Notas iniciais
Boa noiteeee! E aí, tudo bem? Enfim, boa leitura. Quaisquer dúvidas podem entrar em contato pelo meu ask.fm, poxapamy.

Não sei quem estava mais indignado: Ryan ou eu. Eu, por ter aceitado essa ideia insana. Ryan, pela quantidade de malas que estavam no porta-malas – sem contar com as que estavam por vir.

Eu tinha 17 anos.

Parecia ter 10.

Deixei um bilhete com letra de forma em meu criado mudo, além de vários travesseiros arquitetando um corpo embaixo do meu cobertor. Tudo bem, concordo, isso não fazia muito sentido. Se eu já havia deixado o bilhete, não era necessário forjar um figurante para me representar. Eu tinha certeza que meus pais ficariam loucos com um bilhete dizendo algo como:

“Não se preocupem. Eu estou bem, juro. Com comida, roupa e muito bem acompanhada. Lembra, pai, quando o senhor disse que era preciso cometer uma loucura de vez em outra? Pois então. Não precisam ficar loucos... Eu volto!”

É claro que meu pai havia citado essa frase quando foi ao caixa rápido que permitiam apenas dez itens e ele estava com treze, mas por essa frase em prática de um modo mais objetivo não me traria problemas... Né? Trariam. É claro que eu sabia que sim. Meu pai nunca mais se perdoaria por ter citado essa bendita frase num desvio de atenção. E é por isso que toda essa loucura teria que valer a pena.

– Agora é a hora em que eu canto pra você aquela música do Cazuza, “exagerado”. – Ryan sussurrou ao trazer a última mala para o bagageiro.

Eu ri, enquanto observava ele contornar o carro e adentrar o Audi. – Exagerada sim. Jogada aos seus pés, nunca! – Foi a vez de Ryan rir e rolar os olhos.

Eram exatamente três e vinte e três da madrugada. Havia me esquecido como McKinney era linda a noite. As estrelas eram o que mais fixavam a atenção: extremamente brilhantes e cativantes. E pareciam estar mais ainda nesta noite fria de quinta-feira. Eu mantinha meus olhos fixos no céu, mas de soslaio podia ver Ryan me observando. Ele estava rindo como bobo. Eu já estava acostumada com esse tipo de zombaria vinda dele. E então, algo inesperado: Uma estrela cadente. Oh meu Deus, era uma estrela cadente! Era a primeira vez que via uma estrela cadente nos meus humildes dezessete anos de vida! Era como se ela tivesse surgido para me encorajar a fazer o que quer que eu quisesse mas estivesse frustrada pelo medo. E é claro que não poderia deixar a tradição passar despercebida: fiz um pedido. “Que meu coração veja o que os olhos não veem. Que em minha vida só aterrize o que possa dar frutos, e da minha vida só se aproxime quem tenha boas intenções. E declaro aqui, a melhor época da minha vida”.

Com o Audi já andando, sorrio para mim mesma, mas Ryan parece perceber. Ninguém merece. Ele vai me chamar de abobada, velha caquética ou qualquer coisa do gênero por estar rindo sozinha.

– Você está feliz? – Ele apenas perguntou, mantendo como mira sua frente.

– Estou. – Disse com convicção. E eu estava. Parecia que quanto mais longe estava de casa, a cada estrada longa e reta que o Audi transitava eu estava mais certa de que aquilo era uma loucura. Mas, ao passar do tempo percebi que existem dois tipos de loucuras: as loucuras que nos fazem perder tempo e escrúpulo, e as melhores loucuras da sua vida. Eu estava prestes a ingressar na segunda opção.

– Eu achei que ia ser mais difícil te convencer, malinha. – Ryan estendeu a mão para o rádio e pôs “Not over you” do Gavin DeGraw. Eu nunca havia parado para prestar atenção na letra, apesar de já sabê-la de cor e salteado por ele coloca-la para tocar todo santo dia quando eu subia naquele carro.

– “É preciso cometer uma loucura de vez em outra” – Citei a frase do meu pai, e Ryan sorriu mostrando sua covinha única.

Quando alguém me perguntava se eu preferia viajar de dia ou de noite, sempre escolhia o dia. Sei lá por que. Talvez pelas paisagens estarem mais legíveis, pelo menos era o que eu achava. E agora, diante desse mundo noturno que meus olhos viam através da janela blindada do carro, vejo que não poderia estar mais enganada. O dia e a noite são como universos paralelos. O dia é claro objetivo; enquanto a noite é intensa e deixa a desejar. – Pra onde nós estamos indo? – Perguntei depois de sair dos meus devaneios.

– Phoenix, Arizona. – Ele respondeu e eu o olhei desentendida. – Umas três horas e quinze daqui. Já está arrependida?

– Não. – Eu sorri e pus minha mão por trás da cabeça dele, fazendo carinho em sua orelha. Ryan adorava que eu o fizesse carinho enquanto dirigia. Ele me olhou e após dar um largo sorriso, estendeu a mão para fazer carinho em minha perna. E pela primeira vez, algo estranho aconteceu. Mais do que rápido recolhi minha mão, e acho que o deixei constrangido, pois ele também fez o mesmo. O olhei meio envergonhada, não queria passar essa impressão. Já estávamos acostumados um com o outro e éramos completamente íntimos. Por que essa bobagem repentina? Era como se eu fosse eletricidade e seus dedos estivessem molhados. Ryan estava com o cenho franzido. Estava tão desentendido quanto eu. Eu precisava falar algo para quebrar o gelo que eu mesma havia tornado a situação. – Posso te pedir uma coisa? – Perguntei mesmo sem saber qual seria meu próprio pedido. Pensa Chel, pensa Chel, pensa Chel.

– Deve. – Ele substituiu o semblante carregado por um misto de alívio com curiosidade, e pela primeira vez essa noite, desviou o olhar de sua reta para esperar uma resposta.

– Nós podemos parar para ver o sol nascer? – Soprei uma pergunta aleatória e de repente essa não pareceu uma má ideia. Eu sempre tive vontade de ver o sol nascer de algum lugar que não fosse através da minha janela.

– Já é! – Ryan engatou a quinta marcha e pôs o pé no acelerador com um entusiasmo surpreendente. Me senti a vontade para tentar por minha mão atrás de sua cabeça novamente, e aparentemente Ryan estava agindo normalmente. Parecia que essa mudança de temperatura havia acontecido só em mim. E, ainda pensando nisso e em tudo o que havia acontecido nessas últimas doze horas, simplesmente adormeci.

Notas finais
E aí??? O que acharam? Ficaria super grata se vocês me ajudassem a achar um nome shipper para Chelsea e Ryan hahaha beijão, obrigada! E não se esqueçam de comentar :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.