Achados e Perdidos

2 Capítulo 1 - Quê? Como? Espere aí! Repete!


Notas iniciais
Quando se elimina o impossível, o que sobra, por improvável que seja, deve ser a verdade. (Sir Arthur Conan Doyle)

- O Jake deu sinal de vida? – perguntou Amanda.

- Eu esqueci o celular. – respondeu Leah.

- Nossa. Como tá demorando. – disse Polly, nervosa.

As três se sentavam em cadeiras duras da emergência do Princeton-Plainsboro Teaching Hospital.

- Seu amigo ta de plantão? – Leah olhou para Amanda.

- Não. O pior é que eu também esqueci o celular. Não sei o numero dele de cor.

- Eu vou no banheiro, jogar uma água no rosto. – disse Polly. — Ainda me sinto... chapada. E eu to com calor.

- Dá pra ver.

Polly se levantou e seguiu um corredor. A emergência estava vazia, e Leah encarou Amanda.

- Fico imaginando o que o Danny vai dizer. – soltou ela.

- Como ele ficaria sabendo? Ninguém aqui vai contar. Ninguém viu nada, além de nós. – afirmou Amanda.

- Ele é o supervisor de Ford, Amy. – Leah balançou a cabeça preocupada. – E se algum médico aqui ligar pra lá? Ou avisarem a Grace?

- Como eles avisariam a Grace? Ela está em Sarah Lawrence. Só quem tem o telefone dela é a Jenny.

- Mas de qualquer maneira, eles vão querer avisar a família. E a família mais perto é a Grace.

- É feriado. Duvido que a Grace vai vir até aqui, por um coma alcoólico.

- E se não for coma alcoólico? – Leah sugeriu. – Ela tem andado cansada ultimamente.

- Cansaço não significa nada. Ela tem estudado pra caralho estes últimos tempos. Ela tem ensaiado oito horas por dia.

- Ainda acho que não é só isso.

- Você tá vendo muito ER.

- Prefiro Grey’s Anatomy.

Elas riram. Polly apareceu, com os cabelos amarrados no topo da cabeça, e a calça molhada de água.

- Isso é o que eu chamo de calor. – Amanda riu pra ela.

- Ninguém apareceu? – perguntou ignorando a amiga. Elas chacoalharam a cabeça: não. – A gente avisa a Grace?

- Por enquanto não. – respondeu Leah.

- Vocês acham que foi a cerveja? Ou a maconha?- perguntou ela.

- Acho que não. A gente já fez isto tantas vezes. Ela nunca reagiu assim. – respondeu Amanda.

- Eu sou obrigada a ir lá. – Leah levantou, furiosa.

- Ai Deus, que susto! Eu mato a Jenny, se tudo isso for só porque ela se matou na aula daquela russa do caralho! – soltou Amanda.

- Por que russa do caralho? Ela era do Bolshoi.

- Pra mim, ainda é uma carrasca cretina.

As duas ouvem um barulho vir de uma porta de vidro próxima. Um homem sai dela. Louro, alto, com um jaleco branco quase chegando ao chão.

- Uou! – as duas exclamam.

Chase encosta no balcão e fala com duas enfermeiras.

Polly e Amanda continuam o fitando, mantendo as bocas abertas. Ele percebeu, e sorriu, embaraçado.

- Que bela visão as três da manhã!

- E é medico. – murmurou Amanda. – Acho que vou mudar meu curso pra Medicina...

- Acho que eu também.

- Eu não vou falar com ninguém. Eu estou falando com você. — Leah gritou, acabando com a visão das meninas. – Você vai falar com alguém!

Polly e Amanda se entreolharam, e foram até a amiga.

Chase assistia a cena, com um meio sorriso. Devia estar achando aquele “piti” daquela garota muito engraçado.

Leah batia o pé no chão furiosamente. A enfermeira a sua frente olhava para ela, em seguida olhava para Chase, que mantinha um olhar de “se vira”.

- Estou aqui a uns quinze minutos, e só quero saber o que acontece com a minha amiga. Só isso! Será que é tão difícil você ir lá naquela sala e ver se ela tá bem?

- Calma, Leah. – pediu Polly.

- Eu resolvo isso. – Amanda soltou, e andou na direção da sala de trauma.

- Você não pode fazer isso! – a enfermeira saiu de trás do balcão.

- Me impeça! – Amanda gritou. Leah foi atrás.

E Chase virou na direção delas rindo.

- Você é medico, não é? – Polly perguntou a Chase.

- Sou. – ele se virou para ela.

- Será que você pode fazer esse favorzinho? E saber como está Jennifer Winchester?

Ele riu.

- Vou ver o que eu posso fazer. – ele soltou, e andou na direção de onde Leah, Amanda e a enfermeira foram.

Ele parou ao ver, a frente das portas da sala de trauma número 2, três mulheres gritando:

- Sai da minha frente! – Amanda gritava, enquanto a enfermeira a impedia de entrar com os braços abertos.

- Você não pode entrar!

- Eu vou entrar sim. – ela gritou.

Chase viu as duas garotas tentando desviar dos braços da enfermeira.

- Se você não sair da minha frente, eu vou meter a mão na sua cara! – Amanda gritou.

- Você não pode entrar. Aqui não é um dormitório da sua faculdade.

- Eu vou entrar sim, sua incompetente. Porque você não volta pro seu jogo de paciência, enquanto eu descubro o que tá acontecendo?

- É melhor você se acalmar antes que eu chame o segurança, ou a policia. Eles vão adorar saber de onde você arranjou esse perfume peculiar.

- Sua vadia...! – Amanda pulou pra cima da mulher.

Chase entrou no meio, impedindo a briga.

- Calma, senhoritas! – ele exclamou. — Eu vou ver como está a sua amiga.

Leah e Amanda pararam, e a enfermeira suspirou.

- Esperem aqui. – ela pediu, resfolegando, e saiu atrás de Chase.

- Desgraçada! – soltou Leah, enquanto Polly se juntava a elas.

- Que enfermeira é essa? – Polly estava chocada. – Perfume peculiar?

- Ao menos, ela foi discreta. – disse Leah.

- Que ódio! Vadia desgraçada! – Amanda tentou ver pelo vidro das portas. – Deixa só ela voltar! Eu quebro a cara dela.

- Leah! – alguém gritou.

As três se viraram e viram Jake, de banho tomado e parecendo um homem de verdade. Ele se aproximou.

- E ai, como é que ela está? – ele perguntou.

- A gente não sabe. Um médico foi lá ver pra gente. – respondeu Leah.

- Ele tá voltando! – gritou Polly.

Chase apareceu, e parou diante delas.

- Ela teve um coma alcoólico.

- Eu disse. – falou Amanda.

- Ela está tomando glicose. Vai ficar em observação.

- Mas ela vai ficar bem, né? – perguntou Polly.

- Vai sim. Relaxem. De manhã, ela vai estar acordada.

- Você pode aparecer aqui mais tarde, e olhar ela pra gente? – pediu Leah.

Chase arregalou os olhos, e sorriu.

- Bom, esse não é o meu departamento... – ele começou, mas viu os olhares de desespero delas. Chase as haviam feito confiar novamente na Medicina. — ... mas eu venho.

- Obrigada.

- Valeu mesmo!

- Com licença. – ele disse e saiu.

Elas suspiraram, e voltaram a se sentar.

- Menos mal!

XxLFxX

Amanda estava sentada numa mureta, perto das ambulâncias fumando. Eram quase oito da manhã, e Jennifer ainda não tinha acordado.

Leah e Polly tinham ido tomar um banho.

E Jake havia ficado com ela. Ele estava roncando no carro dele, enquanto ela ficava acordada, esperando a amiga acordar.

Estava preocupada. Tinha pensado nas palavras de Leah, e realmente Jennifer estava mais cansada que o normal. Estava deprimida, e ela achava que era só saudades de casa.

Mas agora, um pensamento triste a invadiu. Será que era só isso mesmo?

- Oi. – ela ouviu.

Levantou os olhos, e viu Chase. Estava com a mesma roupa de ontem, e parecia cansado ao extremo.

- Olá, doutor.

- Viu sua amiga?

- Eu a vi uma hora atrás. Ainda não tinha acordado.

- Se quiser, eu a vejo agora mesmo.

- Obrigada. – Amanda sorriu. – Jake!

Chase tomou um susto quando ela gritou.

Jake botou a cabeça pra fora do carro, e gritou de volta:

- Que é?

- Vem! Vamos ver a Jenny! – ela arremessou longe a bituca de cigarro.

Jake saiu do carro.

- Seu namorado?

- Não, é da Leah. Eu tô... – Chase a fitou. — ... de boa.

Chase riu.

Amanda estreitou os olhos. Por que ele tá rindo?

Jake apareceu bocejando.

- Oi. – ele disse.

- Oi. – Chase devolveu.

- Esse é o Doutor... hmm... – Amanda não sabia.

- Chase. Dr. Chase.

- Jake, — se apresentou, apontou para a amiga. — essa é a Amanda.

Ela sorriu de volta.

Eles entraram no hospital. E Jake e Amanda esperaram Chase que trocou meia dúzia de palavras com as enfermeiras na recepção.

A emergência de Princeton já começava a lotar.

- Esperem um pouco. – Chase disse para os dois amigos.

- Ótimo. – Chase ouviu Jake dizer mal-humorado.

Ele seguiu num longo corredor, até o barulho da Clínica diminuir.

Seguiu para um outro pedaço do Hospital. Onde haviam dezenas de portas de quartos. Se aproximou de outro balcão.

- Eu sou Dr. Chase...

- Eu sei. – a enfermeira devolveu.

- Eu... – ele corou. — ... queria falar com o médico responsável por... por... Jennifer...

A enfermeira levantou as sobrancelhas, esperando.

- Jennifer...?

- Wan... Wir... Warren... não, Winner.

- Winchester?

- Isso. Sabia que começava com w.

- Só um momento, Dr. Chase. – a enfermeira disse, se levantando, e voltando. – Dr. Guilbert está com ela no momento. Quarto 16A.

- Obrigado. – ele sorriu.

Ele andou até o quarto, e se virou para trás, vendo as três enfermeiras do balcão cochicharem, olhando pra ele.

Ele riu sozinho, e bateu na porta do quarto 16A.

- Entre.

Chase abriu a porta, e viu um homem de uns 42 anos, e uma enfermeira, ao lado de uma jovem.

- Olá, Dr. Chase. Como está?

- Bem. E como está a srta. Winchester? – ele terminou.

- Vai bem. Recuperada.

- Nem tanto. Parece que fui atropelada. – Jennifer disse, de maneira triste.

- É assim mesmo.

- Estou morrendo de sede.

- É a glicose. A enfermeira Garret vai lhe dar toda a água que puder beber.

- Obrigada.

Dr. Guilbert terminava os testes finais para liberar a paciente. Ele batia o martelo nos joelhos de Jennifer, checando seus reflexos.

- Bom, querida, isso é tudo.

- Dr. Guilbert, pode repetir isso? – pediu Chase.

- Repetir o quê? – perguntou o médico num forte sotaque francês.

- O reflexo patelar.

Dr. Guilbert testou novamente. E Chase levantou as sobrancelhas.

- Com licença. Dr. Guilbert, podemos conversar lá fora um momento?

- Claro. Enfermeira Garret ficará com você, srta. Winchester. Com licença.

Jennifer sorriu, vendo ele e Chase saírem.

- Os reflexos dela estão diminuindo. – Chase soltou.

- Mas é por causa da desidratação.

- Coma alcoólico não causa diminuição de reflexos.

- Ela está bem, Dr. Chase. Ela só reclamou de fadiga, fraqueza, um pouco de falta de peso...

- Fadiga, fraqueza, falta de peso e diminuição de reflexos?

- Dr. Chase, ela é uma bailarina, que ensaia oito horas por dia.

- Não dê alta a ela.

- O quê?

- Não dê alta a ela! – Chase exclamou, virando na direção do corredor.

Chase apareceu em alguns minutos na emergência.

Amanda e Jake continuavam no mesmo lugar, agora juntos de Leah e Polly, que pareciam renovadas.

- Dr. Chase. – exclamou Amanda. – Podemos vê-la?

- Sim e não. Ela não terá alta no momento. Ela parece estar... mais doente do que um... coma alcoólico.

- O que você quer dizer? – perguntou Polly.

- Ela está melhor, mas... desconfio que ela está doente.

Os quatro o olham sem entender.

- Ela está fraca, cansada, com poucos reflexos. Isso são sintomas de alguma coisa fora do normal.

- Algo grave?

-Não sei. Mas vou descobrir. Aguardem aqui.

Chase se vira e encontra Cameron parada no balcão.

Ela vê seu rosto preocupado, e não evita perguntar:

- O que houve?

- Encontrei um caso pro House.

XxLFxX

Notas finais
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: Jordana (vou mostrar pra você que o Jake não é tão boçal assim, hihi.) Poli Rottie (pois é, meu cérebro quando quer, trabalha sozinho.) Nayla (seu presente aparece mais pra frente.) Ni (gostou de você mesma?)
NOTAS:
ER e Greys Anatomy Nem preciso dizer, certo?
Bolshoi é um companhia de balé russa famosa. É uma das maiores do mundo. Ela tem uma única filial aqui no Brasil, em Joinville.
Winchester é uma mini-homenagem aos irmãos Winchester, Dean e Sam, de Supernatural.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!