Achados e Perdidos
2 Capítulo 1 - Quê? Como? Espere aí! Repete!
Notas iniciais
- O Jake deu sinal de vida? – perguntou Amanda.
- Eu esqueci o celular. – respondeu Leah.
- Nossa. Como tá demorando. – disse Polly, nervosa.
As três se sentavam em cadeiras duras da emergência do Princeton-Plainsboro Teaching Hospital.
- Seu amigo ta de plantão? – Leah olhou para Amanda.
- Não. O pior é que eu também esqueci o celular. Não sei o numero dele de cor.
- Eu vou no banheiro, jogar uma água no rosto. – disse Polly. — Ainda me sinto... chapada. E eu to com calor.
- Dá pra ver.
Polly se levantou e seguiu um corredor. A emergência estava vazia, e Leah encarou Amanda.
- Fico imaginando o que o Danny vai dizer. – soltou ela.
- Como ele ficaria sabendo? Ninguém aqui vai contar. Ninguém viu nada, além de nós. – afirmou Amanda.
- Ele é o supervisor de Ford, Amy. – Leah balançou a cabeça preocupada. – E se algum médico aqui ligar pra lá? Ou avisarem a Grace?
- Como eles avisariam a Grace? Ela está em Sarah Lawrence. Só quem tem o telefone dela é a Jenny.
- Mas de qualquer maneira, eles vão querer avisar a família. E a família mais perto é a Grace.
- É feriado. Duvido que a Grace vai vir até aqui, por um coma alcoólico.
- E se não for coma alcoólico? – Leah sugeriu. – Ela tem andado cansada ultimamente.
- Cansaço não significa nada. Ela tem estudado pra caralho estes últimos tempos. Ela tem ensaiado oito horas por dia.
- Ainda acho que não é só isso.
- Você tá vendo muito ER.
- Prefiro Grey’s Anatomy.
Elas riram. Polly apareceu, com os cabelos amarrados no topo da cabeça, e a calça molhada de água.
- Isso é o que eu chamo de calor. – Amanda riu pra ela.
- Ninguém apareceu? – perguntou ignorando a amiga. Elas chacoalharam a cabeça: não. – A gente avisa a Grace?
- Por enquanto não. – respondeu Leah.
- Vocês acham que foi a cerveja? Ou a maconha?- perguntou ela.
- Acho que não. A gente já fez isto tantas vezes. Ela nunca reagiu assim. – respondeu Amanda.
- Eu sou obrigada a ir lá. – Leah levantou, furiosa.
- Ai Deus, que susto! Eu mato a Jenny, se tudo isso for só porque ela se matou na aula daquela russa do caralho! – soltou Amanda.
- Por que russa do caralho? Ela era do Bolshoi.
- Pra mim, ainda é uma carrasca cretina.
As duas ouvem um barulho vir de uma porta de vidro próxima. Um homem sai dela. Louro, alto, com um jaleco branco quase chegando ao chão.
- Uou! – as duas exclamam.
Chase encosta no balcão e fala com duas enfermeiras.
Polly e Amanda continuam o fitando, mantendo as bocas abertas. Ele percebeu, e sorriu, embaraçado.
- Que bela visão as três da manhã!
- E é medico. – murmurou Amanda. – Acho que vou mudar meu curso pra Medicina...
- Acho que eu também.
- Eu não vou falar com ninguém. Eu estou falando com você. — Leah gritou, acabando com a visão das meninas. – Você vai falar com alguém!
Polly e Amanda se entreolharam, e foram até a amiga.
Chase assistia a cena, com um meio sorriso. Devia estar achando aquele “piti” daquela garota muito engraçado.
Leah batia o pé no chão furiosamente. A enfermeira a sua frente olhava para ela, em seguida olhava para Chase, que mantinha um olhar de “se vira”.
- Estou aqui a uns quinze minutos, e só quero saber o que acontece com a minha amiga. Só isso! Será que é tão difícil você ir lá naquela sala e ver se ela tá bem?
- Calma, Leah. – pediu Polly.
- Eu resolvo isso. – Amanda soltou, e andou na direção da sala de trauma.
- Você não pode fazer isso! – a enfermeira saiu de trás do balcão.
- Me impeça! – Amanda gritou. Leah foi atrás.
E Chase virou na direção delas rindo.
- Você é medico, não é? – Polly perguntou a Chase.
- Sou. – ele se virou para ela.
- Será que você pode fazer esse favorzinho? E saber como está Jennifer Winchester?
Ele riu.
- Vou ver o que eu posso fazer. – ele soltou, e andou na direção de onde Leah, Amanda e a enfermeira foram.
Ele parou ao ver, a frente das portas da sala de trauma número 2, três mulheres gritando:
- Sai da minha frente! – Amanda gritava, enquanto a enfermeira a impedia de entrar com os braços abertos.
- Você não pode entrar!
- Eu vou entrar sim. – ela gritou.
Chase viu as duas garotas tentando desviar dos braços da enfermeira.
- Se você não sair da minha frente, eu vou meter a mão na sua cara! – Amanda gritou.
- Você não pode entrar. Aqui não é um dormitório da sua faculdade.
- Eu vou entrar sim, sua incompetente. Porque você não volta pro seu jogo de paciência, enquanto eu descubro o que tá acontecendo?
- É melhor você se acalmar antes que eu chame o segurança, ou a policia. Eles vão adorar saber de onde você arranjou esse perfume peculiar.
- Sua vadia...! – Amanda pulou pra cima da mulher.
Chase entrou no meio, impedindo a briga.
- Calma, senhoritas! – ele exclamou. — Eu vou ver como está a sua amiga.
Leah e Amanda pararam, e a enfermeira suspirou.
- Esperem aqui. – ela pediu, resfolegando, e saiu atrás de Chase.
- Desgraçada! – soltou Leah, enquanto Polly se juntava a elas.
- Que enfermeira é essa? – Polly estava chocada. – Perfume peculiar?
- Ao menos, ela foi discreta. – disse Leah.
- Que ódio! Vadia desgraçada! – Amanda tentou ver pelo vidro das portas. – Deixa só ela voltar! Eu quebro a cara dela.
- Leah! – alguém gritou.
As três se viraram e viram Jake, de banho tomado e parecendo um homem de verdade. Ele se aproximou.
- E ai, como é que ela está? – ele perguntou.
- A gente não sabe. Um médico foi lá ver pra gente. – respondeu Leah.
- Ele tá voltando! – gritou Polly.
Chase apareceu, e parou diante delas.
- Ela teve um coma alcoólico.
- Eu disse. – falou Amanda.
- Ela está tomando glicose. Vai ficar em observação.
- Mas ela vai ficar bem, né? – perguntou Polly.
- Vai sim. Relaxem. De manhã, ela vai estar acordada.
- Você pode aparecer aqui mais tarde, e olhar ela pra gente? – pediu Leah.
Chase arregalou os olhos, e sorriu.
- Bom, esse não é o meu departamento... – ele começou, mas viu os olhares de desespero delas. Chase as haviam feito confiar novamente na Medicina. — ... mas eu venho.
- Obrigada.
- Valeu mesmo!
- Com licença. – ele disse e saiu.
Elas suspiraram, e voltaram a se sentar.
- Menos mal!
XxLFxX
Amanda estava sentada numa mureta, perto das ambulâncias fumando. Eram quase oito da manhã, e Jennifer ainda não tinha acordado.
Leah e Polly tinham ido tomar um banho.
E Jake havia ficado com ela. Ele estava roncando no carro dele, enquanto ela ficava acordada, esperando a amiga acordar.
Estava preocupada. Tinha pensado nas palavras de Leah, e realmente Jennifer estava mais cansada que o normal. Estava deprimida, e ela achava que era só saudades de casa.
Mas agora, um pensamento triste a invadiu. Será que era só isso mesmo?
- Oi. – ela ouviu.
Levantou os olhos, e viu Chase. Estava com a mesma roupa de ontem, e parecia cansado ao extremo.
- Olá, doutor.
- Viu sua amiga?
- Eu a vi uma hora atrás. Ainda não tinha acordado.
- Se quiser, eu a vejo agora mesmo.
- Obrigada. – Amanda sorriu. – Jake!
Chase tomou um susto quando ela gritou.
Jake botou a cabeça pra fora do carro, e gritou de volta:
- Que é?
- Vem! Vamos ver a Jenny! – ela arremessou longe a bituca de cigarro.
Jake saiu do carro.
- Seu namorado?
- Não, é da Leah. Eu tô... – Chase a fitou. — ... de boa.
Chase riu.
Amanda estreitou os olhos. Por que ele tá rindo?
Jake apareceu bocejando.
- Oi. – ele disse.
- Oi. – Chase devolveu.
- Esse é o Doutor... hmm... – Amanda não sabia.
- Chase. Dr. Chase.
- Jake, — se apresentou, apontou para a amiga. — essa é a Amanda.
Ela sorriu de volta.
Eles entraram no hospital. E Jake e Amanda esperaram Chase que trocou meia dúzia de palavras com as enfermeiras na recepção.
A emergência de Princeton já começava a lotar.
- Esperem um pouco. – Chase disse para os dois amigos.
- Ótimo. – Chase ouviu Jake dizer mal-humorado.
Ele seguiu num longo corredor, até o barulho da Clínica diminuir.
Seguiu para um outro pedaço do Hospital. Onde haviam dezenas de portas de quartos. Se aproximou de outro balcão.
- Eu sou Dr. Chase...
- Eu sei. – a enfermeira devolveu.
- Eu... – ele corou. — ... queria falar com o médico responsável por... por... Jennifer...
A enfermeira levantou as sobrancelhas, esperando.
- Jennifer...?
- Wan... Wir... Warren... não, Winner.
- Winchester?
- Isso. Sabia que começava com w.
- Só um momento, Dr. Chase. – a enfermeira disse, se levantando, e voltando. – Dr. Guilbert está com ela no momento. Quarto 16A.
- Obrigado. – ele sorriu.
Ele andou até o quarto, e se virou para trás, vendo as três enfermeiras do balcão cochicharem, olhando pra ele.
Ele riu sozinho, e bateu na porta do quarto 16A.
- Entre.
Chase abriu a porta, e viu um homem de uns 42 anos, e uma enfermeira, ao lado de uma jovem.
- Olá, Dr. Chase. Como está?
- Bem. E como está a srta. Winchester? – ele terminou.
- Vai bem. Recuperada.
- Nem tanto. Parece que fui atropelada. – Jennifer disse, de maneira triste.
- É assim mesmo.
- Estou morrendo de sede.
- É a glicose. A enfermeira Garret vai lhe dar toda a água que puder beber.
- Obrigada.
Dr. Guilbert terminava os testes finais para liberar a paciente. Ele batia o martelo nos joelhos de Jennifer, checando seus reflexos.
- Bom, querida, isso é tudo.
- Dr. Guilbert, pode repetir isso? – pediu Chase.
- Repetir o quê? – perguntou o médico num forte sotaque francês.
- O reflexo patelar.
Dr. Guilbert testou novamente. E Chase levantou as sobrancelhas.
- Com licença. Dr. Guilbert, podemos conversar lá fora um momento?
- Claro. Enfermeira Garret ficará com você, srta. Winchester. Com licença.
Jennifer sorriu, vendo ele e Chase saírem.
- Os reflexos dela estão diminuindo. – Chase soltou.
- Mas é por causa da desidratação.
- Coma alcoólico não causa diminuição de reflexos.
- Ela está bem, Dr. Chase. Ela só reclamou de fadiga, fraqueza, um pouco de falta de peso...
- Fadiga, fraqueza, falta de peso e diminuição de reflexos?
- Dr. Chase, ela é uma bailarina, que ensaia oito horas por dia.
- Não dê alta a ela.
- O quê?
- Não dê alta a ela! – Chase exclamou, virando na direção do corredor.
Chase apareceu em alguns minutos na emergência.
Amanda e Jake continuavam no mesmo lugar, agora juntos de Leah e Polly, que pareciam renovadas.
- Dr. Chase. – exclamou Amanda. – Podemos vê-la?
- Sim e não. Ela não terá alta no momento. Ela parece estar... mais doente do que um... coma alcoólico.
- O que você quer dizer? – perguntou Polly.
- Ela está melhor, mas... desconfio que ela está doente.
Os quatro o olham sem entender.
- Ela está fraca, cansada, com poucos reflexos. Isso são sintomas de alguma coisa fora do normal.
- Algo grave?
-Não sei. Mas vou descobrir. Aguardem aqui.
Chase se vira e encontra Cameron parada no balcão.
Ela vê seu rosto preocupado, e não evita perguntar:
- O que houve?
- Encontrei um caso pro House.
XxLFxX
Notas finais
NOTAS:
ER e Greys Anatomy Nem preciso dizer, certo?
Bolshoi é um companhia de balé russa famosa. É uma das maiores do mundo. Ela tem uma única filial aqui no Brasil, em Joinville.
Winchester é uma mini-homenagem aos irmãos Winchester, Dean e Sam, de Supernatural.
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