Acontece sob a Lua
1 Capítulo 1 - Presságios Antes do Encontro
Notas iniciais
POV: RenesmeeEu estava em um lugar estranho. Tudo era escuro e vazio. Levantei a cabeça e olhei para o céu: negro, sinistro, com a lua brilhando de forma intensa e imponente. Não sabia como havia chegado ali; a última coisa de que me lembrava era estar na aula de matemática.
Usava um vestido todo preto, com luvas. Olhei ao redor e, com a fraca luz da lua, consegui identificar várias árvores à minha volta. À medida que a luz incidia sobre elas, tudo parecia ainda mais estranho.
Um vento gélido passou pelo meu corpo como um abraço suave. Encolhi-me, e o desespero começou a me dominar. Não conseguia pensar em nada — apenas sentia medo.
Então, como em um filme de terror, ouvi um uivo ao longe. Era grave e assustador. Logo depois, outros uivos começaram a surgir e, à medida que ecoavam, pareciam cada vez mais próximos.
Meu corpo gelou por completo. Eu estava pregada ao chão, incapaz de correr, andar ou sequer me jogar no chão fingindo-me de morta. Eu deveria me esconder… mas estava congelada.
De repente, tudo ficou em silêncio. Não um silêncio calmo, mas perturbador. Minha respiração estava acelerada, como se algo estivesse prestes a acontecer — um sexto sentido.
Ouvi passos lentos e sorrateiros atrás de mim. Uma respiração forte, intensa e perigosa fez meus cabelos voarem sobre o rosto. Engoli em seco. Um cheiro forte de cachorro molhado invadiu o ar.
Seria um cachorro muito grande? Um lobo? Ou algo que, de qualquer forma, iria me matar?
A criatura rangeu os dentes em aviso. Respirei fundo e virei-me lentamente. Meus olhos se arregalaram no instante em que o vi. Aquilo não podia ser real… não era real.
Um lobisomem.
Tinha quase três metros de altura, o pelo preto, liso e brilhante. Os olhos eram ferinos e ameaçadores, e os dentes, enormes.
Ele rosnou em minha direção. Dei um passo para trás. Então ele se inclinou para trás e uivou alto. Aquilo me despertou para a realidade, e eu corri.
Corri o mais rápido que pude, sabendo que, a cada passo meu, ele dava quatro. Consegui me esconder quando tudo ficou ainda mais escuro; nuvens cobriram a lua, e eu já não enxergava nada.
Queria encontrar uma saída, mas tudo o que via era escuridão.
Foi quando senti uma mão agarrar meu braço e me puxar com força para trás. Soltei um grito, mas a pessoa tampou minha boca. Não consegui ver seu rosto, mas percebi que era alto e musculoso quando meu corpo bateu contra o dele.
— Você precisa ir — ordenou. Sua voz era alta e grave.
— Para onde? Me ajude — pedi, olhando ao redor, desesperada.
— Apenas vá — repetiu.
— Como vou saber para onde ir?
Ouvi um risinho baixo.
— Você é esperta. Vai saber… sempre sabe.
Ele deu um passo para trás e sumiu na escuridão.
— Ei! — chamei, mas minha voz parecia não ser minha.
— Ei, Renesmee, acorda!
Pulei da cadeira quando alguém gritou no meu ouvido, quase caindo no chão.
Levei a mão ao rosto e esfreguei os olhos. Eu ainda estava na escola. Havia dormido no meio da aula de matemática. Claire me fitava com o cenho franzido — aquela maluca havia batido a régua em mim.
Lancei-lhe um olhar atravessado antes de me jogar novamente sobre a carteira.
O sinal tocou. Tampei os ouvidos; minha cabeça latejava. Arrastei-me para fora da sala ao lado de Claire, que tagarelava sobre eu ter batido a cabeça no chão. Não prestava atenção alguma.
Coloquei meus fones, ainda pensando no sonho. Não era a primeira vez que sonhava com aquilo. Havia dias que o mesmo sonho se repetia.
— Nessie, você tá me ouvindo? — Claire perguntou, arrancando um dos meus fones.
— Claro que estou. Você não para de falar — resmunguei, tomando o fone de sua mão.
— Não dormiu direito essa noite?
— Não… perdi o sono.
Saímos do colégio, e Quil, o namorado de Claire, já nos esperava. Ele nos levava para casa todos os dias. Logo, os dois começaram uma sessão de amassos. Girei os olhos e me encostei no carro de Quil, que estava tão limpo que quase escorreguei.
— Dá pra parar com isso e irmos logo pra casa? — reclamei.
Os dois riram.
— Amanhã vou fazer uma festa lá em casa. Meu primo vem morar comigo — Quil disse, animado.
— Onde esse seu primo mora? — Claire perguntou.
— Los Angeles, Califórnia. Meu tio Billy tem muita grana.
— E por que ele vai vir morar em La Push, nesse fim de mundo? — questionei.
— Porque quer ficar mais perto do priminho aqui — Quil sorriu amarelo.
Era óbvio que ele estava mentindo, mas resolvi não insistir e entrei no carro.
— É aquele tal de Jacob? — Claire perguntou, ligando o som no último volume.
Fiz uma careta. Ela estava tentando estourar meus tímpanos? Coloquei os fones, mas não adiantou. Bufei e não ouvi mais nada, nem a resposta de Quil.
Cheguei em casa, e Claire desceu comigo, avisando a Quil que dormiria lá. Eu não lembrava de tê-la convidado, mas ignorei. A casa estava vazia, como sempre.
Joguei-me na cama, e Claire pulou em direção ao som. Lancei-lhe um olhar feio, e ela deu alguns passos para trás.
POV: JacobDesde o ano passado, quando completei dezessete anos, meu pai anda estranho. Ele decidiu que, antes de eu completar dezoito, vai me mandar para La Push, para morar com meu primo Quil.
Inventei vários motivos para entender por que ele queria se livrar de mim, mas não encontrei nenhum. Vou fazer dezoito mês que vem e, amanhã, serei praticamente deportado.
Por um lado, ter mais liberdade sem meus pais no meu pé parece bom. Por outro, tudo isso me soa muito estranho.
Tenho uma namorada: Sophia Aubrey. Ela é linda, perfeita, atenciosa — a namorada ideal. Mas sei que, quando eu for embora, talvez nunca mais a veja. E eu gosto dela… na verdade, eu a amo. Ela é como um raio de sol na minha vida.
Mas eu não aguentaria um namoro à distância sem poder tocá-la.
Liguei para ela e marquei de nos encontrarmos em uma sorveteria que ela adora. Eu estava sentado à mesa, batendo os dedos impacientemente, quando a vi entrar. Estava linda como sempre, com seus cabelos ruivos, olhos verdes e aquele sorriso simpático nos lábios.
Sorri de canto. Ela beijou meus lábios e se sentou à minha frente.
— Então, cowboy, por que me chamou aqui? — perguntou.
Engoli em seco.
— Vão pedir? — o garçom interrompeu.
— Quero um sundae de chocolate. E você, Jake?
— Pra mim, nada.
Eu estava tenso demais para engolir qualquer coisa.
— Então? — Sophia insistiu.
— Tenho algo sério para conversar com você.
— Fala — disse, sorrindo.
— Não quero te magoar.
— Jake, fala logo. Tá me deixando nervosa.
Ela colocou a mão sobre a minha. Respirei fundo.
— Eu vou embora.
A mão dela escorregou lentamente da minha.
— Embora? Pra onde?
— Meu pai quer que eu me mude para La Push.
— Onde fica isso?
— É uma reserva Quileute… bem longe daqui.
Seus olhos marejaram.
— Você está terminando comigo?
Levantei o olhar. Seu rosto já estava coberto de lágrimas.
— Sim.
— Jake… por favor… nós podemos…
— Não, Sophia. Você não entende. Não posso estar lá e namorar à distância sem ao menos… te tocar.
— Mas eu te amo — ela implorou, com a voz embargada.
— Eu também te amo. Mas não quero te machucar.
Ela assentiu, levantou-se.
— Tarde demais.
Virou as costas e saiu. Fiquei parado, como uma estátua, incapaz de reagir.
Corri atrás dela, segurei seu braço e a virei para mim, tomando seus lábios em um beijo intenso. Ela correspondeu. Doía mais do que nunca saber que aquele poderia ser nosso último beijo.
Abracei-a com força, querendo guardar aquela sensação para sempre.
Ela se afastou lentamente.
— Adeus, Jake — sussurrou.
— Adeus — murmurei para mim mesmo.
Fiquei ali parado, sozinho com meus pensamentos.
Eu queria morrer.
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