— Grávida?! — Amber e Loren gritaram em uníssono e o médico deu um pulo.
— É... Sim... Você não queria? — Não! Quer dizer... sim... — Ela respirou fundo, levou as mãos ao rosto. — Sim! Mas não agora! Definitivamente não agora!— Senhorita Campbell, posso lhe passar para um médico para que vocês possam conversar sobre... — Não! E-eu vou ter esse filho. Ela se virou para Amber e segurou sua mão.— Loren, o baby é do... — Mark. — Loren sussurrou e fechou os olhos — Com toda certeza. Amber engoliu o seco e sussurrou algo praticamente inaudível. — Bom, vou deixá-las sozinhas. A pesar de tudo, meus parabéns. Loren assentiu e o médico saiu um pouco desapontado. Realmente não era a reação que ele costumava ouvir ao dar a notícia de uma gravidez.— Eu preciso ir para casa, Ammy... A morena saiu para saber se a amiga já podia ir para casa e assim que a porta se fechou os olhos de Loren começaram a arder, seu rosto foi aquecendo e as lágrimas começaram a escorrer. Uma por uma até seu travesseiro estar ensopado e suas duas mãos estarem na barriga. Realmente não era aquilo que ela tinha imaginado para sua vida. Não podia dizer que era, naquele momento, a mulher mais feliz e realizada do mundo, mas obviamente não estava triste. Estava preocupada e não havia nada que pudesse fazer. Tinha um bom emprego e acreditava que Mark teria caráter o suficiente para assumir o filho e dar aos dois uma vida normal e agradável. Porém, ao pensar na vida que teria com Mark desatou a chorar novamente. Estava com medo. Nervosa. Confusa. — Amiga... — Amber parou no batente da porta e sorriu levemente para Campbell que assentiu com a cabeça — Podemos ir para casa... — É... Certo... Vamos... — Loren enxugou o rosto e encarou o teto por alguns segundos. — Vai ficar tudo bem, não vai? — Claro, querida! Sempre fica! Entraram em casa depois de terem passado o caminho inteiro em silêncio. — Eu vou... tomar um banho, dormir e... e quando eu acordar penso no que fazer e para quem vou contar primeiro... — Respirou fundo novamente — Vai ficar tudo bem... Loren repetiu a última frase bem baixo umas cinco vezes até metade dela se convecer de que talvez fosse possível tudo ficar bem e foi para o quarto sem esperar qualquer tipo de resposta de Amber. — Não fala com ninguém. Nem com a Lindsay. Qualquer um vai perceber algo estranho. — Gritou do segundo andar. Amber jogou as botas para o lado e deitou no sofá. Por um lado não queria estar no corpo de Loren, mas por outro queria trocar de lugar com ela só para livrá-la dessa situação. Se ela estivesse grávida de Tyler tudo seria tão mais fácil. Passavam das oito quando Loren desceu as escadas do apartamento para procurar o celular que tinha, provavelmente, deixado dentro de sua bolsa.— Ammy?! Não, ela não estava em casa. Provavelmente tinha saído para encontrar Tyler e tentar ao máximo não abrir o bico sobre o ocorrido. A loira passou as mãos nas mechas rebeldes que escapavam do coque e as prendeu novamente no lugar. Passou pela cozinha e quando achou a bendita bolsa colocou a mão dentro dela e sacou o celular. 2 chamadas perdidas de Tyler 5 mensagens de Mark 3 chamadas perdidas de Lindsay 14 chamadas perdidas de Henry. Campbell simplesmente ignorou todas as tentativas de contato com ela e voltou a jogar o celular dentro da bolsa. A última coisa que precisava naquela hora eram pessoas palpitando sobre sua vida, mesmo que 90% delas fossem afetadas por suas escolhas. Deu meia volta e foi até cozinha. Pegou um pote de sorvete e decidiu, aleatóriamente, que devia informar Henry sobre seu atual estado. — Oi— Loren! Oi! Como você está? — Precisamos conversar... — Sim, sim! Claro! Aonde? — O que Amber disse a vocês?— Como assim? Ela não falou conosco. Na verdade nenhuma de vocês falou. O que houve? — Vem pra cá. A ligação estava encerrada. Loren subiu correndo as escadas e colocou um short e uma blusa qualquer, voltou para a sala e deitou no sofá. Em menos de vinte minutos a campainha tocou e a loira respirou bem fundo antes de levantar para ir até a porta atender. — Oi... — Henry estava com os cabelos molhados, calça social e uma camisa social azul, segurava as chaves do carro e o celular. Devia estar com algum cliente, Loren pensou. — Pode entrar! Parecia que era a primeira vez que os dois se viam. Ele estava nervoso, com medo de contar à ela algo que fosse magoá-la e ela, bem, ela estava com medo por tudo. — Quer beber alguma coisa? — Não, estou bem. — Ele foi duro. Arrependeu-se de ter parecido tão frio, mas, continuou— O que queria me dizer? Loren começou a andar de um lado para outro dentro da sala e por pouco Henry não pediu que ela parasse por medo de seus pés abrirem um buraco no meio do chão. — Bom... você se lembra daquele dia quando passsi mal? Pois é, tenho passado mal vários dias depois daquele! Enjôo, tontura, coisas assim! E ontem eu praticamente desmaiei! Então pedi para que Amber me levasse ao hospital! Exames bobos, para saber se eu podia ter alguma coisa!
— E... — E eu tenho... — Você está doente? — Henry pulou do banco e parou ao lado da garota. — Não... Eu estou...— Bom dia! — Amber entrou correndo com sua bolsa rosa choque e os cachos pulando de um lado para o outro. — H-Henry? Oi! — Amber. — Henry assentiu e voltou os olhos para Loren. — O que você tem? Loren virou para Amber e a amiga mexeu negativamente a cabeça e propôs que todos saíssem para jantar e aí Loren contava à todos. — E até lá eu fico passando mal de ansiedade e nervoso?— Infelizmente sim, baby! — Amber deu de ombros — Vou tomar um banho e trocar de roupa. Amber subiu as escadas e Henry puxou Loren pelo braço prendendo-a num abraço. — Não importa o que for, vai ficar tudo bem, okay? — Deu um beijo no alto da cabeça da loira — Eu te amo. Os olhos marejados de Campbell voltaram a arder e as lágrimas desceram. — Ei, garota! Você é forte e vai superar! O que quer que seja! — Apertou a cintura e a soltou. — Eu vou tomar um banho também... Ligue para Linds e Tyler e peça pra eles nos encontrarem em qualquer lugar... Loren foi até o closet, sentou na pilha de vestidos e começou a chorar novamente. Henry não tinha noção do quanto a vida deles iria mudar a partir daquele jantar. Nada mais seria a mesma coisa. — Loren? Pronta? — A voz de Amber invadiu o closet e fez Loren dar um pulo mas depois percebeu que a amiga estava no corredor. — Q-quase! Amber desceu as escadas com calma para não tropeçar no vestido comprido vinho que combinava com o salto preto. — Ammy! — Henry se pôs de pé — O que ela tem? Por favor, eu tô com muito medo... — É... Eu não posso falar, baby, mas vai dar tudo certo! A morena passou direto e foi até a cozinha pegar um copo de água enquanto Henry revezava entre esfregar uma mão na outra, mexer no cabelo e estralar os dedos.— Pronta! — o sorriso triste da loira fez Henry balançar a cabeça negativamente. Campbell vestia uma saia comprida preta, uma blusa estampada e um salto azul para combinar com a blusa. — Tyler me disse que eles estavam indo para Terriefe's. Chegaram ao restaurante quase 10 minutos depois, porém, pareceu uma eternidade já que o caminho tinha sido um completo silêncio. — Meus casais! — Lindsay levantou da mesa.— Meu amor! — Os olhos de Tyler brilharam ao ver Amber chegando com sua pose toda. Depois de abraços e cumprimentos todos sentaram ao redor da mesa e pediram o jantar. — Já pode falar, Loren. — Henry, calma, deixa ela ter o tempo dela! Loren respirou fundo e fechou os olhos. — Parem de tomar decisões por mim! — Sua voz baixa e firme fez a discussão dos dois cessar. — Vamos jantar com calma e depois eu faço o comunicado que pretendo! — É... Como foi o dia de vocês? Lindsay tentou rapidamente mudar de assunto mas recebeu olhares negativos de Henry e Loren. — Ah, foi tudo bem, e o de seu? Tyler deu continuidade a conversa e Amber também se encaixou nela, fazendo com que aos poucos o clima fosse voltando ao normal e eles pudessem ter um jantar casual como tinham tido há alguns dias atrás. — Bom... Acho que é hora da grande bomba da noite... — Loren, numa tentativa falha de abrir um sorriso, começou seu anúncio. — Eu estive passando mal há alguns dias e resolvi procurar ajuda médica, orientação, qualquer coisa e então, depois de poucos exames pode ser constatado qu... Antes que a loira terminasse a frase o seu celular tocou e era Mark. — Alô? Oi, baby! Ela se afastou da mesa e Henry esfregou os olhos ansiando saber o que tinha por trás de todo aquele suspense. — Estou morrendo de saudades também! Quando você volta? — Um breve silêncio se fez na espera da resposta — A-amanhã??? Sim! Estou muito feliz! Aham, vou te buscar sim, claro! Loren virou para Amber demonstrando desespero, a morena queria poder ajudar, mas estava com tanto medo quanto ela. — Tá, amor, até amanhã! Ela jogou o celular na bolsa novamente e desabou na cadeira. — Agora fodeu... — Loren, está tudo bem? — Nem um pouco — Lindsay deu a volta na mesa e ajoelhou-se ao lado da cadeira da loira. — Quer ir pra casa? — Preciso falar para vocês o que está acontecendo... Os cabelos ruivos de Lindsay estavam presos num alto rabo de cavalo e seus olhos tinham um preto esfumado. — Senta lá, Linds... Todos já estavam em suas cadeiras e nada superava a cara mista de confusão e pavor de Henry. — Gente, vou ser bem direta, por mais que isso mereça uma explicação bem maior. — Respirou fundo, olhou para Amber que apertou sua mão por baixo da mesa oferecendo apoio e finalmente disse — Estou grávida. As reações pareciam ensaiadas. Os três arregalaram os olhos e levaram as mãos até a boca e em seguida Lindsay deu início ao choro, Tyler ficou paralisado e Henry saiu da mesa mas não andou muito até voltar seus olhos para Loren com a dúvida que não queria calar. — O bebê é... — Do Mark — A simples menção ao nome do cara fez Henry suspirar e se aproximar de Loren novamente. — Tem certeza? — O médico disse que ele já vai fazer 3 meses ou seja...— Impossível ser meu — Balançou as mechas pretas negativamente, sentou ao lado dela e puxou-a para um abraço. — Vai dar tudo certo... — Vamos pro nosso apartamento. Vamos todos dormir lá. Em pouco mais de vinte minutos já estavam todos no sofá da sala principal das meninas. Tyler e Lindsay não sabiam o que dizer, se parabenizavam, se diziam que tudo ficaria bem ou se permaneciam calados. — Loren, podemos conversar? — a voz de Henry quebrou o silêncio e a mais nova "mamãe do ano" levantou-se e apontou para o andar de cima. Eles subiram juntos e ao entrarem no quarto Campbell entrou no banheiro e saiu de lá pouco tempo depois com um robe azul e os cabelos molhados. — O que faremos? — Sem nem esperar ela sentar ele cuspiu as palavras sem intenção de ser grosso.— Eu não sei... Os dois deitaram na cama de frente um para o outro. — Não podemos continuar juntos. Não deixe seu filho crescer longe do pai. Cada palavra que saía da boca dele causava uma ferida nos dois. — Conheci meu pai quando tinha vinte anos e nada vai curar o espaço que ele deixou. — Ele suspirou — Você entende? — Sim... — Só não... não me faça ficar longe de você. — Nunca... — Ficar perto de você me deixa louco e ficar longe de você me deixa louco. Loren segurou a gola da camisa dele e o puxou para perto beijando-o como talvez nunca tivesse beijado alguém. Queria sentir o beijo, sentir o calor que o amor deles emitia, queria se sentir viva. Henry tinha as mãos na cintura e procurava fazer aquele momento durar o máximo possível. No andar de baixo Lindsay tinha tido um surto de loucura e após conversar com Amber pegou foi até a varanda "fazer ligações". — Como ela está? — Tyler e Amber estavam deitados no sofá. — Confusa. Ela vai ter o filho, vai criá-lo, ela sabe que não é culpa dele, mas, está com muito medo e raiva de toda essa situação. — Ela vai dispensar o Henry? — Acho que os dois vão entrar num acordo. Do que será melhor para eles e para o bebê.— Eu vou lá ver a Linds e você pode ir indo para o meu quarto. — Ela sorriu dando um beijinho na testa de Reller. Levantou do sofá e foi andando até as portas de vidro com a saia do vestido na mão. — Linds? — Oi! — E aí? — Acho que vai dar tudo certo. — Sério?! —Sim! Falei com ele. Nunca pareceu tão feliz. Embarco amanhã! Lindsay tinha percebido que para o amor vencer precisávamos dar a ele uma chance então a ruiva decidiu ligar para Zach e dizer que largaria tudo para ir morar com ele no Canadá. — Adoraria passar a noite aqui, amiga, mas vou cuidar das minhas coisas! — Vai lá! Seja feliz, minha ruiva! E volte sempre! — Vou visitar vocês toda hora! — Eu acho bom! Lindsay deu um abraço em Amber e foi até a sala pegar a bolsa quando deu de cara com Loren. — Amiga! — Linds hesitou um instante e contou tudo para a loira. — Meu amor! Você merece! Vai lá! Tem todo o meu apoio! As três tiveram um momento bem fofo e após se despedir de Tyler, Lindsay pegou o carro e foi embora. Na manhã seguinte Tyler e Lindsay estavam sentados na mesa tomando café em choque com o ocorrido anterior quando Loren desceu as escadas fechando o ziper e abotoando as mangas da blusa que tinha o mesmo vinho da bolsa.— Já, tô atrasada! Vou lá buscar o Mark no aeroporto! — Ela corria de um lado para o outro pegado as coisas espalhadas. — Vocês viram Henry? Ele saiu sem falar nada! Amber e Tyler se entreolharam e então a morena estalou a língua. — Loren, acho que precisamos conversar...
— Eu tô atrasad... O que houve, Ammy? — O Henry... Ele... Ele foi embora para o Canadá com Lindsay. — Disse que seria melhor pra todos... — Tyler completou. Loren caiu de joelhos no chão. — Ele não podia ter feito isso! Não mesmo! — Sua raiva se transformou em tristeza e as lágrimas rolaram no mesmo momento em que uma tempestade se formou do lado de fora. — Amiga, ele pensou no melhor...— Melhor pra quem, Amber? Pra quem? A loira pegou as chaves do carro e saiu batendo a porta deixando-os impressionados com sua bipolaridade. Assim que entrou no seu carro e pegou o caminho do aeroporto voltou a chorar. Ela tinha achado que tudo voltaria a dar certo, que ficaria tudo bem. Pensou umas quinhentas num motivo plausível para que Henry a deixasse desse jeito. Tentou não culpar Linds, mas foi inevitável. "Por que diabos aquela ruiva não disse "não" quando Henry quis ir junto?" A raiva e a tristeza competiam dentro dela e foi assim que, Loren, toda confusa ultrapassou o sinal vermelho em meio a toda aquela chuva e depois daquele momento nada passa de um borrão. — Loren! Loren Campbell! Cadê ela? Amber corria de um lado para o outro dentro do hospital com Tyler em seu encalço. Já tinha ligado para Mark no caminho e ele também já estava chegando, tentou falar com Lindsay e Henry mas eles não atendiam. — Senhora, não posso permitir sua passagem. Loren precisa descansar! Um médico que com certeza não passava dos 40 barrou Amber na porta do quarto. — Ela está bem! Foi um momento muito arriscado e perigoso, mas ela está bem. O médico passou a falar sobre várias coisas do acidente e Amber só tentava enxergar a amiga através das persianas. — E o bebê? — A voz de Tyler fez Amber voltar do seu devaneio e penetrar os olhos no doutor. O médico olhou para o chão e depois para a ficha que segurava.— Bom... o bebê...
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