Acompanhados

4 A porta debaixo da escada


De noite, Bruna Mozzi e Felipe estão dormindo, ela está abraçada com ele, o aquecedor da casa está ligado, de repente ouve um barulho na porta, Felipe abra os olhos com calma, ele olha para a porta da suíte, sem saber o que estava acontecendo, outro barulho, ele ergue-se curioso, Bruna acorda.

- O que foi amor? — Pergunta Bruna.

Em seguida a luz da frente da casa se acende.

- Droga — Felipe sai da cama rápido.

- Felipe — Bruna levanta-se e corre atrás dele.

Felipe pega seu bastão de hóquei no corredor e vai rápido em direção a escada, Bruna sai do quarto correndo. Felipe desce a escada com rapidez, ele olha para trás e observa sombras indo para a lateral da casa, Felipe abre a porta da frente, Bruna chega a escada e a desce agitada.

- O que você vai...? Felipe! — Bruna o avista saindo.

Felipe anda indo para a lateral da casa, Bruna passa pela porta correndo, ela para em cima do lago e fica observando-o, Felipe avista uma sombra na parede, rapidamente vira para a lateral da casa já com o bastão esticado, por sorte um jovem consegue jogar-se para tráse cair no chão. Bruna se assustada com a batida do bastão na parede.

- Que droga moço, o que você ta fazendo? — Diz o jovem.

- Quem são vocês? O que estão fazendo na minha casa?

- Sua casa? — Diz a garota, que ajudava o menino se levantar, os dois pareciam rebeldes.

- É, o que fazem aqui?

Os dois caminham para frente, onde mais três garotos se aproximam, um deles entra na van.

- Ele voltou — Diz o garoto, ele começa a rir — Ele voltou!

- Quem? Quem voltou? — Pergunta Felipe, seguindo-os.

Bruna fica assustada, ela podia ouvir tudo.

- AI, ELE VOLTOU! — Grita o garoto, todos começam a rir — Cara, vocês dois estão muito ferrados!

Em seguida eles saem correndo, entram na van e vão embora. Felipe fica encarando-os e volta andando até Bruna.

- Do que eles estavam falando? — Pergunta Bruna.

Felipe a leva com calma para dentro da casa, Bruna avista Joe observando-os pela janela e entre as cortinas, Felipe fecha a porta.

- Eles deviam estar bêbados — Diz Felipe — Olha, meu amor, tenta descansar, eu vou ferver um leite!

- Não consigo, e-eu não consigo — Diz Bruna.

- Bruna, olha pra mim — Felipe toca em seu rosto — Não vai da atenção a um bando de baderneiros, vai?

- Felipe, tem algo errado, o Joe ta esquisito e agora isso.

- Você ta parecendo sua mãe falando — Diz Felipe — Relaxa... Olha, eu também fiquei assustado, mas agora já passou! Acabou! Tenta dormir!

Bruna abaixa a cabeça, Felipe vai para cozinha, Bruna vai para janela, afasta um pouco a cortina e observa a casa de Joe, ele não estava mais na janela.

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No dia seguinte, Bruna está sentada no sofá com os pés na mesinha de centro, e uma caneca de chocolate quente nas mãos, ela olhava fixo para frente, Felipe aproxima-se.

- Meu amor... — Diz Felipe.

Bruna leva sua visão à ele.

- Não consegui dormir depois de tudo aquilo ontem à noite — Diz Bruna.

Felipe agacha ao seu lado.

- Precisa tentar esquecer — Diz Felipe — Olha, hoje eu devo voltar mais cedo, ao invés de você ficar aqui me esperando, porque não sai com suas amigas? Vão para um shopping ou sei lá!

- Eu vou falar com elas... Não esqueça que a Caren vem pra cá esse final de semana — Diz Bruna.

- Pode deixar — Ele a beija — Tenta se divertir, quero ver você feliz, é por isso que estamos aqui! Tenho que ir agora querida! — Ele a beija na testa e sai dali.

Bruna fica pensativa olhando para frente, ela suspira, põe a caneca na mesa e pega o celular, assim levanta do sofá e caminha para a escada.

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Depois de algum tempo, Felipe abre a porta da casa e a fecha, ele põe a maleta no sofá e observa um bilhete na mesinha de centro, logo o pega.

"Amor, dei uma saída com as minhas amigas, fomos ao cinema. Beijos"

Felipe da um sorriso de canto e o põe de volta, ele caminha em direção a escada.

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Já com roupa casual, Felipe pregava alguns quadros na parede, ele vai para debaixo da escada e quando bate com o martelo, sendo a parede balançar, estranhando, ele bate novamente e a parede abre-se como porta, Felipe arregala os olhos, curioso, ele adentra no local, descendo a escada que havia ali.

O corredor tinha cheiro de mofo e as paredes estavam descascando, Felipe chega a um cômodo angustiante, com uma maca de ferro no centro, manchas na parede, e utensílhos de tortura empoeirados.

- Mas que droga é essa? — Diz Felipe.

Ele aproxima-se da maca e observa arranhões no ferro, Felipe fica aflito e angustiado, aquilo tudo parecia loucura, ele olha para o lado e observa os raios de luz passarem pelas pequenas janelas, Felipe olha para cima desconfiado e sai correndo dali.

Ele chega na casa e corre até a cozinha, passa pela porta da piscina fica observando os rodapés das paredes, não havia nenhuma janela, Felipe levanta o olhar e vira-se para a piscina, ele caminha devagar e quando inclina-se para baixo, observa a janela disfarçado com os ladrilhos.

- Merda! — Felipe afasta-se abrupto.

Ele caminha pela cozinha em direção à sala, logo pega o telefone e disca um número, Felipe vai para a porta debaixo da escada e a puxa com o martelo, sem ter maçaneta para fora, Felipe disfarça os traços da porta com um jarro de planta em frente e um quadro.

- Alô... Poderia falar com o Freddy?... É urgente!

Felipe fica nervoso ao telefone, ele volta apressado e pega seu celular na mesa ao lado do sofá.

- Seu desgraçado, você sabia que tem uma sala de tortura no porão da casa? — Diz Felipe, irado no telefone.

Ele desbloqueia o celular.

- Tem uma porta na parede que leva ao porão... Eu vi com meus próprios olhos!... — Diz Felipe — Não me interessa... Devia ter me avisado!- Ele procura pelo nome de Bruna na lista telefônica — O que? É claro que não... Eu vou embora amanhã cedo!

Felipe desliga o telefone e o joga no sofá, ele liga para Bruna.

- Oi amor... Tudo bem!... Só pra dizer que eu quero um lanche... — Felipe passa a mão na cabeça sem saber o que dizer, apenas precisava manter Bruna fora para poder se acalmar — Sim! Obrigado meu amor, eu te amo! Beijo! — Ele desliga o telefone — Merda, merda, merda, merda!

Felipe olha para a porta debaixo da escada e respira fundo.