Acontece sob a Lua
18 Capitulo 18 - Sangre por mim
Notas iniciais

POV: Renesmee
Bom, vamos começar pelos fatos mais óbvios da minha vida nos últimos dias. Depois de ter faltado vários dias à escola e, em seguida, ir lá e espancar a Maya, eu fui suspensa até o final do ano e vou ter que repetir novamente. Mas, na real, eu não estou nem aí. Acreditem se quiser, mas até o diretor me chamou de louca.
E eu, bem… chamei ele de careca bicha e saí do colégio, deixando a minha mãe com cara de tacho e o diretor ameaçando me expulsar. Mas tenho certeza de que ele só não me expulsou porque meu pai deu uma boa grana para ele.
Depois disso, resolvi que não ia mais voltar para casa ou para qualquer lugar temporário que meus pais arranjassem para nós. Peguei meu carro e dirigi sem rumo. Basicamente, passei a tarde inteira dirigindo sem destino pela cidade. Quando estava anoitecendo, passei em frente à minha casa, que agora estava em pedaços e completamente destruída.
Parei o carro em frente ao cemitério, desci e entrei a passos curtos. Coloquei o capuz para ninguém me reconhecer como a louca que botou fogo na própria casa. Estavam me tratando como uma maníaca, e todos da cidade tinham medo de que eu colocasse fogo na casa deles. Gente patética.
Apertei minhas mãos uma na outra dentro do bolso do casaco e avistei uma senhora parada em frente a um mausoléu de mármore completamente preto e assustador. O nome da família era Waynwood.
Parei para fitá-la. Ela usava um sobretudo que a cobria por completo, embora isso não fosse difícil, já que era baixa e um pouco corcunda.
Talvez ela tenha notado a minha presença, pois se virou lentamente, fitando-me com seriedade. Tinha os cabelos soltos, volumosos e totalmente brancos; o rosto pálido e os olhos negros. Ela me analisou de cima a baixo, e seus olhos pararam em meu rosto. Então, o canto de seus lábios se ergueu em algo que parecia um sorriso, evidenciando ainda mais as marcas da idade.
— O que uma jovenzinha faz em um cemitério à noite? — sua voz estava rouca.
Franzi o cenho, engolindo em seco.
— Vim… vim visitar uma pessoa — resmunguei.
Ela assentiu levemente.
— Deve ser alguém muito especial…
Ela deu um passo à frente, e eu recuei.
— Meu namorado… — disse.
Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— Ex-namorado — riu, e eu fechei a expressão. — Bem… ele está morto, não é?
Suspirei.
— Sim, mas eu continuo amando ele.
Ela sorriu.
— Dá para notar. Só a tristeza ao seu redor.
Ela olhou para o nada, os olhos girando pelo espaço vazio ao meu redor.
— Sei — respondi, olhando-a de canto, e virei as costas para sair dali.
— E no seu coração também — ela disse.
Parei de andar, respirei pesadamente e continuei meu caminho até o túmulo do Jake. Ele estava repleto de flores; realmente, meu amor era muito querido em vida. Ajoelhei-me diante dele, depositei um lírio, alisei a lápide com seu nome gravado e senti o estômago revirar enquanto meus olhos lagrimejavam.
— Oi, Jake… — disse, forçando um sorriso. — Sinto sua falta.
Sequei as lágrimas que não paravam de cair.
— Se eu pudesse fazer algo para trazê-lo de volta… — resmunguei. — Eu te amo.
Fiquei ali por mais algum tempo, tentando convencer a mim mesma de que, se permanecesse ali, talvez a dor passasse. Como se, de algum modo, eu estivesse perto dele e não apenas falando com um pedaço de mármore.
Levantei-me e fiquei fitando a lápide por mais alguns instantes.
— Quem sabe eu possa fazer algo para trazê-lo de volta.
Ouvi a voz daquela mulher atrás de mim novamente e me virei.
— Você estava me espionando? — bradei.
Ela continuou sorrindo.
— Estava apenas ouvindo.
— O que quer comigo? — questionei entre dentes.
— Ajudá-la…
Cruzei os braços.
— Olha, eu agradeço, mas você é a última pessoa neste mundo que pode me ajudar agora.
Ela riu.
— Tem certeza?
— Tenho certeza de que não preciso da ajuda de uma velha caduca que fica andando pelo cemitério à noite e falando em códigos.
Ela me fitou.
— Por que está me chamando de caduca se está aqui também? — arqueou uma sobrancelha.
— Olha, eu…
— Não tente dar uma de boa moça, Renesmee Cullen. Eu consigo ver o que você esconde no seu coração devasso — disse, caminhando em minha direção.
Engoli em seco e recuei.
— Como sabe meu nome?
— Sei muito mais coisas sobre você — respondeu. — Sei que Jacob Black estava destinado a se tornar o alfa mais poderoso que já existiu após a morte de Piter, mas morreu precocemente. E você tem muito potencial… mas a dor está te cegando.
Ela tocou levemente meu ombro.
— Do que você está falando?
— Você é uma bruxa, Renesmee. Sua bisavó era uma bruxa. Mesmo que tenha apenas um parente bruxo na linhagem, o sangue permanece. Você é uma mestiça.
Ela parecia maravilhada.
— Você herdou uma herança magnífica. Sua bisavó lhe passou todos os poderes dela.
— Como sabe tanta coisa sobre mim?
— Eu era amiga da sua bisavó.
— Isso é impossível. Minha bisavó morreu há muito tempo. Se fosse amiga dela, já deveria estar morta também.
Ela riu.
— Ah, não… eu sei um segredo. Posso dar vida, tirar a vida, sustentá-la pelo tempo que quiser… e até dar um fim à morte.
Ela falou de forma sombria.
— Talvez você não acredite no sobrenatural…
— Ah, não… eu já vi umas coisinhas por aí — respondi sarcasticamente.
— Então acreditaria se eu dissesse que posso ensiná-la a trazer seu namorado de volta?
— Você não pode fazer isso. Ninguém pode trazer o Jake de volta.
— Não seja tola, Renesmee. Assim como você, eu também sou uma bruxa.
Franzi o cenho.
— Isso não faz diferença.
— Não? Então por que vejo esperança em seus olhos? Por que, em meio segundo, você criou tantas possibilidades só de pensar em vê-lo novamente?
— Por que quer me ajudar? Isso faz alguma diferença pra você?
Ela suspirou.
— Porque estou vendo a história se repetir…
— Se repetir?
— Sua bisavó…
Ela retirou uma foto antiga do bolso. Franzi o cenho ao ver a imagem de uma mulher extremamente parecida comigo.
— Ela era a bruxa mais poderosa que já conheci. Assim como você, apaixonou-se por um lobisomem. Mas, em uma noite de lua cheia, ele se transformou e não conseguiu se controlar.
Ela respirou fundo.
— Ela acreditava que ele nunca a machucaria… mas naquela noite percebeu que tudo o que ele queria era arrancar a carne dos ossos dela e devorá-la. Então, ela o matou.
— Ela o matou? — arqueei as sobrancelhas.
— Sim. E foi ela quem criou essa forma de dar a vida novamente.
— Ela o trouxe de volta?
— Sim, mas ele retornou sombrio, apenas para se vingar dela. E a matou.
Engoli em seco.
— É muita informação…
— Você o quer de volta?
— É tudo o que eu mais quero — respondi, fitando a lápide. — Mas não quero que isso aconteça com ele.
— E não vai. Nunca vi um alfa com um coração tão puro quanto o dele.
Neguei.
— Por mais que você pareça ter cem anos ou mais, não sei se consigo acreditar nesse papo. O Jacob está morto, e estou tentando aceitar isso. Então, por favor, me deixe em paz.
— Ele está morto, minha querida. E você, de certa forma, também está.
Respirei pesadamente.
— Eu não sou a minha bisavó. Não sou sua amiga e nem quero ser. Esqueça isso. Eu não acredito em você.
— Venha comigo, que eu te mostro.
— Em primeiro lugar, eu nem te conheço. Segundo: você já me assustou demais por uma noite. Terceiro: não estou nem um pouco a fim de conhecer sua caverna no meio da floresta. Se você é macumbeira ou algo do tipo, magia negra não vai melhorar minha sorte.
Ela sorriu silenciosamente.
— Você tem um gênio forte…
— Obrigada — resmunguei.
— Só uma pessoa emocionalmente ligada ao falecido pode trazê-lo de volta. Poucas coisas são necessárias para o encantamento…
Franzi o cenho.
— Tipo o quê?
Um frio percorreu meu corpo.
— Uma lembrança viva que represente a felicidade, uma lágrima fresca que represente a tristeza e um sacrifício de sangue. Esse último é essencial.
— Por quê?
— O sacrifício demonstra amor. É assim que pessoas que se amam estão ligadas: sempre fazendo sacrifícios umas pelas outras.
— Isso é surreal…
Levei as mãos à cabeça. Tudo aquilo era bizarro demais.
— Então… está disposta a fazer isso para ter o garoto de volta?
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