Aconteça o que Acontecer...

9 Capítulo 9 - Technology Lyne Company


Notas iniciais
PARTE 2: UM FUTURO DISTANTE O tempo corre do passado e com ele se vão juntas todas as lembranças e momentos felizes, menos o amor.

A situação na TL Company nunca fora de tantas catástrofes econômicas, as coisas caminhavam cada vez mais para um cenário crítico e não havia nada que Nathan pudesse fazer. Nathan? Sim! Parece que ele escolhera a faculdade certa, era realmente bom naquilo que fazia. Eles nunca passaram um uma situação tão instável, as ações caíram drasticamente depois que o Novo Sistema Operacional para Smartphones fez com que milhares de celulares parassem de funcionar.

O – agora – homem ocupava um cargo importante ali dentro, ele havia subido de Diretor assistente para Diretor Geral e Nathan coordenava tudo que ocorria dentro das barreiras da empresa. As pesquisas tecnológicas realizadas pela TL eram de alta qualidade, a empresa recebera no ano anterior o título de companhia responsável pelas maiores pesquisas futurísticas americanas.

Todavia, tudo é como uma montanha russa, subindo e descendo constantemente e o mesmo acontecia com a empresa. Os pesquisadores cometeram um erro na programação da sua ultima invenção e causaram problemas para aqueles que usavam o produto. Quase um-terço da população americana ficou sem celular por aproximadamente duas horas, desde então a TL Company sofre com o excessivo marketing negativo.

Benett Lyne – o grande fundador da Technology Lyne Company – se pronunciou pelo famoso jornal nova iorquino The New York Times, disse que os erros já haviam sido modificados e concertados, todos os celulares estavam em perfeitos estado para uso. O discurso do homem amenizou um pouco a situação e eles precisavam agir, suas ações caiam e seus produtos e pesquisas já não tinham estabilidade de venda.

O prédio da TL Company se encontra no coração de Manhattan e se destacava por sua arquitetura curva e seus vidros espelhados, as pessoas tinham a estranha vontade de entrar sempre que passavam na frente. Da sala de Nathan era quase possível ver todo o Central Park.

Nathan era formado em administração de empresas pela Universidade de Yale. Fora seu professor que o indicara para seu primeiro cargo dentro da empresa e agora ele finalmente alcançou a posição tão desejada dentro da cadeia hierárquica de lá. Ser Diretor Geral lhe fazia sentir que tudo vale a pena.

O senhor Benett recorreu a Nathan quando a situação se agravou, ele ajudou com algumas possíveis soluções e logo avisou que nada disso iria passar da noite para o dia. Eles precisavam de uma nova campanha de Marketing, tinham que passar confiança aos clientes. A TL Company estava recrutando publicitários, estavam colocando em ação sua nova estratégia.

Nathan tinha 27 anos agora e acabara de sair de um relacionamento turbulento, Isabelle – sua ex-namorada – tinha as características mais repulsivas para Nathan, depois de quase dois anos juntos ele notou que aquilo nunca daria certo, Isabelle era extremamente ciumenta e em alguns pontos ela parecia sofrer com transtornos mentais.

Ele morava no Central Park West, era dono do apartamento na cobertura de um prédio não muito longe do prédio de onde trabalhava. Costumava correr nas manhãs que estava livre e tinha como Hobby pilotar aos finais de semana. Os pais moravam em Carolina do Sul, Nathan foi quem lhes deu uma casa lá, Theo sofria com alguns problemas na coluna desde seu acidente, mas eles eram felizes lá, Nathan os visitava em média três vezes no mês.

Sua vida estava indo muito bem, as coisas caminhavam com calma e tudo se encaixava como devia ser. A empresa significava muito para Nathan e ele estava disposto a enfrentar qualquer coisa para tirá-los do buraco. Na manhã seguinte iniciara as entrevistas com os candidatados ao cargo aberto, eles tinham muito trabalho pela frente.

***

Era uma manhã de quarta-feira, o som da televisão estava alto enquanto Nathan arrumava seu Cappuccino na cozinha do apartamento. O cheiro de café quente era abafado pelo cheiro do grande vaso de flores que ficava na divisória entre a sala de estar e a cozinha.

O lugar era bem grande e apesar de haver quase tudo ali Nathan não gostava do lugar, ele sempre fora muito reservado e não gostava de chamar a atenção, mas bem... Ele morava no Central Park West agora. A parte do apartamento que ele mais gostava era enorme sacada, Nathan se deitava ali e tentava procurar estrelas no céu nublado de Nova Iorque, o som dos carros lá em baixo e deixava em um estado de transi.

Passava o jornal matinal da CNN, parece que o Zoo do Central Park iria receber um novo animal, era uma surpresa. As paredes não permitiam que o barulho das ruas entrasse ali, era tudo sempre tão silencioso que às vezes Nathan ligava o som bem alto para contrariar tudo, era divertido.

Nathan não costumava dirigir pela cidade, o motorista da empresa o buscava todos os dias pelas manhãs, e na garagem do prédio ficava o seu brinquedinho favorito, sua BMW série 3, sem dúvida um carro e tanto.

Ele se sentou na bancada da cozinha, o apartamento era bem trabalhado em madeira e vidro o que dava uma sensação rústica e ao mesmo tempo aproveitava bastante a iluminação natural. Estava usando um terno azul petróleo e sua gravata possuía listras douradas, era ele quem comprava suas roupas, Nathan odiava que alguém tentasse fazer isso por ele.

Seu cappuccino já estava bem no final quando o telefone tocou. Era da portaria do prédio, o motorista havia chegado. Nathan colocou sua caneca sobre a bancada e pegou sua pasta, ele não conseguia andar sem ela, muitas vezes não carregava nada ali dentro, mas a usava como forma de segurança.

Ele pegou o celular para checar as horas e já eram quase oito horas da manhã, Nathan também notou que havia cinco mensagens de Isabelle, ela já estava o irritando e de certa forma ele sabia que não podia ser grosseiro com a moça afinal não faziam nem três meses do fim do namoro.

Dentro do elevador ele arrumava sua gravata pelo espelho, observou sua barba e cabelo, estavam em um tamanho bom, mas logo ele teria que cortá-los. Nathan olhava atentamente os números dos andares que iam caindo gradativamente até chegar ao térreo.

“Bom dia senhor Hill” disse a jovem que ficava na recepção do prédio, ela sempre estava com um vestido que chamava a atenção do homem, mas dessa vez ela passara despercebida. Nathan se virou, acenou e sorriu.

De dentro do carro ele olhava os ciclistas que passavam por entre os carros na oitava avenida, ele sempre quisera andar de bicicleta pela cidade, no entanto ultimamente estava sem tempo até para si mesmo, sua vida estava muito agitada desde o problema na empresa.

O trânsito como sempre estava bem movimentado, Nathan queria muito poder ir andando até o trabalho, mas Benett sempre lhe dissera que era arriscado demais um homem como ele andar pelas ruas de Manhattan assim tão desprotegido. E bom, de certa forma ele tinha razão.

Depois de alguns minutos de trânsito eles haviam chegado. O pequeno jardim da frente havia sido modificado, colocaram algumas pequenas árvores e uma fonte, de fato o prédio havia ficado ainda mais bonito. Nathan desceu e agradeceu o velho senhor Mark que fora sempre seu fiel motorista.

Passando por aquelas portas automáticas Nathan ouviu mais uma vez o que estava acostumado a ouvir.

“Bom dia senhor Hill!” era o que todos diziam por onde ele passava até mesmo dentro do elevador ele ouvia isso várias vezes. Sua sala ficava quase no topo do prédio e ele cortava por todos os andares até chegar lá.

A sala dele era muito bem decorada, sua mesa era grande e larga, ficava bem no centro da sala. No lado esquerdo uma grande estante com livros e alguns arquivos importantes da empresa eram feitos de decoração. A senhora Lyne uma vez lhe mandara uma de suas próprias pinturas – ela pintava por hobby – e o enorme quadro quase tampava toda parede direita.

Perto da porta Nathan havia mandado que colocassem um grande vaso com uma árvore com galhos tortos. A janela que dava visão ao Central Park ficava nas costas de Nathan. Quatro pequenos lustres davam iluminação a toda sala e as paredes com faixas de madeira traziam a sala dele o mesmo tom rustico que o atraía.

Um pequeno sofá marrom fora colocado ali também, a televisão na parede não era sempre utilizada, mas Nathan gostava de deixá-la ali. Depois de organizar toda sua mesa de trabalho ele estava completamente pronto para mais um dia de trabalho. As entrevistas estavam para começar às nove horas.

***

Repentinamente a porta se abriu. Por ela entrou um rapaz alto, tinha cabelos amarelo-escuro e olhos claros, estava vestido assim como Nathan, terno e gravata, parecia alguém importante, na verdade esse era Joe.

– Nathan! – disse ele. – Suponho que tenha ficado sabendo da notícia – ele entrou se sentando no aconchegante sofá.

Nathan sorriu.

– O que foi Joe? – ele sentou-se em sua cadeira. – Se divertiu muito a noite passada?

Joe riu.

– Também! – disse ele levando a mão ao queixo. – E ainda acho que deveria ter aceitado meu convite – ele parecia certo no que falava.

Nathan semicerrou os olhos e o observou por segundos.

– Não sei se percebeu, mas a cada dois jornais três massacram a imagem das Companhias Lyne... – ele puxou sua cadeira para mais perto da mesa. – Agora imagina só se sai em todos os jornais dizendo que Nathan Hill estava curtindo a noite em uma balada enquanto sua empresa está afundando aos poucos – ele levantou as sobrancelhas.

– Tudo bem! Tem razão, você precisa relaxar cara... – ele se jogou para trás no sofá. – Te trago uma boa notícia. Para a felicidade de todos, as ações da companhia pararam de cair – ele sorriu de lado e colocou uma perna sobre a outra.

Nathan o encarou.

– Como? Está falando sério? – Aquilo era música para seus ouvidos.

– Seríssimo! – respondeu, ele realmente falava sério.

Nathan deu um grito de alegria, era como se seu time de futebol acabasse de marcar um gol.

– Peça para que alguém do departamento financeiro me trazer todos os relatórios – ele segurava alguns papéis, parecia ser contratos.

– Vou pedir, mas... Onde está Elise? – essa era a secretária de Nathan.

– Tem razão... Não a vi ainda, ela está atrasada – ele segurava uma Mont Blanc entre os dedos, aquela caneta era como um animal de estimação para o rapaz. — Pensando bem vou pedir para que liguem a ela – ele falava com a cabeça abaixada e olhar fixo em seus papéis.

– Então... Eu vou voltar para o trabalho – Joe levantou-se e já ia saindo.

– Joe – chamou Nathan.

Ele se virou.

– Agora é a minha vez de dar a boa Notícia – ele girou a cadeira e ficou de costas para Joe.

– Você sabe que odeio surpresas! Diga logo! – Joe sempre fora muito impaciente.

Nathan girou sua cadeira de volta.

– Já comprei as entradas para o final de semana – ele falava do jogo de basquete. – Primeira fileira – ele disse isso com ênfase.

Joe deu um pulo e um grito de Adrenalina.

– Mandou bem!

– Passo no seu apartamento as seis, não se atrase! – ele sempre pedia para que Joe não se atrasasse e no final ele sempre se atrasava.

Ele apenas concordou e saiu ainda feliz pela notícia.

Nathan e Joe eram grandes amigos, os dois tinham praticamente a mesma idade, eram apenas meses de diferença. Apesar de eles terem muitas opiniões divergentes se davam muito bem. O último relacionamento – o conturbado – só aconteceu graças a Joe, ele quem apresentou Isabelle a Nathan.

Quando Nathan recebeu o cargo de Diretor logo subiu Joe para Diretor Assistente, isso dava a Joe o poder e a responsabilidade de assumir as rédeas quando o amigo precisava se ausentar, tudo precisava seguir em frente. Joe era o tipo de pessoa que gostava de curtir, morava no centro de Nova Iorque e adorava chamar a atenção.

Seu jeito de ser era descontraído e brincalhão, às vezes Nathan precisava bancar o durão ou as coisas não andariam. Ele tinha uma mente brilhante e gostava do que fazia, apesar de sua maneira de ver o mundo ele sempre fora um excelente profissional. Sem dúvida Joe era um bom amigo para alguém que mora em uma cidade como Nova Iorque.

***

Depois de mais ou menos vinte minutos alguém bate na porta da sala de Nathan, ele autoriza que entre, já sabia quem era. Elise passou pela porta, carregava muitas coisas penduradas no braço e estava muito agitada. Era uma mulher muito bonita. Seus cabelos encaracolados desciam por suas costas e pescoço, usava uma saia alta apertada com uma camisa social e salto alto. Nathan sempre gostou de ter uma secretária, ainda mais uma secretária como Elise.

– Me desculpe senhor Hill – ela já estava dentro da sala agora e parecia desesperada. – As ruas estavam superlotadas e o metrô parecia quase parar. Um homem me parou no meio do caminho para me pedir informação, mas eu disse que... – ela se atropelava ao falar, as informações eram jogadas rapidamente para fora de sua boca. Nathan a interrompeu.

– Está tudo bem Elise, sente-se aqui – ele que agora estava de pé puxou a cadeira para ela.

A mulher se sentou e estava ofegante.

– Trouxe meu café? – perguntou ele. – Me deixe te ajudar com essas coisas.

– Sim, sim... – ela pegou tudo que estava em seus braços e entregou a ele. – Está aqui – ela segurava o copo de café. Um cappuccino com espuma e um pouco de canela.

– Obrigado!

Nathan tomou um gole.

Elise mexeu em suas coisas que estava sobre a mesa do seu chefe e pegou sua pasta, iria checar os compromissos de Nathan para aquele dia.

– Senhor Hill, você tem uma reunião marcada para as 4 horas de hoje; As companhias Daylong pediram para que você os ligasse e Isabelle te deixou algumas mensagens na secretária eletrônica – ela terminou e ficou olhando-o enquanto ele tomava seu café.

Nathan revirou os olhos.

– Remarque a reunião para outro dia; Ligue para o senhor Daylong e o enrole... Sobre Isabelle: exclua as mensagens e caso ela ligue eu não existo! – ele colocou seu café no apoio para copos.

Nathan bufou.

– Farei isso agora – disse ela.

Elise se levantou, pegou suas coisas e se encaminhou para port.

– Ahh... Elise! – chamou a atenção dela mais uma vez.

– Sim?

– Peça para que o departamento financeiro que informe sobre as ações, por favor... E quero olhar os balanços do mês passado – ele encostou as costas na cadeira e cruzou as pernas.

Ela fez que sim com a cabeça. Elise saiu.

As entrevistas estavam para começar, o senhor Lyne era quem quisera realizar cada uma delas, ele havia chegado de Londres na noite passada e provavelmente já estava na empresa, Nathan achou curioso ele ainda não ter aparecido por ali.

A diretora de finanças fora pessoalmente falar com Nathan e lhe apresentar toda a situação das ações, além disso, eles discutiram sobre alguns assuntos que estavam pendentes e o rapaz estava por dentro de tudo agora. Ele analisava os balanços do mês anterior, não gostava nem um pouco de fazer aquilo, mas sabia que era de extrema importância. Isso lhe causava sono.

Com tanto papel sobre sua mesa ele já estava ficando cansado só de olhar, sem pensar duas vezes ele virou sua cadeira para a enorme janela atrás de sua mesa e fixou o olhar na única e enorme parte verde entre todos aqueles prédios locais.

***

Já haviam se passado quase cinco horas desde que ele chegara à empresa. Nathan já tinha analisado dos os balanços e em cima de sua mesa só restavam algumas pastas e relatórios do departamento financeiro o qual ele devia assinar. A televisão estava ligada e ele aproveitou seu pequeno intervalo para o almoço para descansar e relaxar.

Elise foi quem comprou o almoço de Nathan, comida japonesa. Nathan não estava nem um pouco a fim de comer qualquer outra coisa. A caixinha do alimento já estava no lixo e aquela era a primeira vez que ele se pegou assistindo desenho, só aí ele percebeu que tudo havia mudado desde sua infância.

Bateram na porta.

– Entre – disse ele. Nathan se sentou de uma forma mais apresentável.

– Senhor Hill – era Elise. – O senhor Lyne quer vê-lo na sala de entrevistas. – ela estava com parte do corpo para dentro da sala e parte para fora.

– Eu... Já estou indo, obrigado! – respondeu.

Ela se retirou.

Nathan se levantou, fechou seu terno que estava aberto, ajeitou sua gravata e saiu. Ele não sabia o que o homem queria com ele, talvez Nathan estivesse prestes a conhecer o mais novo trabalhador da Technology Lyne Company.

Aquele largo corredor com várias portas lhe levava até o elevador, a direita do elevador ficava a sala de Joe, de fora Nathan podia ouvir o som da voz do rapaz. Parecia ser uma negociação por telefone e pelo tom de sua voz as coisas não pareciam nada fáceis.

Nathan entrou no elevador. Ele se surpreendeu ao entrar lá, tocava música boa. Nathan desceu os cinco andares se olhando no espelho, ele arrumava o cabelo que parecia torto por ele ter ficado deitado. As portas se abriram e ele deu de frente com um garoto que empurrava um carrinho, era um novato ali, Nathan deu um passo rápido para trás.

– Me desculpe senhor! Eu não tinha a intenção de... – as pessoas se desesperavam fácil quando o assunto era Nathan Hill.

Nathan o encarou com dúvida.

– Está tudo bem – afirmou. – Só tenha mais cuidado quando empurrar isso por aí! – ele deu alguns tapinhas no ombro do jovem e seguiu.

Na sua mente ele se perguntava sem parar porque as pessoas tinham tanto medo dele assim, que tipo de monstro ele era? Ele nunca fizera nada para que elas realmente o temessem assim. Bom, mas acho que todo esse medo vinha de o simples fato de ele poder desaparecer com qualquer um em um piscar de olhos. Ele riu.

Aquele era o 23º andar, um lugar um tanto quanto inusitado para fazer uma sala de entrevista, mas isso não era problema dele, afinal não fora ele quem projetou o prédio. Nathan passara pela sala de reunião, estava vazia. A porta a qual ele entraria já estava no alcance de sua visão, estava entreaberta e ele já podia ouvir as vozes que saiam de lá.

Ele colocou sua cabeça para dentro e viu o velho senhor Lyne no fundo da sala, ele falava com uma bela moça loira.

– Com licença – disse ele pigarreando. – Elise disse que queria me ver.

– Oh! Nathan! – ele sorriu. – Entre, entre... Sente-se! – ele apontou para uma cadeira na frente de sua mesa.

Nathan entrou. Bennet dispensou a bela moça, que passou sorrindo para Nathan antes de sair.

– Como vão as coisas? – perguntou o senhor Lyne enquanto ele se sentava.

Nathan se ajeitou, a cadeira era bastante confortável.

– As ações finalmente parar de cair, estão estagnadas em uma posição não muito agradável, mas se continuarmos com a nossa estratégia podemos voltar aos padrões aceitáveis – ele falava sério.

Benett sorriu.

– Eu sabia que podia contar com você! – ele soltou sua caneta sobre a mesa. – Quer um café ou suco?

– Não, obrigado! Estou bem – respondeu Nathan.

– Enfim – começou o velho. – O chamei aqui para mais uma coisa importante!

– Ótimo, estou à disposição – declarou Nathan.

– Você sabe que vim de Londres para cá, não é? Pois bem, estão precisando de mim, preciso volta para Inglaterra – ele curvou sua cadeira para trás.

Nathan cruzou as pernas.

– Nathan eu quero que você continue as entrevistas – ele pausou. – Katerine vai lhe passar todas as relações dos entrevistados e fica em suas mãos a decisão, sei que vai fazer a escolha certa, confio em você Nathan – terminou ele.

O rapaz sentiu sua autoestima subir, sabia que não podia negar, era uma grande oportunidade, talvez isso um dia o levasse para uma filial na Inglaterra.

– Será um prazer senhor! – respondeu ele com seriedade, seu sorriso quase era visível. – Começo amanhã as nove, certo?

– As nove! – respondeu. Os critérios de avaliação são escolhas sua também – ele mexeu com a cabeça.

– Está bem, eu posso... – ele foi interrompido pelo toque do celular que estava sobre a mesa.

Era de Benett. Nathan ficou o olhando enquanto suas expressões mudavam a cada palavra, ele parecia furioso e impaciente ao mesmo tempo. Sua voz subia e descia e Nathan já estava ficando constrangido de estar ali ouvindo tudo. Ele pensava em se levantar e sair, voltar depois, mas Benett finalmente desligou.

– Me desculpe Nathan, eu... Eu preciso ir – ele se levantou e pegou seu paletó. Parecia ser urgente.

Eles saíram.

***

Aquele fora o dia menos agitado do mês até agora. Nathan já estava no seu apartamento e assistia a uma comédia que passava em um canal que ele nem mesmo sabia o nome. No braço do sofá estava um apoio com um copo de refrigerante e salgadinhos de queijo, se sua mãe o visse daquela foram diria que ele se alimenta como um adolescente.

Apesar de comer alguns alimentos não muito saudáveis a noite ele se preocupava muito com o corpo. Nathan seguia uma dieta especial feita por sua nutricionista, não era bem o que ele gostava de comer, mas se não a fizesse jamais alcançaria o corpo que desejava.

Ele malhava todos os dias, não poupava nem um pouco a academia do prédio e geralmente gostava de malhar de madrugada. O lado bom de tudo isso era que depois de tanto tempo fazendo isso ele já apresentava excelente resultados, Nathan já conseguia ver todos seus músculos abdominais perfeitamente, seus braços – apesar de ficarem a maior parte do tempo debaixo daquele terno – também eram fortes e definidos.

Seus olhos pareciam pesados, ele já não acompanhava o filme com tanta atenção, nem mesmo notara que pessoas morriam e cabeças rolavam para todos os lados, ainda eram noves horas e ele já queria dormir. Sua roupa de malhar estava sobre o tapete da sala e a pia já não continha mais nenhuma louça suja, tudo estava limpo graças ao serviço de limpeza do prédio.

A porta da sacada estava entreaberta, o que deixava uma fraca corrente de ar frio entrar ali e fazia Nathan se encolhia no sofá. Perto da televisão, em uma pequena prateleira, perto de mais alguns retratos estavam fotos dos pais. Lilian sempre tivera a vontade de conhecer o Brasil e de acordo com o retrato parece que ela finalmente realizara o sonho.

Quando o rapaz acordou eram três da manhã, ele esfregou os olhos e percebeu que passava um estranho programa na televisão, ele a desligou. Se espreguiçando Nathan se levantou e foi até a cozinha, depois de olhar para as pernas ele notou que não usava calças e ficou se perguntando quando foi que as tirou.

Nathan tirou a camiseta depois de beber um pouco de água, ele ia tomar um banho e voltar a dormir. Nathan optou pelo chuveiro, sabia que se entrasse na banheira acabaria dormindo. Seus pensamentos voavam em torno da empresa, ele em partes estava ansioso para o dia seguinte, seria sua primeira contratação. Ele pensou por alguns minutos, a água quente batia em suas costas e o acordava aos poucos. Nathan iria malhar.

O lugar geralmente se encontrava vazio, mas dessa vez fora diferente, havia quatro pessoas lá. Nathan nunca os vira antes, não eram seus vizinhos de andar e mesmo que fosse ele não saberia reconhece-los. Antes de subir na esteira ele pegou seu celular e viu que havia algumas mensagens, eram de Joe. Ele perguntava para Nathan qual era missão deixada pelo senhor Lyne e se ele podia ajudar de alguma forma.

A forma com Joe escrevera aquilo fez Nathan rir, parecia uma história militar para crianças de nove anos, ele não conseguia imaginar de onde Joe conseguia tirar essas coisas, mesmo assim ele o respondeu – como uma pessoa normal é claro .

***

Ele já corria a quase quinze minutos, estava sem camiseta e soava um pouco. Nathan aumentou a velocidade da esteira, já estava acostumado a correr naquela velocidade e sabia que era hora de treinar um pouco mais rápido. A sua direita havia uma mulher, parecia ser um pouco mais velha que ele, no entanto, o encarava de longe.

Os dois se encaravam e faziam algumas trocas de olhas bem significantes enquanto realizavam seus exercícios. Ela fazia seus movimentos de forma sedutora e sensual de forma que o atraísse cada vez mais a atenção do rapaz. Nathan não queria bancar o idiota, fora ele quem deu inicio ao primeiro assunto e para sua surpresa eles eram vizinhos. Ambos iam se familiarizando um com o outro aos poucos, Nathan a ajudara a fazer abdominais e assim o assunto ia surgindo de diferentes maneiras, ele simplesmente fluía como uma fonte de água natural... Talvez por toda noite.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.