Aconteça o que Acontecer...
2 Capítulo 2 - Nathan Hill
Aquele menino sempre teve a incrível capacidade de fazer perguntas que ninguém era capaz de responder. Nathan sempre fora um garoto diferente, de muitas palavras – às vezes até demais – que deixavam todos boquiabertos com sua mente anos-luz na frente de qualquer garoto de sua idade.
Ele tinha um bonito e ao mesmo tempo intrigante cabelo castanho-escuro, que desde sempre fora um pouco rebelde, mas que ficava bonito de qualquer forma. Fisicamente Nathan não tem um histórico muito animador para se recordar, da terceira a sexta série ele era um dos garotos mais gordinhos de sala e apesar de tudo isso possuía uma beleza diferente que somente uma pessoa especial conseguiria notar.
A família Hill era conhecida por Theodore Hill – o pai de Nathan – ele era dono de uma loja na cidade onde eles moravam, a pequena Newton em Massachusetts. Nathan não gostava de ajudar com as tarefas da loja, uma pequena conveniência que apresentava um bom movimento de freguesia.
O garoto não era o tipo de pessoa que parecia ter um grande futuro pela frente, sempre teve muita dificuldade na escola. Um grande detalhe era que mesmo com tudo isso Nathan tinha a curiosa capacidade de perceber o menor detalhe em tudo, criando em sua mente seu próprio modo de enxergar o mundo, típico de uma criança de dez anos.
Sempre acompanhado era como ele se encontrava, não se podia dizer que Nathan Hill era um garoto de poucos amigos. Já na adolescência, o rapaz se ajeitou, tomou forma e não era mais aquele gordinho da loja do pai. Sua avó teimava em acompanhava atentamente as mudanças que ele sofria e isso o irritava.
Nathan não era capaz de notar em como as coisas haviam mudado para ele, se olhasse no espelho agora veria um rapaz de mais ou menos um metro e setenta e cinco de altura, cabelos ouriçados para frente criando um pequeno topete e olhos verdadeiramente verdes. Acho que aquela era uma marca dos Hills, os olhos verdes.
Como sempre, existem aquelas pessoas que nos fazem mudar completamente nossas vidas, pessoas que sem mais nem menos se tornam especiais para nós e antes mesmo que possamos entender o que acontece a nossa volta elas se tornam indispensáveis.
Todos que procuravam por Nathan saberiam sem dúvida com quem ele estaria. Aqueles dois não se largavam, eram sem dúvidas como irmãos. Essa é a coisa mais clichê que a vida faz não é mesmo? Sempre coloca alguém sobre tudo em nossas vidas, mas é só uma questão de tempo até que o esquecimento chegue, ou talvez não.
Aquela era a mais autêntica forma de felicidade, era o tipo de felicidade que gerava felicidade. A garota era sua melhor amiga, Nathan não se importava por seu melhor amigo ser uma garota, era até engraçado vê-los juntos. O tempo fortalecia a amizade, eles se protegiam, o problema é que quando se é um adolescente nunca se tem certeza daquilo que se sente.
Havia dias em que Nathan simplesmente não parava de pensar na amiga, e para ele aquilo jamais se tornaria amor. O que mais o assustava era a sensação de ser capaz de matar para protegê-la, aquele tremor nas pernas ao abraçá-la. Saber o que se passar dentro de você mesmo é um dos desafios que nenhum homem conseguiu vencer ainda, talvez porque para se ler um livro é preciso abri-lo e o coração de uma pessoa é um dos livros mais difíceis de encontrar o primeiro capítulo.
Com toda certeza a adolescência foi a fase mais perfeita de toda vida do rapaz. Aquele seu sonho de um dia ser um homem poderoso voava rumo aos sonhos da garota. Ele podia passar horas deitado debaixo daquela árvore que havia em seu quintal com a amiga, assunto era o que não faltava e o que mais chamava a atenção era como os sonhos de ambos caminhavam com um mesmo rumo e logo se uniam em um único final feliz. Era como duas pessoas que caminhavam por uma única estrada e no final encontravam seu próprio motivo para ser feliz.
Bom, ouvir qualquer pessoa falar aquele nome fazia Nathan sentir seu coração dando alguns pulos dentro de seu peito, crescer com ela fez sem dúvida criar um laço de união que nem mesmo eles sabiam como romper. E talvez essa fosse a ideia, talvez eles definitivamente não devam ser separados, algumas pessoas são feitas com a capacidade de escrever finais felizes, já outras dependem unicamente da vontade do destino.
A única coisa que Nathan tinha plena e absoluta certeza era que jamais, em toda sua vida, se arrependeria de tudo que fez junto com a garota que de fato é, até então, uma irmã. Seu nome? Bom, chega de suspense. Emily Johnson.
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