Accidentally in Love
69 Cartões
Notas iniciais
Regina saiu do loft e entrou rapidamente no seu carro, deixando as lágrimas tomarem conta de seu rosto, a dor que sentia no peito era enorme, tanto que sentia dificuldade de respirar. Tentou controlar sua respiração e quando finalmente conseguiu parar de chorar, golpeou o volante do carro diversas vezes. Claro que Emma não havia lhe perdoado, depois de duvidar dela e agir daquela forma, o que esperava? Tinha plena consciência que a loira estava certa em estar magoada. Mas de uma coisa tinha certeza, iria fazer de tudo para reconquistar a confiança do amor de sua vida. Não iria abrir mão de Emma, não poderia fazer isso de forma alguma. Respirou fundo, olhou para a janela do quarto que costumava dividir com Emma, que estava com as luzes apagadas, e deu partida no carro. Durante o trajeto até a mansão, pensava em formas de se aproximar de Emma, queria começar a fazer algo imediatamente.
Quando chegou na mansão, encontrou sua mãe lhe esperando na sala.
— Você estar de volta já é um mau sinal, não estou certa? – Cora questionou com o semblante triste.
— Infelizmente sim. – Regina se aproximou. – Ela está muito magoada comigo e não consegue me perdoar.
— E o que você pretende fazer para reverter isso? – Cora perguntou.
— Vou lutar com unhas e dentes. – Regina afirmou. – Farei tudo que for possível para recuperar a confiança de Emma.
— Agora sim, essa é a Regina Mills que criei, uma mulher determinada e perseverante. – Cora sorriu para a filha. – E não aquele espectro que estava no seu lugar nas últimas duas semanas.
— Eu sei que eu não tenho sido eu mesma ultimamente, mas foi a forma que eu encontrei para lidar com tudo o que aconteceu. – Regina se justificou.
— Eu sei, minha querida. – Cora levantou e abraçou a morena. – Eu apenas fico feliz de ver a coragem de volta em seus olhos.
— Killian já foi dormir? – Regina perguntou enquanto se soltava do abraço de sua mãe.
— Sim, ele estava exausto da viagem. – Cora confirmou.
— Ele me surpreendeu extremamente. – Regina confessou.
— Ele é seu irmão. – Cora sorriu. – Eu criei vocês dois para serem extraordinários. E fico realizada em perceber que consegui isso. No fim das contas, o amor fala mais alto.
— Eu conto com isso. – Regina suspirou. – Bom, eu vou me deitar também.
— Eu farei o mesmo. – Cora acompanhou a filha para o andar de cima. – O dia teve emoções que com certeza eu não esperava.
— A senhora quer conversar sobre isso? – Regina perguntou preocupada.
— Não hoje. – Cora sorriu.
— Quando desejar, eu estarei aqui. – Regina deu um beijo na bochecha de sua mãe. – Boa noite, Mamãe.
— Terei isso em mente, obrigada. – Cora agradeceu. – E tenha fé, aquela loira te ama.
— Eu sei. – Regina concordou. – Mas as vezes o amor não é suficiente.
— Nesse caso eu tenho certeza que será. – Cora sorriu e foi para o seu quarto.
Regina foi para o seu quarto, tomou um banho relaxante e depois que vestiu um pijama confortável, deitou em sua cama. Com os pensamentos fervilhando em sua cabeça, pegou seu celular e mandou uma mensagem para Emma:
Tenha bons sonhos, meu anjo. Saiba que os meus com certeza serão bons, pois você estará neles. Com amor, sua e somente sua, Regina.
Regina colocou o celular na mesinha de cabeceira e sorriu. Ficou imaginando a reação da loira, não esperava por nenhuma resposta e com o sentimento de esperança, acabou adormecendo tranquilamente.
No dia seguinte, a morena acordou mais cedo do que o normal. Depois de tomar banho e se vestir, saiu de casa, sem ao menos tomar café. Foi direto para a papelaria, aonde comprou vários cartões, que não tinham nada escrito, pois pretendia escrever momentos marcantes de seu relacionamento com Emma. Pretendia enviar dois cartões por dia, um pela manhã e outro ao entardecer. Junto com o cartão da manhã iria enviar alguma flor e junto ao segundo cartão iria enviar origamis, pois sabia que Emma iria adorar.
Emma acordou com Toby arranhando a porta de seu quarto, abriu os olhos e procurou pelo seu relógio na mesinha de cabeceira, constatando que tinha dormido demais, já passava das nove horas da manhã. Levantou, fez sua higiene matinal e depois de alimentar Toby, tomou café da manhã. Relembrou da sua conversa com Regina ontem e da mensagem que recebeu dela. Não sabia se ficava brava com o atrevimento da morena ou feliz por aquelas palavras doces. Para o bem da sua sanidade mental decidiu que não iria mais pensar nisso, por isso pegou Toby para levar para um passeio. Quando abriu a porta de casa, se surpreendeu com uma rosa vermelha e um cartão em seu tapete da entrada. Curiosa, entrou novamente com Toby e depois de cheirar a rosa que estava perfumada, sentou para ler o cartão.
Meu anjo, como deve saber o significado da rosa vermelha, além de amor e paixão, significa respeito e devoção. E são sentimento fortes que carrego dentro do meu peito por você.
Você se lembra quando nos conhecemos? Você tinha a recém-chegado de Londres. Eu cheguei na sala da mansão e você contava alguma história engraçada para minha mãe, lembro de ouvir sua voz alegre e entusiasmada. Quando fomos devidamente apresentadas, eu te chamei de souvenir e lembro que sua postura logo mudou para desafiante, me respondendo a altura e não se deixando abalar com minha hostilidade. Você ainda me contou que sabia tirar suas próprias conclusões sobre as pessoas. Desde o início você foi um desafio, um do qual eu não me arrependo de ter aceitado.
Eu falei sério ontem, sobre lutar por você e não desistir de nós.
Amo você hoje e sempre. Da sua e somente sua, Regina.
Emma olhava para o cartão e estava sem reação, não pode deixar de relembrar o momento que conheceu a morena, a irmã sarcástica de seu namorado, que acabou se tornando o amor de sua vida. Sorriu para a lembrança e voltou a cheirar a rosa. Bom, se Regina estava disposta a lutar pelo relacionamento delas, só restava tentar se manter firme. Apesar de no fundo, estar ansiosa para saber o que a morena iria fazer. Voltou a pegar Toby e finalmente saiu para o passeio. Depois de um longo passeio no parque, voltou para casa. Enquanto preparava seu almoço, ouviu a campainha tocar e sentiu seu coração acelerar, seria Regina? Respirou fundo e foi abrir a porta, encontrando Cora na entrada.
— Olá, Emma. – Cora sorriu.
— Cora, que surpresa. Entre por favor. – Emma deu passagem para a mais velha. – Devia ter me avisado, teria feito um almoço melhor.
— Bobagem. – Cora respondeu. – Eu não avisei, pois tive receio que não iria querer me ver.
— E por que eu faria isso? – Emma não entendeu.
— Regina te contou que meu passado foi o responsável pelo o que aconteceu. – Cora suspirou. – Eu sinto muito por isso.
— Confesso que não esperava por isso, mas eu nenhum momento lhe culpei por algo. – Emma foi sincera. – Independente do motivo de Jefferson para armar aquilo, foi Regina que não quis acreditar em mim. Eu tenho apenas gratidão pela senhora ter acreditado em mim e feito a Regina ver a verdade. Obrigada, Cora.
—Eu só quero ver vocês felizes. – Cora falou. – Regina se arrepende profundamente de ter agido daquela forma.
— Eu sei. – Emma concordou. – Mas não muda tudo o que eu senti, não consigo esquecer tudo que ouvi dela tão fácil assim.
— Eu entendo. – Cora pensou por um momento, antes de continuar. – Você deve estar me achando uma hipócrita, por ter julgado sua traição a Killian.
— Eu fiquei surpresa. Não imaginava que tivesse passado por algo parecido com o que passei. Mas compreendo que como mãe, a senhora não podia ter tido outra reação mesmo. – Emma respondeu. – Agora, eu fiquei curiosa com a participação de Killian em descobrir a verdade, como ele concordou com isso?
— Eu contei sobre o que tinha acontecido, e minha desconfiança sobre Jefferson ter sido pego com você e Milah, no início ele relutou um pouco, mas acabou concordando que algo estava mal contado e foi atrás. – Cora sorriu. – Killian ama a irmã e no fundo isso acabou sendo mais forte. Eu espero que seja o início para um entendimento entre eles.
— Seria ótimo, eu sei o quanto a Regina sente falta do irmão, apesar de ela não falar sobre isso. – Emma falou. – Aceita almoçar comigo? Eu fiz uma massa simples, mas creio estar saborosa.
— Claro, será um prazer. – Cora aceitou contente.
Depois de um almoço agradável, Cora foi embora. O resto do dia passou de forma tranquila. Passava um pouco depois das seis horas da tarde, quando Emma ouviu a campainha tocar. Ao ir verificar, encontrou um cartão com um origami de cisne. Fechou a porta e foi sentar no sofá, admirou o origami por um tempo, até abrir o cartão para ler.
Meu anjo, sei o quanto gosta de origamis, por isso estou me esforçando para aprender essa arte. Comecei com um cisne, pois me lembra de você.
Lembro de nossos pequenos desentendimentos e alfinetadas que trocávamos com frequência. Você me falou que eu tinha procurado amor nos lugares errados, e estava completamente certa. Mas lembra a primeira vez que nos conectamos de verdade? Depois de eu te contar sobre a macieira que plantei com meu pai, eu senti uma vontade enorme de compartilhar outra coisa importante para mim. Te levei até o meu refúgio e contei o que ele significava para mim. Lembro perfeitamente da sua expressão, você olhava encantada pelo lugar e por eu ter escolhido te levar nele. Tem uma coisa que você não sabe, quando voltamos para casa, minha mãe me chamou para uma conversa, ela queria saber o que estava acontecendo entre a gente e sutilmente me mandou não adquirir sentimentos românticos por você. Eu acho que já era tarde demais para tentar evitar isso, mas naquele dia eu jurei para mim mesma que se eu desejasse ter você, eu teria e nada me faria mudar de ideia.
Você é a medida exata de tudo o que um dia eu sonhei para mim.
Com amor sem fim, da sua e somente sua, Regina.
A loira relembrou do dia que Regina compartilhou seu refúgio com ela, lembrou de ter se sentindo extremamente emocionada com isso. Se surpreendeu em saber que Cora tinha questionado Regina naquele dia, mas gostou de saber que a morena já tinha começado a nutrir sentimentos por ela naquela época. Emma sorriu emocionada, não sabia o que Regina pretendia com esses cartões, mas de uma coisa tinha certeza, estava amando receber eles.
Fale com o autor