Acho que posso me acostumar com isso...
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Espero que gostem :DD
Os carros buzinavam, o amigo dele gritava pra ele andar
logo, a menina junto com o amigo dele perguntava quem eu era e o que estava
acontecendo. Mas tudo isso não passava de ecos. Eu toquei seu rosto ainda sem
acreditar. Passei a mão pelos seus cachinhos que eram idênticos ao de meu pai.
Seus grandes olhos verdes e marejados me encaravam com saudade, dúvida e
curiosidade. Lágrimas escorriam de maus olhos, passeando pelo meu rosto. Não
conseguia acreditar no que estava acontecendo. Meu irmão? Ali? Como?
- S-Samantha – ele disse soluçando e me abraçou forte.
E ficamos ali. Eu sentindo o coração dele bater. Como eu
sonhei com isso... Eu achava que nunca mais ia ouvir esse tum-tum. E agora eu
ouvia, e o sentia rápido. O coração estava bombeando o sangue. O coração batia.
Ele bate. Meu irmão esta vivo!
- C-Como você... – Eu tentei falar – O que você...
- Hey, gente, saiam da rua. – a menina passou a mão pelo meu
ombro o pelo ombro dele e nos conduziu a calçada.
- O-o que aconteceu? O-onde você e-esteve todos esses
a-anos? – ele soluçou.
- E-eu que te pergunto! – respondi do mesmo jeito – C-Como
sobreviveu? Pensei q-que havia morrido!
Nos abraçamos forte novamente e ficamos assim por algum
tempo.
- Gente, que tal vocês beberem uma agua? Estão muito nervosos...
– sugeriu o garoto junto a garota.
Fomos ao quiosque, compramos água de coco (uma delicia!
Nunca tinha provado em toda a minha vida) e fomos a praia. Como eu havia
aprendido o básico de português e meu irmão sabia mais ou menos o inglês,
conseguimos conversar.
Ele me contou que, quando o tiraram dos destroços, o deram
como morto. Foi um milagre ele ter acordado na última tentativa de
ressuscitação. Ele se recuperou rápido, e quando foram me avisar de que ele
estava vivo, eu havia sumido. Deve ter sido enquanto eu estava pulando de
orfanato em orfanato, ou quando eu finalmente fugi.
Ele disse que não se lembra de muita coisa, já que bateu a
cabeça. Ele perdeu parte da memória, quando acordou, não sabia quem era, o que
tinha acontecido, mas se lembrava de uma garota. Uma única garota chamada
Samantha. Sabia que era sua irmã, mas não sabia o que havia acontecido com ela,
mas se preocupava por ser sua única lembrança.
- Você se lembra de como era seu nome lá na Inglaterra? –
perguntei com medo da resposta, mas feliz por ele se lembrar de mim.
- Bom – ele fez uma careta, como se estivesse revirando sua
cabeça a procura de seu nome — , meu nome agora é Gabriel, mas não lembro como
era antes.
- Seu nome era Kyle – disse escrevendo-o na areia – a
pronúncia é como... Kaiou.
- Kaiouuu – ele repetiu e fez um biquinho no “uuu”. Rimos da
careta que ele fez — Gosto de Kaiouuu, mas já me acostumei com Gabriel...
- Ou Gabrieuuu — fiz como ele e rimos mais um pouco.
- Bom, continuando – ele disse parando de rir – Eu fiquei em
um orfanato durante alguns anos. Até que uma família de brasileiros – ele
lançou um olhar amigável para Matheus – me adotou porque queriam que alguém
colocasse a cabeça desse idiota no lugar.
Ele bagunçou o cabelo de Matheus que revidou, mas Kyle...
Gabriel... Kyle, Gabriel... vish.
- espera – eu gritei enquanto os dois rolavam na areia
brincando de lutinha – Como eu te chamo? De Kyle, ou de Gabriel?
- Pode ser de – a voz saiu de um monte de cabelo em que
Matheus dava um mata leão – Gabriel... Ai! Tá bem, tá bem... Perdi... Me rendo!
– ele gritava mas Matheus não o soltava – Eu já disse que me rendo, pow!
Ele saiu tossindo e resmungando “ta querendo me matar?!” ,
mas logo eles já estavam rindo e se abraçando novamente.
Conversamos bastante, foi bem divertido. Descobri que a
garota que estava conosco se chamava Leticia e ela e Matheus começaram o namoro
anteontem. Eles se conheceram na escola, ela era bem quietinha, do tipo nerd, e
ele era o popular que as meninas caiam em cima. Eles contando a história era a
coisa mais fofa do mundo.
- Eu me apaixonei por ela no instante que eu a vi...
- O que demorou, mais ou menos, três anos.
- É – ele disse e deu um beijo em sua bochecha – e eu me
arrependi de ter demorado tanto.
- Claro, depois do que você passou, qualquer um se
arrependeria – Gabriel se intrometeu.
- O que você fez? – perguntei a Leticia.
- Bom, digamos que ele precisava de uma lição. Eu gostava
dele, claro, mas tinha que ter certeza de que ele me queria da mesma forma. A
fama dele era de pegador, galinha e destruidor de corações... – ela fez uma pose
dramática.
- Então ela me fez correr atrás e me humilhar. Eu nunca
tinha ido atrás de nenhuma outra pessoa antes... Só desse estrupício, quando
ele pegava meus jogos de Play Station – Matheus bagunçou os cachinhos do
Gabriel.
- Mas quando ele me conheceu, fiz sentir na pele o que é ser
rejeitado, pra ele aprender...
- Nossa, essa foi uma boa tática. – elogiei.
Conversamos, conversamos, conversamos e quando vi, estava
quase na hora do almoço.
- Vocês não querem comer aqui? Assim eu apresento meus
amigos.
- Ok – responderam em coro.
- Temos que avisar a mamãe – Matheus falou e Gabriel lhe deu
o celular para fazer a chamada.
Os dois se distanciaram um pouco para telefonar e eu e Leticia ficamos conversando. Até que alguém me chama.
- Samantha! – Josh atravessou a rua e me deu um beijo –
Fiquei preocupado.
- Mas eu deixei um bilhete.
-Ah, deixou? Aonde?
- Em cima do criado-mudo – disse revirando os olhos e rindo.
- hum, não vi... – Então ele finalmente notou a presença de
Leticia – Olá, eu sou o Josh.
- Leticia, prazer.
- Lê, será que você podia nos dar um minutinho? Eu tenho que
explicar umas coisinhas pro Josh. – fiz com a cabeça em direção ao Gabriel e Matheus que conversavam com a mãe no telefone.
- Ah, claro – ele se retirou e foi para junto dos meninos.
- Err... Josh? – chamei-o delicadamente – Tenho que te dizer
uma coisa muito, muito séria.
- Pode falar – ele disse com um certo tom de preocupação.
- Hã... Ta vendo aquele menino de cachinhos junto com a
Leticia e um outro garoto? – ele assentiu com a cabeça, olhando para os dois -
O de cachinhos é...
- Pronto, ela deixou –
Gabriel me interrompeu vindo em nossa direção – Ah, olá! – Ele estendeu a mão
para Josh – Eu sou Gabriel, irmão da Samantha.
- Olá, Eu sou Josh namorado
del... – Acho que foi ai que caiu a ficha de Josh... Ele soltou bruscamente a
mão de Gabriel e esbugalhou os olhos – Cara, tu não tinha que estar morto?!
- É, sim, eu tinha – Gabriel
disse rindo – Mas não estou, isso é bom, não é?
-Oh, claro! – Ele olhou pra
mim – Nossa, Sam, você deve estar... Nem tem palavras pra isso!
Subimos e conversamos no
nosso quarto do hotel. Depois passamos nos quartos do resto do bando e fomos
para o restaurante do hotel, para almoçar. Infelizmente Sabrina não pode ir
conosco, então ela não chegou a conhecer Matheus, Leticia e Gabriel.
A comida é uma delicia! Comemos a tal feijoada com linguiça.
Muito boa!
Depois do almoço já estavam todos enturmados e éramos um
grupo bem grande: Eu, Josh, Rick, Sabrina, Zack, Bia, Matheus, Leticia,
Juliana, Thomas e Gabriel, Onze pessoas no total!
À tarde, fomos para a casa da avó de Zack e Sabrina que
morava num bairro ali no Rio mesmo. Logo que chegamos, descobrimos que Sabrina já
havia chegado e que ela era a única em casa.
-AHHHH!!! – a gente escutou vindo de algum lugar no andar de
cima – SOCORRO!! BARATA, BARATA, BARATAAA!! MATA, MATA!! BARATA!!!
Pedi pra Gabriel ir lá matar, mas não sabia que ia ser tão
ruim fazer isso...
- AHHHHHH!!! – ela gritou mais alto ainda (se é que isso era
possível) – LADRÃÃÃÃO!!! SAI DAQUI!! IDIOTA!! COMO SE ATREVE?? LADRÃÃÃÃÃOO!!!!
Eles desceram correndo a escada, Sabrina dava chineladas em
Gabriel que tentava desviar, mas não estava dando certo. Ele correu e se
escondeu atrás de mim. Droga...
-SAI DE TRÁS DA MINHA AMIGA, SEU INUTIL!! MOSTRE QUE É HOMEM
E VEM AQUI!!!
- Calma, Sabina! Calma – tentei acalmar ela e ela foi
abaixando o chinelo devagar. – ta tudo bem! É o Gabriel, ele é meu irmão...
- AI, NÃO!! – ela largou o chinelo e cobriu a boca com as mãos – EU BATI NUM DEFUNTO!! ME DESCULPA, CARA!! EU NÃO SABIA!! QUASE MATEI UM MORTO!!
- Eu te perdoo – Gabriel disse meio baixinho saindo só até
os olhos de trás de minhas costas.
- Mesmo??? – Sabrina arrancou ele de trás de mim e o abraçou
forte – Me desculpa, sério!
- Tudo bem, não tem problema... – ele disse sorrindo e
corando um pouco.
Eles se afastaram e um silencio desagradável dominou a
entrada.
- Ooook – Zack disse alternando o olhar entre Sabrina e
Gabriel – O que aconteceu aqui?
Depois de um tempinho em silêncio Josh se retirou:
- Não me pergunte.
- Nem a mim – Thomas saiu e puxou Juliana.
- Tchau! – Bia subiu as escadas atrás de Juliana.
- Eu tenho que tomar um banho –Rick subiu.
- Acho que a gente vai falar com o Thomas e Ju, né, amor? –
Matheus se virou para Lê.
- Claro! – e subiram correndo.
-Vamos – puxei Gabriel para as escadas e Zack puxou Sabrina
pra cozinha.
Subimos e eu quase me perdi. A casa era enorme e pequena ao
mesmo tempo. Os quartos eram pequenininhos, mas eram vários. Tinha, também, sala de música, uma cozinha espaçosa uma sala
incrivelmente aconchegante, e um cheirinho de biscoito pairava no ar.
Era uma casa de madeira bem gostosa. Eu poderia ficar lá
para o resto da minha vida! Típico de casa de avó...
Notas finais
Reviews?? :DD
Beijoooooss
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