Aconteceu Assim
5 É, ela não estava nada bem.
Notas iniciais
Esse cap. eu ñ entendi muito oq fiz nele.
Dentro do carro predominava o silêncio, ele não sabia o que falar, brigava? indagava? se fazia de compreensivo? ou era melhor não falar nada?
Quando pararam no sinal Grissom aproveitou para ajeitar o retrovisor, queria saber qual era a expressão no rosto dela. Dependendo, ele abriria a boca, ou não.
Sara mantinha a cabeça encostada no vidro da janela, por cima dos braços tinha sua blusa de frio depositada. O pé balançava freniticamente, mantinha sempre a mesma sequência de batidas contra o carpete da SUV. A chuva que caia lá fora escorria pelas janelas do carro, seu olhar fitava o para brisa, na verdade, era o movimento dele que seu pé acompanhava.
Era confortável para ela que ele não falasse nada, mas aquele silêncio era a pior advertência que ela poderia receber. Ela esperava que ele a julgasse, culpasse, repreendesse, mas não. Ele a olhou com aquela droga de meiguice e a ofereceu a mão. Mão na qual ela não teve a audácia de recusar. No entanto, o que ele não fez ela própria fazia em pensamento, estava se punindo em silêncio, a cabeça estava a mil tentando encontrar qualquer insulto que ainda não havia feito a ela mesma.
Mas Sara queria ouvir da boca dele, precisava que ele dissesse o quanto ela foi estúpida, e não estava se referindo a bebida. Se sentia estúpida em relação a ela, seus sentimentos eram confusos, estavam embaralhados. Ela estava cansada de " tudo aquilo" , queria que ele a sacudisse e gritasse bem alto o quanto ela era autodestrutiva, insignificante. Tudo o que ela desejava era que naquele momento ele a repelisse com toda a sua força. Não queria a compreensão de Gilbert Grissom, não naquela noite. Já estava se sentido envergonhada o bastante para ter que usufruir de um "tudo bem" . Preferia ter a ira de seu supervisor a piedade.
– Eu sei o que está pensando... E você tem razão, eu sou tudo isso. — Disse com uma voz amarga.
– Não sabe... mas sim, você é tudo o que eu estou pensando. — Não desviou o olhar da estrada.
– Então diz pra mim tudo o que eu sou! Não se faça de rogado... Eu sei quando mereço um monte de lixo.
– Acho que você não está em condições de ter uma conversa agora.
– Eu não estou bêbada Grissom, você sabe.
– Eu sei.
Não era a resposta que ela queria. Sara esperava que ele a contrariasse, precisava ouvir uma palavra ríspida sair da boca dele. Não sabia o porque disso, queria que ele fosse bravo com ela. A partir de um certo ponto de sua vida ela não tinha quem a adivertece, ninguém para colocar limites em uma certa menina dos dentes separados que se achava a dona do próprio nariz.
Mas essa era a verdade, Sara foi obrigada a ser dona dela mesma desde muito cedo. Não precisava de ninguém para dizer o que ela precisava fazer, afinal, se ela própria não fizesse ninguém fazia por ela. E assim ela cresceu, das vezes que seguiu o caminho errado não teve quem dissesse eu te avisei, muito menos quem gritasse com ela enquanto lhe mostrava o quanto ela foi ridícula.
– Mas você disse... — abaixou o olhar e passou a encarar os próprios joelhos — Disse que não estou em condições de ter uma conversa...
– Isso não quer dizer que você está bêbada.
– Mas eu bebi Grissom! Então por que... por que não briga comigo, por que não tá bravo...
Grissom olhou para Sara e percebeu que novamente escorriam lágrimas pelo seu rosto. Conduziu o carro até o acostamento. Sabia que ela havia bebido e passado um pouco dos limites permitidos mas não via motivos para ser duro com ela, isso ela mesma fazia sem ajuda de ninguém. E vê-la chorar era cortante para ele, não suportava vê-la assim.
– Olha Sara... — Mordeu os lábios — Você bebeu, mas isso é normal... as pessoas bebem o tempo todo.
Ela o olhou sem entender.
– Acho que não me expressei direito — Passou a mão no rosto — O que eu quero dizer é que...
– O que você quer dizer é que eu sou fraca — O encarava — E que não sei me controlar, talvez eu seja louca... Vamos lá Grissom — Secava as lágrimas com a costa da mão — Eu mereço ouvir que fui completamente antiprofissional. A verdade é que... sou "anti" tudo!
Grissom ouvia atentamente o que ela dizia, estava se saindo um bom ouvinte. Ele se sentia obrigado a isso, ser um bom ouvinte era o mínimo que ele podia fazer. Afinal, sabia que tinha a sua parcela de culpa naquilo tudo.
– Isso... isso é desprezível... — Voltou a encarar os joelhos.
– Não era o que eu ia dizer... Olha pra mim Sara.
Ele pediu mas ela não o olhou, ele até esperou por um tempo mas viu que ela não olharia para ele nem que ficassem ali até o dia amanhecer. Mais uma vez segurou a mão dela apertando forte. Sentiu o quão gélida ela estava.
– Sara... você bebeu, não está bêbada... Depois de um turno pesado é normal buscarmos distração... não deve se sentir mal por isso. Você não causou mal a ninguém, todo mundo tem dias ruins... não se culpe por isso.
– Claro que eu causei mal Grissom, olha só pra você... mal consegue manter os olhos abertos, como disse, turno cansativo. No entanto você tá aqui por minha causa... fazendo papel de motorista, isso é errado não é?!
– Não Sara, isso não é errado... Eu não estou aqui por sua causa, estou aqui por você e não estou fazendo papel de motorista... só estou cumprido com o meu dever de... amigo...
– Nós dois sabemos que não é assim — Balançava a cabeça negativamente — você sabe disso.
– O que eu sei é que você não é nada do que disse... nunca mais diga essas coisas novamente Sara!
– É como eu me sinto...
– Então pare de se sentir assim... você não merece.
– Você não precisa ser legal comigo... não deve.
– Eu te devo isso Sara... até mais.
–Não deve nada! Não quero que sinta pena de mim... por isso está aqui comigo, por pena da desequilibrada. É o que eu sou, mas não preciso da sua compaixão Grissom.
– Você não precisa, por isso não a tem Sara. Não é o que sinto por você... É diferente, bem diferente disso.
– Eu quero ir pra casa... Se importa?
Perguntou sobre ligar o rádio, Grissom apenas acenou a cabeça e voltou a dirigir. A conversa estava encerrada, a música fez o silêncio parecer inexistente. Quando paravam em algum sinal ele aproveitava para olha-la , conseguia capturar o quase imperceptÍvel movimento que ela fazia com lábios, talvez estivesse acompanhando a música, não podia afirmar com certeza porque os lábios dela se moviam de uma maneira quase imóvel, talvez fosse coisa da cabeça dele.
Você sabe que não é o único
Que tem muito a superar
E quando o tempo vem então você progride
Porque você tem chorado por muito tempo
As vezes a vida é tão cruel
Mas mudar nunca é uma perda de tempo
Eu sei como você está se sentindo, eu já senti isso antes
A dor é algo muito forte para ignorar
Não fique esperando por alguém
Que possa levar todo seu medo embora
Quando não há ninguém para ouvir
É quando você não deve sentir medo
Quando parou o carro em frente ao apartamento dela, Sara se despediu com um obrigado e desceu sem mais palavras. Grissom a acompanhou com o olhar até ela atravessar a rua e adentrar a portaria dando um pequeno aceno para o porteiro que olhava curioso procurando pelo carro dela.
Notas finais
Ah, a musiquinha no final é - (Change Is) Never A Waste Of Time *Alanis Morissette*
Só coloquei ela pq eu gosto, não acho q tenha muito a ver com o cap. Mas quis colocar uma música e como gosto das músicas da Alanis eu coloquei essa.
Bom, é isso :)
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