Acontece sob a Lua
3 Capitulo 3 - Tentando ser normal
Notas iniciais

POV: Jacob
O dia, para mim, amanheceu rápido demais. Eu tinha dormido pouco naquela noite; a festa de Quil durou mais do que o necessário e, depois que Renesmee foi embora, tentei dormir — ou pelo menos tentar — porque o barulho estava infernal.
Renesmee era divertida. Gostei de conversar com ela e, no fundo, esperei que, como uma garotinha virgem, ela me ligasse. Pensar nisso parecia ridículo.
Eu estava no quarto juntando meus livros na mochila quando Quil entrou, fechando a porta atrás de si. Fitei-o por cima dos ombros. Ele estava com a mesma expressão que meu pai costumava fazer.
— O que você pensa que está fazendo? — ele questionou, cruzando os braços.
— Arrumando meus livros — respondi, explicando o óbvio.
— Claire me falou que você estava conversando com a Renesmee.
Virei-me para encará-lo.
— E o que tem demais nisso?
— Isso não vai dar certo — ele resmungou.
— Por que não vai dar certo? — dei um passo à frente, sentindo o coração acelerar e a raiva começar a pulsar com força. — Se você e meu pai me dissessem o que está acontecendo…
— Jake… — Quil respirou fundo e, como na noite anterior, ouvi seu coração acelerar. Desta vez era medo. — Na hora certa você vai saber.
Recu ei, abrindo os punhos que só então percebi estarem cerrados.
— O que eu tenho que fazer para isso… parar? — perguntei, sentando-me na cama, derrotado.
— Não tem como parar… mas tem como controlar — ele explicou, sentando-se ao meu lado.
— Eu não consigo entender o que está acontecendo comigo — murmurei.
— Eu não posso falar, cara — Quil disse, levantando-se. — Mas você precisa se afastar da Renesmee antes que ela se machuque.
Franzi o cenho.
— Eu nunca a…
— Machucaria, sim. Pode apostar — ele afirmou.
Suspirei fundo.
— Tudo bem — resmunguei, levantando-me. — Se eu sou tão perigoso assim, você também devia se afastar de mim.
Sorri de canto e o empurrei de leve.
— Que isso, cara. Você sabe que não é nada sem mim — Quil debochou.
— Cala a boca.
Saímos da casa dele e, como minha moto ainda não havia chegado, fui de carona com ele.
Chegamos à famosa escola de Forks. Eu deveria estudar na reserva, mas não havia vaga, então Quil veio comigo para que eu não ficasse sozinho. Quando desci do carro, todos olharam para mim, principalmente as garotas. E eu que pensei que garotas de cidade pequena fossem menos oferecidas.
Onde Quil passava, cumprimentava todo mundo. Girei os olhos; ele parecia uma garotinha popular. Estava tão distraído que acabei esbarrando em alguém.
— Me desculpe — pedi a uma loira muito bonita.
— Ah! Não imagina, tudo bem — ela disse, analisando-me de cima a baixo. — Você é o Jacob, certo?
— Bem… sim. Jacob Black — estendi a mão.
— Maya Johan — ela respondeu, mordendo o lábio inferior de propósito.
— Prazer.
— Com certeza — comentou, sem pudor. — Posso te ajudar a se achar. Quem sabe podemos ser amigos.
Vi claramente que havia algo além da palavra “amigos”.
— Não quero ofender, mas… — desviei o olhar quando vi Renesmee passando pelo corredor. Ela sorriu para mim e acenei de volta. — Prefiro as morenas.
Deixei Maya para trás e corri para alcançar Renesmee.
— Maya Johan… começou bem — ela comentou, com um sorriso debochado.
— Eu só… ei, eu não fiz nada. Foi ela que me atacou — levantei as mãos em rendição.
— Ok, está perdoado — Renesmee disse. — Bom… bem-vindo.
Percebi imediatamente que ela estava nervosa. Por minha causa.
— Obrigado — respondi. — Pode guardar um lugar pra mim no almoço?
Ela levantou as sobrancelhas, surpresa.
— Ah… claro.
Fiquei olhando para ela feito um idiota.
— Jake! — Quil me chamou. — Vamos nessa.
Ele praticamente me arrastou para longe.
— Você é surdo? As palavras “fique longe da Renesmee” não significam nada pra você? — Quil estalou os dedos na minha frente.
— Essas palavras só me dão mais vontade de vê-la — respondi, batendo em seu ombro.
— Você viu aquilo ali atrás — ele apontou para Maya, que acenava para mim. — Ela te deu o maior mole.
— Relaxa, Quil — coloquei as mãos em seus ombros. — Você está muito tenso.
— Só não quero dizer depois que eu te avisei.
— Você não vai.
— Ok… mas só… — ele parou de falar e seus olhos focaram atrás de mim. — Relaxa.
Virei-me e dei de cara com um garoto da minha altura, com cara de idiota.
— Um novato — ele disse, cruzando os braços.
— Bem observado — sorri de canto.
— Qual é o seu nome?
— Jacob Black.
— Oliver Cameron — ele estendeu a mão. Ignorei.
— Capitão do time de futebol, ego inflado e dono da escola — provoquei.
— É bom você saber o seu lugar — ele rosnou. — Você está no meu caminho.
Ele me empurrou. Dei um passo atrás, fechando os punhos. Meu coração martelava, e uma vontade absurda de rasgar sua garganta tomou conta de mim.
— Este é meu lugar. Se não está satisfeito, me contorne.
Ele me empurrou novamente, fazendo-me cair sobre Quil.
— Perdedor.
Quando fui pra cima dele, Quil me segurou.
— Jacob, relaxa. É só o Oliver.
Um rosnado estranho escapou da minha garganta.
Quil me puxou para o banheiro. No espelho, meus olhos estavam vermelhos como sangue.
— O que está acontecendo comigo? — perguntei, com a voz mais grossa.
— Eu não posso… — interrompi-o, agarrando seu colarinho e erguendo-o sem perceber minha força.
— Fala agora — rosnei.
— Jake, me solta!
Soltei-o imediatamente, virando-me de costas.
— Desculpa.
— Tudo bem — ele disse, levantando-se. — Eu vou falar.
Assenti.
— Você é um lobisomem.
Fiquei encarando-o até entender.
— Como nos filmes?
— Sim e não. Isso vem do seu sangue. Do seu avô.
— E você sabe disso porque…
— Porque eu também sou um lobisomem.
Seus olhos ficaram completamente pretos.
— Então é por isso que eu quero sangue e tripas?
— Exato. Seu pai te mandou pra cá pra te proteger. Eu vou te ajudar.
— Então uma vez por mês viro um monstro peludo que uiva pra lua?
— Seus olhos ficam vermelhos porque você é um alfa legítimo.
— Ser psicopata em grupo. Gostei.
— Uma matilha.
— É muita coisa pra um dia — peguei minha mochila. — Vamos fingir que somos normais.
— Claro, vamos ao assédio.
— Assédio?
— Jake, você é carne nova.
Girei os olhos.
— Cala a boca.
Saindo do banheiro, esbarrei em alguém.
— Oi — Renesmee sorriu.
— E aí.
— Cabulando biologia? A professora chamou seu nome.
— Então estamos na mesma turma?
— Sorte sua. Pode colar de mim.
— Sou um ótimo aluno.
— Claro que sim — ela disse, sarcástica.
— Bom, vou indo, lobão — Renesmee sorriu e beijou minha bochecha.
Arregalei os olhos.
— Nem pense em rir — rosnei para Quil.
— Você quase infartou — ele gargalhou.
Saímos da escola e vi Renesmee revirando a bolsa perto do carro.
— Tentando achar outra dimensão?
— Não acho as chaves.
— Essas? — apontei para o chão.
— Ainda não sei como faço isso — ela riu.
— Que tal um sorvete amanhã?
— Amanhã? — ela sorriu. — Perfeito.
— Eu te pego.
— Tá bom.
Ela beijou minha bochecha e foi embora.
— Você só faz merda — Quil comentou.
— O que foi agora?
— Amanhã é lua cheia. Sua primeira.
Respirei fundo.
— Eu não posso desmarcar.
— Prefere arrancar a jugular dela?
— Já entendi…
Peguei as chaves do carro.
— Pelo menos eu dirijo.
Acho que hoje foi meu primeiro dia tentando ser normal.
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