Aces High

1 Capítulo Único


Varsóvia, 14 de fevereiro de 1941.

Eu estava dormindo no acampamento, até ouvir o som das sirenes e o barulho infernal de nossas armas antiaéreas. Malditos nazistas. Tiraram de mim aquela que poderia ser a minha última noite de sono.

– Agora é guerra! — Falava para mim mesmo enquanto levantava da cama.

Meu comandante entrou na tenda gritando, mas, por causa de uma explosão que ocorreu ali perto, eu só consegui entender que era pra entrar no avião e derrubar aqueles desgraçados. Naquele momento, enquanto ia pro avião, comecei a pensar: "Será que chegou a minha vez?".

Corri como nunca havia corrido em toda a minha vida, pensando que, talvez, meu amanhã nunca chegasse.

Entrei no meu avião e, enquanto me preparava para o voo, olhei ao redor para ver o que ia enfrentar. E o que eu vi não era nada bonito: incêndios provocados por bombardeios inimigos, aviões caindo em chamas como um pássaro abatido pelo caçador, soldados sendo amparados pelos companheiros enquanto choravam de dor, causada pelos tiros ou estilhaços de bombas que atingiram seus corpos, outros soldados que não tiveram nem a oportunidade de chorar... Chega! Não consegui mais olhar para aquilo.

Agora não é mais viver para voar. É voar para viver.

Partimos. Éramos um esquadrão formado por 15 aviões, e o primeiro mal teve a oportunidade de sair do solo.

Ver a morte de perto me deixou com medo. E se eu fosse o próximo? E se eu não fosse o próximo? E se...

Não! Não posso ter medo! O medo é para os fracos. E os fracos são os primeiros a ter seu sangue derramado no chão, ou, no meu caso, espalhado pelos ares.

Não muito depois disso, vi um avião aliado sendo seguido por um alemão, que hesitou em atirar. Só que na guerra, não se pode hesitar. Nos céus, é faça ou morra. Como aquele alemão não fez... Eu só fechei os olhos e atirei. Quando abri os olhos, o avião alemão que perseguia meu companheiro não estava mais lá. Estava no chão, destroçado e em chamas.

Naquele momento, comecei a sentir algo diferente, e estava gostando. Depois daquela cena, o que era medo se tornou em prazer. O prazer da vingança.

A batalha durou apenas uma hora, mas foi a hora mais longa de toda a minha vida. Aqueles 60 minutos pareciam 60 anos. Aqueles 3600 segundos pareciam que nunca iam passar.

Ao final da batalha, restaram apenas um alemão e eu. Aquilo foi o início de uma grande roleta russa, mas com armas bem mais destrutivas do que um simples revólver.

Por um capricho do destino, o alemão fez uma manobra errada e entrou bem na minha mira. E eu não tive misericórdia.

Foram muitas perdas que tivemos nesse dia. James, Ryan, Scott, Jason, Paul, Johnson, Kevin, Allan, Jacob, Lewis, Charlie, Edward, Harold, John e Michael, descansem em paz; as suas mortes já foram vingadas.

Quando voltei para a base, fui recebido como heroi. Era praticamente um deus, sendo venerado fervorosamente.

O que era prazer, tornou-se agora orgulho.

Depois de servir em mais algumas missões, voltei para casa com uma medalha de honra no peito e com tudo o que passei na mente. Oh meu Deus! O que eu fiz? Por que eu fiz? Como pude sentir prazer no que fiz? Como pude sentir orgulho do que fiz? Como pude fazer o que fiz?

E, agora, o que era orgulho se transformou em depressão.

Comecei a pensar em tudo. Tudo que eu vi, tudo que eu ouvi, tudo que eu senti. As sirenes, as armas, os aviões voando e caindo, as balas cortando o céu nublado, meus companheiros morrendo e eu, matando.

Tudo o que eu pensei era na vingança. Achei que estava fazendo aquilo pelos motivos certos. Eu achava que, como eles tinham matado, mereciam morrer. Mas eu também matei. Do mesmo jeito que eles acabaram com sonhos e arrasaram famílias, eu também acabei com sonhos e arrasei famílias.

Eu não era melhor que eles. A morte deles não trouxe meus companheiros ou qualquer outra pessoa que tenha morrido naquela guerra de volta.

Então, por que eu não morri? Por que eu não fui no lugar deles, se não sou melhor que eles?

Eu não mereço esta medalha. Eu não mereço ter sonhos. Eu não mereço viver.

Notas finais
véi, na boa... Eu sou novo nesse negócio de inventar histórias... Então comentem, please!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!