Acho que posso me acostumar com isso...
4 Capítulo 4
Eu estava ficando cada vez mais encharcada, talvez eu pegaria um resfriado, mas eu não estava me importando mais, afinal de contas, ninguém mais se importava.
Ate que percebi que alguma coisa me cobria, de forma que a chuva não me molhava mais. Olhei novamente para cima, agora tentando descobrir o que me cobria. Era um guarda-chuva, meio óbvio né? Mas não era um guarda-chuva qualquer, era familiar... De onde será que eu conhecia aquele guarda-chuva? Eu pensei um pouco e percebi que aquele guarda-chuva era dele, ou melhor, da mãe dele. Encarei o rosto daquela mulher, aparentemente cansada, mas ela sorria. Porque ela sorria? Nós estávamos sofrendo tanto! Porque sorria? Talvez fosse para me tranqüilizar, mas só me fez chorar mais. Eu estava completamente encharcada, mas mesmo assim aquela mulher, que sofria tanto quanto eu, me envolveu em um manto e me colocou dentro de um carro. Vi que dentro dele estavam o pai dele, e um dos irmãos, o John, loiro de olhos negros, já o pai era loiro com os olhos verdes... Iguais aos dele. Lindos. Ela entrou comigo no banco de trás, John e Carlos na frente. Passou o braço por trás, me envolvendo e me abraçando. Por instantes eu me senti segura. A viagem não foi muito longa, mas o silencio foi desconfortável. Quando chegamos na casa deles, Carlos, o pai, abriu a porta enquanto Martha nos cobria com aquele guarda-chuva branco com bolas rosas, brega? Talvez, mas e dai? Ninguém ligava mais, ninguém se importava mais. Aliás as perguntas que eu me fazia durante a vinda para essa casa eram: porque estão aqui? Será que se importam? A Martha disse que eu poderia tomar um banho e depois colocar uma roupa dela mesmo. Eu fiquei lá na casa deles por mais ou menos 2 meses, só que dentro de mim estava acontecendo coisas tão estranhas e tão confusas que eu resolvi partir. Deixei um bilhete onde estava escrito que eu era eternamente grata por tudo o que eles fizeram por mim e que um dia eu esperava retribuir tudo aquilo. O resto dos anos ate hoje se resumiram em uma noite, quando eu cantava para ganhar um pouco de dinheiro, um olheiro estava passando e disse que eu cantava muito bem e queria que eu fizesse um teste para uma gravadora, o que aconteceu é que eu consegui, é, eu consegui passar no teste e ganhei um contrato com uma gravadora, fiz bastante sucesso ganhei bastante dinheiro e hoje estou aqui, e se eu cheguei ate aqui foi pelo meu suor e pela minha dor, que me fez crescer, amadurecer. Me fez ver que a vida e não como na imaginação de uma criança.
Notas finais
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