Quando me entregou as mochilas, ela tinha olhos suplicantes e seguros, mas entendi o porquê.

Uma mancha vermelha tentava escapar tímida por sob o robe dela, eu já sabia que não podia fazer mais nada. Beijei-lhe a testa e peguei Lola pelo braço e andei com ela pelo corredor destruído, desviando de cacos e destroços.

Conseguimos descer e nos esconder sob a marquise de uma das janelas da sala.

Eu nunca imaginei que aquilo iria acontecer, não com a nossa família, tudo bem, eu notei irregularidades na empresa que minha família ministrava, mas não pensei que algo horrível assim iria acontecer, minha mãe, morrendo, dois andares acima de mim, sozinhos, por que certamente meu pai fugiu, ele nunca se importou muito com a família dele.

Nem eu na verdade.

Mas era minha mãe.

E agora, eu estou aqui, consolando uma menina totalmente estranha para mim.

Lola chegou quando eu tinha três anos.

Na época eu não entendia muito bem, por que, quando tinha dois anos, meu pai me mandou para longe, para casa dos meus avós.

E quando voltei, tinha outra criança em casa, acho que é por isso que não simpatizo muito com essa menina.

Mas, no entanto, aqui estava eu, abraçando-a, deixando que soluçasse contra o meu pijama.

Quando achei que poderíamos voltar. Que tudo silenciou, eu estava errado.

Começou a gritaria a cima de nós.

–... MINHA CASA PORRA!- era a voz de meu pai

–o combinado não foi cumprido, lamento você é um incompetente. — respondeu um homem calmamente

–VOCÊ ACABOU COM A MINHA FAMILIA SEU MERDA! MINHA MULHER ESTÁ MORTA! – Lola tremeu em meus braços – E MEUS FILHOS SUMIRAM – ele continuava a gritar.

Eu e minha irmã em absoluto silenciamos.

Para ouvir o barulho de socos, e coisas quebrando.

E ouvir o estampido abafado do disparo de uma arma com silenciador, e encarar o corpo do meu pai rolar pela marquise da sala e cair bem a nossa frente com a cara enfiada na camada fofa de neve.

–... removam o corpo de lá, não está morto, peguem ele – ordenou a mesma voz que chamou meu pai de incompetente.

–vamos sair daqui- sussurrei

E nos esgueiramos pelas sombras das marquises que rodeavam as varandas da casa, engatinhando até portão dos fundo que...

Tinha código

E eu não sabia o código

Mas a menina sabia, e teclou os dígitos tremendo, errou duas vezes, mas felizmente o portão nos deixou passar e começamos a correr pelas ruas do Chelsea, corremos pela Talbolt Yard até perto do copy prints, onde Lola parou com as mãos nos joelhos ofegando.

–Eu.. não.. consigo.. chame um táxi- ela disse e se escorou na parede mexendo na mochila – anda, temos dinheiro.- ela disse

E eu achei, no fim da rua, um taxista dormindo.

Ele nos deixou entrar de má vontade

–oque querem?- rosnou

Olhei para Lola, que pensou um pouco -Nos leve para o Royal Garden -

–Não tem dinheiro para isso. – ele disse

–temos sim, agora por favor, nos leve. – pedi e ele nos levou.