Tudo que você precisa saber agora é o meu nome, a minha idade e o meu estado mental.

Meu nome é Christian Hanson, tenho dezenove anos, e, meu estado mental está completamente abalado.

Eu estou ficando louco.

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Tudo começou no dia 29 de outubro do ano passado, quando eu voltava para casa, depois de um dia maçante como estagiário no “escritório de contabilidade” da minha família.

Estranho, por que desde que comecei a lidar com a parte dos problemas do negócio, que eu percebo que nenhum, dos problemas que nos são destinados, são resolvidos, alguns nem se quer são abertos, e eu sei, por que meu pai me mandou descer até os gabinetes e pegar uma caixa cheia de pastas e nomes, mas todas as pastas com o lacre de sigilo inviolado, vai entender.

–Você pegou todas as doze?- ele perguntou, me olhando de cima, apesar de não ser mais alto que eu, mas aquela diferença de altura, misturada com o peso de seu cargo e do olhar frio, me faziam respeita-lo e agir como um rato de laboratório perto dele.

–Peguei onze, na verdade, mas eram as únicas no gabinete cinco, pergunte ao Hailsham – Disse

–Certo, deve ter se perdido a ultima- ele pegou uma das pastas –hmm, hmmmm — jogou- a no lixo depois de folhear (muito pouco)

Passou pela porta da sala dele dirigindo-se ao cofre com a mão no celular, e foi só oque eu vi, Madeline cruzou e fechou a porta.

Esse foi o um único evento interessante que ocorreu no meu dia.

Nunca me interessei pelos negócios da família, ao contrário de Lola, ela sim, parece amar tudo que a empresa faz, mas ela só tem quinze anos, tem tempo para se decepcionar assim como eu.

Mas todo mundo me chama de vagabundo em casa, menos minha mãe, e Lola.

Mas eu vim “ trabalhar” com meu pai.

No fim do dia, pela primeira vez em anos, ele me abraçou, e me disse que tudo ficaria bem, que ele me amava, e que estaria sempre junto de mim.

Aquilo foi estranho. Estranho demais.

Entrei no carro e continuei em silencio, ele pegou uma estrada diferente, sem movimento.

E entrou num portão que eu nunca imaginei existir naquela casa.

Lola estava na sala olhando fixamente para a cadela, que nunca teve um nome definido, ela chamava de tantos nomes, então eu apenas a chamo de cadela.

Minha mãe estava olhando pela porta de vidro, com a mão sobre o peito, no momento em que eu e meu pai entramos, ela parece ter suspirado aliviada, apenas baixou a cabeça e subiu as escadas, fazia um tempo que ela vinha agindo assim, nunca tive a coragem de perguntar o porquê.

Mas naquela noite eu descobri.