.
Tinha certeza de que iria odiar ouvir a resposta.
Ele me estudou por longos segundos, tomou fôlego pela boca e arrumou a postura.
—Edward? – segurei seu rosto e o virei para mim quando desviou os olhos dos meus. —Alice me contou o que você disse a ela sobre nós dois. – ele me encarou seriamente. —Ela disse que você foi ao meu encontro e que eu não apareci. – dizer aquelas palavras era como enfiar laminas quentes em minha pele. —Mas eu fui até você. Eu fiquei te esperando. – tentei engolir o nó que prendeu minha garganta, contudo, ele estava mais apertado que pensei. —Por horas... – meus olhos ardiam e precisei piscar, o movimento de minhas pálpebras fez com que lágrimas grossas e quentes descessem por minha bochecha. —E você não foi...
—Eu fui, Bella. – me interrompeu ao secar meu rosto com os dedos. —É claro que eu fui ao seu encontro. Jamais te deixaria esperando... Tudo o que eu mais queria era ir embora com você. – a aflição em sua voz era quase palpável.
Prendi o soluço em minha garganta sentindo meu queixo tremer.
—O que aconteceu então, Edward? Porque nós não nos encontramos?
Edward respirou fundo, contraiu os lábios e não respondeu, simplesmente me puxou para o seu colo, envolvendo os braços ao redor de mim e me abraçando com força.
Ouvi-lo dizer que havia ido ao meu encontro, que não havia me abandonado, fazia com que todas as feridas sangrassem ainda mais... Eu me sentia destroçada por dentro. Havia passado quinze anos da minha vida acreditando em uma mentira, tentando odiar o homem que eu tanto amava, me esforçando para superar uma coisa que não aconteceu.
—Não fique assim, não chore. – pediu afagando meu cabelo com os dedos. —Não importa o que aconteceu, já faz muito tempo e nós podemos esquecer...
—Não. – ergui a cabeça ao interrompê-lo. —Nós não podemos esquecer o que aconteceu, porque... – um soluço seco cortou minhas palavras. —Porque eu estava grávida quando nós nos desencontramos. – o vi empalidecer diante minha confissão. —Eu estava grávida de um filho seu, Edward.
Ele recuou o corpo e pareceu não acreditar no que tinha ouvido.
—O que? – indagou em um sussurro.
—Grávida. Eu estava grávida. – repeti enxugando o rosto com as costas das mãos. —E eu tirei o nosso bebê. Porque pensei que você tinha me deixado, pensei que não ia conseguir cuidar dele sozinha...
Eu precisei me rasgar por dentro para poder dizer aquilo. Mas eu precisava dizer. Ele tinha o direito de saber.
—Eu estava me sentindo abandonada, sozinha, perdida... E fiz essa coisa horrível. Nunca vou me perdoar por isso...
—Eu tenho certeza que isso não foi ideia sua. – disse com os lábios contraídos. —Você jamais faria isso por conta própria.
Edward voltou a me abraçar e esperou que meus soluços se acalmassem, enquanto me mantinha firme em seus braços. Não tentei apressar meu choro como sempre fazia quando pensava naquilo. Daquela vez eu deixei que todo o sofrimento reprimido por quinze anos se liberasse, enquanto era consolada por Edward.
—Quando você descobriu? Nós ainda estávamos juntos? – perguntou depois de uns minutos de silencio, quando meu choro já não ecoava pelo quarto.
—Não, nós já havíamos nos desencontrado. – respondi arrumando o corpo para encara-lo. —Mas foi bem perto, acho que uns quinze dias depois.
Ainda conseguia me lembrar de tudo o que havia sentido naquele dia, quando vi o resultado positivo no teste de farmácia.
—Eu fiquei com muito medo, Edward. – contei de olhos baixos. —Nunca havia me sentido tão triste e perdida quanto naqueles dias que sucederam nosso desencontro. – fuguei em meio a um suspiro. —No meio de toda essa confusão, achei que não iria conseguir ter o bebê. E acreditei que abortar seria a melhor solução. – continuei encarando os lençóis de seda. —O procedimento foi horrível, mas nada se compara com o vazio que eu senti depois que sai da clínica. – meu cabelo caiu do lado do meu rosto e Edward rapidamente o tirou. —E a culpa que eu carrego é tão grande e pesada... Não consigo me olhar no espelho e não me achar um monstro...
—Você não é um monstro. – me interrompeu com a voz firme. —E você não tem que se sentir culpada por nada. – seus dedos seguraram em meu queixo e com cuidado ele ergueu meu rosto. —Você era só uma menina que achou que tivesse sido abandonada. E não é justo que carregue todo esse peso. – disse com os olhos nos meus. —Sinto muito que tenha passado por tudo isso sozinha... Sinto muito que eu não tenha ficado do seu lado, do lado do nosso filho... – fez uma pausa e vi a dor reluzir em seus olhos verdes. —Dói muito saber de tudo isso, mas eu sei que a minha dor não chega aos pés da sua. Mas agora eu estou aqui com você e nós vamos superar isso.
Escutar aquilo dele era exatamente o que eu precisava. Era tudo o que eu precisava, aliás.
Ninguém entendia tudo o que eu sentia, só ele. Ele havia perdido tanto quanto eu. E por culpa de terceiros.
Sabia muito bem que havíamos sido manipulados, e tinha quase certeza de quem eram os culpados. Chegar aquela conclusão doía tanto quanto pensar que havia sido abandonada.
Não tinha um caminho mais fácil, que doesse menos.
Era sair de uma tortura que fiquei presa por anos para entrar em outra.
—Foram os meus pais que fizeram isso com a gente, não é? – minha voz vacilou por conta do choro que queria me assolar novamente.
Edward engoliu a seco e demorou um tempo para assentir com a cabeça. Sabia que sua reluta em assumir a verdade era somente para me preservar de mais sofrimento. Por mais que achasse sua atitude honrosa comigo, não queria continuar “vendada” para toda aquela situação. Por mais que doesse, era sempre melhor arrancar o curativo de uma só vez.
—Não há outra explicação, a não ser a de que eles nos manipularam. – disse com cuidado. —Eles devem ter descoberto que pretendíamos fugir e foram mais espertos que nós dois.
Apertei os lábios sentindo a angústia crescer em meu peito. Queria tanto inventar mil desculpas que os livrassem daquilo... Queria conseguir enxergar outros culpados, outras verdades..., Mas não adiantava tentar me enganar. Aquilo só pioraria ainda mais a situação.
—Acredite em mim, queria tanto quanto você que isso não fosse verdade, porque vejo o quanto está sofrendo. – afagou meu rosto e disse com a voz cheia de consternação. —E você não merece passar por isso.
—Não sei como tiveram coragem de fazer tudo isso. Me fizeram acreditar em uma mentira... Me coagiram a tirar o meu bebê... Eles sabiam de tudo e mesmo assim, me convenceram a tirar o meu filho! – aquilo era tão absurdo que a tristeza rapidamente se transformou em raiva. —É por isso que a minha mãe queria me colocar contra você! – esfreguei as mãos no rosto completamente revoltada. —Ela tinha medo que nós nos reconciliássemos e montássemos o quebra-cabeça!
—Sim.
—Meu Deus... Quem são essas pessoas, Edward? – me virei para olhá-lo. —Eu não faço ideia de quem são os meus pais. – assumi em meio a um soluço seco.
—Vem aqui. – chamou para me aninhar em seu peito novamente.
Apoiei a cabeça em seu ombro e respirei fundo sentindo o perfume inebriante de sua pele. Estava doendo, doendo muito, mas a revolta que eu sentia era tão grande que não conseguia derrubar uma lágrima se quer.
—Sei que está sofrendo, mas estou aqui com você. – passei os braços por sua cintura e me apertei ainda mais contra ele. —E eu juro que não vou deixar mais ninguém te machucar. – prometeu com o tom firme.
Respirei profundamente e fechei os olhos ao receber um beijo na testa.
Sabia que ele me protegeria, e confiava nele. Mas eu precisava colocar minha meus pais contra a parede, e não iria me preservar daquele momento!
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