Aconteceu naquela pausa para o café
9 We're happy!
Agora, quase duas semanas depois do casamento de Chelsea e Jensen a barriga de Loren já estava começando a aparecer e a garota deicidiu chamar mãe para vir passar um fim de semana em seu apartamento.
— Loren, o porteiro disse que ela está subindo!
Campbell foi correndo até o elevador e esperou que ele se abrisse.
— Eu esperei praticamente três horas para falar com vocês e você me diz que não pode assinar essa porcaria de contrato? — Lorelai Campbell estava lá em carne e osso e ao telefone como sempre.
Vestido preto que beirava o joelho, bolsa prada, unhas bem feitas e óculos tapando os olhos.
— Oi, querida! — Ela sussurrou jogando o óculos na bolsa e pisando forte com os saltos.
Loren rolou os olhos e entrou atrás dela enquanto ajeitava o cabelo e se servia de uma garrafa de água.
Loren e Lorelai já tinham sido mais próximas, ainda mais quando moravam juntas em Manhattan quando Loren tinha 14 anos, porém, a mãe decidiu voltar para Londres e deixar Loren sozinha, aos 18, na Cidade que Nunca Dorme. Os pais da loira eram separados desde sempre, porém isso não a impedia de vê-lo, ele era até bem presente mas agora depois que ela cresceu eles se afastaram um pouco e só se viam quando ele, Leonard, ia aos Estados Unidos por causa dos seus negócios.
— Minha Campbell preferida!
Amber apareceu na sala com Tyler assim que Lorelai desligou o celular.
— Ammy!
As duas se abraçaram e Lorelai se voltou para a filha.
— E você, como está? — Quando Loren pensou em responder percebeu que Lorelai estava falando com sua barriga.
— Eu estou bem, mãe.
— E você, rapaz, quem é?
— Sou Tyler Reller, Sra. Campbell.
— Poxa, achei que você era o tal do Mark.
— Não, Lorelai, esse é meu!
Amber beijou a bochecha do namorado.
— Espero que o Mark seja tão bonito quanto ele!
— Ele é! Na verdade... — Loren olhou Tyler de cima a baixo querendo, na verdade, apresentar Henry à sua mãe. — É até mais bonito.
Tyler rolou os olhos e fingiu que iria vomitar, Lorelai gargalhou e logo depois reclamou por estar com fome.
— Mark está vindo nos buscar. Vou me trocar.
Lorelai deu de ombros e foi até a cozinha se servir de um whisky.
— Vocês aceitam?
— Não, obrigado. Já estamos de saída.
— Não vão almoçar conosco? — Ty e Ammy se entreolharam e pediram desculpas mas "tinham um compromisso".
Pouquíssimo tempo depois Loren desceu com um macacão preto e um salto.
— Aproveite enquanto ainda pode usar esses saltos. Essa porra vai pesar já já! — Lorelai mexeu nos cabelos igualmente loiros mas que já competiam com os fios brancos e piscou para a filha — Estou tão orgulhosa de você, meu bebê, está tendo um filho com o cara certo e no momento certo da sua vida. Tem dinheiro para sustentar seu filho caso algo aconteça! Eu te amo tanto!
Loren engoliu o seco e então soube que não conseguiria suportar.
— É sobre isso que temos que conversar...
— Sobre o quê? Está sem dinheiro? Isso não é problema!
— Não, mãe, dinheiro realmente não é o problema. — Ela riu olhando para o apartamento em sua volta e feliz por ter conquistado tudo aquilo. — É sobre ter o filho com "o cara certo".
— Mark não é o pai?
— É! Mas esse é o ruim. Infelizmente ele é o pai.
O celular da garota tocou na mesma hora. Mark já tinha chegado.
Lorelai disse que elas iriam ter essa conversa em breve e as duas foram até o estacionamento.
— Sra. Campbell! — Mark sorriu largamente ao ver a sogra.
— Espero que você seja o Mark!
— Pode ter certeza que sou!
— Oh, Loren, ele é lindo!
Loren riu baixo enquanto o namorado se aproximava.
— Então você é o famoso Mark?
— Ao seu dispor!
Mark puxou a sogra para um abraço que foi muito bem retribuído, ao se afastar da empresária de sucesso Mark puxou a mão sem gesso da namorada e a beijou.
— Boa tarde, meu amor... — Ele sussurrou enquanto abraçava a garota.
Durante todo o caminho até o restaurante Lorelai e Mark foram conversando sobre empresas, negócios e esse tipo de coisa enquanto Loren pensava no quanto queria apresentar Henry à sua mãe mas que isso seria, provavelmente, impossível já que o rapaz já devia ter se esquecido dela quase por completo e queria deixar essa fase para trás.
Enquanto isso Ottawa no Canadá, Henry acordava em sua cama King Size e ao chegar na sala se deparou com... qual era mesmo o nome dela? É, ele não se lembra, talvez nem tenha perguntado.
— Bom... dia...
O apartamento estava organizado, tirando o fato de algumas espalhadas.
— Ah, oi... — A garota andava de um lado para o outro pegando suas peças caídas e mexendo no cabelo.
— Eu sou Henry!
— Ah, sim, é... eu soi Charlotte!
Henry ajudou a garota com as roupas e lhe mostrou o banheiro, ela sumiu no corredor e ele foi até a cozinha pegar uma garrafa de água. Isso foi bastante constragedo, mas ela parecia ser legal e era bem bonita.
— Bom... eu já vou indo!
Charlotte apareceu na cozinha com os cabelos bem pretos presos em um coque alto e um vestido de festa brilhante que ela estava cobrindo com um sobretudo, e seus saltos na mão.
— Não, espere!
A garota já estava com a mão na maçaneta e franziu o cenho quando Henry a impediu.
— Vamos tomar almoçar e depois te levo em casa!
Charlotte olhou para as suas roupas e disse que não iria sair daquele jeito.
— Ah, minha amiga Lindsay deve ter deixado umas aqui quando ela e seu namorado passaram um tempo no meu quarto de hóspedes.
Ele correu até o quarto e trouxe uma blusa e uma calça para a garota e enquanto ela se vestia ele foi atrás de algum sapato.
— Acho que está bom — Charlotte fazia poses em frente ao espelho para ver como havia ficado a roupa.
— Tá ótima! Vamos!
Henry já tinha colocado uma camiseta e uma bermuda que tinha o mesmo tom cinza de seu tênis.
Pouco tempo depois eles estavam rindo e conversando em um dos restaurantes favoritos de Henry e que era também, coincidentemente, o favorito de Charlotte.
— Você é novo aqui?
— É, sim, sou sim. Morava em Nova York até... praticamente 1 mês.
— E por que decidiu vir para cá? Nova York parece ser um sonho. — Os olhos acizentados quase brancos de Charlotte estavam sobre Henry que, agora, estava sentindo-se desconfortável.
— Talvez seja correto dizer que foi um momento de "pessoa errada, na hora errada".
— Deve ter sido bem errado mesmo, já que você mudou de país! — Ela riu sem nem ter a dimensão do problema que a simples menção a Loren causava no rapaz. — Mudar de bairro não adiantava?
— Se eu pudesse, teria mudado de continente... — A expressão risonha de Charlotte mudou para seriedade e então, a moça viu que era hora de mudar de assunto.
— Em que você trabalha?
— Advogado de causas trabalhistas, e você?
— Eventos, planejo grandes eventos!
Loren, Mark e Lorelai já estavam voltando para casa depois do almoço, que por sinal, tinha sido bem agradável quando, após muito tentar se controlar, a empresária disse quase que involuntáriamente:
— E... vocês pretendem... casar?
Um arrepio percorreu pela espinha de Loren e ela sentiu a mão de Mark pousar sobre a sua por debaixo da mesa.
— Era sobre isso que queria conversar com vocês... — Mark riu e olhou da mãe para a filha e da filha para a mãe.
Stratford levantou da mesa e ajoelhou-se na frente do restaurante todo.
— Mark, não me diga que você está fazendo o que eu acho que está!
O rapaz só riu de lado, tirou do bolso uma caxinha aveludada vermelha e abriu-a mostrando um brilhante reluzente e várias outras pedrinhas que contornavam o anel dourado.
— Lorena Campbell, você aceita casar comigo?
A loira estava chocada, olhou para a mãe que já chorava e abriu um imenso sorriso, um milhão de coisas passaram pela sua mente e a resposta foi óbvia.
— Sim! Meu Deus, sim!
Mark levantou-se e beijou a noiva fazendo todo o restaurante bater palmas.
— Meu Deus, eu estou tão feliz de poder participar desse momento! — Lorelai estava aos prantos.
Loren estava feliz, preocupada, com medo, confusa. Mas a mãe estava feliz, o noivo estava radiante e então, ela ria.
— Vamos pra casa! Vamos abrir um champagne! — Lorelai batia palmas sem nem se lembrar do que a filha tinha dito mais cedo sobre não gostar de verdade de Mark.
O caminho até em casa foi cheio de coisas sobre casamento e tudo o mais.
— Vamos fazer assim. Nós subimos, meu noivo vai pra casa, eu e minha mãe arrumamos as coisas dela e mais tarde você vem me buscar para a gente sair. Certo?
Os dois assentiram e Mark acelerou no sinal verde.
— Não sei se é muito precipitado, mas, conheci uma planejadora de grandes eventos! O nome dela é... ai, como é mesmo? Carrie? Não... é Charlotte! Isso Charlotte!
Loren deu de ombros, não poderia nem imaginar em seu mais remoto pensamento que a moça com quem Henry estava saíndo seria a planejadora do seu casamento.
— Ela que fez o casamento da Chelsy, Loren!
— Ah, ela é ótima mesmo então.
— Vamos falar com ela! Esse casamento tem que sair antes que o bebê nasca! — Lorelai se agitou.
— ANTES? Por que não esperamos ele nascer, eu me recuperar e aí sim casamos?
— Não, Loren, antes! — Lorelai disse ríspida e Mark concordou.
— Mark, vamos falar com ela agora mesmo!
Henry estacionou o carro em frente ao prédio de Charlotte.
— Obrigada pela noite de ontem e por essa tarde!
— Eu que agradeço.
O advogado se esticou para beijar a garota e então o celular dela tocou.
— A-alô? — Charlotte encostou a cabeça no banco e fechou os olhos. — Ah, oi, lembro sim! Claro! Vai casar? Que ótimo! Posso sim! Vou ver aqui e vejo quando posso ir aí. Sou apaixonada por essa cidade! Aham, claro, pode deixar! Vou fazer tudo dar certo!
A organizadora dos maiores eventos da América do Norte desligou o celular e o jogou novamente na bolsa.
— Era importante? — Henry segurou o queixo da moça olhando dos olhos para a boca e da boca para os olhos — Quer retornar?
Os olhos cinza tornaram a se abrir e ela formou nos lábios um sorriso malicioso.
— Era importante sim, mas não vou retornar tão cedo!
Charlotte desafivelou o cinto de segurança e se esticou para um beijo lento e demorado que aos poucos foi ficando mais rápido.
— Podemos subir? — Henry passou a mão pela cintura e desceu um pouco mais para o quadril.
— Não... Deixa pra depois!
— Então vai ter um depois?
— Eu espero que tenha!
A garota soltou o cabelo, pulou do carro com a bolsa na mão e sem nem olhar para trás, entrou no prédio.
Henry arrancou com o carro ainda em êxtase com a mulher que tinha acabado de conhecer e foi direto para uma Starbucks encontrar com Lindsay. Precisava contar para a amiga sobre o ocorrido.
— Então, é isso...
— Quer dizer que você teve um caso com um rapaz, se apaixonou e agora teve que largá-lo por causa do seu bebê?
— Sim! — Loren escondeu o rosto com as mãos e balançou a cabeça.
— Meu anjo, o caso é que eu concordo com o que você fez e acho completamente correto, mas, às vezes o coração precisa de incorreções...
— Então você acha que eu devo ir atrás de Henry? Logo hoje, que eu acabei de ficar noiva?
— Por que não? — Lorelai abraçou a filha. — Liga pra ele, do meu celular!
Loren pegou o celular da mão da mãe e discou os números que sabia de cabeça rapidamente.
— Alô? — Antes do terceiro toque uma voz feminina atendeu em meio a risos.
— Alô? Ahn, oi, deve ser engano, desculpa...
— Não! Calma! Esse é o celular do Henry! Eu sou a...
A garota ficou em silêncio por alguns instantes como se esperasse a palavra certa, então, Loren ouviu a voz que reconheceria de qualquer jeito e em qualquer lugar.
— Minha namorada! Você é minha namorada, baby! — A voz de Henry soou ao fundo da ligação.
Seu coração apertou, ela respirou fundo e antes que Charlotte pudesse falar qualquer outra coisa Loren desligou e desejou nunca ter nem discado aqueles números.
— Ele não atendeu, quem atendeu foi a... namorada dele... — A expressão ansiosa e animada de Lorelai se desfez e se transformou em pena por ver a filha chorando e tão abalada.
— Mas tudo bem, não tem problema! Se ele me superou, eu posso superá-lo também! — A loira respirou fundo, secou as lágrimas que ainda escorriam e ergueu o pescoço. — Aliás, estou noiva não estou? Estou esperando um filho de um cara que me ama e que não vai deixar nada nos faltar!
Lorena Campbell estava completamente decidida a fazer dar certo. Ser esposa, mãe e acima de tudo feliz ao lado daquele que em alguns meses se tornaria muito mais que um mero casinho como já foi há algum tempo.
— Tem certeza que você está bem, sweet?
— Sim! Estou ótima! Vou até ligar para o meu chefe e depois para o meu médico! Ah! E quero o número da Charlotte, que vai organizar MEU casamento. Vou armar logo um almoço com essa mulher. Vai estar tudo perfeito!
~~~~~~ 2 anos depois ~~~~~~
O choro invadiu o quarto tão rápido quanto alguém pode piscar. Choro de fome, pensou Loren.
— É a sua vez, não é? — A loira, sem nem abrir os olhos, pousou a mão sobre o braço do marido que, ainda resmungando, lenvantou da cama e foi cambaleando até a porta.
— Sim, é sim... — A luz do corredor fazia com que os cabelos de Mark parecessem mais claros.
Lorena Campbell Stratford não conseguiu dormir até sentir o peso do marido ao seu lado na cama novamente.
— Está tudo bem. Era fome.
Mark beijou a nuca da loira que sorriu ao ficar feliz por saber reconhecer o choro da filha.
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