Acontecimentos Sobrenaturais
3 Capítulo II : Estranhas visões
Levei alguns livros da biblioteca para o meu quarto. Pelo menos lá aquele idiota não iria me incomodar. Enquanto eu lia, a diretora deu um aviso a todos pelos alto-falantes nos corredores :
— Bom. Estou aqui para informar aos alunos sobre o Baile de Boas Vindas que ocorre todos os anos e como é tradição será uma semana após o início das aulas, ou seja, será nesse sábado. Lembrando que os garotos devem convidar as garotas e também mesmo que você não tenha um acompanhante é obrigado a ir ao baile. Obrigada pela atenção.
Por que eu sou obrigada a ir a esse baile ? Odeio esse colégio. Odeio essa vida.
Preciso dormir para relaxar, mas antes preciso de um banho. Eu estou me sentindo tão só.
Apoiei minhas mãos na pia do banheiro e me olhei no espelho. Já faz uma semana que aquela coisa não controla o meu corpo. Isso é bom. Eu sempre me perguntei o que era essa coisa, mas eu nunca consegui chegar a uma conclusão, mas às vezes as vozes sussurram para mim coisas como : “ demônio “ e “ aberração “. Não sei se elas se referem a essa coisa ou a mim mesma. Fechei meus olhos com força. Eu estou tão cansada disso.
Quando abri meus olhos tive que tapar a boca com as mãos para conter um grito.
Olhando pelo espelho havia uma garota atrás de mim. O problema era um só, essa garota era eu mesma e eu estava banhada em sangue.
Pisquei novamente e ela havia sumido.
Voltei para o quarto e me deitei na cama com medo de voltar ao banheiro. Eu sempre escuto vozes, mas eu nunca havia visto coisas estranhas assim.
A cada dia piora. Eu me pergunto qual é o meu problema, o que é essa minha loucura ?
Ao mesmo tempo em que eu fico curiosa para saber eu tenho medo, não sei o que é isso, tenho medo de descobrir e isso piorar ainda mais.
Fui dormir ainda com medo e acordei no meio da madrugada sem sono. Fui à varanda e me sentei nas grades e fiquei balançando as pernas para fora. Se eu me jogasse daqui com certeza eu morreria. Eu me pergunto se o certo seria eu me matar, se isso acabaria com o meu sofrimento. Havia uma árvore bem ao lado as minha varanda. Se eu quisesse poderia descer por ela e caminhar um pouco, talvez o ar da noite esfriasse a minha cabeça.
Decidi voltar a dormir, talvez seja melhor.
Acordei no dia seguinte ainda um pouco amedrontada e fui para o refeitório tomar o café da manhã. Na verdade só fui lá para só para pegar o meu café da manhã e depois fui para fora. O refeitório tinha grandes portas e lá fora havia mais mesas para quem quisesse sentar ao ar livre, mas eu preferi me afastar e sentar sozinha em baixo de uma árvore.
Eu estava distraída quando algo tapou o sol. Olhei para cima e vi que não foi algo e sim alguém.
Era uma ruiva que usava óculos. Acho que ela é da minha classe. Karin se eu não me engano.
— Era você quem eu estava procurando — ela disse apontando o dedo na minha cara.
Ignorei e continuei tomando o meu café.
— Você pensa que é quem para me ignorar, sua idiota ? — ela disse chutando longe a minha bandeja e derramando toda a minha comida.
Comecei a me irritar, mas eu tenho que me comportar. Ignorei e me levantei para ir para a sala de aula, mas ela agarrou o meu braço.
— Você se acha muito não é garota ? Fica ignorando todo mundo como se ninguém fosse digno de falar com você — ela apertou meu braço com força — Saiba que eu só vim lhe dar um aviso. O seu parceiro de classe, o Sasuke-kun, não encoste um dedo nele, ele é meu, você ouviu ?
Essa garota é um pé no saco. Puxei o meu pulso com violência e ela o largou, saí andando ignorando-a completamente. Não seria essa garota que me faria perder o controle.
Fui para a classe e lá só havia uma pessoa. Justo ele. Sasuke. Fui até a carteira que eu divido com ele. Ele se levantou e me deixou sentar ao lado da janela.
Fiquei olhando para fora enquanto sentia o olhar dele sobre mim.
Quase tive um ataque ao descobrir que o parceiro de mesa que eu “escolhi” no primeiro dia de aula vai ser o mesmo pelo resto do ano. As aulas passaram vagarosamente. Fui para o meu quarto e me joguei na cama. Eu queria ir à biblioteca, mas hoje eu não posso. Hoje a tarde é o dia de educação física da minha turma.
Tomei um banho e vesti o uniforme de educação física. Peguei um livro e enquanto eu caminhava até a quadra eu ia lendo distraidamente. Quando eu estava bem próxima da quadra escutei alguém gritando.
— Ei! Cuidado!
Olhei para cima e vi que vinha uma bola em minha direção. Tive que agir rápido. Joguei meu livro no chão e peguei a bola numa velocidade impressionante.
Um garoto loiro veio correndo até mim. Ele tinha olhos azuis e marcas nas bochechas. Eu entreguei a bola a ele e me abaixei para pegar meu livro.
— Aquilo foi impressionante — ele disse sorridente — Que bom que você não se machucou.
Eu limpei o livro com as mãos já que ele tinha sujado de terra e fui caminhando até as arquibancadas ignorando o garoto.
Enquanto eu lia, eu escutava as garotas suspirarem ao ver os meninos sem camisa. Que futilidade. Elas ainda diziam coisas bastante inadequadas chamando a todo o momento eles de “gostosos”. Pelo visto eu não estou perdendo nada ao ignorar esse tipo de pessoa. Eu escutei alguns gritinhos e escutei uma delas dizer :
— Meu Deus, acho que agora vou desmaiar, o Sasuke-kun tirou a camisa!
Fiquei com uma gota na cabeça. Ouvi as garotas suspirando e dando gritinhos até o professor chamar as garotas avisando que o horário dos garotos havia terminado. Ele se apresentou como Gai e dividiu as garotas em dois times. Ele disse que hoje por ser o primeiro dia pegaria leve e deixaria nós jogarmos queimado.
Os meninos sentaram nas arquibancadas e pareciam animadinhos até demais assistindo ao jogo das garotas.
Eu fiquei mais afastada, quase saindo da quadra. O outro time era muito bom. Logo metade das meninas que tinham no meu time já haviam sido tiradas de jogo.
Eu vi que quem havia tirado muitas das meninas era aquela ruiva que havia me importunado pela manhã. Assim que ela me viu me lançou um sorriso perverso que eu ignorei. Ela estava se preparando para jogar a bola e dessa vez ela parecia que iria jogar com toda a sua força.
Provavelmente ela estava tentando jogá-la em mim. Era só eu me concentrar em desviar. Mas eu tive um problema. Uma voz sussurrou no meu ouvido :
“ Olhe para cima “
Olhei e vi uma garota pendurada nas vigas do teto. O problema era que ela estava sendo pendurada por uma corda no pescoço e ela parecia estar morta. Olhei melhor e aquela era eu. Não! De novo não. Essas visões estão me assustando.
Eu me distraí e esqueci que a Karin jogou a bola que veio diretamente para mim numa força surpreendente. Acertou-me em cheio no estômago.
A bola me atingiu com muita força e eu perdi o ar nos pulmões. Logo eu já tinha me sentado no chão da quadra tossindo pela falta de ar. O professor veio correndo até mim.
— Você está bem ?
Eu tossia tanto que mal conseguia falar.
Ele dava tapinhas nas minhas costas e depois de alguns minutos eu recuperei o ar. O professor perguntou novamente :
— Você está bem ?
— Estou — eu disse ofegante regularizando a minha respiração.
— Vá para a enfermaria e depois pode ir descansar, não precisa voltar para a aula.
Eu saí caminhando vagarosamente da quadra ainda sentindo falta de ar. Mas eu não vou à enfermaria. Não preciso, já estou melhor. Eu estava caminhando em direção ao dormitório quando alguém começou a andar ao meu lado.
Era Sasuke. Claro. Só podia ser.
— Você está bem ?
— Estou. Pode me deixar em paz agora.
— Acho melhor você ir à enfermaria. Vamos, eu te acompanho.
— Não, obrigada, eu vou para o meu quarto. Deixe-me em paz.
— Não mesmo.
— Por quê ? Você está me perseguindo ?
— Sim, o meu hobby é perseguir garotas bonitas e indefesas — ele disse com uma cara divertida.
Corei com a resposta dele.
— Você está realmente bem ? Porque para mim você não parece bem. Vamos, eu te levo à enfermaria.
— Eu já disse, eu não quero ir lá.
— E eu já disse, vamos.
— Você é surdo ?
Eu estava escutando as vozes agitadas desde que Sasuke se aproximou, elas estavam gritando : “ demônio “. Estavam me deixando louca.
De repente ele pegou a minha mão e saiu me arrastando para a enfermaria.
Assim que ele tocou a minha mão as vozes se calaram. Eu arregalei os olhos.
— O que você fez ? — eu perguntei.
— Como assim ? — ele perguntou ainda segurando a minha mão.
Ele parecia estar com expectativa de que eu dissesse algo. Se eu falasse das vozes ele provavelmente diria que eu sou louca.
— Me largue.
Eu praticamente gritei puxando a minha mão e saí correndo para o meu quarto. Isso só pode ter sido uma coincidência.
Entrei no meu quarto e assim que fechei a porta escorreguei até estar sentada no chão. O que eu preciso agora é esfriar a minha cabeça senão eu ficarei louca, mais do que eu já me considero.
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